— Por que estás a fazer isso comigo, Dante? — minha voz saiu fraca, embargada pelo medo. — Por favor, me deixa ir com o meu filho, eu imploro. Eu não quero fazer parte do teu mundo. Eu quero que o meu filho seja livre desse mundo do crime... Não quero que ele tire a vida de outras pessoas como você!
As palavras escaparam antes que eu pudesse contê-las. Só percebi o peso delas quando vi o olhar de Dante endurecer, gelado como aço. O arrependimento me invadiu de imediato. As lágrimas desceram pelo meu rosto. Eu sabia que ele não tinha escolhido nascer naquele meio, mas ainda assim... eu não queria esse destino para o Lion.
Ele cruzou os braços, firme, sem desviar os olhos de mim.
— Eu não escolhi nascer nesta família, Cecília. Mas nunca trocaria a minha família. E se tiver que matar para proteger a minha família — incluindo você e meu filho — eu mataria sem piscar.
A frieza daquelas palavras me atingiu como uma faca.
— Desculpa, Dante. Não quis dizer isso... — levantei-me, andando até ficar diante dele, com o peito subindo e descendo rápido. — Mas eu já ouvi que no teu mundo os homens têm uma mulher e várias amantes. Que o meu filho vai ser obrigado a aprender a matar cedo. E eu... eu sou só uma mulher normal. No teu mundo, eu me tornarei apenas motivo de zombaria entre aquelas mulheres que te cercam. O que farias então?
Ele se aproximou, sua sombra me cobrindo.
— Ninguém se atreveria a mexer contigo se fores minha mulher. Isso eu garanto. E se alguém tentar... eu o mato.
Um arrepio percorreu minha pele. Parte de mim acreditava nele. Parte de mim tinha pavor.
— Eu não posso morar aqui contigo. — insisti, a voz quebrada. — Eu não posso deixar a minha vida, nem a minha melhor amiga, que é como uma irmã pra mim.
— Eu vou arranjar um apartamento para ela em um dos nossos hotéis. Ela estará segura lá. — ele afirmou, quase impaciente. — Por favor, Cecília, não tornes as coisas mais difíceis.
Enquanto ele falava, eu andava de um lado para o outro, perdida entre a razão e o coração. Pensava no meu filho, na minha amiga... e nele. Meu coração o desejava, mas a minha mente gritava que Dante era perigo.
De repente, ele me segurou pelos ombros, me obrigando a parar.
— Cecília, basta. Eu mereço essa oportunidade. Você sabe disso. Você me tirou uma das fases mais importantes da minha vida: o nascimento do meu filho. Agora, gostes ou não, nós vamos casar daqui a duas semanas.
Ele caminhou e virou-se para trás, autoritário.
— Não vens?
— Aonde? — perguntei, sem forças.
— Ao teu novo quarto.
Segui-o, como quem não tem escolha. Era um quarto ao lado do do Lion. Dante abriu a porta e entrou primeiro. Eu o acompanhei em silêncio.
Ele virou-se para mim, sério.
— Por enquanto, este será o teu quarto. Depois do casamento, vais mudar para o meu.
— Eu não quero casar contigo. — murmurei, cansada.
Ele riu, sem humor.
— Não é um pedido. Nós vamos casar.
— Eu não vou dormir aqui. Vou dormir com o meu filho.
— Você decide. Mas este quarto é teu. Vais dormir com ele só por hoje. O meu herdeiro não pode ter medo. Ele já é grande demais para dormir com a mãe.
— Dante! Estamos a falar de uma criança. Do nosso filho! — minha voz se elevou, tomada pela indignação.
Ele arqueou as sobrancelhas, com sarcasmo.
— Agora lembras que ele é o meu filho? Devias ter pensado nisso desde o início.
Sem esperar resposta, saiu, fechando a porta atrás de si.
Fiquei ali parada, imóvel, até que minhas pernas cederam e me sentei na beira da cama. As lágrimas caíram sem controle. Chorei por medo. Chorei por culpa. Chorei por ter separado pai e filho. Mas, acima de tudo, chorei porque não queria que o meu pequeno fosse arrastado para o mesmo mundo c***l do pai.
Limpei o rosto, respirei fundo e decidi. Fui até o quarto ao lado, onde o Lion dormia tranquilo, alheio a todo o caos que me consumia. Deitei-me ao lado dele, abraçando-o forte, como se pudesse protegê-lo de tudo apenas com o calor do meu corpo.
E assim, em silêncio, adormeci, rezando para que, de alguma forma, conseguisse manter o meu filho seguro.