Os dias haviam passado e a preocupação de Cassie aumentava cada dia mais. Não tinha nenhum rastro da ruiva e ela colocava o departamento abaixo, querendo achar Karoline. Muitas ligações anônimas enganaram a polícia com a localização e isso a deixava de completo m*l humor. Não conseguia comer direito e se não fosse a preocupação de seus companheiros de trabalho, Taylor e Curt, ela vivia apenas com café no estômago. Precisou várias vezes ir para fora do departamento, respirar fundo, mas o choro sempre tomava conta dela. Perguntava – se mentalmente aonde a ruiva poderia estar.
Ainda havia o homem estranho do FBI. Theodore Budgen ainda estava em sua lista de pessoas bem odiadas por ela. Sempre calado, andando de um lado para o outro, olhando a janela. Isso não era atitude de federal. Ele era qualquer outra coisa, mas não era investigador.
Foi para a sala de Jonathan Fleur perguntar sobre ele. O homem deu de ombros.
- Quando me disse sobre o desaparecimento da Karol, eu liguei ao FBI para tentar alguma coisa, já que eles também estavam no caso de Sebastian Reves. – Respondeu o Inglês, pensativo com as perguntas de Cassie. – Eles disseram que mandariam um bom detetive para ajudar nas investigações e esse cara bateu na minha porta uma hora depois.
Cassie olhava pela fresta da porta enquanto Theodore via alguns arquivos e conversava com algumas das pessoas ali.
- E você nem chegou a desconfiar? – Perguntou Cassie, sem olhar para o chefe.
Este deu de ombros.
- Não. Bom, todos temos a mesma causa, então por que eu deveria desconfiar?
Cassie olhou para o homem atrás da mesa.
- Eu não confio nele, Jonathan. Alguma coisa me diz que esse cara é uma furada das grandes e vai ferrar mais ainda as investigações. Ele nem faz nada a não ser ficar trancafiado na sala da Karol. Outro dia, peguei ele ao telefone com alguém e acredite, não acho que era o superior dele.
Jonathan cerrou o cenho.
- Eu acho que você está tão preocupada com a Karol que não está pensando direito, menina. Escute, temos que ser mais pacientes. Karol vai aparecer.
Cassie voltou a olhar o homem. Em um dos momentos, Theodore olhou de um lado para o outro, até encontrar o par de olhos em cima dele. Cerrou os olhos dele ao olha-la, mas ela não se sentiu ameaçada.
- Pode até ser, mas eu ainda vou descobrir alguma coisa dele.
E tudo se seguiu depois disso. Taylor havia lhe dado uma caixinha com comida japonesa e ela tentava comer em seu escritório, mas era bem difícil. A preocupação era tanta que ela não sentia vontade de nada. Dois toques na porta tiraram – lhe dos pensamentos.
- Ahn... Posso entrar? – Era Alexis Koleman, uma das investigadora internas do Departamento.
- Claro Alexis.
A loira baixinha entrou segurando uma pasta. Fechou a porta cuidadosamente.
- Eu fiz o que pediu e posso lhe garantir, faz tempo que não tenho um desafios desses.
Cassie acabou rindo. Alexis entregou a pasta e curiosa, Cassie a abriu. Era algumas fichas sobre Theodore Budgen.
- Achou alguma coisa interessante?
Alexis deu de ombros.
- Bem, homens como ele sempre serão interessantes. Enfim, ele serviu no exército por alguns anos e acabou sendo dispensado após um dos colegas de batalhão, um tal de Patrick Chistes, ter sido encontrado morto em sua cama na base militar. Ele e Budgen se odiavam e este foi o principal suspeito. Chistes foi encontrado com uma dose grande de Morfina no organismo e a seringa encontrada tinha digitais de Budgen.
Cassie ficou surpresa por aquilo, mas uma grande desconfiança lhe pegou.
- Mas alguém com um histórico assim consegue chegar a ser investigador no FBI?
Convencida, Alexis sorriu.
- Aí que vem a grande surpresa. Budgen foi a julgamento, mas com tantas provas o júri o inocentou. O único voto de culpado veio de uma mulher chamada Thifany Trinidad. Ela foi encontrada morta ao ingerir demais o próprio remédio pra dormir um dia depois do julgamento. Após isso, as acusações contra Budgen sumiu e ele também desapareceu. Alguns anos depois, apareceu como sendo um dos maiores investigadores no FBI. O que ele fez nesse tempo fora, ainda é um mistério.
