Arco-íris sem cor

3743 Palavras
"Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro" ~Clarice Lispector Aviso de gatilho Draco Pov - Feliz ano novo Harry - Sussurrei perto da orelha dele antes de me afastar para o outro lado do quarto, onde tinha a janela e eu podia ver as estrelas. No meio dessa bagunça interna que eu sentia ali olhando para o céu, apenas ouvi o toque do meu celular. Eu ia desligar, mas era Rowena. Coloquei no ouvido tentando focar minha mente embriagada. Qual é o selo? "Do outro é sempre melhor Do outro é sempre bonito Para o terceiro selo quebrar a marca de outro sobrenatural deve-se arrancar." Merda E Draco, Blaise falou que Tonks desapareceu. A missão dela de encontrar o informante era uma emboscada... Mas já estão em busca dela. Não consegui ouvir mais nada. Desliguei o celular e fiquei atônico. O Harry está em coma induzido... e agora Dora, a elfo que eu considero como uma prima, pode ser a pessoa que terá a marca sobrenatural arrancada para a quebra do terceiro selo. Tirar a marca sobrenatural de alguém é como violenta-la de uma forma tão invasiva e bárbara como o estupro. Cada um tem uma marca de um jeito, mas não importa, pois o ato de arranca-la é sempre como tirar a liberdade e identidade sobrenatural, invadir a i********e do seu ser e destruir tudo isso fodendo a pessoa mentalmente. Alguns seres sobrenaturais ficam abalados e/ou nunca se recuperam completamente quando tem a marca arrancada. Os poderes nunca voltam, mas isso é o de menos considerando as marcas emocionais que ficam para sempre. O medo, a vergonha, a perda da honra devido ao status de um sobrenatural caído e de algo que era apenas seu e que ninguém tinha o direito de tomar. Meu pai já passou por isso quando foi expulso do céu e sua marca, que era suas assas, foram arrancadas por Miguel. Tirar a marca de um sobrenatural é a forma mais bárbara de violência que pode ocorrer contra um de nós. Mas se é isso que deve estar acontecendo com a Dora agora... Senti minha respiração falhar e tenho certeza que isso é um ataque de pânico. O ódio me consumiu, ao ponto que eu tive que liberar um pouco do fogo que me consumia se não acabaria explodindo por guardar tudo. Meus olhos queimavam mesmo que saísse lágrimas dele. Minhas mãos também irradiavam chamas enquanto eu tentava focar na minha respiração. E o pior é que eu não posso fazer nada, tanto eu relação a Dora, tanto em relação ao Hazz. Eu juro que fiz de tudo para mantê-los seguros por mais que eles estejam incluídos nessa bagunça toda. Mas nunca é o suficiente. Eu nunca consigo protege-los... Peguei o meu celular e comecei a ditar ordens enquanto tentava não queimar o aparelho. Vamos achar a Tonks e traze-la para casa, com a família onde vamos cuidar dela. E em relação aos grifinórios de merda que fizeram isso com ela... o fogo do inferno é pouco para eles. Eu posso não ter matado o James ainda, mas isso é porque ele não vai morrer tão fácil assim. Primeiro ele vai acabar sendo a fonte para sabermos mais da máfia, será a ruina dos próprios semelhantes, pois só quando eu acabar com essa hidra do c*****o que eu vou atrás dele. Aí terei todo o tempo do mundo para fazer o que estou planejando... e isso é uma promessa. - Podemos fazer isso do jeito fácil, ou do jeito difícil. Não encha a p***a da minha paciência e escolha o mais rápido - As minhas palavras saíram ásperas, quase que como adagas. O que refletia bastante o meu humor pra falar a verdade. - Por favor, escolha o difícil e mais demorado - Em contrapartida, Pansy quase implorou animada, brincando de girar sua adaga entre os dedos. Estamos em um galpão da Slytherin onde bem... não ocorre coisas muito sadias e corretas. Ele é m*l iluminado, afastado do centro, e evito vir aqui por causa dos ratos e gritos. Mas quando temos que fazer coisas extremas como assassinatos, torturas... é necessário. Vocês já entenderam porquê minha amiga está tão animada. - Eu nunca vou falar - A mulher que estamos interrogando afirmou. Havia sangue seco por toda a face dela, uma ou duas costelas