Falante Narrando Mano, eu viro aquela curva perto da praça e meu peito já trava na hora. A multidão gritando, aquele desespero todo, mas foi quando eu vi ela que meu coração quase saiu pela boca. Lucinda tava no chão, toda ralada, braço sangrando, gritando o nome do Beni como se arrancassem a alma dela. E o moleque, apagado, largado nos braços dela. Parecia morto. Eu juro que o mundo ficou mudo por uns segundos. Respirei quando vi que ela estava viva, mas a raiva? A raiva só cresceu. Fui chegando já acelerado, o coração batendo no mesmo ritmo do meu tênis no chão. — Quem fez isso?, perguntei quase cuspindo fogo. O vapor olhou pra mim tremendo. — Foi Ninão, irmão. Mano, na hora meu sangue ferveu. Senti a visão ficar estreita, só enxergava duas coisas: Lucinda ensanguentada e o Ben

