- Muito bem, Bella. Agora, se concentre.
Tomado pela expectativa, Edward observou atentamente enquanto Bella franzia o cenho com força, obviamente levando o conselho de Eleazar muito a sério enquanto olhava para Kate, esforçando-se para mover o que ela definia como um elástico dentro de sua mente, que ela podia mover na direção de outras pessoas, cercando-as com ele...
E, de repente, os pensamentos de Kate desapareceram, como se ela não estivesse mais ali diante deles.
- Você conseguiu de novo, Bella! – Edward elogiou suavemente, tentando não ser intenso demais e acabar desconcentrando-a, como já havia acontecido outras vezes.
- Fantástico, Bella! – Kate sorriu – Agora tente manter o elástico ao meu redor o máximo que conseguir. Nada de distrações. – ela disse aquilo enquanto lançava um olhar atravessado para Edward, que sorriu humildemente.
Desde que ele havia reagido exageradamente naquele primeiro dia em que se conheceram, após ler seus planos de testar seu dom em Bella, Kate havia desenvolvido uma óbvia predileção por ela, já que não havia muito interesse de sua parte em estreitar laços com, nas próprias palavras dela, um "telepata dramático". Por parte de Edward, ela poderia até mesmo passar a odiá-lo com todas as forças, desde que continuasse a colocar aquele sorriso no rosto de Bella sempre que a ajudava a desenvolver seu dom, como naquele momento.
Longos minutos se passaram e a mente de Kate permaneceu absolutamente quieta, até que Bella finalmente voltou a falar lentamente, ainda extremamente concentrada, conforme as mentes de todos da casa repentinamente se tornavam mudas.
- Funcionou? – ela perguntou, sem olhá-lo, e, ao sentir a pontada dolorosa em seu peito, ele tentou se convencer de que ela só estava fazendo aquilo para não arriscar perder o foco.
- Sim! Não consigo ouvir um único pensamento em toda a casa! – ele sorriu, orgulhoso, mesmo sabendo que ela não veria – Sua concentração está melhorando mais a cada dia.
- Ele tem razão, Bella. – Kate deu um grande sorriso, parecendo tão orgulhosa quanto ele se sentia, e colocou levemente a mão sobre a de Bella, parabenizando-a – Você tem avançado em uma velocidade incrível! É impressionante!
As duas se encararam com claro companheirismo, e o coração de Edward ficou um pouco mais leve ao ver como Bella parecia contente com seus avanços. Todavia, conforme elas continuavam encarando uma a outra, felizes, ele começou a estranhar o porquê de Kate estar apertando a mão de Bella com cada vez mais força...
Kate rapidamente tirou a mão quando o rosnado profundo dele encheu a sala.
- Você é tão exagerado... – ela grunhiu, enquanto revirava os olhos – Eu só estava me aproveitando de um pouco de privacidade mental para saber se expandir o dom não tornava Bella vulnerável à ataques diretos... – ela se explicou, amuada, o que de maneira nenhuma foi suficiente para tirar a expressão irritada do rosto de Edward.
- Acho que já treinamos o suficiente por hoje. – Eleazar riu, enquanto Bella deixava cair seu escudo e os pensamentos de todos se tornavam perfeitamente audíveis novamente – Excelente trabalho como sempre, Bella. Em pouco tempo seu alcance estará gigantesco.
- Espere... – Edward pediu, sua voz levemente suplicante surpreendendo até ele mesmo, conforme todos olhavam em sua direção, confusos – Nós... Não vamos fazer o outro treinamento hoje?
- Oh, isso... – Eleazar riu, aparentemente achando sua reação extremamente divertida – Você gostaria, Bella?
Repleto de expectativas, Edward a olhou, esperançoso, enquanto o rosto de Bella passava de duvidoso para envergonhado, diante da intensidade de seu olhar.
Desde que Eleazar teorizara pela primeira vez que, se Bella conseguia expandir seu escudo, talvez também conseguiria recolhe-lo, tornando-se afetável por outros dons, inclusive os de Edward, aquela possibilidade o consumia dia e noite. Com uma intensidade devastadora, ele queria ouvir os pensamentos dela. Conhecer aquela parte que permanecia escondida e guardando cada um de seus segredos. Era um desejo quase enlouquecedor...