Cassie escutou tudo com calma, mas seu cérebro não parava de pensar. Agradeceu a Alexis, que logo saiu. Quando se viu a sós, Cassie ligou para a única pessoa que lhe poderia explicar aquilo. Esperou pacientemente a ligação ser atendida. Seu coração bateu forte ao ouvir aquela voz.
- Karoline apareceu? – Perguntou ele, parecendo bem preocupado.
- Não. Queria poder estar ligando pra dizer que sim, mas... – Respirou fundo. – Bom, eu preciso te perguntar uma coisa. Você já ouviu falar Theodore Andrew Budgen?
Enquanto Cassie conversava com seu informante, Theo ouvia tudo do lado de fora da porta. Cassie estava investigando sobre ele e havia descoberto algum de seus segredos. Ela havia entrado em seu caminho e agora, precisava ser punido por isso. Tirou o celular do bolso.
- Alô...
- Acho que vou precisar de um grande favor...
***
Sebastian havia saído para comprar comida e Daniel acabou ficando no esconderijo. A polícia nem sonhava que era a antiga usina. Depois de tanto procurar por algo em Mahattan, até que o lugar serviu para que eles colocasse o insano plano de Sebastian em prática. E era o que vinha matando Daniel aos poucos.
Ele nunca imaginou que fosse se sentir tão m*l por Karoline. Desde o dia em que dormiu com ela, Daniel sentiu-se m*l por tudo o que aconteceu. Tentou parar Sebastian várias vezes, mas o irmão não o ouviu . Ele só queria mesmo saber da vingança. A cada dia que se passava naquele lugar, evitou expôs seu rosto porque queria sair com Karoline de novo, até que ela descobrisse quem ele era, mas era impossível continuar a ver aquela tortura.
O loiro olhou para a porta. Talvez o irmão fosse demorar. Ele rumou para a sala onde Karoline estava escondida. Quando chegou na porta, pensou alguns minutos. Ela achou que o que rolou entre eles não significou nada para ele, mas ela se enganou. Aquela noite foi especial. Ela tornou – se especial para ele. Daniel queria pedir desculpas, mas será que era o suficiente? Ele só saberia se fizesse algo. Respirou fundo e abriu a porta.
Karoline tinha a cabeça abaixado. Quando ele entrou, ela não se mexeu. Aquilo o fez sentir mais culpa. Fechou a porta atrás de si, ele tinha que fazer isso. Pegou a cadeira e a colocou de frente pra ruiva. Sentou – se, mas ela não se mexeu.
- Eu juro que não era à minha intenção dormir com você naquela noite. – Começou Daniel, com a voz bem calma. Prometeu a si mesmo que seria paciente. – O plano era apenas pegar a chave do seu apartamento, ver sua rotina para te pegar da melhor maneira possível, mas ver você naquele estado mexeu comigo de verdade.
Ela não levantou o rosto, mas Daniel pode ver que Karoline piscava olhando para algum ponto do chão. Respirou fundo e passou a mão na testa. .
- Eu conversei com Sebastian, tentei de tudo para faze-lo desistir disso, mas foi impossível. Ele estava tão convicto de que ia se vingar que não me ouviu. Os olhos dele estavam diferentes, ele estava muito magoado com tudo. – Daniel abaixou a cabeça, brincando com os dedos das mãos. – Eu acho que faria a mesma coisa no lugar dele, mas não faria... Isso. – Ele apontou para o lugar.
Karoline levantou um pouco a cabeça, mas não o suficiente para olha-lo. Não tinha coragem. Estava triste, acabada por dentro. Ele esperou, mas ela não reagiu.
- Eu não sou o que você pensa. Eu juro que eu pretendia ve-la de novo. Queria poder protege-la, mas as coisas saíram do lugar e...
- Vai embora.
A voz baixa de Karoline o surpreendeu. O pedido em si não, mas ver que ela o rejeitou, doeu dentro dele. A vida toda, era assim que ele se sentia. Sempre preferiu proteger o irmão de muitas enrascadas do que mesmo seguir seu coração. Daniel sempre sentiu isso, uma rejeição por parte da vida.
- Eu poderia ir, mas não posso. Não sem antes explicar tudo...
