Draco Pov
Deixei Tonks em Hogwarts, onde o pessoal queria fazer uma noite do pijama para aliviar a tenção, com direito a gastar o meu dinheiro comprando um monte de besteiras. Mas eu preferi não ficar.
Uma certa cadeira de hospital estava me esperando.
Conferi as câmeras a algumas horas e James não tinha dado sinal no quarto de Harry hoje, então não há perigo eu ir para lá. Ou era o que eu pensei.
Quando adentrei o leito hospitalar que praticamente já decorei todas as nuances, dei de cara com uma menina que não faço ideia quem é. Gata pra c*****o.
Por volta de 1,60 metros, uns 50kg, ruiva quase que castanha, olhos âmbar, no máximo 17 anos... muito diferente da Ginny ou qualquer outro Weasley, mesmo tendo também sua própria beleza.
- Quem é você? - Perguntou na defensiva.
- Pergunto o mesmo - Alguns traços dela me lembram alguém, mesmo eu não sabendo identificar ao certo. E sua fala era banhada de um sotaque Inglês bem mais marcante que o meu.
Me adiantei ignorando a figura feminina momentaneamente e reparando na batatinha. Ele está pálido e com o cabelo todo bagunçado (como se desse pra arrumar aquele cabelo). Ele já não estava mais entubado, tiraram ontem. E com isso era para ele ter acordado do coma induzido, e a teoria do médico é que ele pode acordar a qualquer minuto, ou nunca mais... tudo vai depender de quanto tempo o corpo dele vai demorar para processar o fato que levou um tiro e se superar desse trauma físico.
Além disso ele teve uma reação alérgica a um dos remédios que deram, por isso o ataque cardíaco pra início de conversa.
- Ei! sai de perto do meu irmão! - A menina tentou se colocar entre mim e Hazz.
- Irmão? Você é a Luara? - Perguntei finalmente reconhecendo aqueles traços familiares nela.
É uma versão menos bonita do Harry, mais jovem e ruiva.
- Como você me conhece? É amigo do Hazzie? - Ela questionou um pouco mais tranquila.
- Digamos que sim. Ele me contou um pouco sobre você, Londres e essas baboseiras. Quando quer, Harry fala bastante - Me lembrei das vezes em que, em vez de treinar, ele ficava fingindo câimbras e torções só para ficar sentado no tatame de treinamento falando, falando e falando.
- Esse é o meu irmão - Luara parecia convencida que eu realmente conheço o Harry, e voltou a focar no irmão.
- Se me permite, o que faz aqui? Harry disse que você está no último ano do Ensino Médio em Londres - Real estava curioso.
- Digamos que quando você recebe a notícia que o seu irmão levou um tiro você se sente na obrigação de atravessar o oceano pra atirar de volta na pessoa que fez isso com ele - Com certeza Luana puxou a firmeza e determinação do irmão.
Eu conto ou vocês contam que quem atirou nele fui eu?... na verdade acho melhor ela não saber.
- Mas e você, como conheceu o meu irmão?
- Eeee... longa história. Mas digamos que tivemos algumas brigas, mas logo nos entendemos - Isso se você contar uma flechada e o c*****o a quatro como "algumas brigas". Mas resolvi deixar isso de fora.
- Você acha que ele vai acordar logo? em alguns dias é o aniversário dele, e com certeza Harry não queria passar o aniversário de vinte anos em coma no hospital - Luara falou cobrindo o irmão melhor com o cobertor.
- Tenho certeza que ele vai. Harry é a pessoa mais forte que já vi na minha vida, e precisa de muito mais do que um tiro pra matar esse garoto - Falei e Lu me olhou como se quisesse perguntar algo, mas desistiu.
- Pretende ficar até o aniversário dele? Sei que Harry amaria ter você aqui com ele - Perguntei.
- Sinceramente? Estou pensando em ficar mais. Talvez me transferir para uma escola aqui, acabar o ensino médio, fazer faculdade... Sei que meu irmão precisa de mim aqui.
