(Não) pare de me provocar!

3667 Palavras
Harry Pov No dia seguinte fiz mais exames. Uma hora meu pai chegou a vir me visitar, e se assustou bastante em saber que Luara está aqui. Digamos que ele não é preconceituoso só comigo. Mas particularmente eu acho muito poético um homofóbico ter apenas dois filhos e ambos serem gays. Perguntei para James se depois a gente podia conversar, e ele disse que sim. Draco me mandou mensagem me atualizando das merdas que o meu pai disse enquanto eu estava dormindo, e apesar de doer, não me surpreendeu. Desde que eu consiga me infiltrar na Gryffindor, ele pode falar o que quiser. Nunca serei o que ele fala mesmo. Sempre serei melhor, e não preciso provar isso pra ninguém além de mim mesmo. - Draco foi embora do nada né - Lu afirmou meio sugestiva. - É do nada - Falei de m*l humor. t***o acumulado é f**a. Remus e Sirius passaram a a tarde aqui comigo no hospital. Me disseram que eles vieram quase toda hora aqui quando eu estava em coma, só perdendo para Draco que só saiu daqui pra resolver o negócio da Tonks. Wolfstar sempre teve um carinho pela minha irmã, por mais que eles não sejam padrinhos dela. Então passamos uma tarde divertida relembrando de momentos como férias que Lu vinha pra América, e as coisas eram mais fáceis. Algumas horas depois tive alta. Meus padrinhos já tinham ido embora a algumas horas, então chamei o Draco. O clima na Sophie foi bem tenso. Eu no lado do carona passando gloss labial no espelho e tendo um ombro imobilizado, Draco apertando firme o volante e respirando meio alto enquanto respondia a minha irmã. Porque a Luara sem senso ficou fazendo mil e uma perguntas sobre o sobrenatural, ignorando completamente o clima entre eu e o loiro. - Fantasmas existem? - Não sei, não sou um - Draco respondeu. - Cilada do d***o? - Nem sei o que é isso garota - Pelo jeito não só o meu humor que foi afetado pela madrugada de ontem. - Bala de prata? - Não sou lobisomem. - Estaca de madeira? - Já isso é vampiro. - Consegue se transformar em algo? - Pra que se eu já sou um gato? Isso eu não posso discordar, Draco Malfoy é... outro nível. - Consegue voar? - Não ainda. - Consegue ler mentes? - Não, e que bom que não. Minha mente já é fodida o suficiente pra cheretar em outras, obrigado. - Super foça ou super velocidade? - Isso eu tenho. - Finalmente! Estava achando que você iria continuar sendo um sobrenatural sem graça. - Eu sou tudo, menos sem graça - Draco respondeu e eles continuaram a conversar. Me deixei vagar um pouco. Posso não parecer, mas ainda estou meio abalado por tudo o que aconteceu... Eu estive perto da morte, de novo. Será que isso um dia vai parar ou esse é o meu novo "normal"? Não que eu não goste da aventura, mas isso também é meio assustador... - Hazzie, o que pretende fazer no seu aniversário? - Lu me tirou dos meus devaneios. Nossa, nem me lembrava do meu aniversário. Passar os dias em coma me fizeram ficar perdido no tempo, mas ela tem razão. Meu aniversário é em nove dias, dia 15 de Janeiro. - Ainda não sei - Falei meio pra baixo. Normalmente meus aniversários não são muito bons. A faculdade volta apenas dia 20 de Janeiro, então sempre meus amigos se esqueciam de mim, que nem meu pai. Portanto ou eu passava o dia em chamada com a Luara, ou sozinho no meu loft, ouvindo músicas aleatórias e dançando pela casa. - Podemos passar todos juntos, se você quiser - Draco sugeriu, e eu confirmei feliz com a cabeça - Mas até lá você tem que ficar de repouso. - Você é chato - disse. - E você é um desobediente. Se abrir esses pontos terá que passar mais tempo no hospital... - Tá, tá, tá - Falei m*l humorado. Odeio ser obrigado a não fazer nada. Tipo, eu amo não fazer nada, ficar o dia inteiro no celular, lendo fanfic, escrevendo meus contos, fazendo as tarefas da facu, vendo séries, conversando no celular com o pessoal... mas faço isso por vontade própria. Quando sou obrigado a ficar em casa bate uma vontade de sei lá, escalar uma montanha. Pelo menos vou ficar de repouso com a minha irmã. Vai ser maneiro, senti