04. Amigo

2389 Palavras
Lando América me pede para a leva - lá ao parque, o que me parece uma ótima opção para esse encontro. Nenhum amigo meu anda por essas redondezas, assim ninguém vai saber que estou com ela. - Quem te vestiu? - Eu pergunto enquanto caminhamos pela grama bem cuidada. O parque não está muito cheio, o que me surpreende por ser final de semana, mas quanto menos pessoas, melhor. - Eu mesma - América ri passando a mão pelo tecido florido. - Por que? Porque está horrível - Nada. - Minto e olho para um grupo de garotas que passam por nós e sorriem para mim. Talvez seja a hora de começar a me divertir assim como a Bradley está fazendo. Eu sei que isso não vai tirar o vazio do meu peito que ela deixou, mas ao menos poderei dizer que não fiquei de luto por tanto tempo. - América, quer sentar um pouco? - Pergunto sem tirar os olhos das meninas que ainda estão me observando. - Claro - Ela responde e segura em meu braço para que eu a guie. Eu não sei tão bem como fazer isso, mas caminho até um dos bancos que têm espalhados pelo parque, posicionando, ou tentando colocar América o mais próximo possível para ela se sentar. Ela tateia a madeira escura antes de se sentar. Verifico se as garotas ainda estão no parque, e vejo elas conversando em um banco mais distante de nós. - Você quer comer alguma coisa? Aqui tem vendedor de pipoca, e algodão doce. - Ofereço a América querendo inventar um pretexto para me afastar. - Quero um algodão rosa! - Ela diz empolgada e eu quase rio pela forma como soou feito criança, mas também me questiono o porquê ela querer tanto um algodão rosa se não enxerga. O que é intrigante. - Tá bom, eu já volto - digo e no segundo seguinte estou caminhando em direção às garotas. Penso que posso está sendo i*****l demais por mentir e deixar ela sozinha, mas também penso que de qualquer forma eu não queria vim a esse encontro, mereço ao menos um pouco de diversão. Assim que fico ao lado do grupo, começo a puxar um assunto com elas que claramente já esperavam pela minha aproximação, o que facilitou a fluidez da conversa. Nunca flertei com três garotas ao mesmo tempo, mas não foi difícil. - Quem é aquela? - A loira pergunta apontando para América sentada no banco. Ela está parada, postura ereta e focada para o nada. Provavelmente esperando a minha volta com seu algodão rosa, o que vai demorar a acontecer. - Minha irmã - Minto, voltando com a atenção para as garotas. - Como ela é estranha - Uma das morena diz debochada, fazendo as outras rirem. Saindo assim da boca dela, me faz perceber que soa mais duro do que quando eu penso isso da América. - Eu sei - Entorto a boca e forço um sorriso olhando para a garota de quem estão falando. (...) Depois de uma conversa longa com as meninas, eu consigo o número das três, e até beijo uma delas, o que confesso ter sido terrível. A língua da garota não parava quieta, o que me babou como se eu estivesse beijando um cachorro. Porém foi bem melhor do quê se eu estivesse ficado com América esse tempo inteiro. Volto para onde América ainda está sentada e na mesma posição, ela até parece um robô. - Você demorou - diz assim que me sentei ao seu lado, o que me assustou. Ela tinha muito senso de perspectiva por saber que era eu ao seu lado. - Desculpa, tinha uma fila enorme. - E onde está? - Ela pergunta empolgada e vem com suas mãos em minha direção na intenção de pegar o algodão. - Acredita que acabou bem na hora que fui pegar? - eu falo, e me arrependo na hora assim que vejo a feição triste de América. Estranhamente fico com a consciência pesada, afinal ela esperou por todo esse tempo achando que eu tinha ido comprar um algodão doce, sendo que na verdade não fiz nada disso. Às vezes eu gostaria de ser egoísta sem me importar com ninguém, mas o amargo da minha atitude sempre aparece. - Eu posso tentar achar outro vendedor por aqui, que tal? - Tento reverter a situação olhando em volta em busca do vendedor, mas não o vejo em lugar nenhum. - Não precisa, estou bem assim. - América fala ríspida, totalmente inversa de como ela era normalmente, e só me deixa com a consciência ainda mais pesada. Eu sou tão t**o às vezes. Vai ver foi por isso que Bradley acabou tudo. - Quer ir embora? - Pergunto. - Não - América pausa -, quero saber mais sobre você. - Sobre mim? - A surpresa é evidente em minha voz. - Sim. Sobre seus hobbies, seus gostos, essas coisas. - Explica. Ninguém nunca antes me perguntou sobre o que eu gosto, ou se interessou em saber disso. Na verdade até mesmo a Bradley não me fazia esse tipo de pergunta. Nós apenas íamos descobrindo as coisas, sem precisar de questionamentos. Mas agora que América pareceu se interessar por isso, sinto uma sensação até boa, que não consigo explicar. - Bom, eu...eu gosto de festas...