Isso vai da merda? Com certeza. Dois Potters filhos vivendo no mesmo teto que um Potter pai pique líder mafioso? Sendo que Harry vai se infiltrar o que é perigoso, e Luana cheira a couro?
Meu gaydar nunca falha.
- Você fica aqui com ele? Vou ao banheiro - A ruiva falou antes de se retirar.
Ingênua, pensando que eu vou ir embora sendo que já vim preparado pra passar a noite. Ainda mais que eu não durmo. Tenho internet ilimitada no meu celular, fanfic pra atualizar, e um moreninho pra ficar de olho...
Não desejo estar em qualquer outro lugar.
Comecei a cantarolar uma música que não sai da minha mente desde que Blaise terminou o namoro e colocou essa droga pra tocar 24h por dia: "Angels Like You" da Myley Cyrus.
Fui até a janela (que estava fechada por causa do frio, obviamente) e fiz minha performance para a lua. O tempo está feio faz uma semana mais ou menos, mas a lua continua linda lá em cima.
Eu já estava repetindo o único pedaço da música que sei pela décima vez quando um barulho me chamou a atenção. Era como uma risada tentando ser reprimida, bem baixinha, mas foi o suficiente para me fazer virar as presas e ver ele ali.
Harry estava acordado e tentando não rir de mim.
Por um minuto pensei que poderia ser uma alucinação minha. As vezes eu real exagero nas drogas, e por mais que elas não tenham muitos efeitos em infernais como eu, quando enjeridas em excesso pode fazer ficar bem noiado. Lembro de uma vez que acabei no meio do Central Park gritando com um esquilo porque eu jurava que ele era uma fada enviada pra me comer.
Enfim, não usem drogas crianças.
Mas quando ele finalmente falou com a voz falha e rouca, eu soube que isso era real, e vocês não tem ideia do alívio que me percorreu:
- Poético você cantar essa música eu diria.
Corri para perto da cama sem conter o sorriso.
- Nem acredito que você acordou. Como se sente? Quer que eu chame o médico? Ou sua irmã? Onde dói? Você tem ideia do susto que me deu baixinho? - Tenho certeza que atropelei as palavras de tanta euforia.
- Calma, primeiro: quanto tempo eu fiquei desacordado? - A voz dele era meio grogue e baixa, mas ainda bem que tenho audição sobrenatural.
- Dois dias.
- p***a.
- Olha a boca - Foi reflexo.
- Falou o fiscal do palavrão. Fica quietinho ai na sua. Segundo: minha irmã?
Harry parecia confuso e só ai me dei conta da burrada que fiz. Ops.
- Ela está ai. Acho que não deveria ter falado... mas ela veio te ver.
Ele apenas concordou com a cabeça. Parecia estar absorvendo tudo com muita lentidão, mas só de estar acordado já é uma vitória.
Um grande vitória.
- E o plano deu certo? - Perguntou depois de algum tempo.
- Obvio que deu. Você é meu garoto, e falei que daria tudo certo, que você dava conta disso - Falei feliz me inclinando para tirar uma mecha de cabelo de cima da cicatriz de raio dele.
Nada no mundo me preparou para a reação do Harry. Quando os dizeres acabaram de sair da minha boca, ele simplesmente me olhou fundo nos olhos, se sentou melhor na cama, e...
Me deu um belo soco no nariz. Que não doeu, mas certamente me pegou de surpresa.
- Que p***a garoto...?! - Ele desencaixou o osso do meu nariz, então tive que fazer pressão para o colocar no lugar. O que não me fez sentir dor, mas deu um p**a nervoso.
- Eu disse que não sou seu garoto, e finalmente consegui te pegar de guarda baixa. Não resisti a chance de finalmente de dar o troco por todas as vezes que me bateu no treino.
Harry podia estar mais magro que o normal, fraco por causa do tempo em coma, pálido e com cara de pessoa de hospital... mas aquele sorriso zombando de mim era o mesmo que dava desde que eu o conheci.
- Pelo jeito você já está bem até de mais - Resmunguei fingindo estar m*l humorado e zangado pelo soco.