falta dela... muito mesmo. Nos dias que se seguiram eu dei uma pausa nessa coisa toda de máfia e sobrenatural, me dando tempo para melhorar completamente e arrasar com a p***a toda quando voltar. Continuei trocando provocações com o Draco por mensagens, mas ele esteve ocupado com um atentado a bomba que ocorreu em uma parte periférica em um dos distritos em que a Slytherin atua. E vocês sabem como o Draco fica quando algo ocorre na cidade dele contra as pessoas que confiam nele. Mas pelo menos isso não parece ter nada haver com o apocalipse ou a gryffindor. Apenas alguns criminosos normais pra variar. No entanto, não criemos esperanças. O fantasma do apocalipse nunca para de nos rondar. É profecia para traduzir, teorias para se fazer, contenções e planos para serem formados... E tem o fato do Draco estar mais instável do que nunca. Ele pensa que não vejo, mas as idas a Ginny estão sendo mais frequentes. Suas mensagens noiadas na madrugada agora incluem ele se culpando por tudo o que está acontecendo e coisas assim. Draco, sempre terá o ego e a auto estima gigantescos, mas estou descobrindo que a insegurança dele também não deixa a desejar. Ninguém é 100% estável. E por mais que ele seja poderoso e f**a, ele ainda é uma "pessoa", ainda tem sentimentos... Mas continuando a atualização do que fiz nesses dias: Me mantive afastado de Ron e Mione o máximo possível, mas um dia Pansy me mandou mensagem querendo saber mais sobre minha amiga castanha, pois Hermione estava seguindo-a. Obvio que não deu certo, Pansy é um demônio e ninguém passa despercebido dela, mesmo esse alguém sendo inteligente como a Mione. Se vocês me perguntarem o que Hermione está querendo, eu diria que curiosidade. Ela sempre gosta de saber de tudo, e agora que sabe do sobrenatural e não pode ter respostas de mim ela vai atrás das outras pessoas para ter informações. Não que eu ligue. James e eu finalmente conversamos a alguns dias quando eu e Lu fomos dormir na cobertura. Ele me contou da máfia mesmo dizendo que não confia em mim. Ai eu o lembrei que eu literalmente salvei a vida dele e o c*****o a quatro, e por isso ele cedeu um pouco. Daqui uma semana terá um evento na Gryffindor ele disse que vai me apresentar tudo e a todos. E devido a minha ansiedade, eu estou me cagando de medo e nervoso. Será que tem um ritual de entrada? Tipo, tudo o que eu fiz pra entrar na Slytherin foi ir na Hades sem querer e acabar no meio de um tiroteio, então eu não sou bom nessa coisa de entrar em máfias. E que evento é esse? Eu e Luara dividimos o tempo entre o meu Loft (onde podíamos ter privacidade), entre a cobertura do James (pra manter as aparências) e entre a cobertura do Draco (mesmo ele nunca estando lá) pra passar um tempo com a Tonks e a Luna. E sobre isso, eu tenho algumas coisas pra dizer. A primeira é que eu me surpreendi quando fui a primeira vez no prédio do loiro e o meu nome estava como "passe vip" na portaria, o que significa que agora eu posso subir sem nem me apresentar. Segundo, é que eu senti um clima entre minha irmã e Luna. Provavelmente eu estou inventando coisas, mas juro que vi a conexão doida que as duas tem sabe. E é até que fofo. Terceiro é que Tonks está melhor. Todos temos dias bons e dias nem tanto, mas a vida é isso. E eu acho que a elfo caída está levando até que bem toda essa situação. E a última coisa que tenho que dizer sobre esse período de cinco dias que fiquei de "molho", é que pude ler muitas fics novas e colocar em dia os meus livros atrasados. Finalmente acabei a trilogia de "Peças Infernais", que a propósito é muito melhor que "Instrumentos Mortais". Li "Morro dos ventos uivantes" para a faculdade, e um monte de fanfics novas por diversão, tédio, e fogo no cu. E é ai que a coisa começa a ficar engraçada. Sabe qual fanfic eu achei? "O d***o e o filho da máfia rival" escrita por "OPanFodaDoidoPorUmaBatatinha" Isso me pareceu meio familiar, então passei a madrugada lendo. E agora tenho certeza que Draco Malfoy é escritor da mesma. E digamos que ele é até que um escritor