- Você não me deve explicações. – Respondeu Karoline, finalmente levantando a cabeça e o olhando. Os olhos da ruiva eram vermelhos e inchados de tanto choro. Daniel sabia que deveria ter sido r**m para ela descobrir quem ele era. – Eu já entendi muito bem o que rolou e nada do que me disser vai mudar a minha opinião sobre você.
Daniel suspirou e abaixou a cabeça. Era triste aquilo, mas se havia algo que Sebastian sempre o ensinou era nunca abaixar a cabeça e nunca desistir de algo. Ele projetou o corpo pra frente para olha-la dentro dos olhos.
- Eu não sou um traidor e muito menos um aproveitador. O que rolou entre nós sempre ficou em minha cabeça e em meu coração. Sabia que aquela rosa, nenhuma mulher que passou pela minha vida recebeu uma? Eu prometi a mim mesmo que daria apenas a quem merecesse. E você mereceu. – Ele hesitou, mas levou a mão no rosto de Karoline e passou o polegar no rosto dela, enxugando uma lágrima. - Você sofreu com o que fez e eu entendo isso, sei que foi obrigada, mas meu irmão nunca vai entender isso.
Ele parecia ser bem sincero. Karoline também nunca esqueceu aqueles olhos azuis bem brilhantes a sua frente. Ele causou uma calmaria grande em sua vida de tempestades, mas talvez a mágoa dentro dela sempre será grande com tudo.
- Se você diz tudo isso, então por que não me solta e me deixa ir? – Perguntou ela, com a voz um pouco baixa.
Daniel respirou fundo e afastou – se dela, voltando a se sentar como estava antes.
- Eu queria. Juro que queria, mas não posso. – Ele levantou o olhar pra ela. - Como eu disse, eu não sou um traidor, Karol. Eu queria muito ajudar vocês dois, mas eu não posso. Depois de tudo o que fiz por Sebastian, tirar você daqui só o deixaria mais bravo.
Karoline abaixou a cabeça, como se quisesse evitar o contato visual com ele de novo. Mais uma vez, a rejeição dela lhe fez m*l, seu coração bateu fraco e triste. Era a hora de ele sair. Daniel se levantou, voltando com a cadeira no lugar. Ia sair, mas lembrou – se de algo.
- A minha vida toda, eu precisei olhar para Sebastian e ve-lo crescer, sempre com ajuda de alguém. – Disse ele, pensativo. – Ninguém nunca colocou fé em mim sabia? Sebastian sempre foi o menino prodígio, principalmente com o meu pai adotivo. – Se virou para olha-la. – Ele não é um cara r**m e muito menos vai te m***r. Por mais que tudo tenha acontecido, ele foi a única pessoa que nunca me desprezou. Tudo o que ele fazia era por nós dois... Até trabalhar pra eles, Sebastian trabalhou para me proteger. – Um longo suspiro. – Devo minha vida ao meu irmão e isso me prende a ele, Karoline. Se conhecesse Sebastian como eu conheço, não estaria resistindo por tanto tempo.
Com essas palavras, Daniel saiu do lugar, deixando Karoline pensativa. Ela levantou a cabeça, pensativa com as palavras dele. Respirou fundo, fechou os olhos. Talvez a tal hora deve ter chegado.
***
As palavras de Daniel permaneceram na mente de Karoline durante todo aquele tempo. Ela sabia que, no fundo, tudo aquilo foi culpa. A consciência lhe caiu em um momento de fraqueza. Durante as horas que se passaram, o homem de olhos claros ainda voltou ao seu castigo, assim que ela chamava o lugar que estava amarrada, para alimenta – la. Desde então, começou a sentir um pouco enjoada com a comida. Talvez, Sebastian não quisera ver ela na intenção de não brigar de novo, mas tudo o que queria era que ele aparecesse.
As horas se seguiram e a ruiva foi sentindo – se um pouco mais fraca. Seu estômago doía um pouco, mas não queria chamar nenhum dos dois. Quando fosse a hora, tudo aconteceria. Para esquecer do incômodo, imaginou como as coisas deveriam estar do lado de fora. Cassie colocando o Departamento abaixo para acha – la, todos enlouquecendo e toda correria quando havia um policial desaparecido. Elas haviam passado por aquilo uma vez quando um colega da narcóticos acabou sumindo e apareceu morto perto do rio. Depois de duas semanas de investigações, descobriram que tudo foi tramado pela mulher dele, que preferiu se vingar de uma traição.
Pensou também que horas deveria ser, qual dia também estava. Tudo havia se passado tão dolorosamente devagar. Quis chorar, mas seria muita fraqueza se alguém aparecesse e a visse. Karoline queria manter sua postura até o fim.
O que cortou seus pensamentos foi o barulho da porta sendo destrancada. Karoline levantou a cabeça e viu Sebastian entrando. Vestia uma camisa azul escuro, calça jeans preta e um sapato social. O cabelo estava solto e molhado. A barba estava bem maior e os olhos castanhos dele tinha ainda um brilho que ela não sabia explicar. Ele era um homem muito bonito, mas também perigoso, assim como Daniel.
Sebastian entrou com uma garrafa pequena de água nas mãos. O tempo todo a olhando, se aproximou e ajudou – a a beber.
- Daniel se esqueceu de trazer o seu suco e você acabou comendo sem nada pra se hidratar. – Disse ele,parecendo preocupado. Karoline bebeu a água e ele sorriu. – Boa garota.
Ela ficou alguns segundos o olhando.
- Não precisava ter se preocupado. – Disse. Se remexeu quando o estômago se manifestou com a dor. – Eu estou muito bem.
Sebastian riu baixo por causa da teimosia dela.
- Eu sei que está bem, você me diz isso todos os dias. Eu queria acreditar, mas sei que só está bancando a orgulhosa pra cima de mim. Um dia isso vai chegar ao fim e eu espero não ser tarde demais. Se me perdoar, eu ainda quero leva – la pra jantar.
Os olhos dela levantou – se pra ele surpresos. Ela não acreditou nas palavras.
- Depois de tudo o que me fez, ainda acha que vou aceitar sair com você?
Sebastian deu de ombros.
- Um dia, você vai acabar entendendo o porquê eu fiz tudo isso,Karoline, e vai perceber que não sou eu o monstro nessa história.
Ela sabia que ele não era. Na verdade, ela fazia parte do esquema que ele estava atrás de saber. Sebastian se virou de costas para sair e Karoline apertou os olhos. Seu coração bateu fraco pelo o que ia fazer.
- Se eu te contar, eles vão m***r meus pais, meu irmão e até mesmo a Cassie. – Falou, um pouco chorosa. – Eu sei que meus pais não ligam pra mim, mas são minha família.
Sebastian parou de andar na hora e se virou devagar para ela.
- Eu conheço pessoas importantes, Karoline. Talvez eles possam me ajudar com isso. Posso pedir que protejam seus pais e seu irmão. Quanto a Cassie, eu acho que ela pode se cuidar sozinha.
Karoline pensou mais uma vez. Se contasse a ele, teria o peso tirado das suas costas? Respirou fundo e abaixou a cabeça.
- Eles ameaçaram meus pais... Quer dizer, o cara que foi me visitar...
Sebastian pegou a cadeira perto da porta e levou até ela, sentando – se a sua frente.
- Quem? – Perguntou.
Ela forçou a mente pra lembrar.
- Budy... Budge... Budgen... Budgen. – Disse ela, olhando pra ele. – Theodore Budgen. Ele quem foi até a minha casa ameaçar a todos ao meu redor.
Sebastian cerrou os olhos. Ele o conhecia. Theo, como era mais conhecido, era o prodígio deles e sempre realizava os trabalhos mais difíceis.
- Me conte desde o começo, Karol. Por favor.
Se vendo entregue, Karoline resolveu contar tudo.
- Havia muitas coisas que não batiam na autópsia de Sara Huffman e eu comecei a desconfiar. Haviam sinais de pele embaixo das unhas dela e não batia no dados da polícia como sendo seus, você não havia nenhuma marca de luta, além de eu descobrir que de um dia para o outro, uma quantidade enorme de dinheiro foi depositada na conta do juiz quando me negou o adiamento do seu julgamento. Eu ainda insisti, mas ele negou. Foi quando eu encontrei algo crucial para provar a sua inocência.
“Todas as câmeras da casa do Governador Huffman foram apagadas, menos uma. Eu fui visitar o local do crime e vi que a webcam de Sara ficou ligada naquela noite. Eu mesma a vi ligada. Acessei o video e vi o momento em que ela foi assassinada. O homem que a matou estava com o rosto coberto e depois de esfaquea-la, ele olhou para a câmera. Foi estranho demais. Ele se aproximou e tentou ver alguma coisa, mas não conseguiu. Eu realmente não sei como ninguém viu aquilo.”
