Visita Demoníaca

4677 Palavras
"Penso que sendo o céu redondo, um dia nos encontraremos..." ~ Cecília Meireles Harry Pov "Quando o poder do amor superar o amor pelo poder, o mundo conhecerá a paz" disse Jimmy Hendrix. E por que eu estou pensando nisso? Vai saber, mas é bonito então me deixe pensar em paz. Mas enfim, é realmente noite, mesmo que já tenha anoitecido a muito, muito tempo. E não, você não leu errado. Quando o quarto selo se rompeu e a tempestade começou, a noite caiu sobre a terra que nem aquelas cenas de efeitos meia boca de filmes de fim do mundo. Todo o céu cinza de Nova York deu lugar a uma imensa escuridão palpável, como se o próprio mundo soubesse que estava a mais um passo do seu fim. O fim de todos... E isso me assustou de mais da conta. Mesmo assim continuei a fazer o papel de espião, portanto, tive algumas reuniões com outros da Gryffindor pra resolver o que aconteceu hoje e me iniciar realmente na máfia. Conheci muitos outros membros (que foi anotando os nomes de cabeça pra depois colocar no arquivo da Slytherin) e posso afirmar que ninguém gostou do fato de Lilith ter aparecido para "estragar tudo e quase ferrar com a chance de quebrar o selo", e eu concordei, mesmo que por dentro estivesse vibrando por ela ter vindo. Quase impedimos a morte da demônio... Pelo que eu entendi, Lilith era a primeira escolha como sacrifício para ser curada e quebrar o selo (como Draco suspeitava), mas quando tiveram problemas em a achar, procuraram uma substituta que estava morando na Califórnia. O nome dela era Mag... E eu a deixei morrer, e vou carregar isso para o resto da vida, mesmo sabendo que foi a escolha mais sábia. Enfim, finalmente fui liberado dessa coisa de fingir quando meu pai teve que viajar as pressas para Londres e disse que conversamos em alguns dias. Só digo uma coisa: já foi tarde. Dirigi pelas ruas de Nova York com a Saphira. Ok, eu tenho que admitir que peguei a mania do Draco de dar nomes estranhos aos nossos carros, mas fazer o que né. E até que combina já que a tinta desse meu automóvel é um verde meio brilhoso e escuro... Estacionei de qualquer jeito na porta de Hogwarts e saltei pra fora. Corri pra dentro a fim de sair da chuva que me golpeava como estacas de gelo de tão fria. Todavia, algo se pôs no meu caminho e me fez tropeçar... Era o meu próprio pé. Ainda mais encharcado pela chuva, com os óculos tortos e dolorido, voltei a me levantar e correr com mais cartela dessa vez. Mas o chão estava realmente escorregadio... Não me orgulho de ter caído de novo de um modo bem épico na escada. Quando eu cheguei na porta e passei para o acolhedor calor do aquecedor da mansão, meu humor estava horrível. Meu dia foi terrível, e eu só queria mandar deus e o mundo tomar no olho do cu por essa chuva que não parava de cair. - Harry! você está molhado - Era Luna que descia das escadarias principais com um balde de pipoca. - Não me diga - Respondi ríspido. Corri para o andar de cima, passando pela anjo que me olhava com uma careta, e adentrei no quarto do Draco de Hogwarts. Isso pois ele tem a melhor banheira de hidromassagem da casa, e eu realmente preciso dela. Não vamos comentar o fato de estar nesse quarto (como no do Dray na cobertura) me deixa mais calmo... só digo que gosto de como é um cômodo agradável. Entrei no quarto como um furacão, indo até o closet e pegando um dos moletons grandes do príncipe do Inferno. Só quando voltei para o quarto que me dei conta que não estava sozinho. Só me bastava essa. - Quem é você? - As palavras tinham um tom confuso e afiado, mas vindo de quem vinham, tomei aquilo como uma ameaça de morte. Eu estava imóvel, como se o fato de eu mexer um músculo pudesse faze-la me matar. - Ewwe eee aaa - Me amaldiçoei internamente por estar gaguejando tanto. Limpei a garganta e me forcei a responder - Prazer senhora Lilith, sou o Harry, Harry Potter. A ser ancestral na minha frente me avaliou de cima a baixo, e me senti quase que nu sob seu olhar. Não tenho dúvidas que ela estava me analisando e julgando tanto pela aparência, postura e alma... E não sei o que mais me dava medo. - Você é o cara que caiu duas vezes na entrada da mansão que nem banana podre. Fiz uma cara de sonso, e ela completou - Eu estava olhando pela janela - Ok, isso me fez corar e me martirizar por ter feito esse papel de palhaço. Tentei forçar um sorriso ameno, mas aposto que saiu que nem uma careta. - E você estava hoje mais cedo naquele celeiro com aqueles porcos - Foi uma acusação, tenho certeza. E eu entendi que ela estava pronta pra me matar apenas com um pensamento, mesmo ainda estando sentada em uma das poltronas perto da lareira do quarto, tão confortável doce como uma flor. Engoli em seco. Já enfrentei coisas piores, coisas maiores... coragem p***a. - Estou infiltrado. Meu pai é um dos líderes, então foi fácil Draco e os outros armarem pra me colocar dentro. Um brilho estranho percorreu os olhos de Lilith que pareciam refletir a própria existência intangível. Tudo e nada. - Meu filho deve confiar em ti. Ele odeia cobras traidoras. - Eu sei, e posso afirmar que não sou um mudblood. Quase completei com: "Não tenho tempo para ser um agente duplo não sogrinha. Não com o tanto de merda que acontece na minha vida ao ponto de eu nem conseguir ter um momento decente com o seu filho antes do destino colocar merda no nosso caminho". O silêncio pairou sobre nós, e Lilith parecia não ter pressa de quebra-lo. Ela se moveu o suficiente e de formar graciosa para pegar uma xicara de chá que estava sobre a mesa e leva-la aos lábios com tranquilidade. Enquanto eu ficava aqui, tremendo de frio (um vento gélido entrava pela sacada fazendo meus ossos doerem), molhado e só querendo que minha possível futura sogra não me carbonize vivo com magia. - E o que faz nos aposentos do meu filho, Harry Potter? - Seu tom não era hostil, mas não me culpem por estar tremendo, seja de medo ou de frio. Ou ambos. Com certeza ambos. - Eu não sabia que a senhora estava aqui... Draco normalmente deixa eu usar a suit... - É mentira, Draco odeia que eu pegue as roupas dele que ficam aqui em Hogwarts, ou que use sua banheira, cama, varanda, aposentos... mas o que posso fazer se esse é realmente um cômodo agradável? - Interessante - Não ousei perguntar o que era interessante, eu só queria tomar banho, e agora nem fazia questão de ser na jacuzzi do Draco. - A senhora... está muito bem - Eu sou uma anta pra puxar assunto mesmo né. Onde estão os gêmeos ou o Sirius quando precisamos de uma distração?! - E você parece estar congelando de frio, e seus machucados dos tombos estão sangrando. Não me diga. - Então é humano? Não tem poderes pra se aquecer ou curar? - Isso era o modo da mãe dos demônios me torturar e estar minha confiança? Porque parece realmente tortura. - Tenho poderes ligados as emoções, por mais que ninguém saiba o que eu sou exatamente, ainda. Draco pensa que pode ser algo novo, uma espécie nova talvez. Mas nada além disso pelo que saibamos - Uma espécie nova que precisa muito de um banho quente, por favor... - Interessante. Lilith fez um gesto com a mão e no momento seguinte minhas roupas estavam secas e minhas feridas cicatrizadas. Eu ainda sentia um pouco de frio, mas nada de água ou sangue. Quase soltei um gemido de satisfação. - Agora vá tomar banho criança, antes que gripe. Depois desça pra jantar, se é amigo de Draco, quero te conhecer melhor - Lilith se levantou levando o chá, e saiu do quarto com o vestido longo ondulando que nem aquelas capas dos bruxos dos filmes. Nem esperei ela sair direito antes de correr para o banho. Preciso disso não apenas pra me aquecer, mas pra relaxar. Hoje foi um dia daqueles, e os gritos da Mag... duvido que eu consiga esquece-los tão cedo. Enquanto a água da banheira esfriava vagarosamente por causa do seu alto calor específico, deixei minha mente vagar, ignorando o fato que Lilith deve estar me esperando lá em baixo para jantarmos junto com o pessoal. Quando não podia adiar mais, me levantei saindo da banheira e me vestindo. A mansão estava silenciosa quando caminhei pelos corredores ouvindo só o som dos meus passos derrapando no piso de mármore (não me julguem por andar fingindo que estou patinando), e da chuva que castigava as janelas. Mas logo uma falação me fez rumar para a maior sala de jantar, que só usamos em dias de festa que nem no ação de graças. - Harry! Como você está? - Dindo Remus perguntou assim que fiquei a