Regras

573 Palavras
Elisa acordou com a sensação estranha de estar sendo observada. Ainda era cedo, e a luz fraca do sol entrava pela janela. O bebê dormia tranquilo ao lado dela, mas algo no ambiente parecia diferente. Silencioso demais… tenso demais. Ela levantou devagar, foi até a janela e espiou com cuidado. Dois homens estavam parados na esquina. Um deles fumava, o outro conversava olhando na direção da casa. Ambos armados. Elisa recuou imediatamente, o coração acelerando. — Meu Deus… Ela voltou para a cama e pegou o bebê no colo, abraçando-o com força. Tentou ignorar, mas minutos depois olhou novamente. Eles continuavam lá. A porta se abriu logo em seguida. Elisa se assustou, mas relaxou quando viu Lobão entrar. Ele percebeu o nervosismo dela na mesma hora. — O que foi? — Tem dois homens lá fora… — ela disse, apontando para a janela. — Eles estão… olhando. Lobão nem se deu ao trabalho de conferir. — São meus. Ela franziu a testa. — Seus? — Tão aí de olho. O silêncio caiu. Elisa sentiu um desconforto subir pelo peito. — De olho… em mim? — Na casa. — É a mesma coisa. Ele cruzou os braços, postura firme. — É pra sua segurança. — Eu não pedi isso. — Não precisa pedir. A resposta veio seca. Elisa respirou fundo, tentando manter a calma. — Eu não gosto de me sentir vigiada. — E eu não gosto de risco. Eles se encararam. A tensão entre os dois era evidente. — Eu não sou prisioneira — ela disse, com a voz mais firme do que esperava. Os olhos de Lobão escureceram levemente. — Ninguém tá te prendendo. Mas enquanto você estiver aqui… eu decido a segurança. Ela apertou o bebê contra o peito. — Eu só queria… viver em paz. Por um segundo, a expressão dele suavizou quase imperceptivelmente. — Então deixa eu garantir isso. Elisa desviou o olhar, confusa. Parte dela se sentia protegida. Outra parte, sufocada. — Eu posso sair? — Hoje não. — Por quê? — Porque ainda tem gente perguntando. O coração dela disparou. — Ainda? — Eu prefiro não arriscar. Ela respirou fundo, tentando controlar o medo. — E… isso vai durar quanto tempo? Ele deu de ombros. — Até eu ter certeza. O silêncio voltou a pesar. Elisa observou o homem à sua frente. Forte, perigoso, controlando tudo… inclusive a vida dela. Foi então que ela perguntou, quase sem perceber: — O que você quer em troca? Lobão ficou imóvel. — Troca? — Ninguém faz nada assim… de graça. Ele a encarou por alguns segundos. O olhar intenso parecia atravessá-la. — Eu não pedi nada. — Ainda. O canto da boca dele se moveu quase num sorriso curto. — Relaxa… eu não cobro p******o. Ele se virou para sair, mas parou na porta. — Só segue as regras. — Que regras? Ele olhou por cima do ombro. — Não sair sozinha. Não confiar em ninguém. E se precisar… chama por mim. — Sempre você… — Sempre eu. Ele saiu, deixando Elisa com o coração ainda mais confuso. Lá fora, Lobão desceu a viela e parou ao lado dos dois homens. — Quero atenção redobrada. — Tá achando que vem problema, chefe? Ele olhou para a casa. — Eu não gosto quando alguém mexe com o que tá sob minha p******o. E pela primeira vez, ele percebeu que aquilo ia além de responsabilidade. Ele já estava começando a se envolver.
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