- digo pausadamente, pensando no que dizer. - Também gosto de voar de balão e ir à praia. - Voar de balão? - América pergunta curiosa. - Sim...nunca voou? - Não - ela força um sorriso. - Meus pais não permitiriam - Justifica e eu consigo capturar uma leve tristeza em sua resposta. Já é a segunda vez apenas hoje que eu a vejo triste com algo. Mesmo que seja contraditório, já que um desses momentos foi minha culpa, eu não gosto dessa sensação. - Um dia talvez, eu possa te levar para um passeio de balão - Eu falo na tentativa de anima - lá. Obviamente isso nunca irá acontecer já que eu não penso em continuar me encontrando com ela, mas é melhor mentir para cessar essa inquietação que criou em mim por vê-la triste. - Eu adoraria! - Ela se empolga e esboça um sorriso tímido. Assim é bem melhor. (...) - Eu gosto bastante de músicas eletrônicas, me deixam animado - Falo enquanto caminho para o carro com América. Já está a noite, passamos bastante tempo conversando sobre a minha pessoa. Eu acho que nunca falei tanto sobre mim mesmo para alguém, e o bom de tudo é que América parece gostar de me ouvir, parece viajar quando eu a conto sobre minhas aventuras de infância. Ela é a melhor ouvinte que alguém poderia ter. - Eu também. - Ela responde após eu entrar no carro. - Mesmo? - Pergunto surpreso. América não parece com alguém que gosta de música eletrônica, ela fica muito ao contrário disso. - Sim. Eu até fui no show do David Guetta. - Não brinca! - Fui sim - Ela ri da minha surpresa. - Isso é demais! Você gostou? Você viu ele de perto? Quer dizer... - eu me embolo para falar. Qual é, David é o meu dj favorito, seria um sonho ir em um show dele. - Gostei sim - América responde rindo. - Não deu para saber se eu estava tão perto dele, mas eu pude ouvir perfeitamente. - Isso é demais! - Você já disse isso - América ri alto trazendo minha atenção para ela. Seu sorriso é bem largo, daqueles que a pessoa esboça com prazer e involuntariamente ela me faz sorrir também. Eu fico ali, a olhando rindo feito um bobo e me perguntando o porquê era tão bom sentir aquele calor em meu peito, uma vontade de prolongar ainda mais a imagem dela feliz. Até que esse encontro não foi tão r**m quanto eu pensava que seria. (...) Após deixar América em casa, eu sigo rumo à minha, porém no trajeto eu passo em frente a uma lanchonete que Bradley e eu sempre íamos. Isso me faz lembrar dela, me levando de volta para a saudade que eu estive escondendo o dia todo, porém com uma mistura de desejo que me toma conta, e quando eu percebo o que estou fazendo, meu carro está estacionado em frente ao prédio dela. Respiro fundo antes de sair do carro, e caminho para o hall da entrada. Agradeço pelo porteiro não estar na portaria no momento que entro no elevador, pois muito provavelmente ele a avisaria e ela não me deixaria subir. Aperto o andar de Bradley e o trajeto até lá me parece uma eternidade. Começo a imaginar Bradley arrumada e perfumada para mim assim que abrir a porta. Imagino ela dizendo que me ama e que errou, e então faríamos sexo a noite toda, como o momento mereceria. Sinto minhas mãos suando de nervoso assim que fico de frente a porta escura com o grande número dourado escrito doze. Minha coragem parece ter sumido de repente, e sinto que minhas pernas estão fracas. Eu até pareço um i****a por está tão nervoso assim, mas é a Bradley, e eu sou completamente louco por ela desde o primeiro dia que a vi. Respiro fundo mais uma vez e então toco a campainha. - Já vai! - A voz de Bradley soa através da porta, e é o suficiente para fazer meu coração disparar. Assim que a porta se abre, a mulher da minha vida aparece. Seu cabelo loiro jogado sobre os ombros, lábios pintados pelo batom vermelho, olhos negros. Ela