quebradas e coisas assim que ocorreram no caminho de traze-la. - Todos falam. Alguns duram mais, outros menos... mas no final, todos abrem a boca. E aposto dez conto que você fala em menos de vinte minutos - Blaise disse enquanto digitava no celular como se não estivéssemos fazendo nada de mais. Na verdade isso é até que rotineiro quando se tem uma máfia, apesar de hoje ser mais pessoal. Estamos quase chegando na pessoa responsável por cortar os cabelos da Tonks, e assim retirar a marca dela. Minha amiga está aguentando firme, mas sei que isso a abalou. Não ter mais poderes, ser um sobrenatural caído... por isso estamos aqui, para conseguir justiça por ela. - Eu só vou perguntar mais uma vez, e para cada resposta errada você irá sofrer as consequências - Foquei de novo em acabar logo com isso. Quero ir logo para o hospital. Harry ainda não acordou, e já faz dois dias. - Eu não tenho medo de um soco seu - Admito que a mulher é valente... ou incrivelmente burra. - E não deveria. Eu não ousaria tocar em você, pois ao contrário da sua laia, eu tenho honra. Você deveria era se preocupar mesmo é com a Pans. Ela é completamente doida - Falei e Pans avançou com o soco inglês entre os dedos de uma das mãos e uma adaga curva na outra. Em conjunto com o olhar sádico e um sorriso perverso. Os slytherins seguem um código, e está nele que nenhuma pessoa que se considera do gênero masculino deve encostar um dedo em alguém do feminino se tiver outra opção. E por isso Pansy vai bater enquanto eu faço as perguntas. Bom que não borro a minha unha que acabei de pintar, já que rui a que pintei ontem de tanta ansiedade, e a de ante ontem e assim vai... - Você é um m****o da gryffindor? Me sentei na cadeira de metal olhando fixamente para a mulher castanha amarrada na minha frente. - Vai tomar no cu - Ela balbuciou logo antes de gemer de dor quando Pansy acertou um soco bem na sua clavícula. Fazendo o metal entre os seus dedos ficar marcado na pele da mulher. - Você sabe quem foi o responsável por quebrar o último selo? Onde podemos encontra-lo ou encontra-la? Ela permaneceu em silêncio, então Pans fez um corte superficial na sua bochecha, fazendo sangue fresco escorrer. - Como vocês conseguiram traduzir o selo? Como sabem da profecia do apocalipse? - Retornei o interrogatório. - Sua mãe me contou quando trepamos ontem a noite, logo antes de gemer o meu nome - A mulher tentou gritar e eu engoli em seco travando o maxilar para manter a calma. Pansy puxou o cabelo e deu uma bela joelhada na cara dela, que cambaleou caindo de joelhos. Blaise soltou uma risada que logo foi reprimida quando olhei sério para ele. - Como vocês sabem do sobrenatural? O que querem? E eu quero o nome da pessoa que tocou na Tonks - Minha voz estava uma oitava mais baixa, e tão gélida que vi finalmente um traço de temor passar pelo rosto da nossa prisioneira. Criei uma mini chama e deixei-a escorrer até o chão, traçando um caminho torto pela poeira em direção a mulher. Se alastrando lentamente, e se aproximando cada vez mais, como um predador se preparando para dar o bote em sua presa. - Se eu fosse você começaria a falar. Você não quer me ver irritado - Fiz a chama escorrer mais rápido pelo chão e parar a centímetros do joelho da mulher, que lutava contra as correntes para se afastar. - Você disse que eu poderia brincar mais com ela antes de você queima-la que nem fez com o outro! - Pansy parecia indignada. - Sempre há mais pessoas ruins na cidade Pans, deixa o Draco aliviar o estresse dele - Blaise interveio. Que belos amigos eu tenho, eu diria. - As respostas A mulher não parava de encarar apavorada o fogo que crepitava logo a sua frente. - Sim, sou grifinória com orgulho. E eu só sei o apelido do cara, é Rabicho. Na última vez que o vi ele estava na cobertura do prédio da rua nove. Não sei como eles traduzem a profecia, isso vem do auto escalão. Só sigo ordens, por favor... por favor não me mata - Ela implorando pela própria vida seria até comovente se eu não tivesse visto o dossiê de coisas que ela fez, mas não foi