Seis meses antes...
O telefone dele tocou e ao ver o nome na tela, sorriu.
- Diga
.
- Aonde você está?
A voz do outro lado era doce. Ele gostava de ouvi-la, mas ela ainda tinha um pequeno problema.
- Longe o suficiente para seu marido não me ver.
Um suspiro.
- Ele não vai voltar tão cedo. – A mulher pareceu bem chateada. – Estou sozinha nessa casa enorme, apenas de Lingerie branca na cama...
Ele teve que fechar os olhos e respirar fundo. Seu corpo arrepiou ao pensar na imagem e ficou e******o no meio do bar em que estava.
- Você é uma pestinha.
Uma gargalhada.
- Então o que eu seria se dissesse que não paro de pensar em você?
Ele teve que sorrir.
- Isso precisa parar, Sara. Você sabe que é perigoso demais para mim e para você.
Escutou um resmungo e ela se mexer.
- Eu não tenho culpa se você faz o que ele não faz. Eu prometo que logo vamos assinar os papéis de divórcio, me dando metade de tudo e vamos fugir para o Caribe.Tem minha palavra.
Ele riu.
- Você é bem esperta.
Uma pausa.
- Você vai vir?
Ele olhou pelos lados. Continuava sozinho no balcão.
- Está tudo livre?
- Sim. Eu disse que não queria ser incomodada por ninguém hoje. E sabe como eu fico quando desobedecem a minha ordem.
Ele balançou a cabeça.
- Chego em quinze minutos.
***
E ele foi o mais rápido que podia. Chegou até antes do tempo que prometeu. Seus encontros com Sara Huffman eram sempre intensos. Ela o olhava com amor, com desejo e era por isso que ele sempre ia correndo quando chamasse. Talvez ele houvesse se apaixonado e não queria aceitar.
Como os seguranças não estavam dentro da casa a mando dela, Sebastian entrou pelos fundos. Ninguém o via quando entrava por ali. Subir para encontrar com Sara era bem fácil, nunca teve problemas com isso. Assim que o via, ela corria para seus braços, o abraçando como se não o visse a anos e tudo acabava na cama, como naquele momento.
Ofegantes, Sebastian amava olhar pra ela embaixo dele, o cabelo preto todo espalhado pelo travesseiro, suada pelo prazer que ele lhe dava. A beijou intensamente.
- Você realmente é uma pestinha. – Repetiu ele, divertido.
Ela sorriu.
- Adoro quando me chama assim.
Foi a vez dele rir. Sebastian rolou para o lado e puxou o lençol na cintura.
- Quanto dias ele vai ficar fora? – Perguntou ele, ajeitando um dos braços para apoiar a cabeça.
Sara ajeitou – se sobre o próprio braço e deu de ombros.
- Eu não sei. Ele teve que ir urgentemente para um Congresso em Washington. – Suspirou. – Ele não disse quando voltaria, mas é melhor ficarmos espertos.
Sebastian a olhou.
- Ele está te tratando m*l de novo?
Mais um suspiro.
- Ele me trata como sempre faz. Lembre – se que sou apenas alguém com beleza suficiente para aparecer ao lado dele. Me sinto como uma p********a.
- Hey! Nunca mais fale isso. – Disse Sebastian, a repreendendo. Ela levantou os olhos pra ele. – Ele é um grande m***a, só pensa em seu mandato e nada mais. Deixe com que ele pense assim. Tudo está acabando e você será livre.
Ela sorriu. Sempre se sentiu bem nos braços dele.
- Será que é cedo para dizer Eu te amo? – Perguntou ela.
Sebastian a observou por alguns minutos. Aquela mulher era proibida e ele nem deveria estar ali, mas talvez a resposta estaria na última palavra dita por ela.
- Sobre isso, temos que conversar bastante. – E com um sorriso, ele avançou nela, a beijando.
***
Quatro meses depois...
Era para ser uma visita tranquila, mas tudo havia saído de controle quando o assunto era o grande governador Benjamin C. Huffman.
