Diogo Vitório Acredito que, na carreira policial, não exista sentimento mais visceral do que o de derrubar o inimigo. Já derrubei e enterrei muitos. Após horas de trocas de tiros cerrados, o silêncio que sucede o combate nunca me trouxe compaixão pelo falecido, o soldado do crime, do tráfico. Às vezes, sentia um incômodo pelo choro da mãe, da viúva ou dos filhos, mas nesse mundo de guerra entre a Lei e o Crime, aprendi cedo a lição, se não fosse a mãe, a mulher ou os filhos dele chorando, seriam os meus. Não que o choro da Cássia fosse me abalar caso a morte me alcançasse, mas a lógica era essa. Sobrevivência. Naquela noite, porém, a satisfação foi diferente. Ver o baile que deveria varar a madrugada ser silenciado antes da meia-noite foi um êxtase. Eles bateram em retirada mesmo com