acusada por ser amante do juiz. A justiça do país é tão correta que chega a me emocionar. - Eu disse que todos falam no final - Blaise disse largando o celular enquanto eu me levantava e saia as pressas da sala, sendo seguido por ele e Pans. - O que fazemos com ela? - Blaise perguntou. - Garanta que um juiz de nossa confiança a julgue pelos seus crimes. Não estou afim de matar ninguém hoje - Respondi. - Graças a Lúcifer, eu que teria que desovar o corpo e não quero me dar o trabalho - Blaise resmungou. - Não comemore muito, temos esse tal Rabicho. O que sabemos dele? - Abri as portas do galpão piscando o olho por causa da claridade. Boa parte da área externa estava envolvida por uma camada expeça de neve. Odeio inverno de nova York. - Peter Pettigrew, deputado corrupto que já suspeitávamos fazer parte da Gryffindor, é chamado no mundo das drogas por Rabicho. Ele é bem asqueroso pelas fotos... oh homezinho feio pra diacho - Pansy mexia no tablet (o qual a tela estava suja de sangue por causa dos dedos da morena) pesquisando em nosso banco de dados. Ela fez uma careta engraçada quando viu a foto do sujeito. - Devemos enviar uma equipe para essa missão? Sequestra-lo e traze-lo para cá? - Blaise perguntou pela janela do carro, devido ao fato de eu já ter entrado dentro da Sophie. Não sei por que, mas esses dias não consigo sair com outro carro sem ser ela... Como se o cheiro do seu interior me desse paz. - Não. Eu mesmo vou nessa. Voltem para Hogwarts e continuem a preparação para a surpresa dele e preencham a papelada para mim, pois se eu precisar assinar um mísero papel hoje, eu juro que taco fogo nele, e a mansão vai de brinde. - Que bom que você está de bom humor poc - Pansy foi sarcástica - Mas sabe, essa surpresa pode esperar, e se ele não acordar a tempo...? - Ele vai. Acelerei fazendo os pneus jogarem neve para trás, e deixando meus amigos ali no galpão, tudo para evitar aquela conversa. Eu nunca me senti sozinho, na verdade sempre degustei da solidão. Solitude. Se bastar, escolher estar sozinho e ter um tempo feliz para você mesmo... Mas não me sinto mais assim. Sabe quando o vazio te incomoda e você se sente inquieto? Como se tivesse faltando algo... Quando Harry estava do meu lado, me enchendo a p***a do saco, tagarelando sobre as fanfics ou livros que ele estava lendo, me batendo do nada com o novo golpe que aprendeu no treino convicto que dessa vez eu não reaja e acabe apanhando (o que nunca acontece), ou quando fica fazendo eu e Luna sermos jurados pra ver qual roupa ele vai sair... tudo o que eu queria era estar sozinho. Mas agora que estou, tudo o que eu queria era aquela batatinha chata aqui. Nem percebi quando estacionei de qualquer jeito na frente do meu prédio e saltei apressado, adentrando o edifício e o meu apartamento logo em seguida. Luna, Ginny, Astória e Cho estavam na sala fazendo companhia para Tonks, a qual estava deitada encolhida no sofá, enrolada nas cobertas e com o olhar vago. Do mesmo jeito que a vi quando saí de casa de manhã. Dei oi para as meninas e me aproximei da minha unicorniozinha preferida. Me agachei e comecei a fazer carinho nos seus ombros, o que resultou em uma lágrima solitária escorrendo pelo rosto tão perfeito dela. - Oi minha princesa - Sussurrei, e ela finalmente me encarou. Sabe quando você olha para alguém e nesse simples gesto você consegue ver como ela está quebrada? Era simplesmente nítido no seu olhar. Levantei minha mão e contornei a maça do rosto dela com a ponta dos dedos. Um toque tão suave que fez Tonks fechar os olhos para senti-lo melhor. Pelo canto do olho vi as meninas saírem da sala e irem até a cozinha para nos dar privacidade. - Você sabe que ainda é minha prima perfeita né? Dora, não importa se você tem poderes ou não, se está careca ou não, ou se de repente começar a metamorfose para um trasgo horrendo - Ela soltou uma risada na parte final, mesmo que a graça não tenha chegado a seus olhos. - E vou ficar bem Dray... - Sua voz era falhada, mas já era um avanço já que ontem ela não falou nada. Pequenas