razoável... A quem eu quero enganar, estou com inveja pois a escrita dele é perfeita. As vezes ele faz o personagem dele parecer muito mais do que é, mas é tudo muito bem escrito. Deve ter aprendido ao longo dos anos. Mas o plot era literalmente a nossa história com algumas alterações. Cortando essa coisa do apocalipse, mudando o nome "Draco" para "Dean" e o meu para "Henry", fazendo tudo acontecendo no Brasil e não em Nova York, e nos tornando um casal. Mas estava lá, o jeito que ele me encontrou no dia do meu suicídio, a flechada que eu dei nele mas escrita como um tiro... E o mais interessante é as partes hots que não poupam os detalhes... Fiquei fascinado por aquilo. O modo como Draco descrevia como ele me via, seus sentimentos confusos, o que ele imaginava que eu faria quando fizéssemos sexo... Uma hora eu me senti meio culpado por estar lendo isso, parecia meio pessoal sabe... que nem o livro que estou escrevendo sobre a minha vida e como estou passando por tudo isso do apocalipse. Mas se ele não quisesse que as pessoas lessem, ele não estaria publicando e atualizando quase todos os dias. Como a minha conta é anônima, fingi ser um leitor comum, fazendo comentários e essas coisas. Mas a verdade era bem diferente disso. Tudo o que eu lia foi aumentando a minha criatividade, e me dando ideias para o que vem pela frente. Hoje é finalmente o meu aniversário. Luna sem querer deixou escapar que o Draco estava mentindo ao dizer que não faria nada nessa data, e que na verdade a Slytherin está planejando uma festa surpresa para mim na Hades. E como estou bem melhor (o ombro quase que não doí mais), só digo o seguinte: essa noite promete. Draco Pov Todos devem estar se perguntando o porquê eu me declarei para o Harry. Porque disse tudo aquilo me expondo, expondo meus sentimentos, desejos o meu "eu" mais carnal e límpido... E a verdade é que eu não faço ideia. Não, tenho certeza que o Harry não me enfeitiçou a falar a verdade de novo (mesmo sabendo que ele teria capacidade para fazer se quisesse), mesmo assim eu me senti levado a fala-la. Quase que induzido a isso por aquela dança de conexão entre a gente. Ou pelo t***o. As vezes é difícil saber. Não eu não estou apaixonado por ele, não, eu ainda não sei se estou preparado e pronto para um relacionamento e nem planejo pedir nada agora... eu só quero que as coisas sejam naturais que nem estão sendo. O jeito que o pequeno foi cara de p*u de falar sobre nossos momentâneos flertes para Luara mesmo sabendo que eu estava acordado, o modo onde ele não mediu palavras pra ser direto e claro sem tentar se esconder ou inventar desculpas para o que disse quando teve que me encarar... mexeram comigo. Sentimentos, atração... tudo isso é confuso de mais. Nos desnorteiam, puxam o tapete sobre os nossos pés e faz com que façamos coisas aleatórias e até mesmo patéticas, mesmo sem entender. Principalmente sem entender. Mas as pessoas deveriam tentar sentir mais em vez de tentar explicar e desmembrar cada mísero sentimento. As vezes a gente só precisa sentir, só precisa viver, e só precisamos dizer a verdade dando um salto de fé, torcendo pra outra pessoa não te dilacerar por isso. Torcendo para que o outro que pegue e não te deixe esfolar a cara no chão frio. Confiança e sinceridade. Harry já mostrou mais de uma vez que é confiável (apesar de ser fofoqueiro) e que confia em mim, e acho que é por isso que ele conseguiu furar minhas barreiras. E naquele dia no hospital ele foi sincero, e seria indigno retribuir com menos do que a sinceridade nua e crua da minha alma. E eu sei que deveria ser apenas um beijo, como os milhões que eu já dei. Mas nada é simples com o Harry, e por isso estou tão pensativo e noiado. Talvez, apenas talvez, eu esteja gostando dele. E se o apocalipse realmente acontecer, e nós fracassarmos em impedi-lo, pelo menos eu não vou me sentir culpado por não ter me permitido tentar. A vida é curta de mais pra ter medo de viver, mas também vou de vagar pra não colocar a carroça na frente dos bois e estragar tudo antes mesmo