Capítulo 08 - Denali

4828 Palavras
Finalmente, uma figura alta e esguia surgiu de entre as árvores, observando-os com cautela e interesse. A mulher tinha os cabelos loiros avermelhados e, o que mais o surpreendeu, também os olhos dourados, revelando sua dieta. É claro, também era excepcionalmente bonita, até um pouco a mais do que era comum para imortais como ele, mas aquilo foi um detalhe que praticamente lhe passou despercebido, especialmente porque a primeira que ela percebeu foi Bella, o que o deixou irracionalmente tenso, como sempre. Oh, bem, ela não parece nem um pouco ameaçadora. Provavelmente só estava procurando a cidade mais próxima para caçar. Faz tempo que não temos forasteiros por aqui. Ela parece agradável. Talvez eu devesse convidar ela e o outro para... Seus pensamentos ficaram subitamente diferentes quando ela desviou os olhos para encará-lo. Oh, uau! A exclamação mental dela o fez lutar contra um revirar de olhos. A reação das fêmeas, tanto as humanas quanto as imortais, não era novidade para ele. Contudo, nunca se tornara menos enfadonho. Por mais que ele tivesse tido oportunidades ao longo dos anos, até Bella aparecer, a possibilidade de ter um relacionamento amoroso era algo tão irrelevante que nem sequer passara por sua cabeça. Talvez porque ele nunca havia encontrado uma beleza e uma personalidade que o tocassem como a mulher ao seu lado o fizera. Talvez porque, mesmo quando sua vida não era nada além de escuridão, uma parte dele sempre soubesse que ela viria para iluminá-lo. E ele a esperara pacientemente, sem nem ao menos querer olhar para nenhuma outra. Ele ainda estava perdido em seus pensamentos quando se deu conta de que a vampira ainda o observava, desejosa. Ele é facilmente o homem mais bonito que já vi. Droga, espero que eles não sejam um casal. É claro, ele está com o braço nos ombros dela, mas a esperança é a última que morre certo? Quer dizer, olhe esse rosto... E esse corpo! Nossa! Humanos podem ser quentes, mas aposto que nada poderia competir com uma noite com ele... As imagens que se seguiram nos pensamentos dela o fizeram ter que conter um careta de constrangimento. Aquela era, sem dúvida, umas das piores partes da leitura de mentes – ter acesso àquele tipo de pensamento íntimo, especialmente quando ela estava substituindo alguns de seus parceiros por ele, transformando as lembranças em fantasias. Também não lhe passou despercebido que vários dos homens em seus pensamentos eram humanos, mas não havia como se concentrar muito naquilo sem se aprofundar muito nas cenas por completo. Querendo se distrair da pornografia preenchendo a mente dela, ele desviou os olhos em direção à Bella, ficando um pouco chocado ao perceber que sua própria imaginação, um pouco mais influenciável do que ele jamais julgara ser, estava autonomamente trocando o rosto da mulher à sua frente pelo de Bella, enquanto imagens dele, estendido em uma cama das mais diversas formas, chegavam em sua mente. Igualmente e******o e envergonhado, ele se concentrou em tentar entender porque Bella parecia tão aborrecida com a vampira recém-chegada, apesar de aparentemente estar tentando disfarçar isso. - Meu nome é Edward. – ele finalmente se apresentou, quando já não aguentava mais ouvir as lembranças e fantasias sexuais dela – E essa é Bella. – sua voz tornou-se doce quando ele se virou para apresenta-la, o que não passou despercebido à recém-chegada. Droga. Mas, de novo, a esperança é a última que morre. - Eu sou Tanya. – ela sorriu brilhantemente, embora seus olhos tenham se demorado um segundo a mais nele do que o necessário – Tanya Denali. É uma prazer conhecê-los. Vocês estavam procurando uma cidade? - Na verdade não... – ele respondeu cautelosamente – Nós... Não caçamos humanos. - Também são vegetarianos? – Tanya arfou, pasma. - Somos o quê? – ele perguntou, completamente confuso, enquanto Bella riu suavemente ao seu lado, aparentemente de sua expressão. - É uma boa forma de colocar. – Bella sorriu para sua expressão ainda duvidosa. - Eu e minha família também caçamos animais! – a voz de Tanya parecia bastante amistosa, mas ele pôde ver em sua mente como ela estava ansiosa para que ele centrasse sua atenção nela novamente – Gostariam de conhecer nossa casa? O uso da palavra família o surpreendeu ainda mais. Ele nunca ouvira ninguém, além de Carlisle, nomear um clã daquela maneira tão carinhosa antes. Seria possível que ele tinha conseguido disseminar suas ideias para outros grupos? Sem dúvida ele ficaria tão feliz em descobrir que havia outros que compartilhavam de suas ideias. Com a saudade ameaçando domina-lo, ele tentou se concentrar apenas no momento presente, olhando para Bella, cuja expressão era de preocupação enquanto o observava, para saber se ela gostaria de conhecer a família de Tanya ou não. Enquanto se encaravam silenciosamente, ele pode reconhecer no olhar dela o suave temor e a profunda curiosidade em conhecer outros vampiros parecidos com eles. E, sendo sincero, Edward também queria saber mais sobre um clã – ou melhor, uma família – tão atípico. Ainda sem quaisquer palavras, Bella inclinou a cabeça para o lado, claramente querendo saber se ele também queria ir. Com um pequeno sorriso, ele concordou com a cabeça afirmativamente, antes de Bella virar-se para Tanya e concordar. - Nós adoraríamos. – ela deu um sorriso gentil, apesar de Edward ainda poder reconhecer a tensão por trás de sua postura amistosa, o que o deixou preocupado. Será que ela não queria ir? Não, era aparente que queria. Ele conseguia lê-la e entende-la bem o suficiente para ter quase certeza absoluta disso – e uma parte dele estava em êxtase por eles terem esse tipo de conhecimento um sobre o outro. Mas, então, o que havia de errado? Será que fora o beijo? Droga, ele realmente não devia ter feito aquilo. Era óbvio que ela não queria nada com ele e agora devia estar confusa sobre suas intenções. Ele precisava se explicar para ela. Pedir imensas desculpas... O que ele faria se aquilo se tornasse o estopim para ela deixa-lo? - Excelente! – Tanya aplaudiu, deliciada, alheia à tensão entre os dois, novamente correndo o olhar por Edward sem qualquer pudor – Eu e minha família somos em cinco. Minhas irmãs vão amar conhecer vocês. Não temos muitas visitas, como podem imaginar. Espero que possam ficar por um bom tempo... – ela ronronou, nem sequer se dando ao trabalho de disfarçar as segundas intenções em suas palavras. Vendo que Bella encarava o chão, parecendo consternada, ele sentiu o medo de perde-la dominá-lo cada vez mais. Engolindo em seco, esforçando-se para controlar seu desespero até que eles pudessem conversar apropriadamente, ele deu um rápido e forçado meio-sorriso para Tanya, que imediatamente ficou em êxtase, parecendo ainda mais satisfeita ao notar o estranho clima entre ele e Bella. Em sua mente, ele podia ver que ela estava começando a conjecturar que eles realmente não eram parceiros: para ela, diante de seus avanços, Bella já deveria ter feito algo para deixar clara sua reinvindicação, mas até agora ela não fizera nada além de ficar claramente desconfortável. Pobrezinha. É claro que ela gosta dele, mas com certeza ele não a vê da mesma forma. Ele quase teve v****************a risada irônica diante dos pensamentos dela. Sua percepção era muito simplória, limitada demais para perceber a perfeição absoluta da mulher ao lado dele. Talvez, quando ela conhecesse Bella bem o suficiente, finalmente se daria conta de que a situação era exatamente o inverso. Espero que ela não fique com muita raiva quando eu conquistá-lo. Espere, talvez ela só esteja fazendo jogo duro... Sim, ela parece do tipo quieta. Provavelmente iria espera-lo me dispensar, antes de fazer alguma coisa. Droga, melhor verificar antes de fazer qualquer coisa. - Minha família vai adorar conhecer vocês! – Tanya retomou o assunto, apontando na direção em que eles deveriam seguir, antes que eles iniciassem uma corrida – Então... Parceiros em um passeio romântico? – não era difícil perceber que discrição não era o forte de Tanya, especialmente quando ela falou aquilo olhando diretamente para Bella, mesmo enquanto eles corriam. - Parceiros? – Bella foi a primeira a falar, claramente estranhando a palavra, fazendo-o engolir em seco. Ele deveria ter falado com ela sobre aquela