10. Sem resposta.

1798 Palavras
Lando Meu alívio chega quando o médico aparece na sala de espera, e nos informa que Noah está fora de perigo de vida. Explica que houve um pequeno corte em sua cabeça por causa da queda, o que fará Noah passar algum tempo em observação. O médico se vira para mim e me lança um olhar de "você tem sorte", o que me faz estremecer e concordar com ele. - Eu posso vê-lo? - Bradley pergunta e o médico parece relutante. - Eu sou a noiva dela, porfavor... Ouvir a palavra "noiva" é como uma facada em meu peito, e Bradley parece gostar de jogar isso na minha cara. - Só dez minutos - O médico diz vencido, antes de levar Bradley para aonde Noah está. Agora que eu sei que ele não corre mais risco de vida, sinto vontade em bater nele de novo. Primeiro, por ter roubado minha namorada. Segundo, porque pediu ela em casamento. Terceiro, porque me fez ficar preocupado achando que algo sério tinha acontecido com ele. - Vamos embora - Lewis me puxa pelo braço e pela primeira vez eu não recuo, apenas o sigo. Entro no carro de Lewis, e ele dirije de volta para casa de Noah para que eu possa ir pegar o meu. O silêncio que fica entre nós incomoda, mas eu não vou dizer nada, porque sei que falta uma faísca para Lewis explodir. Ele é mais velho que eu apenas dois anos, mas é muito mais maduro que eu, Noah, e Josh juntos. Lewis é como se fosse o responsável pelo grupo, e sempre está ali para nos ajudar. - Se estiver pensando que eu ainda vou te ajudar a reconquistar a v***a, fique sabendo que eu estou fora - Ele quebra o silêncio. Eu já não estava mais pensando nisso, e obviamente Lewis não fará mais nada que envolva Bradley, não depois de hoje. - Ok. - Se você voltar a bater no Noah, vai se ver comigo. - Ok. Claro que eu ainda vou bater e muito naquele loiro, mas é melhor que Lewis pense que não. - Eu estou falando sério Lando, você... - A América e eu vamos nos afastar - corto ele para mudar o assunto. Falar sobre América pode mudar seu humor, mesmo que eu não goste dele se jogando para cima dela. Faz apenas uma semana desde que conheci a América, mas parece muito mais tempo que isso. Desde a boate até hoje mais cedo, as coisas tomaram um rumo bem diferente. Eu não imaginei que hoje eu estaria falando sobre ela para meu melhor amigo. Ou melhor, que eu estaria pensando nela. - Acho que você deveria saber - Giro meu anel no dedo anelar enquanto falo. - O quê? Por que? - Lewis praticamente grita virando seu rosto para mim. - Eu acho que ela tem uma quedinha por mim - Confesso. Não é cem por cento verdade, mas também não é uma mentira. Desde a primeira vez que conversamos que ela demonstra que quer ficar comigo, ela até ofereceu para a gente t*****r. - E isso é r**m? - Claro que sim. Eu amo a Bradley e sei que vamos voltar. Além disso, a América é cega, e na moral, eu não tô afim de virar cão guia para ninguém. - minhas palavras soam duras, mas eu não ligo, meu dia foi cheio demais para dosar qualquer coisa. Lewis me olha com uma feição que demonstra o quão merda eu sou. Ele ainda se surpreende comigo, mesmo sendo o melhor que sabe sobre mim. Às vezes eu penso que deveria tentar mudar, mas o meu lado explosivo e raivoso sempre vem à tona, sem falar sobre alguns pensamentos que eu sei que são preconceituosos, só não admito. Deixo o carro de Lewis sem esperar ele me insultar ou começar um discurso enorme, e entro em meu carro e dou a partida para minha casa. Depois disso tudo eu só preciso de um banho e muita bebida. Ainda está preso em minha garganta a notícia de que Bradley está noiva, e não é comigo como deveria ser. (...) Entro na casa dos meus pais sendo recebido pelos braços quentes de mamãe. Se ela soubesse o que aconteceu, nesse momento eu não estaria sendo recebido dessa forma. - Filho, por que sumiu? - Ela pergunta enquanto me jogo no sofá. - Faz nem uma semana que visitei vocês mãe - Reviro os olhos diante tanto exagero. - Eu sei, mas eu sinto a sua falta de qualquer maneira - Ela se senta ao meu lado, e passa os dedos pelo meu cabelo. - Cadê o pai? - Trabalhando, disse que tinha um cliente urgente hoje. - Seu suspiro me deixa ciente de quê cliente se trata. Tanto mamãe quanto eu, sabemos que meu pai a traí. Ele sabe que todos nós sabemos de sua traição, e já tentamos - Ruth, Nicola e eu - fazer com que ele deixasse suas amantes, mas ele não consegue mudar. Mamãe o ama o suficiente para aguentar suas traições, além de quê ela sempre diz "o que as minhas amigas iriam pensar disso? Divórcio é uma palavra fora do meu dicionário". Tanto eu, quanto minhas irmãs, já desistismos de mudar toda essa relação. - Olá maninho - Ruth aparece na sala comendo um pedaço de bolo de chocolate. Ela se senta em uma poltrona, e põe seus pés em cima do puf na sua frente. - Você vai ficar gorda - Eu a zombo. - Cala a boca. - Agora mora aqui? Cadê seu maridinho? Comeu toda a comida da casa de vocês que teve que vim para