Elisa acordou com a sensação estranha de estar sendo observada.
Ainda era cedo, e a luz fraca do sol entrava pela janela. O bebê dormia tranquilo ao lado dela, mas algo no ambiente parecia diferente. Silencioso demais… tenso demais.
Ela levantou devagar, foi até a janela e espiou com cuidado.
Dois homens estavam parados na esquina. Um deles fumava, o outro conversava olhando na direção da casa. Ambos armados.
Elisa recuou imediatamente, o coração acelerando.
— Meu Deus…
Ela voltou para a cama e pegou o bebê no colo, abraçando-o com força. Tentou ignorar, mas minutos depois olhou novamente. Eles continuavam lá.
A porta se abriu logo em seguida.
Elisa se assustou, mas relaxou quando viu Lobão entrar.
Ele percebeu o nervosismo dela na mesma hora.
— O que foi?
— Tem dois homens lá fora… — ela disse, apontando para a janela. — Eles estão… olhando.
Lobão nem se deu ao trabalho de conferir.
— São meus.
Ela franziu a testa.
— Seus?
— Tão aí de olho.
O silêncio caiu. Elisa sentiu um desconforto subir pelo peito.
— De olho… em mim?
— Na casa.
— É a mesma coisa.
Ele cruzou os braços, postura firme.
— É pra sua segurança.
— Eu não pedi isso.
— Não precisa pedir.
A resposta veio seca. Elisa respirou fundo, tentando manter a calma.
— Eu não gosto de me sentir vigiada.
— E eu não gosto de risco.
Eles se encararam. A tensão entre os dois era evidente.
— Eu não sou prisioneira — ela disse, com a voz mais firme do que esperava.
Os olhos de Lobão escureceram levemente.
— Ninguém tá te prendendo. Mas enquanto você estiver aqui… eu decido a segurança.
Ela apertou o bebê contra o peito.
— Eu só queria… viver em paz.
Por um segundo, a expressão dele suavizou quase imperceptivelmente.
— Então deixa eu garantir isso.
Elisa desviou o olhar, confusa. Parte dela se sentia protegida. Outra parte, sufocada.
— Eu posso sair?
— Hoje não.
— Por quê?
— Porque ainda tem gente perguntando.
O coração dela disparou.
— Ainda?
— Eu prefiro não arriscar.
Ela respirou fundo, tentando controlar o medo.
— E… isso vai durar quanto tempo?
Ele deu de ombros.
— Até eu ter certeza.
O silêncio voltou a pesar.
Elisa observou o homem à sua frente. Forte, perigoso, controlando tudo… inclusive a vida dela.
Foi então que ela perguntou, quase sem perceber:
— O que você quer em troca?
Lobão ficou imóvel.
— Troca?
— Ninguém faz nada assim… de graça.
Ele a encarou por alguns segundos. O olhar intenso parecia atravessá-la.
— Eu não pedi nada.
— Ainda.
O canto da boca dele se moveu quase num sorriso curto.
— Relaxa… eu não cobro p******o.
Ele se virou para sair, mas parou na porta.
— Só segue as regras.
— Que regras?
Ele olhou por cima do ombro.
— Não sair sozinha. Não confiar em ninguém. E se precisar… chama por mim.
— Sempre você…
— Sempre eu.
Ele saiu, deixando Elisa com o coração ainda mais confuso.
Lá fora, Lobão desceu a viela e parou ao lado dos dois homens.
— Quero atenção redobrada.
— Tá achando que vem problema, chefe?
Ele olhou para a casa.
— Eu não gosto quando alguém mexe com o que tá sob minha p******o.
E pela primeira vez, ele percebeu que aquilo ia além de responsabilidade.
Ele já estava começando a se envolver.