Mas apenas conseguia pensar em uma coisa: o sentimento de solidão foi embora, e a tempestade também.
Harry Pov
Na mitologia grega, Sísifo, o mais astuto de todos os mortais, foi condenado por Zeus a rolar uma gigantesca pedra morro a cima eternamente. Todos os dias o carinha atingia o topo do rochedo, contudo era vencido pela exaustão, assim a pedra retomava a base.
Um castigo eterno, uma vida de repetição...
As vezes eu sinto que estou vivendo assim. Apenas sobrevivendo para carregar minha pedra até o topo, e a vendo escorregar no final do dia para que eu tenha que me esforçar no dia seguinte de novo.
Uma vida de merda, de esforço sem propósito, e de exaustão... sem resultados.
Mas ai algumas coisas acontecem e me mostram que eu não estou nesse ciclo. Pequenos atos desarmam grandes corações. E as pessoas certas conseguem arrancar a pedra das nossas mãos e destrui-la sem pensar duas vezes, nos mostrando que a vida não precisa ser esse ciclo sem fim. Que a vida pode sempre nos oferecer mais... Ela pode ser mais.
E a gente tem que lutar por isso, pois merecemos.
- Harry, você está devaneando de novo - Draco me chamou com um sorriso bobo no rosto, provavelmente tentando segurar a risada devido a minha provável cara de noiado.
Só faz alguns minutos que acordei. Depois que dei um soco no oxigenado, ele foi chamar os médicos para me avaliarem dizendo que eu só podia estar com algum problema na cabeça. Como se algum dia eu não tivesse.
E nesse tempo eu acho que me deixei levar nos meus próprios pensamentos. Não podem me culpar, estou mais chapado de remédios que um viciado em drogas.
- O médico já está vindo, e sua irmã também. Como você se sente? - Dray perguntou se sentando em uma cadeira do lado da minha cama, tão formoso e arrumado como sempre.
Não há um dia que esse filho da p**a lindo não esteja vestido como se fosse pra uma reunião importante, ou dominar o mundo.
- Como uma fada soltando purpurina pelo cu - Respondi me sentando melhor na cama. Odeio camas de hospitais, elas nunca são confortáveis - E você?
- Meu nariz tá doendo - Ele estava com um biquinho adorável.
Conheço o Draco, ele faz isso quando está fingindo estar irritado só pra fazer drama. Ele nem deve ter sentido o soco direito.
- Você é muito fofo dramático amore.
- E você é muito fofo quando está em coma sem estar me batendo ou me irritando, baby.
- Nem vem que você está radiante por eu estar bem - Ele não negou.
- Você ainda vai me pagar por isso - O nariz dele escorria sangue.
- Você vive falando que vou pagar pelas coisas. Por me vestir de Miguel no Halloween, e muito mais coisas, mas não faz nada. Estou ansioso por isso... mas se bem que você não daria conta - Sim eu estou provocando. Ser um brat é meu talento.
Draco me encarou com intensidade, e não deixei a desejar, olhando na mesma proporção. A tensão entre a gente dava para ser cortada com uma faca de tão tangível.
Se um dia eu não quis dar pra esse homem, eu não lembro.
- Harry!
Olhei para o lado e lá estava minha meio irmã. Muito maior do que da ultima vez que a vi, muito mais bonita, deslumbrante... c*****o, essa garota pegou toda a beleza da família, só pode. Nem parece que ainda é uma adolescente. Cadê as espinhas e as merdas que eu sofri quando foi a minha vez?
- E ai baixinha.
- Estou maior do que você i****a - Ela disse se aproximado, e sim, ela está maior que eu.
O fardo de ser quase um anão de jardim.
- Que lindo o amor de irmãos - Draco resmungou.
- Falou o cara que chama a irmã de Lunática. E você sabe que a minha forma de demonstrar sentimentos é diferente - Devolvi.
Draco deu de ombros e voltou a mexer no celular. Já minha irmã estava encarando o nariz do loiro com uma cara de questionamento.
- Nem pergunta - Me adiantei rindo.