vista. - Quer a verdade ou a mentira? - Resmunguei. - Se for pela decisão que tomou hoje, pare de se culpar. Você fez o que tinha que fazer, e só o fato de se sentir m*l por isso já diz que sua alma é tão limpa quanto o Draco fala - Pansy disse do outro lado da mesa, mas eu nem estava prestando muita atenção. Isso pois, meu olhar estava completamente preso na mãe dos demônios que tomava pequenos goles da sua taça de vinho sentada bem na cabeceira da mesa. Tudo com uma calma e com um encanto que me fazia lembrar muito o Draco nas vezes que ele se fazia, quer dizer, se faz de desinteressado, deixando o seu poder e ancestralidade dominar suas nuances para o tornar mais assustador e superior. A direita de Lilith estava Pansy, a esquerda Blaise (eles parecem os únicos que não tem anseios de ficar perto dela), e todos os outros sonserinos do primeiro círculo (e até minha irmã intrometida que não sei o que faz aqui) ocupavam os outros lugares da mesa, deixando apenas o assento da outra cabeceira livre. O lugar que normalmente o Draco senta. Um pouco nervoso, fui até lá e me acomodei. - Eu nem acredito que estou jantando na presença a mãe de todos os demônios, além de um anjo, uma bruxa, um demônio, alguns híbridos... - Minha irmã listava. Ela estava na cadeira a minha direita. - Não esqueça dos Weasleys. Nossa presença é mais ilustre que qualquer ser sobrenatural, sem ofensas tia demoníaca - Fred ou Jorge (não sei diferencia-los tão bem assim) disse tirando risadas de quase todos da mesa. Todos aproveitaram a deixa pra se servirem. Remus teve que cutucar Sirius para o meu padrinho parar de querer colocar deus e o mundo dentro do seu prato. Já Bellatriz nem se deu ao trabalho de pegar comida, virando a segunda ou quarta taça de bebida na boca. Eu mesmo aproveitei essa descontração para pedir desculpa a Luna pelo modo e******o que tratei ela hoje mais cedo quando cheguei. Todos se moviam, conversavam e comiam, menos a pessoa a alguns metros de distância e sentada bem na minha frente. - Degustou do banho Potter? - Lilith me perguntou, fazendo todas as conversas paralelas cessarem. - Era tudo o que eu precisava - Disse da forma mais gentil que consegui. - Que bom. Sabe o que estive pensando? - O olhar de todo mundo se revezava entre nós dois, e eu cheguei a cogitar que era melhor estar em uma reunião de grifinórios do que aqui. - Creio que não sei. Lilith demorou um certo tempo pra responder, me olhando de um modo que fazia calafrios percorrerem a minha espinha. Tentei ignorar e me servir do jantar. Estou varado de fome. - Estive pensando que para mim só se passaram alguns meses, mas para Draco foram cinco anos aqui em cima, e talvez eu esteja desatualizada da vida do meu filho. O que acha de me contar um pouco sobre o Draco que conhece? Me engasguei com um pedaço de frango que estava na minha boca. Todos estavam me olhando, então me obriguei a engolir e tomar um pouco de vinho antes de pensar no que dizer. Não fazia sentido a mão dos demônios me perguntar sobre o filho, sendo que essa mesa está lotada com os melhores amigos dele. Pansy e Draco são como irmãos em níveis que nunca vou conseguir compreender mesmo tendo a Luara na minha vida. Blaise e Draco são fechamento, apoiam um ao outro em tudo. Luna mora literalmente com o Dray, e ele o trata como uma irmãzinha, que nem a Dora. Draco passa pano pra tudo que os gêmeos fazem, os protegendo de tudo. E assim vai. Todos os outros saberiam falar mais do Draco do que eu, mas foi a mim que ela perguntou... - Não sei o que falar do Draco que vocês já não saibam - fui sincero. - E por que confia tanto nele? - Sei que Lilith está jogando um jogo, mesmo não sabendo qual é exatamente. Mas tinha que fazer isso na frente de todo mundo? Umas quinze pessoas incluindo minha irmã e os meus padrinhos? Mas o olhar da entidade continuava em mim, esperando a resposta. - Eu não confiei no início. Seria um o****o se confiasse tendo as circunstâncias que nos conhecemos e tudo que rolou. Na verdade eu o suportava porque queria respostas, sempre com um pé atrás, com medo de ser enganado de novo que nem fui por toda a minha vida. Pelo meu poder eu consegui sentir a confusão de sentimentos de todos a minha volta. Todos