Capítulo 07 - Planos (Parte 02)

1279 Palavras
Recuperando-se de seus devaneios estúpidos, ele abriu um sorriso carinhoso, enquanto terminava de contar sua ideia. - Bem, isso também. Mas, quanto mais você conseguir se controlar em torno do cheiro de sangue humano, mas fácil ficará para você estar em torno deles. E, em breve, quando seus olhos ficarem dourados, você poderá também andar normalmente entre eles. – ele sorriu, lembrando-se como ela ficara fascinada quando ele lhe falara pela primeira vez sobre como o sangue animal influía na cor de suas íris – Então, eu pensei que talvez você quisesse, quando tudo isso for possível e você tiver um autocontrole bastante avançado... – ele explicou detalhadamente, tentando fazê-la entender que aquilo poderia demorar um bom tempo – Nós poderíamos visitar os seus pais. Não diretamente, claro. – ele se apressou em dizer – Mas poderíamos vê-los de longe, ou até mesmo você poderia entrar em suas casas quando eles estivessem dormindo... Seu raciocínio foi completamente interrompido quando ela literalmente se atirou sobre ele, levando-os para o chão com sua força descomunal, que havia diminuído apenas um pouco ao longo dos meses. Contudo, o que realmente o deixou sem reação, quase como se sua mente houvesse abandonado seu corpo, foram os beijos macios que ela deixou por todo o rosto dele, um deles perigosamente próximo a sua boca, que quase o fez ronronar. - Oh, Edward, eu adoraria... – ela disse, mais alegre do que ele já a havia visto, enquanto abraçava seu pescoço ainda mais apertado – Eu sei que isso pode demorar, mas... Se eu apenas pudesse vê-los mais uma vez... Me despedir de verdade... – ela fungou, emocionada – Significaria o mundo para mim. - Então nós vamos fazer acontecer. – ele lhe garantiu, sabendo que era uma promessa que moveria céus e terra para cumprir – Pode confiar em mim. - Eu sei que posso. – ela sorriu carinhosa e timidamente para ele – Edward... Obrigado. – ela encostou a testa na dele, com os olhos brilhantes e a boca a meros centímetros da dele – Por tudo o que tem feito por mim e pelos meus pais... Eu nunca vou poder te recompensar por tudo isso. - Ver você feliz é minha recompensa. – ele a assegurou, sorrindo sinceramente, a mente aérea fazendo-o esquecer-se de que talvez aquelas palavras intensas não fossem exatamente as que um cavalheiro que mantinha uma distância respeitosa de uma dama escolheria; ainda assim, ele completou, sem quaisquer receios naquele momento – Eu faria qualquer coisa por você, Isabella Swan. E seus temores sobre aqueles momentos em que ele se deixava levar longe demais se provaram corretos, pois, de repente, ele se viu colocando os lábios sobre os de Bella, selando-os em um beijo que já não sabia mais quantas vezes havia sonhado sobre. Sua boca era ainda mais macia do que ele fantasiara e também se sentia quase quente enquanto se movia suavemente sobre a dele, delicada como a carícia das asas de uma borboleta, envolvendo-o por completo na emoção mais extraordinária e intoxicante que já experimentara. Especialmente quando as mãos dela desceram por suas costas, abraçando-se a ele e os deixando ainda mais próximos, enviando um arrepio de prazer por sua espinha. E, mesmo sabendo que aquele certamente não era o comportamento de alguém que estava tentando não ser egoísta, ele não conseguiu se sentir culpado quando colocou a mão no pescoço dela e aprofundou o beijo, sentindo a língua dela timidamente começar a acariciar a dele, quando invadiu ainda mais sua boca, quase como se estivesse convidando-o a provar de seu gosto... Espero que haja algum urso por aqui hoje. Aquelas raposinhas da neve não são nem um pouco saborosas... E também são tão fofas... Mesmo que Kate ache engraçado, odeio matar coisas que poderiam muito bem se passar por bichos de pelúcia... A aparição repentina daqueles pensamentos o fez enrijecer