Logo o médico chegou e eu me senti que nem um rato de laboratório. Tira sangue pra cá, mede pressão pra lá, remédios e mais remédios...
Eles disseram que amanhã eu finalmente vou poder ir pra casa. Meus pontos já cicatrizaram no tempo que estive em coma. Vou ter que evitar movimentos bruscos ou atividades exaustivas por alguns dias, mas sem isso parece que estou bem.
Luara e Draco resolveram passar o resto da noite aqui, me fazendo companhia.
Em um determinado tempo o loiro deitou a cabeça para trás da cadeira e fechou os olhos ficando imóvel. Eu sei que ele não está dormindo, pois ainda falta algumas semanas pra ele precisar fazer isso de novo (sim, eu tenho anotado no meu celular as semanas onde em algum dia ele vai precisar dormir, já que eu o ajudo com isso), então ele deve estar apenas pensativo ou algo assim agora.
Mas Luara pensou que ele estava adormecido e veio se deitar comigo na maca com uma cara de safada.
- Draco né... - Ela mexia as sobrancelhas de um jeito macabro.
Continuei lindo e belo ignorando ela e comendo minha gelatina de morango que escondi das enfermeiras pra comer de madrugada. Mas ai ela tomou a gelatina da minha mão e comeu tudo.
- Ei! sua vaca.
- Você está me ignorando. Me diz qual é do Draco logo. só vejo vantagens, ele é bonito pra c*****o, está passando a noite aqui só pra cuidar de você, é sexy, parece ser podre de rico...
Minha irmã ia listando as qualidades dele, e eu só consegui ficar imaginando como que aquele desgraçado não riu ainda, já que eu sei que ele está acordado.
- E é o cara que atirou em mim - Sim, soltei essa bomba logo pois não quero esconder nada da Lu.
Odeio mentiras.
- Que filho da p**a! Desgraçado! Filho do d***o! - Segurei ela pela cintura pois Luara queria pular da cama e atacar o loiro.
- Já que você tocou nesse ponto, então... filho do d***o né...
Passei a próxima hora atualizando Luara de tudo, tudo mesmo.
Draco nunca confia em ninguém e odeia que eu saia contando por aí os segredos da máfia, do sobrenatural etc. Mas o que eu posso fazer se minha boca tem vida própria? Eu juro que na vez com o Ron e a Mione foi sem querer, com a Luana eu já deduzi que ela saberia de tudo por ser irmã do Draco, e minha irmã tem passe livre pra verdade.
Eu confio nela.
Agora só tenho que tomar cuidado para não contar pra mais ninguém. E é isso.
Se ele não gostar, que me processe.
- Calma, apocalipse, anjos, demônios, s*********y filho do capeta, m******e, máfia, espionar nosso pai, salvar Draco de um exorcismo, armar um tiroteio... cara, como você pode ter vivido tudo isso enquanto eu apenas me matava de estudar naquela merda de ensino médio?!
- O que eu posso fazer se as merdas me seguem. É um dom - Falei colocando a mão no peito me achando.
- Mas o que você é? Tipo, que sobrenatural? Qual são os seus poderes?
- Perguntas difíceis pra c****e maninha. Ainda não sabemos... - E isso é frustrante, só pra deixar claro.
- Como assim não sabem?
- Tipo, sabemos que eu posso controlar, moldar, criar ou espelhar sentimentos, emoções, sensações etc. E quando isso acontece eu me envolvo em uma luz azul e roxa. Segundo o pessoal, isso é completamente inédito, o que me faz ser uma classe nova de sobrenatural, ou alguma ainda não conhecida.
- E como você se sente com isso?
- Confuso, com medo... agora eu já estou conseguindo controlar melhor os meus poderes por causa dos treinos com o Draco. Mas são muitas perguntas Lu, tipo, por que eles se manifestaram só agora? Por que eu não morri quando me taquei do prédio? Qual é a minha função no apocalipse? O que mais eu posso fazer? E se eu perder o controle, ou ser perigoso ou ainda me virar contra todo mundo e tiver uma fase dark?
- Eu sei que é muita coisa Hazzie, e nem imagino como deve ser isso pra você. Mas acho que você tem que relaxar. Você disse que não tem como saber o que você é ainda, então deixa o tempo responder. Quanto mais tempo, mais informações teremos, e mais fácil ficará de entender isso tudo.
Talvez ela esteja certa... mas sou curioso, e já queria saber o final dessa história toda de apocalipse. Mas a vida não é assim, só esperando pra saber.
Depois disso ficamos um pouco em silêncio, pensativos sobre toda essas novidades.
Luara não surtou ao saber do sobrenatural pois ela era a única que realmente nunca achou que eu era doido. Ela sempre acreditou em mim, e sempre diz que o universo é grande de mais para sabermos de tudo, e que temos que estar preparados para a possibilidade de tudo o que sabemos ser uma mentira.
Ela é minha maninha fantástica, e eu a amo muito.
- Mas agora é sério, você já percebeu que está praticamente vivendo um romance de fanfic né?! O mafioso rico, valoroso e cadelinha que gosta do menino afeminado, sexy, confuso e que só faz merda.
- Ei! - Exclamei, mas realmente ponderei isso por um minuto. E sim, talvez pareça uma fanfic... mas tá mais para um livro, o livro que eu estou vivendo e escrevendo escondido de todos.
- As fanfics normalmente não tem tanta merda, e tem muito mais sexo. Eu não transo a semanas - Eu e minha irmã sempre fomos muito abertos e liberais um com o outro.
Lembro de quando ela se descobriu lesbica e ficou uma semana me ligando de vídeo todos os dias pra me contar tudo o que estava descobrindo. Quando ela perdeu a virgindade foi a mesma merda...
- Isso porque você não quer. Draco está nitidamente com vontade de te f***r - Ela ainda teve a cara de p*u de apontar para o loiro.
- Não é assim que as coisas funcionam Lu...
- Então quer me dizer que você não quer?! Vai, pelo que você me contou o t***o entre vocês já atingiu níveis extraordinários. A probabilidade é de 47,2% de vocês acabarem se casando, mas como tem 91,8% de chance de vocês morrerem com essa coisa de apocalipse, então não sei...
- Você está lendo muito Vermelho Branco e Sangue Azul amore, você não é a Nora. E obrigado por me lembrar das chances que eu tenho de sair são e salvo dessa merda - Fui sarcástico.
- Sou tão inteligente quanto, e digo que você está fazendo cu doce. Se tem tantas chances de você morrer, por que não aproveitar antes? Desde quando você é tão recatado? Se quer brincar com aquele p*u, o que nitidamente você quer, vai lá e pronto, cai dentro. Aposto que ele vai ficar ainda mais viciado em você depois.
- As coisas são mais complicadas do que isso - Tentei me explicar.
- Não me diga que você gosta gosta dele. Tipo, se você estiver apaixonado as chances de vocês casarem aumenta pra quase 80% - Minha irmã parecia muito animada para o meu gosto.
- Você sabe que eu não me apaixono por ninguém. A palavra amor é muito forte pra ser usada atoa - Nunca disse "eu te amo" sem ser pra Luara e para Wolfstar quando eu era pequeno.
- Concordo. Mas eu também te conheço... sabe que ficar negando esses sentimentos só vai fazer o t***o entre vocês ficar mais alto né? Vocês tem que extravasar, se não vão ficar que nem loucos por ai. Se bem que isso vai ser bom de assistir...
- Cala a boca Lu
- Me obriga - Ela me desafiou.
Então começamos a fazer uma lutinha estranha ainda deitados na maca. Uma hora fingi que ela machucou o meu ombro baleado, então a coitada parou na hora de me bater super preocupada, e foi quando eu ataquei e a derrubei no chão.
- Vai tomar no cu Harry Potter - Ela disse enquanto apertava a b***a que estava dolorida pela queda.
- É tudo o que eu desejo.