sempre somos uma confusão de emoções, sentimentos, sensações e desejos, mas eu não sentia nada de Lilith. Mesmo assim quando ela deu um sorriso, eu soube que era verdadeiro. - E por que confia agora? - Porque vi por trás do príncipe do inferno líder da slytherin e bilionário egocêntrico. Nos pequenos atos o Draco se entrega, e só observando eu descobri a verdade sobre ele. Quem Draco Malfoy realmente é, e acho que acabei me identificando um pouco. Seu filho pode ler as almas das pessoas, mas ele entrega a sua essência ao fazer as coisas que faz, e isso é digno de confiança. Todos estavam em silêncio e olhando para um ponto específico da sala, mas eu estava hipnotizado pelos olhos oníricos de Lilith, que expressavam um brilho, uma alegria e um reconhecimento que fazia um sentimento acolhedor me envolver, me possuir, me contagiar... Mas essa sensação não era nada, literalmente nada, comparado ao sentimento que percorreu o meu corpo quando finalmente a curiosidade me tomou e virei o olhar para o ponto onde todos se fixavam. O sentimento que explodiu em minhas veias e fez todo o m*l humor do meu dia evaporar, quando vi Draco parado no batente da porta da sala de jantar, com um sorriso brilhante de quem diz que escutou a resposta de disse para Lilith. E era como se ele nunca tivesse ido, como se não tivesse se passado um mês, como se tudo agora estivesse... certo. Não me lembro de ter levantado da minha cadeira, muito menos de atravessar a sala, mas quando vi, lá eu em seus braços. Não de uma forma civilizada de abraço, mas eu meio que pulei em seu colo, cruzando as pernas em suas costas, e agarrando o seu pescoço enquanto ele me tirava do chão com a maior leveza do mundo. Que se f**a que a mãe dele está aqui, que o resto da máfia estava aqui... Alívio. Ao sentir o seu cheiro que é uma mistura de menta, cheiro de livro antigo, perfume de rico e queimado, eu me senti mais aliviado do que a muito tempo. - Também senti sua falta batatinha. E também confio em você - Draco sussurrou em meu ouvido, ainda segurando minha cintura pra me manter no ar. Na verdade, ele me apertava forte esquecendo da sua força sobrenatural. Mas nem liguei, pois eu também precisava desse contato. Vocês não tem ideia de quanto eu precisava depois de tudo o que aconteceu... Hoje em dia sei que me basto. Sou suficiente pois sou excepcional, e não preciso de ninguém que me complete. Mas é bom ter alguém pra somar, alguém que te apoia e divide o peso da vida, das suas decisões e consequências com você. - Mãe? O que faz aqui? - Draco perguntou quando senti que ele finalmente levantou o rosto do nosso abraço. Mesmo assim sua voz roçava no meu pescoço, mostrando o quanto estávamos perto, e o quanto ele não estava a fim de se afastar ou me largar. - Olá querido. Olá Luana, meu amor - Pela voz notei que Lilith parecia se divertir com a situação. Levantei o olhar e me deparei com a Luana, irmã do Draco, logo atrás de nós. Estava tão bonita e arrumada como da última vez. Deduzi que ela veio com o irmão pra fazer companhia que nem a Luara veio pra nova York pra ficar mais perto de mim. E esses pensamentos me fizeram lembrar de onde estava, sobre a plateia que me assistia e o fato de eu ainda estar nos braços do Draco, líder do bagulho todo. Portanto tentei me desvencilhar para descer e voltar ao meu lugar, mas Dray firmou ainda mais os seus braços a minha volta, me fazendo enfiar a cabeça no seu ombro para reprimir a vergonha. - Eu no inferno te procurando e você aqui jantando com os meus amigos, que bonito senhora Lilith - Draco parecia feliz em ver a mãe bem. - Oi pra você também Draco. Por acaso somos invisíveis? - A voz de Pansy parecia aliviada, mesmo forçando um pouco de raiva. - É muito bom retornar, e melhor ainda ver todos vocês - O loiro respondeu e começou a andar em direção a mesa. Tentei novamente descer, mas Draco apenas deu um risinho baixo e repetiu que estava com saudades, logo antes de encarar com confusão e graça o moletom que eu estou vestindo. Isso me fez parar de protestar de estar entre aqueles braços quentes que pareciam levar todo o gelo desse último mês embora em um único ato. Se o moletom do Dray já é agradável de se ter grudado ao corpo, imagina