Dias atuais.
Karoline permanecia ali, sentada. Seu corpo estava um pouco dolorido por estar na mesma posição. Machucou o pulso por tentar desprender a mão. Estava com fome, arrependeu-se por não ter comido o que foi deixado na cela.
As horas pareciam ter passado devagar. O lugar em que estava presa tinha pouca luz. Não gostava de ficar no escuro, sentia como se alguém a olhasse. Arriscou dormir um pouco, mas naquela posição era bem difícil.
Sua cabeça pendeu para frente algumas vezes e só acordou quando a porta do lugar se abriu. Era Sebastian. Havia trocado de roupa. Usava uma camiseta preta do The Doors, calça jeans e tênis. Por seu corpo ser atlético, a camiseta ficava bem apertada. O cabelo estava preso em um r**o de cavalo na nuca. A barba parecia ter sido um pouco aparada e mesmo assim, ele continuava um homem bem charmoso.
Karoline o viu segurar um prato. O cheiro fez sua barriga protestar e ela ficou um pouco envergonhada por isso. Sebastian colocou uma cadeira para dentro e fechou a porta. Colocou – na frente de Karoline e se sentou. Olhou pra ela.
- Bom, eu acho que trouxe a minha oferta de paz em uma boa hora, não é mesmo? – Disse ele, rindo.
Karoline baixou os olhos para o prato. Havia uma boa quatidade de macarrão. Ela voltou a olha-lo.
- Eu não estou com fome.
Ele riu novamente.
- Você é mesmo teimosa, não é? Desde que eu te vi pela primeira vez, sabia que seria uma pessoa difícil de lidar e que não seria fácil arrancar nada de você. – Ele pegou o garfo e enrolou o macarrão, oferecendo perto da boca dela. – Mas como eu disse, não é a minha intenção mata – la, principalmente de fome. – E aproximou mais. – Coma.
Mais uma vez seu estômago protestou. Karoline fechou os olhos, respirando fundo. Mais uma vez, iria ser derrotada. Abriu a boca e abocanhou o macarrão. Aquilo havia deixado Sebastian satisfeito.
- Está gostoso. – Foi o que ela disse quando engoliu um pouco da comida.
Ele sorriu.
- Eu aprendi com o meu irmão. Ele costumava cozinhar pra mim quando nossos pais viajavam. Até que um dia, me vi precisando comer algo diferente de enlatados na faculdade.
Sebastião estava mais solto, mais tranquilo. Talvez aquilo fosse uma boa tática ao invés de gritos. Karoline permaneceu séria. Ele ofereceu mais um pouco da comida.
- Ele é quantos anos mais velho? – Perguntou antes de abocanhar mais o macarrão.
- Alguns meses. Seis meses, eu acho. Ele é o único parente de sangue que me sobrou.
Ela suspirou.
- Eu li em sua ficha que seus pais morreram em um acidente de carro quando tinha sete anos. Foi criado por um amigo da família.
Sebastian a olhou. Seus olhos eram indecifráveis.
- Você sabe bem sobre mim. – Ele disse, lhe oferecendo uma quantidade menor de macarrão. – O que mais você soube? – Perguntou, parecendo pouco nervoso.
Karoline cerrou os olhos, curiosa pelo comportamento dele.
- Você estudou informática, trabalhou em grandes empresas, serviu o exército, seu irmão se chamado Daniel, que não foi encontrado para testemunhar. – Ela pensou um pouco. – Além de ter sido amante da mulher do Governador...
Aquilo o deixou pouco irritado, mas tentou manter a paciência. Ele a olhou nos olhos.
- Então deve saber que eu trabalhei para eles e que sou inocente.
Karoline ficou em silêncio, o encarando. Os olhos de Sebastian era escuros, ela nunca iria conseguir decifrar o que se passava em sua mente.
- As provas diziam que não.
Mais uma vez, o silêncio mortal pairou sobre eles. Sebastian não desviou o olhar dela. Karoline deixava nítido que não cederia. Devagar, ele colocou o prato no chão, aproximou mais a cadeira de Karoline.
- Vocês duas são bem parecidas, sabia? – Começou ele, colocando a mão sobre a coxa dela. – São duas mulheres lindas e teimosas, mas talvez Sara pode ter mesmo morrido por minha culpa. – Os olhos dele brilharam um pouco ao falar da mulher. – Se eu tivesse aceito fugir com ela, talvez ainda estivesse viva, estaríamos juntos e felizes. – Sebastian apertou um pouco a coxa da ruiva e ela fechou os olhos, um pouco assustada com aquilo. – Mas aí vem uma pergunta: será que você também vai querer morrer em minhas mãos, Detetive Graves? Mas lembre – se que morrerá com remorso de ter feito um inocente morrer. – Ele aproximou – se mais dela, deixando seus rostos mais perto. – E eu sei que você acredita em mim, mas eu me pergunto o que foi que te fez ceder. Dinheiro? – Ele esfregou a mão na coxa dela, sentindo – a ficar arrepiada. – Ou o homem que foi até você te fez algo a mais para aceitar me m***r?