parte do mundo vampírico antes, mas nenhum momento nunca se mostrara verdadeiramente apropriado. - É, você sabe? Parceiros, companheiros... – Tanya explicou, claramente surpresa pela confusão de Bella – Como... Namorados? Marido e mulher? – a vampira se esforçou para colocar em palavras mais mundanas, já adivinhando que Bella deveria se tratar de uma recém-nascida, se não sabia algo tão simples. - Oh, desculpe. – Bella parecia mais envergonhada do que nunca, rapidamente fitando o chão, mas não antes de lançar um olhar quase magoado para Edward, que ele imaginou vir do fato de nunca ter falado com ela sobre aquilo – Eu... Sou meia nova nisso. - Não se preocupe com isso. – Tanya deu um sorriso genuinamente simpático – Você tem a eternidade inteira para aprender. Mas, e então? Não responderam minha pergunta. - Nós... – Bella o olhou rapidamente e eles ficaram se encarando por alguns segundos, ambos em expectativa para que alguém falasse algo; por fim, depois de vários instantes de silêncio mútuo, Bella desviou o olhar tristemente e respondeu, com voz quase inaudível - Não, não somos. Por mais que fosse bastante óbvio que aquela seria a resposta dela, o coração e******o e morto dele ainda teve a capacidade de se partir. Mas, o que ele esperava? Ele forçara aquele beijo nela. Ele deliberadamente escolheu mantê-la a parte de como funcionavam as relações românticas entre os vampiros. Ele era nada mais do que um ser hediondo e maculado pela escuridão, enquanto ela era... Bella. Em que universo a resposta dela poderia ser diferente? Ao contrário de seu estado de espírito, Tanya estava exultante, com a mente fervilhando com milhares de planos sobre como conquista-lo. Pobrezinha... É claro que está desolada. Espero que ela supere essa paixonite logo. Mas, nossa, isso é excelente... Espere! Porque ele está fazendo essa cara de decepção? Ele quer ser parceiro dela? Mas, como pode ainda não ter acontecido nada, se eles estavam viajando juntos? Não faz sentido... Bem, agora a escolha é unicamente dele. Eu estou mais do que disposta... Depois disso, Edward conteve um suspiro, enquanto se esforçava para se concentrar na neve se espalhando ao redor conforme eles a atravessavam em alta velocidade, ao invés das fantasias bastante gráficas na mente de Tanya. Sua vontade era de acabar com as esperanças dela ali mesmo, mas parecia um pouco grosseiro, especialmente quando Bella estava com eles, revelar que podia ouvir todos os seus pensamentos e que jamais compactuaria com nenhum deles. Contudo, o que realmente o consternou foi a maneira como ela interpretou a reação de Bella. Seria mesmo decepção? Mas pelo que exatamente? Certamente não seria por não ser a parceira dele, certo? Tanya devia estar sendo leviana, se deixando levar pela alegria de saber que ele era solteiro. Afinal, não havia como Bella sentir algo por ele, certo? Sua mente traidora o levou imediatamente de volta para o momento de seu beijo, a memória perfeita permitindo-o avaliar a cena quase como se estivesse vivendo-a novamente. De fato, ela o havia abraçado de volta... E os movimentos suaves de seus lábios pareciam uma retribuição, não uma tentativa de afastá-lo... Pensando bem, ela tinha força o suficiente para lança-lo do outro lado do Alaska, caso não quisesse que ele a beijasse... Ou será que ela apenas ficara surpresa demais para afastá-lo? Não, ou então não teria chegado tão perto... Haveria realmente a possibilidade de ela ter desfrutado do beijo tanto quanto ele? De estar sentindo algo minimamente próximo do que ele sentia? E, talvez, Tanya não fosse a única que estava levianamente se deixando levar por suas fantasias. ...Forasteiros... Não reconheço os cheiros. Por que Tanya os está trazendo para cá? Os pensamentos desconfiados de uma outra vampira, certamente uma das irmãs de Tanya, o tiraram rapidamente de seus devaneios tolos. Ele não podia tirar conclusões precipitadas e arriscar concluir erroneamente quais os sentimentos de Bella. Primeiro, certamente, ele precisava se desculpar por tê-la beijado. E, então, eles poderiam conversar sobre o que acontecera. E ele poderia descobrir o que Bella realmente