Lando
Me jogo no sofá da minha sala com um enorme sorriso no rosto. Ver Bradley tão dada para mim, com todo aquele prazer expresso em seus olhos só me deixa ainda mais convicto de que ela voltará a ser minha muito em breve. E eu não me importo com o que fez, não me importo se estava confusa demais e por isso se envolveu com o Noah, eu a perdoarei por tudo.
Meu celular toca fazendo com meu coração salte do peito por pensar ser Bradley, mas assim que o pego e vejo o nome Lewis na tela, rapidamente me acalmo e atendo:
- O que foi?
- Nossa, me atenda com educação menino. - Lewis reclama e logo depois ri. - Ainda bravo com o Noah?
- O que você acha?
- Qual é Lando, saia dessa, a Bradley não presta.
Lewis nunca gostou da Bradley, ele sempre dava um jeito de criticar ela, o pior era quando ele fazia isso na frente dela. Já precisei separar as intrigas dos dois, e foi até tema de uma DR minha com ela, e mesmo conversando com Lewis ele deixava claro que não mudaria sua opinião. Era um inferno até eu precisar me afastar de Lewis e passar mais do meu tempo com Bradley. Precisei também evitar falar dela para ele, e sair com os dois juntos.
- Me ligou para falar m*l da Bradley? - Pergunto impaciente.
- Não. Liguei para te convidar para uma festa que vai rolar aqui em casa amanhã.
- Festa? Em comemoração ao quê? - Me surpreendo. Lewis quase nunca dar festas, ele prefere ir nas festas dos outros.
- A nada, eu só senti vontade. - Ele responde e posso deduzir que ele acabará de rolar os olhos.
- Certo...que horas?
- Às nove.
- Até lá então.
- Lando?
- Fala.
- Esquece a Bradley, ela não é para você - Ele fala e não respondo, ao invés disso eu encerro a ligação.
Lewis é um ótimo amigo, mas às vezes gosta de cuidar demais da minha vida. Nós nos conhecemos faz bastante tempo, éramos o melhor trio do ensino médio. Lewis, Noah e eu. Mas hoje percebo que amizade verdadeira é rara, talvez até não exista mais. Não queria que a situação com Noah influenciasse em algo entre Lewis e eu, mas não consigo não pensar que Lewis possa quebrar a minha confiança também.
Meu celular toca novamente, e um número sem identificação aparece na tela. Fico relutante em atender, mas penso que possa ser a Bradley e então eu sou vencido.
- Alô? - Uma voz calma soa do outro lado da linha.
- Quem é?
- Lando, sou eu, a América.
América? Mas como ela conseguiu meu número?
- Como...
- Aquele garçom da boate, ele é bem legal e me deu seu número quando eu pedi. Desculpa não ter falado hoje que eu já tinha seu contato, eu esqueci. - Ela fala apressada como se estivesse com medo da minha reação.
Um silêncio se instala na ligação.
Sinceramente não quero nenhuma aproximação com essa garota, desde o início eu não queria, mas ela muito pelo contrário parece querer que fiquemos bem próximos. Não sei se isso é bom ou assustador, assim como não estava cogitando perder meu tempo pensando nessa relação, mas aparentemente vou precisar.
- Ah... - Murmuro sem saber o que falar após isso. Eu deveria desligar.
- Você está fazendo o que? - Parece animada e curiosa.
- Nada demais. - Respondo brevemente.
- Amanhã tem planos para sair ou algo assim?
Penso se respondo a verdade ou não, porém sei que se eu disser que amanhã não farei nada, ela provavelmente vai arrumar algo para fazer comigo, até parece que não tem amigos.
- Vou para uma festa - Falo.
- Oh, que legal! - Ela diz animada e posso visualizar ela sorrindo em empolgação. A América fica feliz por coisas pequenas e até coisas que não envolvem ela, nisso eu posso confessar que gosto nela.
- E você? - Pergunto sem interesse mas sim por educação.
- Eu vou em uma marcha a favor da comunidade LGBT - Ela responde.
- Mesmo? Mas você pode frequentar esses lugares?
- Por que não poderia?
Porque você é cega?!
- Não sei...Não é perigoso para você ter um monte de pessoas lá? E se te arrastarem ou algo assim?
- Liam, - América ri - eu faço parte dessa marcha há dois anos, nada r**m vai me acontecer, são apenas pessoas de bem querendo respeito e amor.
Percebo que estou na verdade me preocupando com ela, e reviro os olhos diante tanta tolice. Ela não é nada minha, e não devo dar tanta atenção assim.
- Se você quiser ir...
- Não gosto dessas coisas. - A corto imediatamente.
Nunca fui de me envolver nesses movimentos, até porque não tenho nada a ver com isso, na verdade sempre os achei perturbadores para o trânsito, causando congestionamento e bagunça. Mas também não concordo com qualquer manifestação de ódio contra alguém, principalmente contra quem não fez nada demais.
- Hoje foi muito divertido Liam. Obrigada mais uma vez. - Ela muda o assunto.
- Não foi nada.
Mais silêncio.
- Tchau. - Ela fala.
Não respondo e ao invés disso eu apenas desligo a ligação. O dia foi cansativo demais para que eu dê bola para a América. Ela sugou toda a simpatia que eu poderia dar para alguém por um ano.
Vou ao banheiro e tomo um bom banho, visualizando na mente que Bradley está ali de joelhos e com a boca no meu p*u. Eu sei que não vai demorar muito para isso realmente acontecer. Depois de vestir uma boxer, caminho até a cozinha, pego uma garrafa de uísque, e vou para a sala assistir o programa de esportes enquanto tomo da minha bebida, como uma ótima maneira de encerrar a noite.
(...)
Olho o ponteiro do relógio na parede mudando de lugar a cada minuto. Já estou nisso durante um bom tempo desde que acordei. Bradley não me deixou nenhuma mensagem na caixa postal, ou me enviou algum sms. Eu estou frustado desde então. Pensei que depois de ontem as coisas iriam mudar, mas nada.
São dez e cinquenta da manhã, ainda não comi nada. Me levanto da poltrona, pego o meu molho de chaves e saio de casa. Dentro do carro eu dirijo para algum mercado que ainda esteja aberto. Eu odeio domingos por isso, quase nenhum lugar funciona.
Preciso dá uma volta enorme até encontrar um mercado aberto. Estaciono e assim que deixo meu carro, sou surpreendido por uma multidão de pessoas passando pela rua que estou. Eles erguem placas e cartazes. Há música animada e quase todos tem o rosto pintado com a bandeira colorida LGBT. Bem logo na frente de toda essa gente está América. Seu cabelo amarrado deixa seu rosto todo exposto, mostrando-me o quanto ela é mais bonita do quê parece.
Eles gritam seus versos prontos a favor da comunidade, pedindo respeito e mais amor. É tudo muito colorido, e provavelmente eu estou parecendo um babaca olhando todos ali boquiaberto. Assim que a marcha passa na minha frente eu sinto vontade em chamar a América, mas me calo e apenas observo todos passarem.
Demora vários minutos, porém não parece muito enquanto se olha toda aquela animação, cor, e amor. Muitos casais se beijam, entre eles heterossexuais e homossexuais, o que me faz sorri. Eu nunca fui homofóbico ou coisa do tipo, para mim as pessoas devem ser livres de acordo com suas vontades, e ninguém deve impedir ou repudiar isso. Se todos apenas sentisse o amor, as coisas seriam diferentes.
Depois que compro pães e vodka, volto para meu carro e vou para casa. Hoje tem a festa do Lewis o que eu estou animado para ir. Vai ser muito bom se acontecer de ter alguma menina gostosa lá, com quem eu possa t*****r. Mesmo desejando a Bradley, eu não posso viver triste para sempre por causa dela. Eu sei que vamos voltar mais cedo ou mais tarde, porém, enquanto isso não acontece eu tenho o direito de me distrair.
