Para ser sincera

1443 Palavras

Isabel Oliveira A verdade é que eu não tinha mais medo daquela pistola, nem da morte. O toque duro e frio do metal no meu ombro não era nada perto da guerra que estancava o meu peito, um combate entre o que eu sempre fui e a mulher que eu estava me tornando. Saí pela porta sem olhar para trás, deixando o Grego parado com a arma na mão. Não tive medo de um tiro pelas costas, nem de que ele inventasse qualquer mentira para o Marcos. Eu estava anestesiada. Passei pela esquina e ignorei as risadinhas abafadas. A loirinha já estava lá, cercada pelas amigas, celebrando o território conquistado. Para elas, era apenas mais um par de chifres enfeitando a cabeça de uma "fiel" em decadência. Desci o morro a pé, de nariz baixo, ouvindo a saudação dos moleques que vigiavam as vielas: "Olha a fiel aí!

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