07. Amizade verdadeira.

1248 Palavras
Lando - Que p***a você quer me ligando essa hora? - Lewis me ataca antes mesmo que eu diga algo. - São seis da manhã Lando! Lanço meus olhos para a janela do quarto, e me surpreendo ao ver um pouco da claridade pelas frestas da madeira. Não dormi nada durante esse tempo inteiro, que ótimo! - Foi m*l cara...eu só precisava te falar uma coisa. - É tão urgente assim? Não poderia ter esperado ficar mais tarde? - ele resmunga. - Que horas a festa acabou? - Ainda não acabou. Tem gente lá embaixo bebendo e transando. - Claro que tem - debocho sorrindo, sempre é assim nas festas que Lewis costuma fazer. - Você estava comendo alguém? Atrapalhei? - Graças a Deus não. Eu estava dormindo - ele explica. - Hum. - Fala logo o que queria dizer c*****o. - Ele é severo, mas já estou acostumado com esse tipo de temperamento de Louis. - É que...bem, eu conheci um cara, ele se chama Zack... - Não acredito que depois de ter sido traído, agora se descobriu gay - Louis diz debochado caindo na risada. Reviro os olhos mesmo sabendo que ele não pode ver. - É sério p***a! - Reclamo fazendo ele parar de ri - Ele não tem uma perna. Bem, ele tinha, mas a perdeu em um acidente de carro. - O que eu tenho a ver com isso? - Todos os amigos dele o deixaram depois desse acidente, ele teve depressão e tudo. - Esperando o que eu tenho a ver com isso- - Eu fiquei pensando sobre, você me deixaria se eu sofresse um acidente assim? A ligação fica muda. - Lewis? - Você realmente está me perguntando isso? - Seu tom de brincadeira some e ele agora parece ofendido com minha pergunta. - Sim. Eu precisava falar isso contigo ou iria explodir - Sou sincero. Uma parte minha confiava na amizade de Lewis, mas a insegurança que as últimas situações me colocaram, até mesmo isso estava abalado. - Lando, você é meu melhor amigo e eu nunca abandonaria você por isso... - Abro a boca para falar mas ele continua: - Ou por uma garota. Eu suspiro. Lewis me conhece mais do quê ninguém, provavelmente entendeu o porquê eu trouxe essa questão agora. - Onde você conheceu esse tal de Zed? - Zack - o corrijo. - Isso. Penso se devo ou não contar sobre América para o Lewis. Eu nunca falei dela para ninguém, até porque foge de todos os meus padrões de amigos. Porém, é preciso ser sincero com ele para que possa me ajudar a me entender. - Eu conheci uma garota...uma garota cega. Conto tudo ao Lewis. desde o dia que conheci América na boate, até essa noite na casa dela. Louis ficou surpreso por saber que eu sou considerado um amigo por ela, e me repreendeu nas vezes que eu zombei da sua deficiência. - Ela pode te mudar. - Ele fala. - Não quero mudar. - Eu sei, mas seria bom se pelo menos tentasse. Sabe que preconceito não vai te levar a lugar nenhum. - Isso não é preconceito... - Dói ouvir dele que eu sou preconceituoso. - Você sabe que é. Fala sério Lando, eu esperaria isso de pessoas de fora da nossa bolha, mas não com você. Isso nem mesmo relevante era para ser, e no fundo você sabe. - É incrível como Lewis sempre consegue soar como a melhor pessoa que existe, e talvez ele fosse mesmo. Por isso dependo da opinião dele para tudo que eu faço, ele age como minha parte racional e decente. - Agora vai dormir. - Ele praticamente manda e eu encerro a chamada antes de fechar os meus olhos, caindo finalmente em um sono bem-vindo. (...) - Que lixo de casa - Escuto o murmuro de Ruth enquanto ela passa pelo corredor do meu quarto. Hoje é segunda, dia de faxina. Ruth sempre vem até minha casa para arrumar ela. Eu não a pago por isso, muito menos a pedi para fazer tal coisa, mas Ruth diz que eu preciso viver em um lugar limpo, mesmo que eu não queira. Claro que sua faxina não dura nem dois dias intacta, mas mesmo assim ela a faz. - Lando levanta essa b***a! - Ruth entra no meu quarto e abre a cortina da janela. A luz invade o quarto ardendo os meus olhos imediatamente. Pego meu travesseiro e enfio minha cara nele. - Não pode apenas arrumar a casa sem me encher? - Resmungo contra a fronha. - Não sei como você consegue viver nesse lugar. Sinceramente. - Ela reclama. - Alguma garota já veio aqui? Sem ser a Bradley? - Bradley nunca veio - respondo não entendendo onde minha irmã vai chegar com isso. - Então nenhuma veio? Penso e me lembro da América. - Só uma. - E o que ela achou dessa bagunça toda? - Ela é cega - sorrio contra o travesseiro, mesmo sendo malvado da minha parte, tem humor pensar que a única garota que já entrou em minha casa era cega. Ruth puxa o travesseiro do meu rosto e me olha com um olhar assombrado, como se eu tivesse dito algo horrível. - Você transou com ela? - Ela pergunta incrédula. - Não! - Me apresso a dizer. - América é só uma...Bem, uma...conhecida. - Então porque a trouxe para cá? Você é tão legal agora? - Me deixa em paz Ruth - Reviro os olhos me levantando da cama para ir ao banheiro. - Eu quero conhecer essa América. - Posso ouvir ela rindo enquanto entro no banheiro. - É melhor ficar quieta - Resmungo. (...) - Ela bebe? - Ruth arregala os olhos enquanto eu a conto sobre América. Esse é o m*l das irmãs mais velhas: elas te obrigam a dizer tudo o que elas querem que você diga. - Ela ama vodka - sorrio comendo ovos e bacon do meu prato. Pela primeira vez na semana estou tomando café da manhã de verdade, sem nenhum álcool. - Onde conheceu ela? - Ruth apoia seus cotovelos na mesa me olhando com atenção. Ela é tão curiosa. - Em uma boate. Acredita que ela me chamou para t*****r nesse dia? - digo fazendo Ruth ri. - Eu preciso conhecer essa garota, já gostei dela. - Ela bebe da sua xícara com café. Essa é a sua frase favorita do dia, só sabe dizer que quer conhecer a América. - Anham - me levanto da cadeira e vou até a geladeira. - Vocês nunca se beijaram? Nem um selinho? - Ruth pergunta me fazendo revirar os olhos enquanto tiro um iogurte da geladeira. - Eu não vou beijar ela. - Claro que não vai - ela ri. - Eu beijei a Bradley - volto para a mesa. - Mas ela não está com o Noah? - Eu beijei ela na frente dele - sorrio me lembrando. - Você ainda vai fazer uma besteira - ela resmunga. - Ontem eu quebrei o nariz dele - mostro minha mão golpeada para Ruth que não parece nada surpresa com isso. - Você beijou ela e o que ela fez? - Ela voltou com ele - digo desmanchando o meu sorriso de convencimento - mas ela ainda vai voltar para mim, eu sei que vai. Ruth se levanta da mesa e vai para a pia lavar sua xícara. - Tomara que a América te tire dessa. - Ela diz, me deixando mudo.
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