“Eu salvei o vídeo em um pen drive. Era a prova da sua inocência e fui para a minha casa. Liguei para o meu chefe e contei tudo a ele. Tomei um banho e estava preparada para ir a delegacia quando eu vi aquele homem. Pelos olhos frios, era o mesmo da gravação.”
***
Alguns dias antes do julgamento.
-Vai a algum lugar, Karoline?
A voz a assustou. Ela estava prestes a sair e não viu o homem sentado em seu sofá. Estava um pouco escuro, mas os olhos dele estavam iluminados o suficiente para reconhece – lo. Depois de tentar se recuperar do susto, Karoline pode ver e reconhecer o homem que continuou sentado e bem tranquilo a sua frente.
- É você... – Disse ela, levando a mão até o coldre. – Você é o homem que matou Sara Huffman...
Ele permaneceu quieto, apenas olhando pra ela.
- Eu juro para você, sou mais rápido. Se pegar a arma, eu vou atirar e eu não vim para machucar você.
Ela já tinha a mão no cabo da arma, era só puxar, mas temeu a vida. Não queria morrer.
- O que você quer? – Perguntou Karoline, tomando um pouco de coragem.
O homem se levantou, mas ficou parado no lugar olhando pra ela.
- Eu quero que você condene Sebastian Reves.
Karoline cerrou o cenho.
- E por que eu faria isso?
O homem continuou com a expressão tranquila.
- Porque é algo que se deva a fazer. Existem vários tipos de sacrifícios pelo mundo Karoline e Sebastian será um deles.
Ela acabou rindo das palavras dele, passando a mão na testa, um pouco nervosa.
- Eu não vou condenar um homem inocente enquanto eu tenho o verdadeiro assassino na minha frente. Aliás, eu preciso prende – lo agora é leva – lo para a delegacia. Tem o direito de ficar calado e...
- Eu sei que seus pais a despreza pela profissão que segue, mas o quanto está disposta a sactificar – se por eles?
Karoline sentiu uma vertigem grande quando ele falou aquelas palavras. Perdeu rápido o raciocínio e sentiu sua cabeça girar. Ela o olhou, de olhos cerrados.
- O que?
O homem deu de ombros.
- Você entendeu bem. – Ele começou a se aproximar bem devagar dela. – Sei que seu pai é um médico formado, que idolatra seu irmão mais velho por ter seguido a profissão dele. Já sua mãe sempre diz as mesmas coisas sobre como você pode perder a vida a qualquer momento, enquanto seu irmão seguiu o que era o certo a família. – O homem parou na frente dela, sem tirar seus olhar frio do de Karoline. – Seus pais a desprezam, mas será que você os ama tanto a ponto de não deixa – los morrer?
Karoline teve medo. Seu coração disparou e o medo tomou conta de seu corpo. Os olhos encheram – se de lágrimas, mas ela não as deixou cair.
- Se aproximar mais uma vez dos meus pais, eu juro que...
- Você não vai jurar nada. Eu disse, a vida é feita de sacrifícios e qual será a sua escolha? Livrar seus pais de uma morte lenta e dolorosa ou o pobre amante inocente prestes a ser julgado? Você quem escolhe, Detetive Graves. – E depois de alguns segundos, o homem saiu, a deixando em prantos no meio de sua sala.
***
Dias atuais.
Houve um pequeno silêncio após o que Karoline contou. Ela se remexeu mais uma vez devido a dor no estômago, fechou os olhos e respirou fundo.
- Ele ainda me ligou duas vezes e em uma dessas vezes, foi após mandar uma foto minha com a Cassie no colegial. Essa foto apenas minha mãe tinha no álbum de família. Tudo foi ficando cada vez mais insano... Até que eu não tive mais escolha. – A vontade de chorar a domou. – Me desculpa.
Sebastian sentiu-se culpado por aquilo. Depois de tanto tempo, Karoline contar que fora ameaçada o fez sentir – se fraco. Pensou em fazer Theo pagar por isso e seria a sua promessa com ela.
- E depois que tudo aconteceu? Ele ainda entrou em contato com você?
Karoline respirou fundo.