sentia sobre ele. E se seu coração morto permaneceria inteiro ou não. Finalmente, eles avistaram uma linda mansão de madeira escura no alto de uma pequena colina em meio à neve. Na porta da frente, quatro figuras curiosas já estavam aguardando por sua chegada, olhando atentamente enquanto os três borrões velozes se aproximavam. Dois deles eram mulheres loiras e lindas, como Tanya, com formas tão idênticas às dela que certamente um olho humano as identificaria como irmãs de sangue. Já o casal ao lado delas tinha traços claramente hispânicos, com cabelos escuros e peles azeitonadas. Todos eles, porém, tinham olhos dourados e pensamentos curiosos sobre os recém-chegados. Oh, agora eu entendi. A voz mental da mulher que ele estivera escutando riu assim que eles pararam em frente a eles e ela pôde ver seu rosto. Edward lutou contra um revirar de olhos quando as duas irmãs de Tanya obviamente apreciaram sua aparência, mas imediatamente respeitaram a vantagem da irmã sobre ele, quase como se ele fosse um território já conquistado. Na mente delas, estava óbvio que Tanya o havia trazido ali com um único objetivo e era quase engraçado como elas julgavam que, apenas por sua irresistível irmã querê-lo, Edward já era quase que oficialmente seu mais novo amante. Como elas podiam pensar que ele se renderia diante de um único olhar de Tanya, quando Bella estava bem ali ao lado? Ele sabia muito bem o que era encanto de verdade e, bem... Nem sequer tentara resistir. - Essa é minha família. – Tanya disse animadamente, enquanto todos os encaravam, interessados e amistosos – Esses são Kate, Irina, Carmen e Eleazar. – ela apontou respectivamente para a mulher em cuja mente ele estivera concentrado, a outra mulher loira e o casal que obviamente eram parceiros, a julgar pela maneira como estavam de mãos dadas – Esses são Bella e Edward. – será que ela realmente achava sedutora a forma como sua voz se demorava no nome dele, como se ele estivesse sendo leiloado ou algo assim? – Eu os encontrei enquanto caçava. Adivinhem, eles são vegetarianos como nós! - Mesmo? – Irina foi a primeira a falar, parecendo positivamente surpresa – Isso é bastante raro. Sem dúvida é um prazer conhecer vocês dois. - Bem-vindos à Denali. – Carmen cumprimentou, mas Edward m*l se deu conta disso, pois foram outros os pensamentos que o deixaram imediatamente paralisado. Um casal tão incrivelmente talentoso. Incrivelmente raro e ao mesmo complementar... Um escudo e um leitor de mentes. Realmente espero que Aro jamais sequer ouça sobre a existência deles ou ele seria capaz de mover céus e terra para tê-los na guarda... Espere, porque ele está me olhando assim...? Oh, perdão. É claro que você está escutando. A mente de Eleazar permanecia bastante calma, apesar de seu claro fascínio por Bella e por ele. Aquele era seu dom, Edward percebeu, conforme algumas lembranças amargas do vampiro integrando a guarda dos Volturi começavam a piscar em sua mente: identificar os talentos alheios e mensurar sua intensidade. Contudo, não fora aquilo que o deixara chocado. Fora o que ele descobrira sobre Bella. Ela era um escudo? Como... Um escudo mental? Era por isso que ele nunca conseguira ouvir seus pensamentos? Como ele nunca sequer pensara sobre aquilo antes? - Hã... Tudo bem com vocês dois? – quem fez a pergunta foi Kate, obviamente desconfortável por Edward estar encarando Eleazar com tanta intensidade. Eu poderia contar a elas?, o vampiro lhe perguntou educadamente, Posso manter em segredo, se você quiser, é claro... Edward balançou a cabeça em negativa para ele, permitindo que revelasse o que quisesse, ainda se sentindo entorpecido pelo que descobrira sobre o dom de Bella. - Eu estava apenas um pouco surpreso com o quanto os dons deles são bastante poderosos. – Eleazar explicou para a família – Bella é um escuro mental e Edward é um leitor de mentes. - Escuro? Como assim? – Bella arfou, aparentemente tão chocada quanto Edward se sentia, contudo, Tanya se mostrou surpresa por outro motivo. - Leitor de mentes? – seu choque, contudo, rapidamente foi substituído por um tom provocativo; ela gostara da perspectiva de desfrutar de