Era mais um dia em Paraisópolis, Amélia e Sofia saem logo cedo para irem à loja, onde passariam toda manhã antes de irem ao shopping comprar roupas para o baile e claro, antes tentaram convencer Elloá.
A comunidade estava agitada pelo fato de um novo líder estar chegando, os invasores indesejados quase não apareciam, mas quando o faziam não perdoavam os devedores, os ameaçavam e algumas vezes os agrediram, para demonstrar seu poder.
— Hei, o patrão mandou buscar a grana, não pense que só porque um novo líder está para chegar vai poder deixar de pagar a taxa, além disso, esse daí não sabe com quem está mexendo.
— Mas eu já paguei esse mês.
— Anda logo com essa merda p***a.
Naquele momento o carro de Diablo entrava na comunidade, ele estava indo em direção à casa, acompanhado de sua pequena Isabella, para conhecer a casa onde moram, quando percebeu uma movimentação num mercadinho local.
— Sembra (pare) o carro Marconi, que merda está acontecendo ali?
— Parece que os tais milicianos ainda continuam com suas cobranças indevidas.
Ao parar o carro ele saca sua arma, ordena que Isabella fique com a babá, Marconi também desce com sua arma em punho, eles caminham em direção ao mercado, ao entrar percebe a cara de medo do dono do local.
Os homens armados percebem a presença do desconhecido, bem trajado, ficou claro não ser dali, até que o sotaque deu a entender ser o tal italiano prestes a assumir a liderança de Paraisópolis.
— Buongiorno signore (bom dia, senhores), por favor não parem o que estão fazendo, pelo menos não por mim rsrs.
— Que p***a esse homem está fazendo aqui?
Um dos acompanhantes aponta a arma para Diablo, que apenas sorri e se encosta no balcão, em seguida ele questiona sobre o que estariam fazendo.
— Bom, eu pensei que os ratos já tinham sido informados de minha presença, mas por sua ousadia vejo que não, vamos fazer o seguinte, devolvam o dinheiro para esse senhor e saiam, vou lhe dar cinco minutos.
O homem, que era um dos cobradores milicianos, pega vai até Diablo, cospe no chão e o encara, em seguida o ameaça, antes de perceber que o mesmo não estaria sozinho.
— Olha aqui, gringo, essa comunidade é nossa, então antes de se meter procure saber com quem está mexendo, pois posso meter uma bala na sua cabeça agora mesmo.
— Tem certeza? Eu pensaria duas vezes.
— Metti giù quella pistola, bastardo. (abaixa essa arma, seu desgraçado)
Moretti dispara contra o homem que estava na porta, o outro, tenta atirar, mas outro tiro é dado em sua mão, fazendo derrubar a arma.
Com ar de deboche, Diablo, ele encara o homem que parecia assustado ao ver seus companheiros mortos, mas ainda não imaginava do que o homem à sua frente fosse capaz.
— Eu acho que está sozinho, fratello.
— Quem diabos é você?
Diablo pega sua arma e bate de leve na cabeça do homem, em seguida o ordena que se afaste, Marconi o algema, por ter a filha no carro o mesmo é levado, porém, amarrado por corda no retrovisor.
— Eu não quero pessoas como você no mesmo local que minha filha, por isso acho melhor estar em forma rsrsrs.
Para evitar a curiosidade da filha, Diablo orienta a Marconi que leve o homem a pé já que o local não ficava tão longe da casa, o mesmo vira chacota diante da comunidade que aplaude a prisão.
Na loja, Amélia e Sofia recebem informações sobre o que havia acontecido e decidem informar ao pai, já que ele era o responsável por ter enviando o novo morador de Paraisópolis, onde o mesmo decide saber exatamente o que teria acontecido ao ligar para Diablo.
***Ligação ON ***
— Diablo, como vai?
— É pelo visto que as notícias chegam rápido rsrs.
— Pois é, acho que agora entende porque precisamos de alguém como você, certo?
— Eu aceito a proposta, mas ainda, sim, queremos manter os negócios da máfia aqui.
— Eu concordo, será bom para a facção também, quando seu irmão chega?
— Creio que amanhã.
— Perfeito.
***Ligação OFF ***
Ao finalizar a ligação, Diablo olha para Marconi que estava parado na porta do escritório, era hora dele mostrar o porquê era conhecido por Diablo.
— O hóspede já está no pequeno galpão, senhor.
— Deixe ele lá, ainda precisamos esperar o melhor momento para castigá-lo, eu acabei de aceitar liderar essa comunidade, já pode procurar uma casa, vou precisar de você aqui integralmente.
— Sim, senhor.
— Nada de senhor, apenas Diablo.
Isabella e Jorgina, conheciam a casa e logo em seguida o decorador aparece, informando que começaria a mobiliar para que pudessem se mudar, quanto antes.
Jorgina via ali uma oportunidade de se aproximar um pouco mais de Diablo, apesar dele nunca querer mais que algumas noites de sexo casual, porem ela alimentava o desejo de se tornar sua futura esposa e usufruir de toda sua fortuna.
— Agora, sim, eu posso investir um pouco mais, tenho certeza que, logo, verá que sou a melhor para estar ao seu lado rsrsrs.
— Gina, vem?
— Afff, maldição.
Diablo agora precisava, convocar novos aliados para o ajudar com a segurança e a ordem na comunidade, para isso contaria com a ajuda e influência da facção.
Se inteirar dos negócios que teriam ali e também com o novo escritório… da sacada podia ver a comunidade e o trabalho que teria, mas ainda tinha uma forma de descobrir como a fonte era mantida no pequeno galpão no quintal.
— Hoje à noite teremos uma conversinha, meu amigo.
No bolso o telefone toca, ele pega e vê ser Elloá, apenas verifica se estava mesmo sozinho e atende, do outro lado, uma boa notícia.
***Ligação ON ***
— Senh… quer dizer, Pedro? Bom dia!
— Bom dia, Elloá, tudo bem? Tem boas notícias para mim?
— Tenho, uma moradora precisa de trabalho e ela sabe cozinhar muito bem, tem experiência, acho que vai ser uma ótima contratação.
— Eccellente (Ótimo), espero ela aqui amanhã, se não se importar espero que a acompanhe.
— Claro, tenha um bom dia.
***Ligação OFF ***
Ele olha para o pequeno aparelho e o coloca em seu bolso, desce as escadas e conversa com o decorador e o arquiteto, os pressionando para terminarem a casa quanto antes, depois ordena a Marconi os levasse para o hotel, pois ainda precisava ir ao novo escritório antes de retornar a noite.
— Então filha, gostou da casa?
— Volevo bene a papà, potrò andare a scuola? (Eu amei papai, eu vou poder ir para a escola?)
— Escola? Vamos ver, está bem?