usa um vestido justo que valoriza seu corpo da melhor maneira possível, e nesse instante eu entendo que aquela menina que beijei no parque não têm o mínimo de impacto em minha vida, pois tudo que me importa é essa mulher na minha frente, tudo que tenho é ela e nossa história. Um sorriso que está estampado em seu rosto quando ela abre a porta, desaparece ao ver que sou eu. - Lando? - Ela franze a testa. - O que faz aqui? - Você está linda. - Eu elogio encantado olhando - a da cabeça aos pés. - Liam vai embora, o Noah daqui a pouco chega e eu não quero brigas. - Pede e subitamente meu encanto acaba. É como um balde de água gelada em minha cabeça, um soco em meu estômago. Tudo isso é para o Noah? Ela estava sorridente por pensar que era ele na porta? - Por que está fazendo isso com a gente? - Eu pergunto encarando - a. - Lando... - Bradley o que nós tínhamos era tudo tão verdadeiro, por que você fez isso? - Dou um passo a frente, fazendo Bradley se afastar e com isso eu fico dentro do seu apartamento. Seus olhos parecem impacientes e incomodados com a minha aproximação. Mas não me afasto. - Você não vai superar isso nunca? - Ela passa uma mecha do cabelo para trás da orelha. - Sério Lando, eu traí você, isso não é o suficiente? - O deboche em sua voz me dói. - Não fala assim comigo... - E quer que eu fale como? - Seu tom aumenta e ela se afasta de mim - Qual é Parker! Nosso relacionamento já não estava bom há tempos, eu apenas dei um fim nisso tudo. - E por que ele? Logo o meu melhor amigo? - Exigo saber tentando ignorar que suas palavras esmagaram meu coração. - O Noah é homem de verdade. Ele me completa de todas as formas - Ela suspira - Ele sabe como deixar uma mulher feliz, ele têm pegada...já você? Você só era atraente quando brigávamos. Você furioso é tão excitante...Mas quando acaba, volta a ser uma marionete. - Revira os olhos - Lando, você nunca quis construir um futuro de verdade comigo, ser filho de pais ricos não é tudo. O que você têm pra me oferecer além de dinheiro? - Eu amo você, ele não! - Cuspo ignorando seus comentários. Sempre pensei que odiasse nossas brigas, mas aparentemente eu estava errado. Sempre pensei que gostasse de gastar dinheiro atoa, sem se preocupar com o futuro, mas aparentemente eu estava errado. - Amor? Amor Lando? Quem quer isso hoje em dia? - Seus olhos reviram. - Você é tão i****a. Avanço em sua direção e a prendo contra a parede com uma mão de cada lado da sua cabeça. Bradley parece tremer com minha atitude, e me prova que gostou com sua mordida involuntária na boca. Ela é tão safada. - Você quer pegada? - Eu aperto meu corpo no dela. - Quer Bradley? - Olho fixo em seus olhos que me encaram surpresos. Uma fúria misturada com luxúria se apodera de mim, e sei que preciso provar para Bradley que eu posso dar o que ela quer, e não o babaca do Hansen Levo meus lábios para seu pescoço cheiroso e não economizo beijos e mordidas por sua pele macia. Bradley suspira e em pouco tempo suas mãos estão apertando meus ombros em incentivo. - Lando... - ela geme baixinho quando eu a ergo do chão e ponho suas pernas em volta da minha cintura. Chupo sua pele com força na intenção de deixa- lá marcada, e assim que vejo o vermelhidão, fico feliz em saber que consegui o que queria. Desço minhas mãos para a parte interna de suas coxas e trilho um caminho para dentro do seu vestido fazendo Bradley suspirar e segurar em meu cabelo com força. Sorrio a observando entregue para mim, sem nem mesmo eu ter feito muita coisa. Eu sempre soube que seu corpo reagiria á mim sem esforço, ela mente, mente em cada palavra. Meus dedos invadem sua virilha, onde eu acaricio devagar em provocação. - Hum - Bradley morde o seu lábio inferior para engolir o gemido que quer sair. - O que está acontecendo aqui? A voz de Noah soa logo atrás de mim, e então eu solto Bradley no chão. Olho para ela, vendo que apesar de assustada, quer mais do quê posso a proporcionar. Sorrio alargamente mostrando minha satisfação em agora eu está por cima, e então viro de costas para ela e encaro Noah. - Boa noite amigão. - Digo e caminho para fora do apartamento de Bradley, sabendo que agora ela está ainda mais perto de voltar a ser minha.
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