Klaus saiu do consultório diferente de como tinha entrado.
Calmo demais.
Esse era o sinal mais perigoso.
Ele deixou Helena com uma equipe médica e dois seguranças na porta. Antes de sair, se abaixou perto dela.
— Você não vai ficar sozinha. — a voz firme, controlada. — E ele não vai chegar perto de você de novo. Eu cuido disso.
Ela segurou a manga do paletó dele por um segundo.
— Klaus…
Ele pousou a mão sobre a dela, com cuidado.
— Confia em mim.
E saiu.
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Luís estava num bar barato, nervoso, bebendo rápido demais, achando que ainda tinha controle da situação.
Não ouviu quando o ambiente mudou.
Quatro homens entraram. Todos de preto. Silenciosos. Precisos.
E por último, Klaus.
Luís reconheceu na hora.
— Olha só… — riu, debochado, tentando disfarçar o medo. — Veio bancar o herói agora?
Klaus não respondeu.
Apenas fez um gesto curto com a mão.
Os seguranças se posicionaram. Não encostaram em ninguém. Só fecharam as saídas.
O bar inteiro entendeu o recado.
Klaus se aproximou lentamente, parando a poucos centímetros de Luís.
— Você encostou nela.
Luís tentou levantar.
— Sai da minha frente, playboy, isso não é assunto teu—
Num movimento rápido, um dos seguranças empurrou Luís de volta pra cadeira. Não foi violento. Foi definitivo.
Klaus se inclinou, ficando na altura dos olhos dele.
— Você entrou no local de trabalho dela. — Ameaçou. — Agrediu. — E ainda teve a audácia de dar prazo.
A voz dele era baixa. Sem grito. Sem descontrole.
— Isso aqui — Klaus tocou de leve no peito de Luís, só o suficiente pra ele sentir — é o corretivo que você precisava ter levado há muito tempo.
Luís engoliu seco.
— Você não sabe com quem tá mexendo…
Klaus sorriu de canto. Frio.
— Sei exatamente.
Ele se afastou um passo e falou, claro o suficiente pra Luís ouvir, mas baixo o bastante pra não virar espetáculo:
— A partir de hoje, você não chega a menos de cem metros dela. — Não liga. — Não manda recado. — Não pergunta. — Não respira no mesmo espaço.
Fez uma pausa.
— Se você quebrar isso, não vai ser eu vindo conversar. Vai ser a polícia, a justiça… e coisas que você definitivamente não vai conseguir resolver com grito ou ameaça.
Luís tentou responder, mas a voz falhou.
Klaus se virou pra sair, mas parou antes da porta.
— Ah… — disse, sem olhar pra trás. — Aquilo que você chamou de “coragem”? Foi o seu erro final.
Ele saiu.
Os seguranças abriram caminho.
Luís ficou ali, sentado, tremendo.
Não tinha levado um soco. Não tinha sangue. Não tinha cena.
Mas tinha entendido.
E doía muito mais assim.
Quando chegaram à casinha dela, Klaus entrou primeiro, conferindo cada detalhe, garantindo que tudo estava seguro. As luzes do corredor acesas, janelas trancadas, portas todas checadas. Só então fez sinal para Helena entrar.
— Vai ficar tudo bem, tá? — disse, firme, mas com aquela suavidade que só ele sabia ter.
Ela suspirou, apoiando-se na porta por um instante, antes de virar-se para ele:
— Desculpa te envolver nisso, Klaus… Meu irmão tá viajando com a mulher dele, eu não quero atrapalhar a vida dele.
Ele se aproximou, segurando o rosto dela com cuidado, olhando nos olhos dela:
— Eii eu tô aqui por você, tá? Sempre.
Ela sentiu uma onda de alívio atravessá-la, e não conseguiu evitar apoiar a cabeça no ombro dele. Ele envolveu-a com cuidado, como se protegê-la fosse instintivo, e elas ficaram assim por alguns instantes, apenas sentindo a presença um do outro. As mãos se encontraram e se apertaram, e era o tipo de toque que falava mais do que qualquer palavra.
Quando a noite chegou, Klaus não queria se afastar. Ficou ali, no quarto dela, cuidando para que ela dormisse segura. Ela deitou com a cabeça no peito dele, sentindo o ritmo calmo de seu coração. Ele a abraçou, cobrindo-a de braços e proteção. Nenhuma palavra foi necessária, apenas o calor e a certeza de que ali, juntos, estavam seguros.
E naquela noite, por entre o silêncio e a respiração tranquila, Helena sentiu pela primeira vez em muito tempo que podia relaxar de verdade. Klaus não era só proteção — ele era refúgio.