Às 17 horas América me liga mas eu não atendo. Sei que se eu o fizer ela vai me prender em um assunto chato, ou talvez falar sobre a marcha que ela estava hoje mais cedo. Mas isso não impediu dela deixar um recado na minha caixa postal:
"Lando, oi, sou eu a América. Bem, talvez você esteja ocupado e não pôde me atender...hoje foi incrível, você deveria estar lá para sentir toda a boa vibração - ela pausa e depois continua: - sei que vai está ocupado mais tarde com a festa, mas se quiser vim aqui em casa fique a vontade. Meus pais vão sair para comemorar os dez anos de casados e eu vou ficar sozinha..se puder vim, poderemos assistir alguns filmes, bem, você poderá assistir - ela ri. - Bem...é isso. Tchau."
Ela está confundindo as coisas. Deve achar que eu sou um amigo dela ou algo assim. Pessoas cegas são sempre carentes dessa maneira?
Eu nunca conheci ninguém como a América. Que fala tudo o que quer. Que faz o que quer. Ela parece não ter medo das coisas, apesar do jeito que ela é. Ok que América não é tão irritante assim, e eu sei que ela é bem inteligente e autêntica, mas não faz parte do meu grupo social de amigos ou coisa do tipo. Sem falar nas roupas dela que são no mínimo ridículas. Se um dia meus amigos a verem, eles vão passar o resto de suas vidas me zoando.
Me arrumo e saio de casa pronto para ir a festa. Levo a vodka que eu comprei hoje mais cedo, já que eu sei que Lewis é viciado nessa bebida.
- Corno! - Lewis fala assim que abre a porta.
Eu o olho como quem diz "quero te matar" e ele cai na risada.
- Vai me zoando, depois que eu f***r com sua namoradinha não reclama - eu rosno para ele que ergue as mãos em rendição.
A casa de Lewis está lotada de gente, e principalmente de mulheres. Algumas eu até reconheço da faculdade que eu um dia tentei fazer. Lewis e Noah ainda estudam lá, fazendo um curso fodido qualquer. Eu só aguentei por dois meses aquela ladainha toda de professores e aulas chatas. Não sei mesmo qual foi o motivo que me fez querer tentar fazer, mas todos sabem que eu não preciso disso.
- Hey Lando - Josh me chama de um sofá que está cheio de garotas quase nuas. Me aproximo dele.
- Eai Josh - falo vendo a loira se afastar para me dar espaço. Eu me sento no sofá entre a loira e a ruiva que está quase no colo de Josh.
A música alta se mistura com os gritos do público. Muitas meninas rebolam grudadas nos garotos, que bebem até não aguentar mais. Senti falta desse tipo de festa cheia de garotas qualquer e muita bebida. As boates não são tão boas assim, até porque muita gente careta aparece por lá, principalmente alguns caras.
Peço para a loira pegar um copo de tequila para mim, e logo ela volta com um.
- Vamos dançar - ela sussurra em meu ouvido antes de sair me puxando para o meio de toda a gente agitada.
Me balanço nos calcanhares enquanto bebo a tequila. A loira se esfrega em mim, mas eu não consigo sentir nada. Ela é muito magra, quase não tem peito, e muito menos b***a. O batom rosa forte em sua boca é tão feio quanto seu vestido colado de estampa de onça. Mil vezes as roupas bregas da América do quê isso.
De repente vejo Bradley e Noah entrando na casa de Lewis. Ele os convidou? Aquele filho da p**a.
Trinco minha mandíbula e jogo o copo com tequila no chão antes de deixar a loira sozinha e confusa. Eu pensei que Noahl terminaria com Bradley depois de ter visto ela me beijando, mas pelo visto nada mudou.
Me aproximo deles conversando com Josh no sofá. Ele fica azul quando me ver atrás de Niall e então intercala seu olhar entre ele e eu. Josh melhor do quê ninguém sabe o quanto eu odeio esse loiro, até porque ele quem nos separou no dia que descobri toda a verdade.