que comece a dar certo. Mas realmente foi complicado ficar esses dias longe, todavia, necessário tanto por causa das situações que ocorreram na máfia, tanto para nos dar tempo pra pensar e refletir se realmente queremos seguir esse caminho. Não é porque o apocalipse está próximo que as outras coisas param de acontecer, infelizmente (eu bem que merecia uma folguinha. Talvez umas férias no Brasil... se bem que NY já é minhas férias do inferno, então esquece). E não é porque estamos lutando pra salvar a humanidade e com ela todos os seres sobrenaturais e os mortais, que apenas uma vida é dispensável. Ninguém é dispensável, e todo mundo importa. Cada vida conta. No entanto, chega de falar de coisas complicadas ou filosóficas, porque já estou com dor de cabeça. E hoje é o aniversário do batatinha, portanto, esse é o foco. Um belo foco... Tem muitas chances da Luna ter comentado sem querer sobre a nossa festa surpresa. Conheço o meu anjinho, e sei que as vezes ela sai tanto da realidade que acaba não tenso senso sobre algumas coisas. Mas não é por mau, além disso, se o Harry souber eu sei que ele vai fingir surpresa só para agradar os outros. Fofos. Por falar nele, Theo e Blaise foram buscar os Potter's filhos pra cá (tá, eles tem dezenas de carros, mas companhia sempre é bom) fingindo que temos que fazer umas coisas aqui na boate antes de passarmos a noite em Hogwarts sem fazer nada, mas juntos pra comemorar o niver. Quando eles chegarem vamos fazer aquele clichê de "surpresa" e o c*****o a quatro mostrando que na verdade fizemos essa festa. O que seria meio paia e mundano se não fosse o aniversariante quem fosse. Eu nem entrei no assunto sobre a garota, vulgo a chatinha da Luara, ser menor de idade com o Harry, pois sabia que ele iria bater o pé e insistir dela vir para o aniversário dele, mesmo que seja na Hades (onde obviamente não aceitamos menores de 18). Pelo menos ela vai estar sobre proteção da Slytherin (só não sei se isso é bom ou não... sonserinos são bem malucos), que está bem melhor depois do atentado que matou o Vinnie a Ana e a Agatha. E sim, eu guardo o nome de todos os que morreram, pois dizem que só se morre quando se esquece. E eu nunca vou me esquecer deles. Como vai ser o primeiro contato da Luara com os membros masculinos da máfia (sem ser eu), escolhi Theo e Blaise para busca-los. Digamos que o Blaise tem toda essa cara de marrento mas e a pessoa mais sentimental e amorosa que eu conheço. E o Theo é o Theo, meio louco, meio aleatório, mas uma boa pessoa. Enquanto isso estou aqui, na minha boate com o bando de doidos que eu chamo de amigos. - O que vocês compraram de presente pro Harry? - Ginny perguntou se sentando perto de nós com sua bebida na mão, que logo foi roubada por Dora. Seu vestido colado preto combinava perfeitamente com seu delineado e seu salto altíssimo, destacando o laranja de seus cabelos. A música estava alta e os membros dos mais distintos ciclos da máfia riam, bebia, dançavam e se divertiam. Hoje a Hades está fechada só para nós, a grande vantagem se ser o chefe mais charmoso e poderoso de todos. - Tinha que comprar algo? - Jorge perguntou. Ele e o irmão estavam mais despojados, mas tão belos quanto a irmã. No off eu pegaria todos eles se eu não tivesse uma pessoa em específico na mente e eles não fossem meus amigos. - Minha presença já é um presente pra qualquer um - Fred afirmou e Jorge concordou. - Pois eu comprei o primeiro livro lá que ele vivia falando que queria ler a coleção - Goyle comentou balançando o embrulho com uma cara fofa. - Então é por isso que toda hora ele ficava falando o nome daquela merda? Eu pensei que era apenas ele proclamando o seu amor por personagens fictícios e histórias aleatórias - Pansy falou. O seu vestido brilhoso de marca desnorteia qualquer pessoa, até as heteros. - Não, com certeza era uma indireta pra gente gastar nossas fortunas dando livros pra ele - Completei com um meio sorriso e dando um gole na minha bebida em seguida. Todos caíram na risada, mas logo Pansy saiu (puxando Dora