Depois disso não demorou pra Luara dormir na outra cadeira que estava no quarto, e foi quando eu peguei o potinho vazio da minha gelatina e joguei contra a cara do Draco, que logo voltou a se mexer, se segurando para não rir alto.
- Você é um filho da p**a fofoqueiro sabia - disse olhando pra ele e o acompanhando nas risadas silenciosas.
A luz da lua entrava pela janela sendo a única iluminação, e fazendo aqueles cabelos loiros platinados ficarem ainda mais celestiais. Tive que lutar pra não abrir a boca e babar.
- Você sabia que eu estava acordado batatinha. Disse o que disse porque quis. Era só falar pra ela que eu estava ouvindo e que depois vocês conversavam.
Tá, ele tem um ponto.
Respirei fundo pra parar de ter o ataque de risos, e me joguei de volta na cama pensativo.
- Cansei de ficarmos nesse joguinho. Agora você sabe o que eu sinto minimamente, e o que eu quero. Mas e você? O que você quer Draco Malfoy? - Sussurrei sincero olhando pro teto.
Malfoy se levantou naquela calma e formosura que só ele sabe. Se aproximou e só uma coisa passava pela minha mente: "ele tá chegando perto, ele tá chegando perto, ele tá chegando muito perto...".
Com uma mão espalmada na cama de cada lado do meu corpo, ele aproximou o rosto do meu e sussurrou com a voz rouca no meu ouvido:
- Eu quero olhar nos seus olhos enquanto te fodo tão forte contra essa cama que você vai esquecer qual é o seu nome. Quero te provocar até você admitir que me quer em todos os lugares e todas as posições que aprendi nas minhas centenas de anos. Quero fazer você ter o castigo que merece por todas as provocações. Quero que você implore pra ser meu submisso, e pra além disso, quero que você implore para que tenhamos algo amoroso. Pois em menos que quatro meses você conseguiu furar todos os meus bloqueios emocionais Harry Potter. Conseguiu me f***r, mesmo sem nunca nem termos nos beijado. E conseguiu fazer com que eu queira ser seu namorado, mesmo morrendo de medo disso...
Enquanto falava Draco deixava, conscientemente ou não, calor irradiar de si para o ambiente. Aumentando a temperatura significativamente. E me fazendo queimar em chamas... mas de um jeito bom.
- Dray... - Saiu quase que um gemido, e Draco se afastou o suficiente para eu ver seu rosto.
Para eu ver seus olhos, e de bônus as suas pupilas dilatadas.
Minha mente estava completamente em branco. Minha boca seca, meu coração acelerado, meus pelos arrepiados...
Eu não sei o que aconteceria agora se Draco não se afastasse e dissesse que amanhã volta pra levar eu e Lu pra casa. Ele simplesmente saiu pela porta deixando eu aqui deitado, com a mente a mil e uma ereção do c*****o.
Acho que ele fez isso por não acabar fazendo o que falou enquanto eu ainda estou com o braço imobilizado, e tendo acabado de acordar de um coma. Mas pelo menos um beijo ele poderia ter me dado... se bem que eu me conheço, e não pararíamos em apenas um beijo.
Tive senso de não me tocar tendo aminha irmã no mesmo quarto. Mas por isso passei uma noite agoniante tentando me acalmar e tirar aquela voz do Draco da minha mente. Mas não importava o que eu fazia, aquela sensação de ter o hálito dele tocando minha pele de maneira singular, suas palavras e o que elas diziam... não me deixavam.
E minha mente de fanfiqueiro e estudante de literatura amante de estórias, não ajudava muito.
As vezes me pergunto como eu posso ter a "alma pura" que o Draco tanto fala. Tipo, eu sou mó v***a, e além disso já matei alguém...
E por ser a v***a que sou, acho que finalmente chegou a hora de brincar. Até agora eu e Draco nos provocarmos, mas nunca fui adiante por não saber se pra ele era brincadeira ou não. Mas agora que ouvi suas palavras provando que isso é tão sério pra ele como pra mim, eu vou me permitir ir adiante.
O jogo começou... e vamos ver quanto tempo Draco aguenta sem me beijar.