- Que p***a vocês estão fazendo aqui? - eu grito contra as costas de Noah e Bradley que se viram para mim.
Os olhos dela quase saltam do rosto ao me ver, enquanto Niall esboça aquela cara de cínico dele.
- O Lewis disse que você não estaria aqui...- Noah fala com a voz começando a tremer.
Algumas pessoas estão nos olhando agora.
- Que p***a! Ele disse isso? Por que ele disse isso se vocês que são os errados c*****o?
O cabelo vermelho de Lewis aparece e eu quase vôo nele.
- Lando relaxa - ele fica na minha frente entre Noah e eu. - Essa noite é para se divertir.
- Por que você chamou eles? Até da Bradley você não gosta, todo mundo sabe disso! - Cuspo.
- O Noah é meu amigo, vocês que brigaram, não eu. Você não pode me impedir de falar com ele. - Lewis explica.
- Que p***a de amigo o quê! Ele é falso, me roubou a Bradley sem se importar com nossa amizade.
Niall revira os olhos e eu me impulsiono para o acertar com um soco, mas Louis põe suas mãos em meu peito.
- Você já pensou que ela queria ele também? - Josh se intromete.
Ótimo, todos estão a favor deles agora.
- Eu que quis ele, Noah só ficou comigo depois de tanto insistir - Bradley fala. Eu sei que é mentira. Ele quem mudou a cabeça dela. Ela me ama, eu sei que ama, sempre amou.
- Pronto? Já chega de show - Lewis joga as mãos para o alto - Voltem a dançar, não tem nada demais aqui - ele fala para algumas pessoas que pararam para observar a briga. As atenções sobre mim começam a dissipar, enquanto eu fico parado tentando me controlar. Bradley e Noah caminham de mãos dadas para a pista de dança, e Josh volta a se sentar no sofá.
- Para de ser i****a e esquece essa p**a - Lewis fala com seu rosto muito próximo ao meu. Seus olhos me deixam meio intimidado, mas mesmo assim não tenho medo dele. Lewis é muito menor que eu.
- Você não deveria ter chamado ele. - Falo entre dentes.
- Você não deveria ter se relacionado com uma qualquer - Ele joga de volta antes de me dar as costas.
Lewis é um babaca. Sempre foi. Mas de qualquer modo é o que eu mais confio, mesmo ele não entendendo sobre o meu amor por Bradley.
Assim que me viro para olhar as pessoas dançando, vejo Noah beijando Bradley e meu autocontrole some. Quando dou por mim já estou em cima de Noah no chão. Minha mão está cheia de sangue da cara dele, e muito provavelmente seu nariz está quebrado agora.
Bradley tenta me puxar de cima dele, e só saio depois que Lewis e Josh me arrastam para fora do aglomerado de gente.
- Você tá louco! Completamente louco! - Lewis explode.
- Ele estava beijando...
- f**a-se! Ela te traiu seu i*****l. Noah é tão trouxa quanto você. Então deixa ele f***r ela pra lá, um dia ela vai fazer o mesmo que fez com você, com ele.
Lewis não entende. Ninguém entende. Nós dois fizemos promessas. Nós dois fizemos planos. No natal eu ia a pedir em casamento. Estava tudo planejado.
- Vocês não entendem - resmungo antes de deixar a casa de Lewis.
Entro em meu carro e dou a partida.
O sangue está fervendo em minhas veias, eu quero voltar lá e bater mais em Noah. Quero arrastar Bradley para minha casa e f***r ela até ela se lembrar que o seu lugar é comigo. Mas eu sei que o melhor a ser feito é me acalmar. Não quero ir para minha casa, pois sei que vou quebrar tudo lá e nada vai resolver. Também não vou para a casa dos meus pais, pois assim como Lewis e Josh, eles não me entendem. Então antes que eu me pare, estou entrando na rua da América.