Capítulo 4

1199 Palavras
P. O. V. Alexandre… O final de semana chegou depressa, e eu já estava ansioso com a inauguração da pousada, tinha que ser um sucesso. Eu reservei um jatinho particular pra mim e Manuela já que Pietro sempre fica com a babá. Era domingo de manhã quando Manuela terminava de dar os retoques na sua maquiagem, ela não usava muita e nem precisava, sua beleza natural era marcante. Fico a observando perdido nos pensamentos, até ela me chamar. — Amor, tô pronta. — diz dando uma voltinha na minha frente. Ela veste um vestido rodado estilo princesa, na cor vinho com alças de babado. — Você está maravilhosa meu amor, sempre está. — Pego na mão dela e descemos. Sem perder muito tempo, demos um tchau pra Pietro e saímos, indo de carro até o estacionamento da borda da praia e lá pegamos o jatinho. Quando avistamos a praia, tinha muita gente espalhada pela praia, já que a pousada foi construída estrategicamente ali para ajudar no marketing. Organizei tudo para ter uma área só pras crianças com o buffet, tinha doces e muita comida para todos. Assim que descemos do jatinho, eu me virei para Manuela e trocamos um olhar cúmplice. Ela segurou no meu braço com uma postura elegante e pôs um sorriso no rosto. Fiz como ela e seguimos andando pela praia até sermos notados pelos paparazzis e pelos convidados. Chegando na porta de recepção, havia um longo laço vermelho e o prefeito da cidade com seus seguranças e o todo pessoal importante estavam ali. Alguns amigos meus e nossos seguranças pessoais também. Assim que nos viu, o prefeito foi para a frente do laço com uma tesoura dourada na mão, o típico padrão de inauguração. Após fazer um pequeno discurso agradecendo a todos, cortei a faixa e todos bateram palmas e começaram a explorar o local. — Essa pousada vai ser mais um sucesso pra nossas vidas, meu amor, você vai ver. — Manuela fala dando um apoio pra mim. Encosto minha testa na dela, concordando e agradecendo pelo apoio. Na área de churrasco atrás da pousada, onde era uma saída estratégica e rápida para a praia, já estavam alguns churrasqueiros aquecendo a churrasqueira e terminando de preparar o tempero das carnes. Entre conversas com amigos e possíveis clientes, foram muitos flashes. Certamente amanhã, logo de manhã, nossos rostos estarão em uma reportagem. Gosto de ver como Manuela se acostumou rápido com toda essa exposição, e entendo bem quando ela diz que Pietro é bem jovem para isso. Mas mesmo assim, é pra ele que vou deixar todo meu patrimônio. Terei tempo suficiente de treiná-lo para lidar com tudo isso, com as interesseiras que irão aparecer no seu caminho e o mais importante, administrar o dinheiro. O churrasco chegou ao fim por volta das 19:00 horas, então pegamos o jatinho de volta pra casa exaustos. E no dia seguinte, já seria segunda-feira, então fizemos nossa rotina de sempre, tomamos banho, jantamos e fomos dormir. Na segunda de manhã, assim que botei os pés no escritório foi muito prestigiado e muitos funcionários desejaram sucesso com a nova pousada. Meu trabalho essa semana começaria pesado mais uma vez, porque logo que acessei meu e-mail, lá estava a lista completa de documentos necessários para começar a construção, então passei a parte da manhã inteira agilizando o processo da seleção dos mais competentes. [...] Cheguei em casa por volta das 18:15 porque o trânsito hoje estava uma bagunça, alguém em plena segunda-feira decidiu fazer uma ultrapassagem perigosa e acabou batendo no poste, não fiquei pra ver, mas o estrago estava feio. Vejo que Manuela e Pietro não estão nem na cozinha, nem na sala. Subo rapidamente as escadas e ouço a risadinha do Pietro e barulho de água, me aproximo devagar da porta, dando uma tossida falsa. — Oi, amor. — Ela sorri pra mim. — Oi, papai! — Meu filho diz. — Oi, meus amores, boa noite. — Falo dando um abraço apertado em Manuela e Pietro . — Já falei que amo vocês, hoje? — Não. — Pietro responde e eu dou risada. — Aconteceu alguma coisa? Você chegou um pouquinho fora do horário de costume. — Manuela percebeu minha tensão. — Sim, é, teve um acidente na estrada. Fiquei pensando como a vida da gente é curta. — digo. — É verdade, mas temos que nos concentrar no agora. Hoje eu também me atrasei, mas já estamos terminando aqui. — Ela fala sorrindo e vai jogando água no Pietro. — Eu vou tomar só um banho rápido primeiro. Se puderem me esperar. — Eu digo e vou me retirando do banheiro molhado. — Tá bom. — Escuto Manuela dizer. Saindo do banho, me vesti e estava pronto para descer, até que meu telefone tocou, e apareceu na tela o nome do chefe responsável pelos engenheiros, tive que atender. — Alô. — Senhor Alexandre, peço desculpas pelo horário, mas surgiu um problema aqui na obra e precisamos marcar para o senhor vir aqui dar uma olhada pra nos dar a confirmação, se não todo projeto de construção vai se atrasar. — Ele fala evidentemente preocupado. — Eu posso ir na terça-feira, tudo bem? — digo. — Sim, senhor. Era só isso mesmo, novamente peço desculpas pelo horário. — Sem problemas. — digo e desligo o telefone. Coço a cabeça pensando no que será que aconteceu lá no terreno da obra de tão urgente pra ele me ligar. Passo alguns minutos pensando até que ouço Pietro me chamando. — Papai, eu tô com fome! — Oi, filhão, tô indo. — digo e saio do quarto, vendo que eles estão no corredor me esperando. — Desculpa, é que me ligaram da obra e eu tive que atender, mas agora podemos ir. — Está tudo bem? — Manuela pergunta. — Sim. Depois conversamos. — Pego na mão dela. E assim descemos as escadas para ir jantar. Nos servimos em silêncio, mas Manuela logo o rompeu. — Então, um dos motivos de eu ter me atrasado um pouquinho, foi que eu tenho novidades. — Que novidades? — pergunto olhando pra minha esposa. — Eu consegui um novo projeto, dessa vez, irei montar muitos estilos de panfletos e a empresa pediu total sigilo sobre o contrato. — diz tensa. — Você vai dar conta, minha linda. E se precisar de alguma ajuda, é só me chamar. — Seguro a mão dela com carinho, tentando de alguma forma mostrar meu apoio, como ela fez comigo ontem. Terminamos de jantar, e de fazer nossas higienes e Manuela foi fazer Pietro dormir, e tempos depois ela voltou, se deitando ao meu lado bem devagar, provavelmente por achar que eu estava dormindo. — Eu ainda estou acordado! — digo. — Oi, meu amor. Você pareceu tão tenso depois daquela ligação. — Pois é, sinto que essa obra vai me dar um pouco de dor de cabeça, porque alguma coisa aconteceu e eu terei que ir pessoalmente até lá. — Não se preocupe demais, pode ser só um pequeno detalhe. Agora vamos dormir. — Ela fala se aconchegando em meu peito. — Boa noite. — Boa noite, amor. — Dou um beijo na testa dela. E assim dormimos.
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