4 - Despedaçado

1167 Palavras
Sebastian — Sebastian, precisamos conversar. Sobre a minha vinda para essa casa. Sobre nós. — A voz de Camilla tremeu, mas havia uma firmeza que eu nunca esperei ouvir. — Agora você tem algo a me dizer? — minha voz saiu entre dentes, enquanto eu tentava manter a calma. Mas a sensação de ser enganado crescia dentro de mim, dilacerando o pouco de controle que me restava. Camilla nunca me amou. Ela sempre foi egoísta, manipuladora e, sem dúvida, uma excelente atriz. Eu fui um alvo fácil demais para ela. A única coisa que eu achava que tinha sob controle eram os negócios, e até isso ela tirou de mim. Me destruiu. — Sebastian, fica calmo... — Ela deu um passo para trás, assustada. Eu sabia que meu semblante refletia a fúria que sentia. Raiva e dor se misturavam, preenchendo o vazio deixado pela traição. Eu inventei tantas desculpas na minha cabeça para justificar a fuga de Camilla, me convenci de que a culpa era minha. Minha vida era complicada, meu trabalho sujo. Ela se envolveu demais nos negócios, e eu me agarrei à ideia de que esse era o motivo de ela ter me deixado. Nunca pensei que ela seria capaz de nos trair, entregar nossos amigos, nossa famiglia. — Eu era a sua famiglia — murmurei, as palavras saindo como uma faca cortante. Dei a volta por trás dela, trancando a porta da sala enquanto Camilla se virava, finalmente percebendo a gravidade da situação. — O que você está fazendo? Por que está trancando a porta? — o pânico tomava conta do rosto dela. — Eu já sei de tudo, sua CACHORRA EGOÍSTA! — gritei, sacando a arma e apontando para sua cabeça. — Sebastian... por favor, me perdoa, pelo amor de Deus. Não me mata! Eu te imploro! Abaixa essa arma, Sebastian... — Ela desabou em lágrimas, algo que eu tinha visto tantas vezes desde que voltou, e eu sempre me senti culpado. Mas agora, tudo se tornava claro. Ela havia forjado a própria morte para escapar de mim, desprezando todo o amor e dedicação que eu lhe ofereci. — Te matar? Isso seria fácil demais pra você. Não precisa fingir arrependimento, eu te darei motivos reais para chorar. Arranquei o cinto da minha calça com um movimento rápido. Os olhos dela se arregalaram e, em puro desespero, Camilla correu para a porta, batendo e chamando pelos empregados. — Ninguém vai te ouvir, querida. Dispensei todo mundo. Assim como ninguém ouviu seus gritos enquanto eu te fodi lá em cima. — falei friamente. — Sebastian, não faz isso! Vamos conversar, por favor. Não me trata assim depois de tudo... o que aconteceu entre nós foi real. Eu sei que foi real para você também! Você estava lá... — Tenho muitas formas de te torturar, meu amor. Você se esqueceu? — Amarrei o cinto em volta de seu pescoço, apertando até que ela não conseguisse mais respirar. — Agora, você só respira quando eu quiser! Ela se debateu, seus olhos se enchendo de pânico e desespero. Quando a soltei, ela caiu no chão, ofegante, massageando o pescoço enquanto tentava desesperadamente puxar o ar de volta para os pulmões. — Foi assim que me senti quando te vi caída no chão, baleada. Como você pôde fazer aquilo? Não ficou sequer uma cicatriz, mas eu vi o sangue, p***a. A polícia chegou tão rápido naquele dia, tanta gente morreu. Me conta, eles também estão vivos como você? Porque se for o caso, vou exigir de volta o dinheiro que mandei para cada família. Eles são seus cúmplices? Responde! Camilla chorava copiosamente aos meus pés, e eu sentia uma estranha satisfação. Era como se, finalmente, estivesse no controle. Ela era incapaz de amor, então eu a faria sentir algo impossível de fingir: medo, dor. Não há como fugir do desespero de perder o ar. — RESPONDE! — gritei, a voz carregada de raiva. — Eu não sei de nada... nada. Não entendo por que está fazendo isso comigo. Sebastian, você tem que acreditar em mim. Eu não fiz nada... — Camilla soluçava, mas eu estava cansado de suas mentiras. Peguei-a pelos cabelos, forçando-a a ficar de pé, e apertei o cinto ao redor de seu pescoço novamente, ainda mais forte. Seus olhos imploravam por misericórdia, mas eu queria que ela sentisse cada segundo. Quando finalmente a soltei, ela caiu no chão, tossindo e xingando. — Maledito, filho da p**a! — ela gritou, com raiva e desespero. — Quero que me conte tudo o que disse à polícia. Cada detalhe. Ou brincaremos disso a noite toda. Eu posso fazer isso a noite inteira, querida — murmurei, enquanto a estrangulava mais uma vez, prolongando a sensação de sufocamento. Quando a soltei, ela desabou, desmaiada no chão. Eu verifiquei seu pulso, aliviado ao sentir que ainda estava viva. Um instante de medo passou por mim, mas eu o reprimi rapidamente. — DROGA! — resmunguei, irritado. Corri até a cozinha, procurando algo que pudesse acordá-la. Peguei um vidro de álcool e voltei, mas ao ouvir a porta bater, percebi que ela estava tentando fugir. Joguei o vidro de lado e corri para o portão principal. Camilla estava lá, descalça e apenas com o roupão. — Se sair daqui, será morta pelos meus homens ou pelos nossos inimigos. Há um preço pela sua cabeça. Muitas pessoas morreram por sua causa. — E se eu ficar, você me mata! Prefiro morrer pelas mãos de alguém que eu não amei. — Sua voz era cortante, carregada de dor. — Amei... — respondi, com um sorriso amargo. — Apesar de ser uma gata, não acho que sobreviva a um tiro à queima-roupa. Se entregue, Camilla, e eu te deixo viver. Só preciso de algumas respostas. — Você está fazendo as perguntas erradas. Eu não posso te ajudar, Sebastian. Sinto muito. — Com essas palavras, ela correu, desaparecendo na escuridão. Eu fiquei ali, impotente, incapaz de puxar o gatilho. Voltei para o escritório e peguei uma garrafa de whisky, minha única companhia agora. A notícia sobre o envolvimento de Camilla com a polícia havia se espalhado rápido demais. Toda a Itália estava atrás dela, e alguém precisaria fazer o que eu não conseguia. Abraçando a garrafa, desabafei em silêncio. — Só nós dois esta noite, e em todas as outras que virão... Não sei quanto tempo passou, mas a claridade do amanhecer me tirou do torpor. Subi para o quarto, ainda bagunçado do que tinha acontecido horas antes. Ao tentar arrumar minimamente a cama, algo chamou minha atenção. Sangue. Um vermelho vivo manchando os lençóis. Minha mente girou, lutando para entender. Camilla havia retirado o útero anos atrás, eu mesmo a acompanhei. Pelo sangue fresco, só podia ser de uma virgem. Flashes de nossas últimas noites juntos me invadiram. A mudança de comportamento dela, a vergonha, os gritos... Não era Camilla. Peguei o telefone rapidamente. — Marco, cancele todos os compromissos de hoje. Reúna os homens. Camilla fugiu de casa. Tragam-na de volta, e não ousem machucá-la.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR