Onde arde, tem cinza.

1190 Palavras

Luna Narrando Acordei com o travesseiro ainda quente, o gosto dele nos meus lábios e um vazio estranho no peito. Kael. A madrugada tinha sido uma rachadura. Aquele beijo, aquela troca, aquele toque. Tudo parecia real demais. Quase fora do lugar. Mas era isso que mais doía: não tava fora. Tava exatamente onde sempre pertenceu. Passei a mão na nuca. Fiquei sentada na beira da cama por alguns segundos, tentando organizar o que vinha pela frente. Porque não era só sentimento que me movimentava. Era a verdade. Era a dor da minha mãe. A ausência que pesava no ar. O vazio que ela deixou e ninguém teve coragem de explicar direito. A agenda ainda tava na mochila. Peguei de novo. Folheei cada página com calma. A frase continuava lá. Queimada no papel e na minha cabeça: — Ele voltou. Disse que

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