- Sim. Depois do julgamento e da sua condenação, ele me puxou para uma sala e me disse ter feito uma boa escolha, mas que não tentasse nada pois meus pais seriam vigiados vinte e quatro horas por dia. Ninguém poderia saber sobre isso ou eles morreriam.
Sebastian levou as mãos a cabeça , andando de um lado para o outro, pensativo.
- Eu sabia que eles estavam envolvidos nisso. Desde o começo... – E se virou para Karoline. – Eu achei que trabalhava para eles.
Os olhos inchados do choro da ruiva levantou para ele.
- Eu apenas ouvi falar sobre eles quando Cassie se envolveu em um problema. Sem que ela soubesse, eu pesquisei sobre a tal Compania, mas eles são difíceis de achar. Talvez tenha sido por isso que me acharam.
Sebastian pegou a cadeira novamente e se sentou na frente dela.
- Eu trabalhei para eles por alguns anos. Eu sou formado em informática e depois de muitas pesquisas, acabei me tornando um Hacker útil para eles. Eu invadia qualquer servidor e se eu quisesse, dominaria o mundo e ninguém saberia. Os conheci através do meu pai e digamos que foi para salvar Daniel. É uma longa história, mas quando descobri a real intenção dessa Compania, eu resolvi cair fora... Só que você nunca se livra deles. Eles sempre estarão de olho em você.
“Depois da morte da Sara e de tudo o que fiz para sobreviver a Injeção Letal, eu comecei a procurar tudo o que precisava para saber quem havia armado pra mim. Tudo o que eu descobri foi que o Governador trabalha pra eles e que Sara era uma peça fundamental em um projeto sendo desenvolvido. Ela morreria de qualquer maneira pois não havia aceitado o tal acordo. Benjamin a deve ter ameaçado, pois sabia do envolvimento dela comigo o tempo todo. Foi por isso que ele a matou... Ou melhor, fez com que Budgen a matasse e me incriminasse. “
Karoline prestou atenção em todas as palavras que saiu da boca dele.
- Você tem certeza disso? – Perguntou ela.
Sebastian sorriu.
- Sim. Eu tenho cópias de arquivos, áudios de ligações onde o Governador falava com alguém ao telefone. Ele dizia algo como “tem que ser hoje. Eu não quero mais aquele filho da p**a comendo a minha mulher.” – Ele deu de ombros. – Se ele soubesse fazer o papel dele direito...
- Ok. – interrompeu Karoline. Seu estômago doeu e ela tentou respirar fundo para não gemer. Sebastian cerrou o cenho, mas ela sabia como desviar o assunto. – Agora que eu contei, vai me soltar?
Sebastian não respondeu no primeiro minuto. Ele apenas a ficou olhando, com um olhar indecifrável. Também estava preocupado pois sentia que a ruiva lhe escondia algo. Suspirou.
- Sim, mas eu vou conversar com o Daniel primeiro. Não quero que fuja e ele vai te acompanhar aonde precisar ir. Vou pedir que ele te leve ao medico... – Se levantou, guardando a cadeira de novo no lugar, mas voltou a ficar frente a Karoline. – Eu juro que mudei meu pensamento de tortura nos últimos dias porque... Você não merecia isso. Eu fui imprudente, espero que me perdoe, mas eu preciso terminar isso. Preciso vingar a Sara. Prometo que quando tudo acabar, eu me entrego e você pode fazer o que quiser comigo.
Karoline olhou – o nos olhos e viu a sinceridade. Se o prendesse, ele fugiria e tentaria m***r quem fosse que lhe tirou a liberdade. Acabou sorrindo.
- Bom, só há uma coisa a se fazer com você. Me deve um jantar.
Sebastian sorriu. Estava mais leve. Do bolso da calça, tirou um canivete simples, cortando as cordas que amarravam os braços dela na cadeira.
- Acho que vai querer um banho, não é? Posso arranjar roupas pra você.
Ele ajudou – a a levantar. Karoline sorriu para ele, mas logo sentiu-se zonza. Seus olhos piscaram lentamente e o chão pareceu rodar. Seu corpo caiu para frente, bem nos braços de Sebastian. Ele foi rápido ao segura – la. Karoline tinha os olhos fechados e ficou inconsciente. O homem verificou seus pulsos e batimentos, que estavam fracos. O desespero bateu em Sebastian.
- Daniel! Daniel! Prepara o carro. Karoline precisa de um médico ou vai morrer.
***