intimidades com ele apenas na mente um do outro, quase como uma espécie de fetiche. E ele teve lutar para não bufar de irritação enquanto se aproximava de Bella, colocando a mão em seu ombro, enquanto explicava. - Eleazar tem o poder de identificar os talentos de outros vampiros. E ele viu que o seu é um escudo. – sua voz deixava muito claro o quanto ele estava absolutamente maravilhado – Significa que você pode bloquear os dons de outros vampiros. Por isso nunca consegui ouvir seus pensamentos. Os olhos de Bella se arregalaram ainda mais, pasmos e admirados, e ela estava claramente surpresa por ter um dom, assim como ele. Mas Kate logo cortou o momento de encantamento entre os dois, quando perguntou em voz alta, mas ainda assim muito pensativa. - Bloquear outros dons...? Os pensamentos em sua mente passaram como um borrão para Edward: o quanto ela se orgulhava de seu dom, uma sensação de choque elétrico extremamente doloroso, infringido a qualquer um que ela tocava fisicamente... Sua dúvida se Bella seria realmente tão poderosa quanto Eleazar dissera, capaz inclusive de bloquear seu talento único... A visão que se formou em sua imaginação, dela encostando a palma delicadamente sobre o braço de Bella, eletrocutando-a levemente, vendo a dor tomar seu rosto, como o de todos os outros nos quais ela já usara seu dom... Antes mesmo de perceber o que estava fazendo, Edward avançou para Bella, escondendo-a em seu abraço enquanto um rugido furioso e ensurdecedor saia de sua garganta, quando ele virou o pescoço para encarar Kate ameaçadoramente. Naquele momento de pura cólera, ele estava pronto para pular sobre ela e destroça-la por ousar pensar em infringir dor à Bella... - Ei, calma aí, grandão... – ela o repreendeu com um rolar de olhos – Eu não ia fazer nada. Foi só um pensamento rápido. Não tenho culpa de você estar na minha cabeça. Ainda tenso pelo ódio que sentira ao ver como ela tinha, mesmo que apenas esporadicamente, planejado machucar sua parceira, ele permaneceu petrificado em sua posição, pronto para proteger Bella... Até que sentiu duas mãos macias em ambas suas bochechas, trazendo seu rosto para onde Bella o observava surpresa, mas felizmente não assustada. - Edward? – a voz baixa e doce dela, ao invés de tirá-lo de seus devaneios, na verdade o fez ficar ainda mais inebriado, completamente submerso na sensação de tê-la em seus braços, com os lábios tentadoramente perto dos dele, encaixando-se contra seu corpo como se os dois tivessem sido feitos apenas para se abraçarem... - O que você ia fazer, Kate? – Irina perguntou, claramente nem um pouco surpresa pela impulsividade da irmã. - Nada. – ela se defendeu rapidamente – Eu apenas pensei em... Testar um pouco meu poder nela, de leve, juro. Eu não ia fazer nada. Foi um pensamento bobo. - Oh, Kate. – Carmen a repreendeu levemente. - Eu não tenho culpa se ele ouviu o que não queria! – ela bufou – E, aliás, não era preciso tudo isso. Ele é um telepata muito temperamental... Repentinamente, aquela frase reavivou uma lembrança muito específica na mente de Kate. Pelas roupas de todos na memória, devia ter acontecido há talvez duas décadas atrás, mas o que realmente o chocou foi com quem Kate e os demais Denali estavam conversando, no meio de um cenário adornado com neve idêntico ao Alaska... Carlisle e Esme. Seus pais imortais estavam sentados juntos em um pequeno sofá, aconchegados um no outro, enquanto vozes desconhecidas para ele conversavam e brincavam atrás deles. Na lembrança de Kate, eles estavam contando alguns detalhes sobre seus primeiros anos de transformação, até que um assunto surgiu, inédito para todos os Denali: o primeiro filho de Carlisle e Esme, o jovem que Carlisle havia transformado antes mesmo de sua parceira. E que havia deixado a família há anos. - Ele era um dos rapazes mais extraordinários que já conheci. – Esme suspirou, com tanto pesar e saudades na voz que Edward sentiu seu coração apertar quase como se estivesse dentro da lembrança, vendo-a sofrer bem ao seu lado – Tão especial... Era um excelente pianista e um jovem muito sensível e atencioso com aqueles que amava. Sem contar o talento único