- Eu já falei que não quero continuar com isso. – Falou Sara, aflita. Estavam no escritório da mansão. Sebastian andava de um lado para o outro pensativo, enquanto ela estava no meio do lugar, olhando pra ele. – Eu não aguento mais viver com um homem que só me quer para mostrar como prêmio.
Sebastian parou, respirando fundo e a cabeça pra cima.
- Mas ele pode dar o que eu não posso. – Disse, abrindo os braços e deixando cair no corpo. – Uma vida não se resume apenas a s**o, Sara.
- Eu sei. Eu sei disso e eu garanto, não é o que eu procuro. – Ela foi até ele e pegou uma mão dele, levando ao rosto. – Você já me dá o que eu procuro em um homem, Sebastian. Se eu soubesse que ele me trataria dessa forma, eu não teria me casado com Benjamin...
Ele sorriu.
- Se eu tivesse te conhecido antes, eu não teria deixado.
Ela sorriu e se aproximou, largando a mão dele e o enlaçando pelo pescoço.
- Então por que é difícil aceitar a minha proposta?
Ele suspirou.
- É muito arriscado. Seu marido trabalha com gente que poderia nos achar em segundos e eu não quero problema para nós. – Ele passou a mão carinhosamente no rosto dela. – Será que é difícil aceitar o quanto me preocupo com você?
Ela o olhou, decepcionada.
- As vezes, me pergunto se você realmente gosta de mim como diz. – E se afastou, lhe dando as costas.
Sebastian deu passos na direção dela, mas parou no meio do escritório.
- Eu gosto, eu só não...
- Chega, Sebastian! Chega! – Disse ela, em um tom mais alto e pouco nervosa. – Eu acho melhor você ir embora.
- Sara, por favor...
Ele se aproximou e tentou pegar em seu braço, mas ela o impediu.
- Não me toque . Vai embora, agora.
De repente, a porta do escritório abriu e um dos seguranças entrou, olhando a cena. Ele levou a mão à arma.
- Está tudo bem, Senhora Huffman? – Perguntou ele, olhando Sebastian.
Este olhou para Sara. Ela ainda tinha decepção no olhar.
- Está sim, Apollo. Meu primo já está de saída. Foi muito bom ve-lo, querido. Mande lembranças a titia.
***
Voltar pra casa após a discussão foi difícil. Ele sempre odiava quando Sara o negava como fez. Sebastian se sentia m*l ao negar algo a ela. Se pudesse, ela teria o mundo aos seus pés.
Ela nunca entendeu o quanto complicado era a vida dele. Quando a conheceu, foi algo por acaso, um encontro em um restaurante, uma troca de olhares e pronto. Agora, sentia preso a ela porque gostava muito da mulher do Governador de Nova York.
A idéia de Sara era fugir. Ela e Benjamin haviam discutido mais uma vez e ele jogou na cara dela que só a queria para manter aparências na sociedade. Ele tinha seus cinquenta e dois anos e ela, apenas trinta. Era muito nova para passar por aquilo.
As horas foram passando e ele ainda estava ali, pensando sobre o que fazer sem prejudica – la e ser prejudicado, mas não havia nada a se fazer. Olhou o celular por várias vezes. Sara era uma mulher esperta e não o colocaria em uma roubada. Ela só queria ser livre.
Fechou os olhos e discou o número dela. Quando atendeu, apenas escutou o silêncio como resposta. Talvez ela precisasse de uma resposta.
- Está bem. Eu estou dentro.
***
Três dias depois...
Sebastian não tivera a melhor noite. Aliás, não teve desde que fora preso. O interrogatório, as perguntas repetitivas, aquilo o cansava. Pelo menos, era uma bela ruiva quem o interrogava e não um policial arrogante.
Ao pensar nela, a porta se abriu para que fizesse sua entrada pela quarta vez naquele dia. Ele tinha a cabeça pra trás, as mãos algemadas na mesa. Quando a ruiva entrou, ele a olhou.
- Eu acho que você não deve ter vindo me trazer uma boa notícia, não é? – Perguntou ele, sarcástico.