o dono. - Não tem mais cadeiras - Dora constatou e lembrei que é verdade. Mesmo assim Draco não parou de andar em direção ao seu lugar na cabeceira, onde antes eu estava. - Tonks querida, o que se faz quando tem mais pessoas do que lugar pra sentar - Luana disse com sua voz cheia de diversão, sexualidade, riqueza e poder. O que define bem ela pra falar a verdade. - Todos ficam de pé pra ser justo? - Luna perguntou. - Pega mais cadeiras - Foi a vez da minha irmã. - Mata quem dor mais dispensável? - Com certeza Pansy. - Vende as cadeiras e compra uma cama elástica gigante? - Fred ou Jorge disse. - As pessoas dividem - Ouvi a voz do meu padrinho Remus antes de Sirius completar com um tom safado: - Sentando um no colo do outro. - Exatamente - O tom de voz da irmã do Draco me assustou um pouco, mas quando o príncipe do inferno se sentou e me arrumou em seu colo (pra conseguir ficar de frente pra mesa e de costas para ele) foi que eu entendi. Luana foi até Luna e perguntou se a anjo se importava. Agora, mesmo corada de vergonha que nem eu, Luna estava na mesma cadeira de antes, mas agora no colo da Luana. Olhei para minha irmã, e ela parecia de boas com isso... Na verdade, ninguém pareceu ligar ou ficar muito surpreso com isso. Até mesmo Sirius e Bella riam da minha cara de vergonha. - Bom, o que eu perdi? Mãe, quer me explicar? - Draco perguntou enquanto eu pegava minha taça de vinho e virava toda na boca. Álcool sempre ajuda com a vergonha. E estar no colo do Draco (onde eu não me importaria de estar em outras ocasiões) na frente de Lilith me dava vergonha pra c*****o. - Nem vem querido, cheguei hoje mais cedo quando invadi aquele galpão que aqueles vermes estavam, além do seu espiãozinho é claro, e vi o que estava acontecendo. Draco deu um ligeiro aperto na minha cintura, e como resposta disse: - Eu estou bem. Aquela reunião que eu tinha com o meu pai foi adiada pra hoje, e quando cheguei lá era a quebra do quarto selo. - Então ele se quebrou? Ninguém ousou confirmar, e acho que isso já foi resposta suficiente para o Draco. - Relatório - Exigiu ficando sério, e passamos a próxima hora atualizando ele de tudo enquanto comíamos. Na verdade eu m*l falei, pois Pansy, Blaise, Theo, Fred, Jorge e Luna tomaram a dianteira e o entupiram de todos os fatos possíveis que ocorreram nesse último mês. Na parte em que Luna e minha irmã relataram como estão sendo os meus pesadelos, me senti um pouco desconfortável (mesmo elas sendo muito profissionais e empáticas), me remexendo um pouco mais no colo do Draco e bebendo mais um pouco de vinho. Contaram também sobre a quebra do selo, e Draco concordou com a minha decisão. Seu olhar sobre o meu parecia avaliar como eu estava me sentindo depois disso tudo, e o que viu foi o suficiente para me abraçar e colocar a cabeça no meu ombro, fazendo o meu coração bater mais rápido e todo o meu corpo e mente ser receptivo ao toque. Depois que Draco se atualizou sobre os assuntos da máfia, do apocalipse e sobre como vai cada um de nós, Blaise perguntou: - E lá em baixo? Por que demorou tanto? Me arrumei pra conseguir ver o rosto do loiro. Uma linha de preocupação transparecia seu rosto desde que ele chegou, sutil, mas fácil de se notar quando se presta atenção. Não sei que horrores ele viu lá, e pode ser seu reino, mas aqui é a sua casa, junto com as pessoas que ele protege e se preocupa. E sei que ele não se sente bem lá, não tanto quanto aqui. - Lúcifer estava em uma reunião no ministério, minha mãe não era vista a algum tempo... então fui atrás da Luana. Quando nós dois não chegamos a lugar nenhum sobre o seu paradeiro mãe - Draco olhou para Lilith do outro lado da mesa - tivemos que interromper o conclave. Fiz uma careta para o último nome que não entendi, e Draco sussurrou baixinho: - Nome que eles dão pra essas reuniões fechadas que os 7 líderes do inferno fazem. - Dray não segue regras, ele as faz, e se necessário ele as quebra - Um dos gêmeos disse, e logo em seguida o outro e Luana se juntaram a ele nas risadas. - E o que seu pai achou disso? - Lilith perguntou antes de dar a última garfada em sua comida. - f**a-se Lúcifer. E como vai a... é Celeste né?! - Draco perguntou zombando e recebendo um dedo