Lando
Assim que a porta da casa de Noah se abre, eu o agarra pelo o colarinho da sua camisa e empurro ele contra a parede da sala.
- Seu desgraçado! Quem você pensa que é para pedir a Bradley em casamento? - grito em sua cara. Um curativo cobre seu nariz e um círculo roxo amarelado se destaca no canto da sua boca, deixando claro o estrago que eu fiz.
- Ela não é sua Lando - ele rosna tentando sair do meu aperto, mas eu me mantenho ainda mais forte.
- E pensa que é sua? Ela nunca vai te amar igual ela me ama.
- Ela não ama você!
- Ama, ama sim! E você está se iludindo achando que ela quer ficar com você.
- Se ela não quisesse, não teria aceito meu pedido de casamento, não acha? - Humor enche seu rosto me dando ainda mais vontade de socar a cara dele.
- Ela só não está pensando direito - recuo um pouco, afroxando meu aperto. A dúvida me faz vacilar um segundo. Ela não deveria mesmo ter aceitado, não devia.
- Você acha Lando? Pois eu não tenho tanta certeza assim. Afinal, quem ela beija todos os dias sou eu. É em meu ouvido que ela geme enquanto eu a fodo. É o meu nome que ela chama...
- Para! Para! - Solto Noah para tapar minhas orelhas com minhas mãos. Eu não suporto a idéia de imaginar Bradley e Noah transando. Só de pensar meu estômago se revira.
- Ela diz que me ama todas as noites, ela fazia isso com você também? - Noah continua me torturando. Se suas palavras não fizessem efeito tão duro em mim, eu estaria quebrando seus dentes nesse exato momento.
- Cala a boca - digo entre dentes.
- Você pode me bater o quanto for, mas a Bradley, ela nunca será sua. Nós vamos nos casar e construir uma família. E você Lando, você será um bêbado asqueroso solitário. - Assim que Noah fecha a boca, eu o acerto um soco com força na mandíbula. Noah cambaleia para trás e tenta me golpear, mas eu me esquivo e empurro ele para o chão. Sua cabeça bate com força contra o piso, fazendo um barulho alto ecoar pela casa. Fico por cima dele para lhe dar mais alguns socos, porém seus olhos se fecham e Noah parece desacordado.
Fico em pé e observo seu corpo jogado aos meus dedos. Meu peito sobe e desce por causa da minha respiração irregular, e quanto menos furioso eu fico, mais eu percebo a besteira que eu fiz. Minhas mãos se abrem, desfazendo dos punhos que haviam se formado para socar Noah.
- Levanta e me enfrenta seu frouxo - digo e cutuco o corpo de Noah com meu pé. Nenhuma reação. Penso em sair de sua casa e fingir que nada aconteceu, mas assim que vejo uma linha de sangue escorrendo por trás de sua cabeça, eu arregalo os olhos.
Puta que pariu.
Minha raiva é substituída por preocupação e pavor. Que merda eu fiz?
Corro com meus dedos para o meu celular no bolso da minha calça, e ligo para Lewis. No terceiro toque ele atende.
- Lewis eu acho que matei o Noah - falo antes mesmo que ele diga algo.
- Você o que? - Ele praticamente grita.
- Eu bati nele, ele caiu no chão e agora a cabeça dele tá sangrando - tento resumir o melhor que posso. Minha voz está trêmula e pela primeira vez eu sinto o pânico tomando conta do meu corpo. Minha garganta está seca como se eu tivesse sem beber água há meses, a sensação é horrível, e eu me imagino preso por ter matado meu ex melhor amigo.
- Onde você está?
- Na casa dele.
- Eu tô indo. Não faz nada Lando. - Lewis manda antes de encerrar a ligação.
Passo minha mão pelo cabelo enquanto caminho de um lado para o outro perto de Noah. Como que de uma briga sobre ele ter pedido a Bradley em casamento, passou para ele desacordado no chão sangrando? Eu queria mesmo arrebentar com ele, queria mesmo ver ele todo quebrado, mas não assim, não tão grave desse jeito.
Mas e se ele morrer? Provavelmente a Bradley volta para mim, já que não vai ter Noah em nosso caminho.
Porra, isso é um pensamento fodido.
- Cadê ele? - Lewis pergunta assim que eu abro a porta. Ele entra feito um furacão na casa de Noah e ao ver ele no chão, seus olhos saltam do rosto. - Você tá ficando louco?
- O que a gente faz? - me aproximo de Lewis.
- A gente? - ele se vira para mim - Você fez suas merdas, você que se responsabilize. - Seu rosto está vermelho de raiva, mais vermelho que o seu cabelo.
- Por favor Lewis, eu não sei o que fazer. - Não me importo de está implorando, mesmo que eu odeie o Noah preciso me safar dessa, ou a Bradley nunca vai me perdoar quando souber.
Lewis me olha e depois olha para o corpo de Noah no chão.
- Por que caralhos fez isso?
- Ele pediu a Bradley em casamento...
- Ele o que? - Lewis se engasga assim como eu quando descobri.
- Foi na sua festa, você não estava lá? - semicerro os olhos para ele.
- Bem, eu não vi nada disso. Provavelmente estava ocupado com outra coisa. - Ele diz lento tentando se lembrar.
- É melhor levar ele ao hospital, ou deixar aqui até que acorde? - pergunto aflito.
- Pelo o amor de Deus Lando, não podemos deixar ele aqui nesse estado. - Lewis fala obviamente.
Estou nervoso demais para pensar.
- Vem, me ajuda - Lewis pede erguendo Noah pelo braço. Assim que ele o abraça pela cintura, eu vejo a parte de trás do cabelo loiro de Noah coberto pelo vermelho do sangue. Eu rachei o crânio dele? - Anda Lando! - Lewis grita me acordando do choque de ver Noah sangrando. Abraço o outro lado do corpo dele, e saio da casa junto com Lewis carregando Noah.
(...)
Noah é encaminhado para a emergência, e Lewis mente para o médico que ele escorregou e caiu, mas eu tenho certeza que o médico não acreditou. Não depois de ver os hematomas no rosto de Noah e minhas mãos golpeadas. Porém ele não disse nada, talvez esteja com pena do meu futuro se Noah morrer.
- O que você fez? - a voz de Bradley invade a sala de espera, me fazendo saltar da cadeira que estou sentado. Que p***a ela faz aqui?
Olho para Lewis que também está confuso.
- Como soube? - minha voz treme enquanto eu fico em pé.
- Eu fui atrás do Noah depois que você saiu feito louco do meu prédio. Os vizinhos me contaram que te viu carregando ele desacordado para o carro! Qual o seu problema? Me diz! - Bradley grita na minha cara. Seus olhos estão raiados de sangue, mostrando sua fúria.
- Ele quem pediu - minha voz é baixa, mas não deveria está.
- Você é louco! - Bradley puxa o próprio cabelo loiro para trás da cabeça e depois seus olhos se viram para mim - Se algo acontecer com ele, eu te denuncio para a polícia - me ameaça com as bochechas vermelhas. Eu nunca vi Bradley com tanta raiva, e confesso que me irrita o fato dela se preocupar tanto com Noah, mas também me deixa com medo do quê ela é capaz de fazer.
- Se afasta - Louis entra no meio, ficando ao meu lado. Bradley se vira para ele, mas não parece o intimidar.
- Vai defender esse doente? - ela me insulta apontando em minha direção.
- A única doente que estou vendo aqui é você. Se isso está acontecendo é por culpa sua - Lewis a acusa.
- Desculpa? - Bradley franze a testa em confusão. - Quem espancou o Noah foi o Lando!
- Quem traiu o Lando foi você, e além disso aceita se casar com o Noah. Sério Bradley? Todo mundo sabe do seu caráter.
As narinas de Bradley abrem e fecham de tamanha raiva que ela está sentindo, e se olhar matasse Lewis já estava morto ao meu lado. Entretanto, ele não fica atrás. Sua mandíbula está pressionada e se Bradley continuar com essa discussão tenho certeza que Lewis ainda vai insulta - lá e muito. Se não estivéssemos nessa situação, eu a defenderia dele, mas não consigo, até porque ela está contra mim em primeiro lugar.
- Se afasta - Lewis pede mais uma vez, e então Bradley gira seus calcanhares e vai se sentar em uma cadeira distante de nós.
Olho para Lewis agradecido, mas ele me manda um olhar nada satisfeito, deixando óbvio o quão bravo ele está comigo. Se Noah morrer, eu não vou perder apenas a mulher da minha vida, mas meu único melhor amigo também.