Isabel Narrando Eu ainda sinto o cheiro de sangue, terra molhada e desespero grudado na pele quando penso no que aconteceu. A Lucinda não tava destruída pelo tiro que levou, nem pelos arranhões que riscavam o corpo dela. Ela tava destruída pelo Beni, pelo jeito que ele arrancaram ele dos braços dela, frio, mole, sem reagir. O olhar dela tava morto e nada tinha a ver com dor física. Quando a ambulância grande chegou pra transferir ele pro hospital da cidade, Lucinda entrou em desespero de novo. Gritava, tentava segurar na maca, implorava pra não levarem ele dali. — No lo alejen de mí! Por favor! (Não afastem ele de mim! Por favor!) — ela chorava, agarrada no braço da enfermeira. A mama e a Yoli seguraram ela com força, as duas chorando também. Eu fiquei sem ar vendo aquilo. Parecia qu

