Eu sou mulher

1367 Palavras

Isabel Oliveira A realidade era uma lâmina cega, não cortava de vez, mas esfolava a alma até não sobrar nada. Eu subi o morro na terça-feira sentindo o peso daquele anel. Ele queimava no meu dedo, uma marca de propriedade que eu não queria mais carregar, e a culpa nem era do Grego. Era minha. Eu me sentia a pior das mulheres, carregando o toque do delegado por baixo da roupa e o ouro do traficante na mão. Cheguei na casa dele e o cenário era a ressaca do inferno. Garrafas vazias, caixas de pizza gordurentas e calcinha rasgada jogada no canto. O morro estava entregue ao cansaço da madrugada; vi os soldados dele dormindo pelos sofás da sala, abraçados aos fuzis como se fossem travesseiros. Entrei no quarto sem pedir licença. Lá estava ele. Grego dormia o sono dos justos, do lado loirinh

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