em meio ao beijo, mais pela surpresa do que qualquer outra coisa, quando se deu conta de que não eram pensamentos humanos. Porém, Bella pareceu não interpretar bem sua hesitação e se afastou um pouco, parecendo envergonhada. - E-eu... Eu fiz algo errado? – a voz dela tremulou. - O quê? – ele arfou, chocado – É claro que não, Bella. Eu apenas fiquei surpreso porque... – ele olhou ao redor, captando melhor a mente que se aproximava cada vez mais, ainda alheia à presença deles, mas não por muito tempo – Há outro vampiro por perto. - Outro vampiro? – ela repetiu, absolutamente surpresa. – Ele vai falar conosco? Ele percebeu que ela parecia igualmente temerosa e curiosa. E era até compreensível que estivesse assim. Afinal, o único outro m****o de sua espécie que ela conhecia era ele. Os pensamentos da vampira que se aproximava não davam indícios de qualquer tipo de tendência violenta. Na verdade, vampiros geralmente se enfrentavam apenas por motivos sérios, como disputas por território de caça ou ataques diretos. Encontros esporádicos como aqueles tendiam a ser perfeitamente pacíficos, então não havia porque ficar tão paranoico sobre a segurança de Bella. Com sua força de recém-nascida, ela poderia se defender tão bem quanto ele e sua vantagem telepática. Ainda assim, havia dentro dele um forte instinto de proteção sobre ela que nem mesmo o próprio Edward sabia explicar – provavelmente advindo do fato de ele a considerar sua parceira, mesmo que o sentimento não fosse mútuo. Contudo, provavelmente seria bom para Bella conhecer alguém novo, especialmente do mesmo gênero que ela. Ele mesmo se lembrava de estar curioso sobre os outros de sua espécie quando Carlisle o transformou, especialmente em uma época em que a leitura de mentes ainda era algo extremamente novo também. Na verdade, qualquer coisa nova era extremamente fascinante para um recém-nascido. Por isso, ele apenas respondeu a Bella, tranquilizando-a. - É uma vampira, na verdade. – ele ergueu a cabeça, concentrando-se em calcular a que distância exatamente ela estava, ainda perdida em pensamentos sobre achar um urso – Logo ela vai sentir nosso cheiro, com certeza. Como eu disse, não existem muitos de nós, então na maioria das vezes costumamos nos cumprimentar quando eventualmente nos encontramos. Mas ainda não sei se ela vai vir até nós ou ir embora... – ele ponderou, ainda analisando seus pensamentos – Ela está muito focada em... Achar um urso? – ele perguntou para si mesmo, confuso – Ela está...? - Caçando? – Bella perguntou, tão surpresa quanto ele se sentia, ao mesmo tempo em que a vampira finalmente sentiu o cheio dos dois e ouviu o murmúrio da voz de Bella ao longe. Em sua mente, Edward viu a chama da curiosidade acender, além da inevitável desconfiança que vinha de encontrar um cheiro novo em seu território. Querendo averiguar qual o perfil deles, a vampira correu em sua direção, não se importando em ser discreta enquanto fazia isso. Em seus pensamentos frenéticos, ele viu duas figuras loiras e esguias, chamadas Kate e Irina, pelo que ele pode escutar rapidamente. Aparentemente, eram... Suas irmãs? Aquela era uma denominação atípica para membros de um clã. Nunca em sua vida ele ouvira outro vampiro usar termos tão familiares para se referir a seus iguais, além de Carlisle. E aquilo apenas o fez ficar tão curioso quanto Bella parecia estar. Envolvendo o ombro dela com o braço e trazendo-a para perto, não conseguindo evitar o impulso de estar perto dela enquanto um estranho estava por perto, ele e Bella se viraram na direção dos passos inumanamente rápidos e esperaram silenciosamente que ela se revelasse para eles, embora fosse óbvio que Bella tinha algumas perguntas na ponta da língua sobre o porquê a vampira estava caçando animais como eles. E, sendo muito sincero, ele também tinha.
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