A ruiva permaneceu séria. Nas mãos segurava uma pasta laranja. Ela se sentou na cadeira a frente dele.
- Bom, aqui estão os resultados da autópsia. – Ela disse, empurrando a pasta pra ele e apontou para a janela de vidro blindado. – E ali há dois agentes federais prontos para ouvir você confessar.
Sebastian olhou da ruiva para a pasta. A pegou e começou a ver os papéis. Acabou rindo.
- Isso tudo é mentira. – Falou, nervoso e empurrou a pasta. – Alguém armou para mim e eu tenho certeza que foi aquele filho da p... – Ele parou, antes de terminar a frase.
A Detetive o olhava, de olhos cerrados.
- Talvez você possa me contar novamente o que aconteceu.
Ele a olhou.
- Eu já fiz isso um milhão de vezes. Quer que eu desenhe também?
A ruiva pareceu se irritar.
- Eu acho melhor você ter um pouco mais de respeito comigo ou quer que eu adicione mais cinco anos de prisão por desrespeitar uma agente da Lei, senhor Reves? – Ela endireitou – se na cadeira. – Preciso que conte como você matou Sara Huffman.
Ele a olhou, com mais raiva.
- Eu não a matei. Já falei que alguém armou para mim e eu tenho certeza que foi ele...
- Quer mesmo que acreditemos que o Governador de Nova York tenha feito isso? Ele nem mesmo estava na cidade. Comece a falar, agora mesmo.
Sebastian pensou por alguns minutos. Estava nervoso por tudo o que aconteceu. Respirou fundo e as imagens viera a sua mente.
- Sara Huffman me chamou para ir a casa dela aquela noite. Disse que queria ter uma última noite antes de... – Ele respirou fundo mais uma vez. – Antes de fugirmos. Ela teve muitos problemas com o governador, ele nunca a tratou bem.
- E você tem provas disso? Pelo o que me lembro, ela sempre pareceu feliz nas fotos com ele.
Sebastian riu.
- É fácil fingir felicidade na frente de uma câmera. Se o fotógrafo pede para você sorrir, vai ficar seria, policial... Como é seu nome mesmo? Karoline?
- É detetive Graves para você, senhor Reves.
Sebastian sorriu de novo.
- Enfim, quando aceitei fugir com ela, Sara disse para encontra – la às dez na mansão. E eu fui. – Ele baixou os olhos, olhando um ponto da mesa, lembrando novamente da cena. – Eu entrei pelos fundos como sempre fiz. Segui para o quarto dela e quando abri a porta, sabia que havia acontecido algo errado. O quarto estava escuro demais. Sara nunca deixava as cortinas fechadas pois gostava da luz da lua invadindo o quarto. Quando acendi a luz, ela estava em cima da cama... – A voz dele era um um pouco embargada. – Havia muito sangue pelo quarto, mas a cama estava toda suja. Ela estava só de lingerie. – Sebastian levantou os olhos para Karoline. Uma lágrima caiu. – Eu corri para ver se ela estava viva, mas não estava. Eu achei uma faca do lado do corpo e a peguei. Foi quando começou a cair a ficha e antes de pensar em correr, um dos seguranças entrou e me viu. – Ele respirou fundo e limpou o rosto. – Eu juro que não fui eu a mata – la.
Karoline observou cada movimento de Sebastian, cada olhar, escutou cada palavra que saia de sua boca. A conclusão sempre era a mesma todas as vezes que ele contava a história: ele não mentia. Sentiu pena daquele homem, mas precisava esperar e investigar mais.
- Bom, se você não a matou, as provas irão nos dizer, senhor Reves. – E se levantou para sair.
- Espere! – Disse ele. Karoline se virou, com a mão no trinco da porta. Sebastian estava bem abatido. – Eu posso ve-la?
Karoline olhou na direção da janela blindada e voltou a Sebastian.
- O Governador disse para não deixa – lo ve-la. Ele vai dar a ela um funeral merecido. E o senhor precisa torcer para a sorte estar ao seu lado, senhor Reves. – E assim, ela saiu da sala.
***