conquistas são como pequenos atos, são capazes de mover montanhas. - Tudo bem se dar tempo. Não reprima a dor, o luto e tudo o que você deve estar sentindo. Mas não deixe que isso te afogue. Você tem pessoas que se importam com você, que matariam por você, e morreriam se isso garantisse que você ficaria bem. Porque você é incrível, e a falta de uma marca i****a não pode tirar isso de você. Nunca se esqueça disso. - Somos família, e o que fazemos pela família? - Ela me perguntou emotiva. - A protegemos a qualquer custo - Sei que para muita gente esse lema pode parecer tosco, mas para nós significa que estaremos ali, nos momentos bons e ruins, nas vitórias e nas quedas, custe o que custar. A abracei firme contra o peito, em um ato que era tanto para ela quanto para mim. Sei que as vezes eu me cobro de mais quando o assunto é a máfia. Sinto como se tudo o que acontecesse fosse apenas minha culpa, e isso me coroe por dentro quando merdas inevitáveis acontecem. Eu só queria ser ainda mais invencível pra poder impedir tudo isso, pra poder... protege-los. E a maioria dos meus problemas surgem disso. Eu sei que sou incrível, e ai de quem falar o contrário, mas ainda não é o suficiente para mim, eu ainda não me sinto o bastante... Mas como Ginny vive dizendo: a questão não é o que você faz quando está no topo, e sim a sua reação quando te derrubam, ou quando você mesmo não se sente capaz. E não é do meu feitio desistir. Não é do feitio de nenhum slytherin. - Já temos um nome e uma localização. Você quer vim junto comigo, ou posso resolver isso? - Sei que não irá mudar nada. Matar a pessoa que fez isso com ela não vai desfazer a quebra do selo ou irá apagar o trauma que ela passou, mas talvez de a finalização que Tonks busque. Além disso respeitamos o direito das pessoas na máfia. Se algo aconteceu contra certo m****o, esse m****o tem o direito de fazer a sua justiça, ou decidir o destino da pessoa que lhe fez m*l. - Quero que eu seja a última pessoa que ele verá antes de morrer - Dora sussurrou com certeza. Não ódio ou raiva, apenas convicção. - Então melhor irmos porque parei a Sophie em área de carga ou descarga na rua - Falei me levantando e trazendo-a junto comigo. - E desde quando o Sr. Malfoy se preocupa com uma multa? - Ela ainda estava abatida, profundas olheiras, voz arrastada... mas estava melhor. As vezes a única coisa que precisamos fazer é decidir começar, e caminhar um paço de cada vez, tendo ajuda das pessoas certas quando cair. E é normal cair. - Na verdade não me preocupo. Sabia que você está linda né?! - Já estávamos saindo do apartamento. Um dos nossos medos é que a auto-estima da Tonks caia depois do que aconteceu. Já que a marca de elfo dela era os seus cabelos coloridos, temos medo que ela se sinta menos bela ou menos ela mesmo por estar careca. Nunca vi uma mulher tão bela como ela. - Obrigada pelo que vocês estão fazendo - Disse me abraçando de lado enquanto o elevador descia. Continuamos em silêncio até entrarmos no carro, e eu dar a partida. - Sopnhie né... De todas as dezenas de carros e motos - Ela começou. - É um bom carro, só existem poucos no mundo, ela é rápida... - E é a preferida do Harry - Me interrompeu - Você deveria estar lá no hospital com ele, sabe disso né?! - Eu fiquei lá Dora. Passei essas últimas 48 horas, os dois primeiros dias do ano sentado em uma linda cadeira que agora tem até o formato da minha b***a, bem ao lado da cama dele... E Hazz é família, mas você também. E no momento eu posso fazer mais estando aqui com você do que lá com ele - Tentei explicar. A neve continuava a cair do lado de fora, levianamente formando os flocos de neve, que vistos de longe são deslumbrantes, mas que de perto (principalmente quando caem na nossa pele) nos da vontade de mandar a Frozen tomar no cu. Não que isso me afete. Fogo dos infernos e afins. - Chegamos. Pansy já havia me passado o endereço certinho, então apenas invadimos mesmo. Amo arrombar portas (elas parecem de papel com a minha força), ainda mais de bostas andantes que se acham