que tinha... - Talento? – Eleazar perguntou, como sempre interessado pelo assunto – Que tipo de talento ele tinha? - Eu sei que vai parecer que estou brincando... – Carlisle deu exatamente o mesmo sorriso gentil e acolhedor do qual ele se lembrava; era bom ver que certas coisas não tinham mudado – Mas ele conseguia ler mentes... Literalmente. Quando sua mãe biológica ainda estava viva, convalescendo por conta da Gripe Espanhola, ela às vezes passava horas murmurando consigo mesma, sempre sobre ele e como Edward era um ótimo rapaz, capaz de compreender o que se passava na cabeça das pessoas antes mesmo que elas lhe dissessem. Acredito que a imortalidade evoluiu isso para algo ainda mais refinado: telepatia. - Fascinante... – Eleazar havia elogiado. - E onde ele está agora? – Carmen perguntou gentilmente. - Nossa dieta... Não se mostrou muito satisfatória para Edward. – Carlisle explicou, compassivo como sempre, moldando a história de maneira que ele não parecia a criatura hedionda e egoísta que realmente era – Ele ansiava por independência e por poder escolher seu próprio destino, então partiu. – a tristeza profunda na voz de seu pai foi como uma estaca em seu peito – E não tivemos mais notícias dele, então. Mas... – Carlisle ergueu os olhos esperançosos para todos na sala e, quando fitou Kate, na perspectiva de primeira pessoa da lembrança, Edward teve a nítida impressão de que ele estava falando diretamente com ele – Nós temos fé de que ele possa voltar para nós um dia... De que chegará o momento em que teremos nosso filho conosco novamente. A lembrança foi subitamente interrompida quando Kate se deu conta do que tudo aquilo significava e Edward ficou agradecido pela interrupção. A onda de emoções que o estava percorrendo era intensa demais para lhe permitir continuar lidando com aquela profunda saudade no olhar de seus pais, mesmo que se tratasse apenas de uma memória distante. - Você é Edward Cullen! – ela arfou, em choque – O filho que deixou Carlisle e Esme! - Kate! – Carmen reclamou em voz baixa, claramente condenando a maneira como a voz dele soava mais como uma acusação do que qualquer outra coisa. - Vocês conhecem o Dr. Cullen? – dessa vez foi Bella quem perguntou, absolutamente pasma, enquanto Edward ainda tentava se recuperar do que acabara de assistir. - Ele é um grande amigo nosso... – Tanya explicou – Nos conhecemos há décadas... Mas não lembro dele dizer que tinha perdido uma filha também... – Edward a viu esquadrinhar suas nítidas memórias dos encontros com os Cullen, – Carlisle, Esme e outros quatro vampiros completamente desconhecidos para ele – mas não encontrar qualquer menção à Bella. - Oh, não, eu o conheci quando era humana... – Bella esclareceu, desconcertada – Ele era o médico da minha cidade. - Mas isso é ótimo! – Carmen exclamou, extremamente contente – Carlisle e Esme vão ficar tão contentes em saber que você está aqui, Edward! Ainda mais com uma parce... - Não! – ele negou de maneira tão rápida e veemente que sobressaltou a todos, inclusive Bella, que continuava presa entre seus braços, aninhada contra seu peito; quase apavorado, ele passou os olhos ansiosos por cada um dos Denali, praticamente implorando – Eu... Eu não quero que eles saibam que estamos aqui... Por favor. – ele acrescentou com uma voz áspera e baixa, não em tom de ameaça, mas de compreensão. Os Denali se entreolharam por alguns minutos, aparentemente divididos entre aceitar o pedido de um completo estranho e a lealdade que tinham a um velho e querido amigo. Tenso, como se seu corpo fosse, mais do que nunca, feito de gelo, Edward os observou deliberar, sua mente freneticamente tentando planejar o que faria se eles decidissem avisar Carlisle e Esme. O Alaska não era tão distante de Washington, na antiga cidade de Bella, onde os Cullen haviam estabelecido residência. Sem dúvida seus pais iriam querer vir até ali vê-lo... Ou talvez não. E se finalmente tivesse caído sobre eles o verdadeiro peso do que ele os abandonara para fazer? O fato de que ele se tornara, não pela loucura dos primeiros anos de recém-nascido, mas por escolha própria, um assassino? Ele sabia que eles