Karoline o olhou com raiva. O choro estava entalado em sua garganta. Sentiu – se decepcionada e se pudesse, o teria matado ali mesmo.
- Eu não sou uma mulher fácil, Senhor Reves. Eu não me deito com qualquer um. – Sua voz era bem decepcionada. – Eu já falei o que eu sei . Obrigado pelo jantar. Ou almoço. Não sei que horas são para saber ao certo.
Era nítido a decepção dela e ele não se sentiu bem com aquilo. Então se afastou, levantou – se e pegou o prato, deixando a cadeira em um canto perto da porta, mas antes de sair, ele virou – se pra ela.
- Fazer o certo faz bem e alivia a culpa Karoline. Eu garanto isso a você. Me arrependo de não te – la ajudado antes e Sara se foi. Você tem a chance de salvar a ela e eu te perdoar pelo o que fez se confessar tudo. Até lá, nós vamos continuar nesses jogos até que comece a falar. – Dizendo isso, ele saiu.
Karoline evitou o quanto pode, mas logo as lágrimas vieram a baixo. Ela só queria paz e nunca teria. Ter dito sim aquilo foi a pior coisa da sua vida.
***
As investigações ainda corriam sobre o desaparecimento de Karoline. O Departamento de Mahattan não fazia nada além disso. Theodode Budgen olhava a correria de todos, pensativo. Ele era quem mais precisava saber onde Karoline Graves estava ou todo o seu trabalho havia sido em vão. Ela era uma peça crucial de um plano e ter sumido assim era bem suspeito.
Ele foi instalado logo na sala dela, com tudo o que havia de direito. Ele tinha imaginado que ela estava a ponto de um colapso. Tudo o que estava ali sobre a vida dela, ele já sabia, não precisava investigar, o r**m era não ter nenhum rastro de onde ela poderia estar.
Theodore andava de um lado para o outro, pensando em muitas possibilidades. Se tivesse fugido, Karoline já teria sido apanhada. Será mesmo que fora sequestrada? Pelo menos, era o que Cassie deduzia.
Falando na garota, ela seria um problema pra ele. O olhava desconfiada, sempre o questionando sobre seu modo de investigação. Theodore fazia de tudo para não errar. Ele nunca errava e não faria naquele momento. Se Cassie não o deixasse em paz, teria que dar um jeito nela.
Foi interrompido dos pensamentos com o celular tocando. Ao olhar a tela, seu corpo ficou um pouco tenso. Respirou fundo e atendeu.
- Alguma novidade? – Perguntou a voz do outro lado.
Theodore caminhou até a janela.
- Ainda não. Estão cogitando um sequestro, mas até agora não tem provas.
Um suspiro pareceu tenso do outro lado da linha.
- Tem certeza de que ela não fugiu?
- Já interrogamos os pais, que estão pouco preocupados, o irmão disse que não fala com ela a algumas semanas. Também não há histórico de nenhum namorado. – Ele pensou. – Estamos sem nada para continuar a procurar.
Houve silêncio do outro lado.
- Precisa acha – la, Theo. Há sempre pontas soltas e Karoline é uma delas. Procure e elimine – a.
A ordem era clara e ele não tinha dúvidas daquilo.
- Sim senhor.
A linha foi desligada e ele colocou o aparelho no bolso. Ao se virar, surpreendeu – se com quem estava na porta e de braços cruzados.
- Alguma novidade?
Ele a olhava, bem surpreso.
- Não. – Respondeu, seco.
Cassie assentiu, olhando pra ele.
- E você está se esforçando para achar alguma coisa? – Ela se aproximou da mesa.
Theodore cerrou os olhos.
- Aonde quer chegar, Detetive Storm?
Cassie deu de ombros.
- Um Federal como você já deveria ter achado a minha parceira, mas tudo o que eu vejo é você dentro desta sala, lendo papéis e no telefone. – Ela colocou as mãos na mesa. – As vezes me pergunto se você é realmente um Federal...
- Eu já falei que estou fazendo o que é possível e eu não gosto de trabalhar sob pressão vindo de pessoas como você. – Ele se aproximou de Cassie, a encarando. Ela era baixa, chegando apenas até seu peitoral, mas não se sentiu intimidada por ele. – Se não me deixar trabalhar a minha maneira, terei que agir contra isso e você não vai gostar do modo como faço isso.
Cassie ergueu seu queixo.
- Isso é uma ameaça?
Ele puxou um sorriso de lado.
- Entenda como bem quiser. Agora que tal você fazer o seu trabalho e deixar que eu faça o meu. Saia da sala, agora mesmo!
Eles permaneceram encarando-se um pouco, até que Cassie começou a se afastar, deixando a sala. Theodore respirou fundo, mas não desviou o olhar da porta. Cassie seria um grande problema para ele e iria ter que fazer alguma coisa em relação aquilo.
***