superiores só porque moram em uma cobertura pé de chinelo. - QUEM SÃO VOCÊS? - Pettigrew gritou assustado entornando refrigerante em si mesmo. - Sou o seu pior pesadelo. Agora me conte tudo sobre a Gryffindor! Avancei até onde aquele porco estava esparramado no sofá, deixando o fogo consumir os meus olhos e darem lugar as ires, e mini chamas irradiarem das pontas dos meus dedos. - E-e-e-eu n-n-n-n-ã-ão s-s-s-e-e-i de na-a-a-d-a-a - Credo homi, fala direito - Exigi. - Eu não sei de nada - Ele ficava roendo as mãos parecendo algum roedor ou algo do tipo. Patético. - Quem é o líder da gryffindor e como vocês sabem dos sobrenaturais? - Voltei a perguntar, e eu juro que pensei que seria mais difícil faze-lo falar, mas logo ele já foi abrindo a boca: - Que eu saiba são três líderes. Eu só conheço o James Potter e não faço ideia de quem são os outros. Pelo que eu sei, os comensais da morte que sabem melhor disso dos sobrenaturais, eles apenas passam o que querem que os grrfinórios fazem, os líderes votam, e executamos. É tudo o que eu sei... eu juro... Aquele realmente é um rato traidor mesmo. Pior do que alguém de uma máfia podre, é alguém infiel de uma máfia assim. Na slytherin a gente tem um nome pra quem trai a família: - Se isso é tudo o que você sabe Mudblood, você não tem mais valor para mim, muito menos pra humanidade - Falei cessando o fogo, e dando um sorriso ladino. - Você vai me matar? Por favor não, eu juro que sou seu espião, faço tudo para o senhor - Rabicho se jogou ao chão e começou a implorar. Tive que me segurar para não chuta-lo. - Eu não vou te matar, ela vai - Dei um passo para o lado, e Tonks surgiu de trás de mim, com sua arma apontada certeiramente contra Pettigrew. O mesmo arregalou os olhos, provavelmente se lembrando do que fez para Dora. Rabicho começou a murmurar coisas desconexas implorando pela vida, mas já era tarde de mais, pois a bala saiu da pistola de metal e se cravou bem no meio da sua testa. Ignorei o corpo caído e me virei para a minha amiga que estava estática enquanto as lágrimas desciam. Sua mão tremia ligeiramente, então tirei a arma dela e guardei no meu coldre. Envolvi suas mãos com as minhas e trouxe minha amiga para perto de mim. As vezes nossa vida está indo tudo bem até que algo acontece e nos abala. Tira nosso chão e nos faz pensar se conseguiremos respirar de novo, se conseguiremos ser quem éramos de novo... mais é ai que tá, você não tem que esperar ser quem você era no passado. Pessoas mudam, aprendem, erram, tem suas marcas sobrenaturais arrancadas... e o que você vai fazer quanto a isso? Me disseram uma vez que todos nós passamos por pelo menos um calvário na vida. Um empecilho, uma dificuldade tão grande que nos desestabiliza, tira nossas certezas e seguranças, nos arrancando da zona de conforto. E há três tipos de pessoas, três tipos de reações quando isso acontece. Há aqueles que ficam mais fortes com a experiência e sobrevivem. Os que morrem seja metaforicamente ou não, pois se deixam derrubar pelo calvário. E o terceiro tipo, aqueles que permanecem na dor pois aprendem a gostar dela, e pensam que é apenas isso que lhes resta, se sujeitando ao pior pois pensam que não merecem mais. Não tenho dúvidas que a Dora será a que irá sobreviver e se reerguer ainda mais forte. E nesse ponto ela é parecida com o Harry. Ambos são mais fortes do que aparentam, e ainda irão ver o arco-íris que se abrirá logo depois dessa tempestade. E eu prometo que ele virá, pois nada dói para sempre, e nada pode ser r**m por tanto tempo... o fim da tempestade sempre chega. - "If we go down then we go down together" - Comecei a cantar baixinho, ainda segurando ela entre os meus braços. - "They'll say you could do anything, They'll say that I was clever" - Tonks continuou, rindo um pouco por estarmos cantando nessa situação. - "If we go down then we go down together" - Sequei suas lágrimas com a ponta dos meus dedos. - "We'll get away with everything, Let's show them we are better" - Ela terminou.
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