Hades Narrando Mano, eu juro que nunca vi a Yolanda daquele jeito. Eu achei mesmo que era birra no começo, frescura de mulher, sei lá. Mas não, ela tava magoada de verdade, daquele jeito silencioso que dói mais que grito. E os olhos dela, que normalmente são azul clarinho, tranquilos, tavam escuros, parecendo céu antes da tempestade. Fiquei encarando ela, esperando algum escândalo, alguma palavra atravessada. Só que quando ela mandou que eu menti, pô, aquilo me derrubou sem nem botar a mão em mim. Essa parada de mentira não é comigo. Eu posso ser várias mërdas, mas mentiroso não é uma delas. Só que, dessa vez, eu escondi mesmo o lance da Lucinda. Errei. Fui moleque. Era pra ter sentado, conversado, explicado, mas não fiz. Olhei pra ela e soltei, meio na defensiva: — Tu não queria acei