do meio e uma revirada de olhos da mãe. Isso foi algo tão humano... me peguei rindo com o resto da mesa. Talvez até um pouco mais por estar meio bêbado. - Ai eu e Lu contamos tudo o que anda acontecendo, apesar da resistência a prior, eles aceitaram ser o nosso plano de contingência e passar quaisquer informações que tenham - Draco disse, e eu senti alívio, mesmo com uma parte insignificante de mim não gostando de algo nesse assunto. Ignorei essa parte. - E foi só isso? - Pansy perguntou séria e curiosa, reascendendo minha curiosidade e desconforto. - Que precisamos nos preocupar agora?! sim - Draco falou firme e resolvi que não era nada. Paranoias da minha cabeça. Ele voltou, e até trouxe a irmã. Está tudo bem. Voltamos a conversar sobre assuntos aleatórios (já que a comida acabou a muito tempo). Mas em um determinado momento Draco encostou a testa nas minhas costas , como se tivesse tentando se controlar. Me virei em seu colo para encara-lo, aproveitando que todos estavam distraídos. - O que foi? - Questionei preocupado. - Só, para, de, se, mexer - Falou cada palavra em uma bufada de ar, e foi aí que eu desci o olhar e percebi que sem querer o tinha e******o. Me virei pra frente fingindo que nada estava acontecendo, mas no momento seguinte fiz questão de empinar mais a b***a quando me inclinei pra me servir mais de vinho. Draco segurou forte na minha cintura tentando me deixar parado, no entanto, ignorei me remexendo ainda mais ao conversar com Luna, Luara e Luana. Foi pra isso que tive aulas de espião, e o melhor, foi ele que me ensinou a fazer algo sem que ninguém perceba. Bem, agora o feitiço virou conta o feiticeiro, e eu estou provocando ele enquanto finjo que nada esta acontecendo para que ninguém perceba. - Quanto tempo pretende ficar aqui mãe? - Perguntou provavelmente pra se distrair. - Algumas semanas talvez. Quero passar um tempo morando com você - Lilith parecia ser realmente uma boa mãe, apesar de me assustar muito. E me perguntei como é ter isso, afeto materno... Perdi um pouco o t***o e percebi que essa era a jogada do Draco desde o momento que fez a pergunta para a Lilith. Não me fazer sentir m*l por não ter mãe, não isso. Mas me lembrar que estamos em uma mesa cheia de pessoas incluindo a mãe dele, e que é pra mim sossegar. Parei de me mexer, mas não iria perder a oportunidade de o lembrar o quanto eu mexo com ele. Dei uma risada nasal, ouvindo em resposta o resmungo dele: - Cala a boca. Logo cada um subiu para o seu quarto, ou foi para sua casa. Sem condições nenhuma de dirigir (ainda tenho noção das coisas que faço, mas dirigir é outra coisa), Draco assumiu o meu carro levando eu e Lilith para a cobertura. Na Charlloty, Luana estava levando minha irmã e a Luna. As meninas ainda queriam assistir um filme na sala de cinema da cobertura quando chegamos, mas eu, Draco e Lilith estávamos cansados. Com certeza isso foi uma desculpa do Draco pra me acompanhar e me ver dormir por causa dos pesadelos, já que a sua semana de sono está longe. E Lilith... não sei se ela dorme, mas se retirou para um dos quartos de hóspedes. - Boa noite Hazz. Amanhã a gente conversa sobre o que você deve estar sentindo sobre o que aconteceu hoje e Mag - Draco disse quando me deitei depois de ter tomado banho e feito minhas higienes enquanto ele esperava lendo um livro. - Vem pra cama comigo - Resmunguei ignorando o papo do demônio que morreu por minha culpa e que só me faria ficar mais triste ainda. - Você está bêbado e emotivo, vou ficar bem aqui te olhando de longe e lendo. Dei uma risada meio sem sentido e repleta de sono. - Não estou falando disso, seu mente poluída. Apenas deita aqui comigo, você é quente. No minuto seguinte a outra metade da cama era ocupada por ele. E só de sentir sua presença... eu me deixei levar pelo sono contente e completamente tranquilo. Antes de realmente caí nos braços de Morfeu, pontuei que nós dois não havíamos dado nem um mísero selinho desde que ele voltou. Mas também percebi que não precisávamos. O lance, que eu acho que temos, tem muito mais haver com confiar e cuidar, do que esse tipo de contato físico. E como eu disse a Lilith, eu confio no Draco.
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