cá? - Debocho rindo. - E sua namorada? Ah esqueci, você deixou tanto ela no tédio que ela foi se sentar em outro p*u. - Ruth rebate me acertando em cheio. - Ruth! - Mamãe a repreende - chega vocês dois. - Ele quem começou - Ruth me acusa. - Você é a mais velha! - mamãe abana as mãos pelo ar. Fico calado. É vergonhoso demais quando jogam em sua cara que você foi traído, mas eu sei que mais cedo ou mais tarde, Bradley vai vim rastejando para os meus pés me pedir perdão, e vai ser o dia mais feliz da minha vida. - Sempre defende o Lando - Ruth se queixa revirando os olhos. - Não estou o defendendo. Só que está se tornando raro ele vim aqui, e quando vêm você ainda arranja briga com ele. - Mamãe claramente está me defendendo. Ela e meu pai sempre foram assim comigo. Mesmo eu estando errado, eles sempre arrumavam um jeito de me deixar como a vítima. - Ele não está vindo aqui mais, porque está saindo com a América - Minha irmã linguaruda do c*****o fala, fazendo minha mãe virar seu rosto para mim imediatamente. - América? - ela pergunta com seus olhos brilhando para mim. Porque raios todos querem que eu namore com alguém sem ser a Bradley? - É só uma garota, mãe - digo lento, pegando o controle de cima da mesa se centro. Ligo a tv e procuro um canal de esportes. - Uma garota por quem ele está apaixonado - Ruth continua semeando o seu veneno. - Apaixonado? Pela América? Pirou foi? - Estalo meu pescoço para Ruth que dá de ombros enquanto morde seu bolo. Deveria se engasgar. - Seria muito bom se você seguisse em frente, sabe, a Bradley já fez a escolha dela filho - A voz da minha mãe é mansa, mas em nenhum sentido me agrada as suas palavras. - Eu amo ela e ela me ama. Vamos voltar. - É o que eu digo antes de voltar com minha atenção para a televisão. - Traga a América aqui qualquer dia desses, eu vou adorar a conhecer - minha mãe sugere, ignorando o que eu disse. Essa minha família está louca. - Eu não estou mais falando com ela. - Por que? - Minha mãe e Ruth perguntam em uníssono. - Porque eu quero. Aquela garota é chata pra c*****o - Eu digo ríspido, mas sei que estou mentindo, não pelo fato da América ser chata, isso ela é - menos chata do quê antes mas ainda é -, porém, se eu disser que briguei com a América, muito provavelmente elas vão me encher de perguntas assim como o Lewis faria, se não pior. - Você vai a convidar para o nosso almoço no sábado - Minha mãe diz autoritária, mais do quê qualquer outra vez já falou comigo. Que p***a é essa? Olho para ela que tem uma carranca na cara. - Mãe... - E não se fala mais nisso - Ela fala e eu olho para Ruth que tem um sorriso convencido no seu rosto de baranga. Convidar a América para conhecer minha família vai ser um inferno do c*****o. Sem contar que ela ainda está brava comigo, ou seja, ainda vou ter um longo caminho pela frente para conseguir convencer ela e agradar a minha mãe. Eu sei que se eu aparecer aqui no sábado sem a América, vou ser infernizado até o fim da minha vida. (...) Respiro fundo antes de apertar o número que América me ligou outro dia, e levo meu celular para a orelha ouvindo o som da chamada. São necessários quatro toques até que América me atende. - Eu estou brava com você - É o que ela diz. Como ela sabia? - Como sabe que sou eu? - Quando me liga toca uma música do David Guetta - Ela explica e eu sorrio por ela ter feito isso. Será que salva o número de todos com uma música específica para saber quem é? - Qual? - Por que ligou? - América corta com acidez a minha curiosidade. Consegui deixar irritada a pessoa mais doce que já conheci, ponto para mim. - É que...sábado vai haver um almoço na casa dos meus pais...bem, minha mãe quer te conhecer, e sabe...Não quer ir? - Eu me embolo todo para falar, não sabendo como fazer esse convite. Até porque eu não a quero lá. - Não vai se desculpar primeiro? - Parece haver humor em sua voz, o que me deixa aliviado. Mas só um pouco. - Ok... A ligação fica muda. América me esperando falar, e eu a procura do quê dizer. Não peço desculpas com frequência, eu apenas faço as minhas merdas. Mas agora eu sei que preciso passar por cima do meu orgulho para fazer América esquecer o que eu fiz hoje mais cedo. Aconteceu tanta coisa apenas hoje, que pode ser repartido em vários dias. - Eu não deveria ter gritado contigo, me desculpa. - E? - Ela pressiona. - E nem ter dito aquelas palavras. Foi grosseiro da minha parte. - Está mesmo arrependido ou é só para que eu vá em sua casa no sábado? - Você sabe a resposta. - Eu digo fazendo - a ri do outro lado da ligação. Bem, isso já é algo bom. A ligação fica muda mais uma vez, aumentando minha ansiedade por sua resposta. - Tudo bem, sábado você me busca? Um alívio toma conta de mim, e sei que pelo menos me livrar da cobrança da minha mãe, eu vou conseguir. - Sim, às onze. - Irei te esperar. Tchau. Desligo sem a responder como de costume.
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