eram gentis demais para puni-lo por isso ou sequer repreendê-lo em voz alta. Mas, e se eles tivessem finalmente se dado conta de que ele não era merecedor de integrar a família deles? Que ele não passava de um monstro indigno? O que doeria mais? Ter plena consciência do ser abominável que ele era ou ouvir na mente de seus pais que eles finalmente haviam descoberto isso também? - Edward... – o sussurro gentil, seguido de uma carícia delicada em sua bochecha, o tirou daquela torrente perturbadora de pensamentos, trazendo-o de volta para o presente, onde Bella o fitava, profundamente preocupada; ao notar que tinha sua atenção, ela lhe deu um pequeno sorriso incentivador e passou os dedos entre seus cabelos, fazendo-o quase revirar os olhos diante da onda de puro prazer que o atingiu com o gesto simples – Vai ficar tudo bem. – ela garantiu em voz baixa, mas também confiante. E, incrivelmente, ele verdadeiramente se sentiu confortado, concentrando-se em aproveitar a maciez das mãos dela em seu rosto, enquanto tentava não escutar os sussurros deliberativos dos Denali, bem em frente a eles. Por fim, depois do que ele não soube definir se foram horas ou minutos, dividido entre a angústia do momento e os afagos de Bella, os Denali voltaram a se virar para eles, sendo Tanya a primeira a falar. - Está tudo bem, Edward. – o sorriso e a mente da vampira eram sinceramente compreensivos – Nunca escutamos nada de Carlisle que nos indicasse que você não é confiável. Seja lá quais suas razões para não querer voltar eles nesse momento, nós as respeitamos. – ela assentiu solenemente – E, por favor, gostaríamos que ficassem conosco. Bella poderia aprender um pouco mais sobre seu dom com a ajuda de Eleazar e... – ela lambeu os lábios de maneira nem um pouco discreta, enquanto encarava Edward – Adoraríamos ter a companhia de vocês. Sentindo-se quase desnudado diante do olhar dela, Edward conteve uma careta e se voltou para Bella, decidido a agir conforme o querer dela. Talvez os Denali ainda não tivessem se dado conta disso, mas ele sabia muito bem: aonde ela fosse, ele iria. Como alguns instantes atrás, ela parecia estranhamente incomodada com alguma coisa, mas ainda havia um brilho de expectativa em seus olhos quando ela se voltou para onde Eleazar, Kate e Carmen estavam. - Eu... Eu poderia realmente aprender a usar o meu dom? - Mas é claro. – Eleazar sorriu, enquanto sua companheira e Kate assentiam animadamente – Todos nós ficaríamos muito felizes em ajudá-la a desenvolver seu talento. E também ensinar-lhe um pouco mais sobre a dieta vegetariana... – ele riu ao som daquela palavra – Já que, pelo que entendi, você é uma recém-criada, correto? Mordendo o lábio, Bella assentiu, claramente interessada no que eles haviam oferecido. Ansiosamente, ela olhou de volta para Edward, claramente querendo saber qual era sua opinião. Com um sorriso carinhoso, ele desceu uma das mãos até envolver a dela, dando-lhe um aperto tranquilizador e dizendo, sem palavras, que ele a seguiria em suas escolhas. - Eu... Nós... – ela acrescentou rapidamente, movendo os olhos entre ele e o grupo de vampiros – Obrigado. Nós gostaríamos muito de... - Fantástico! – Tanya comemorou, interrompendo Bella e, em um átimo, estava ao lado dos dois, enroscando-se em um dos braços de Edward, enquanto o olhava sugestivamente – O prazer é todo nosso em receber vocês. Engolindo em seco, Edward tentou pensar que talvez não devesse estar tão incomodado com os avanços dela. Certamente, assim que ele fosse sincero com Tanya, ela o deixaria em paz. Sem contar que os Denali pareciam bastante agradáveis e certamente tinham muito mais experiência com a dieta de sangue animal e em viver vidas quase normais e humanas perto da sociedade para ensinar à Bella do que ele jamais teria. E, além disso, também poderiam ajudá-la a desenvolver aquele dom fantástico, e aparentemente também muito poderoso, que ela tinha. Então, porque, enquanto observava Bella olhar consternada e tristemente para as mãos de Tanya apertando seu bíceps, ele sentia como se uma tempestade estivesse prestes a se formar?
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