que parecia ainda meio deslocada) quando começou a tocar: Maroon 5 - Animals, indo para a pista dar o seu show. - Como se ele também não fosse rico. Potter é interesseiro, isso sim - Astória resolveu entrar na conversa a qual ela não foi chamada. Se bem que cobra aparece do nada e nos da susto, então faz sentido. - Interesseiro que nem você? Pelo menos o Harry é sincero e verdadeiro, não posso dizer o mesmo de todo mundo - Respondi afiado, resolvendo sair da roda de conversa antes de perder a paciência. Fui até o bar e me auto servi com uma das melhores bebida dali. Um drink especial que a boate oferece para infernais que querem ficar bêbados por mais tempo. Não adianta muito em mim por ser muito poderoso, mas é melhor que as bebidas mundanas normais. Do nada a música parou, as luzes se apagaram e juro que ouvi a Pans gritando: "Calem a p***a da boca seus putos!". Meu primeiro instinto era pensar que algo estava errado, mas não. No momento seguinte Harry, Luara, Theo e Blaise passaram pela porta de entrada, as luzes se acenderam e todos gritaram: - SURPRESA!!! Uns quinze segundos atrasados Sirius conseguiu finalmente estourar o canhão de confetes, fazendo todos rirem. Revirei os olhos voltando a minha bebida. Não me leve a m*l, depois de tanto tempo sem conversar com o moreninho tudo o que eu quero é ir lá e o abraçar... mas muita gente e coisas clichês que não me colocam como centro das atenções me dão ânsia de vômito. Então continuei degustando minha bebida e admirando a beleza daquele cara de longe. Harry estava incrível hoje. Luara também estava bonitinha, mas para manter a minha rixa aleatória com ela, resolvi não destacar esse ponto em específico. Logo Hazz foi revestido de braços que o apertavam, abraçavam e cumprimentavam em uma pequena muvuca incentivada por Sirius e os Weasleys maneiros. Ele recebia os presentes, as felicitações, e aproveitava para apresentar Luara a todos. E isso durou quase uns quinze minutos os quais em alguns momentos nossos olhares se encontravam. Mas quando finalmente todos se dispersaram voltando as suas duplas e trios espalhados pelo recinto e Harry finalmente pode respirar, resolvi ir até ele. Contornei uma ultima vez o dedo pela borda do meu copo e o levei até a boca lambendo o líquido ali presente na pele antes de largar o recipiente no balcão e ir, de maneira estratégica, contornando o palco principal e a pista de dança. Harry estava tão distraído com aquele sorriso incondicional no rosto e a euforia plausível devido a surpresa, que nem me viu chegar por trás colocando sutilmente a mão em sua cintura, de maneira respeitosa e fácil de tirar caso ele se incomodasse. - Hello batatinha - Falei baixo perto do ouvido do Harry fazendo nitidamente seu corpo reagir e seus pelos arrepiarem. Ele se virou apressadamente, mas sem tirar a pouca distância entre nós. Estávamos realmente perto. - Olá Dray - O sorriso dele era mais contido, quase que provocativo, em contraste aos seus olhos e a felicidade líquida que emanava deles. O verde era tão vívido, que em conjunto com as pupilas um pouco dilatadas me fizeram lembrar das estrelas. - Gostou da surpresa? - Levantei a mão que não estava no cos da saia dele para retirar o cabelo que estava em cima da cicatriz de raio, o colocando para trás da orelha. - Como se fosse uma surpresa - De maneira natural ele colocou as mãos no meu peito, apenas as apoiando. - Eu sabia que a Luna não conseguiria guardar o segredo por muito tempo. - Não a culpe. Sou um bom detetive - Ele se gabou feliz, enquanto continuávamos a ignorar a movimentação da boate a nossa volta, do mesmo modo que ela nos ignorava. - Você é bom em tudo Harry Potter - Ousei sussurrar apesar da música alta da Cardi B. - Como você pode saber se ainda não viu tudo o que posso fazer? - Ele encarava os próprios dedos que trilhavam um caminho para dentro do meu terno, mas ao finalizar a frase ele finalmente me encarou, deu um sorriso meio pervertido e se afastou, indo em direção a pista.
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