Quase tão forte quanto o desejo que ele sentia por Bella.
Bem, a verdade era que nenhum desejo no mundo era mais forte do que o que ele tinha por Bella, mas a possível oportunidade de ouvir sua mente também era extremamente tentadora.
Por isso, seu coração se partiu um pouco mais quando o rosto de Bella, ao se dar conta do olhar intensamente esperançoso que ele lhe dirigia, se tornou triste e irritado. Diferente daqueles seis primeiros meses, em que ele achava adorável a maneira como suas bochechas inflavam quando ela fazia aquilo, agora ele só conseguia sofrer pela óbvia repulsa de Bella.
Desde que eles haviam aceitado permanecer com os Denali, formou-se uma espessa tensão entre ele e Bella, que parecia crescer a cada dia, conforme Bella se afastava dele cada vez mais, parecendo sempre triste e magoada, além de muito pensativa. Talvez por isso, mais do que nunca, ele quisesse saber o que se passava dentro da cabeça dela.
Mais do que tudo, ele queria finalmente entender o que havia de errado.
Ou, talvez, ele soubesse perfeitamente: ela estava se distanciando dele desde o beijo. O mesmo beijo que nunca parecia surgir momento oportuno o suficiente para falar sobre. Ou, sendo honesto, o beijo sobre o qual Bella obviamente não queria conversar, limitando-se a apenas olha-lo, irritada e magoada, e ir embora rapidamente, sempre que ele tentava mencionar o assunto.
E, se antes sua mente sonhadora ainda reunia algumas esperanças de que Bella pudesse se apaixonar por ele também, agora estava bastante aparente que não. Seu afastamento deixara isso bastante claro. Mesmo assim, ele estava definhando a cada dia, não apenas por conta daquela descoberta, mas também por estar perdendo a amizade e a companhia de Bella, que a cada dia parecia mais incomodada em estar perto dele. E, especialmente nos últimos dias, sempre que ele tentava se aproximar e perguntar o que havia de errado, ela se mostrava ainda mais fugidia e incomodada.
Será que finalmente estava se aproximando o momento em que ele a perderia?
Só de pensar nisso, ele se sentia mais ansioso e atormentado.
- Eu não sou seu ratinho de laboratório, Edward. – Bella disse de repente, pegando-o desprevenido – Eu não sou boa nisso e não quero ficar me sentindo pressionada simplesmente porque você quer satisfazer sua curiosidade de como é a minha mente. – sua voz baixa não soava acusatória, mas sim magoada, revelando como ela verdadeiramente acreditava naquilo.
Pasmo, quase horrorizado, Edward engasgou – O quê? É claro que não, Bella. Não é apenas por curiosidade...
- Então por que? – ela o olhou por cima dos cílios, a voz ainda baixa, mas claramente exasperada.
O que ele deveria responder a ela? Que ansiava por conhecer cada parte dela, assim como um humano ansiava por água depois de dias no deserto? Que ele queria, mais do que tudo, saber o que a estava deixando tão desolada e sombria, para poder ajuda-la? Que não suportava ver a mulher que amava daquela maneira e que talvez ler sua mente lhe desse alguma pista de como consertar as coisas? Como impedir que ela continuasse se afastando dele?
Ou ele deveria simplesmente sintetizar todos aqueles anseios e simplesmente confessar que ela era seu primeiro e único amor?
Oh, eu quase posso ouvi-lo sendo dramático dentro dessa cabeça oca..., Kate riu dentro de sua mente, Lá vamos nós...
Com um suspiro, ele conteve sua torrente de pensamentos e voltou a fitar os olhos de Bella profundamente, arrependido por tê-la feito se sentir daquela maneira.
- Sinto muito, Bella. É uma reação tola da minha parte, estar tão animado. – ele suspirou – Mas, por favor, saiba que minha intenção nunca foi simplesmente sanar a minha curiosidade, Bella, acredite em mim. Eu apenas... – ele se refreou de repente, se dando conta de que talvez estivesse sendo intenso demais – Queria muito conhecer essa parte sua também. – ele pigarreou, envergonhado – Desculpe ter feito você se sentir dessa maneira. Nunca mais vou insistir sobre isso.
Ele e Bella permaneceram alguns segundos apenas se olhando em silêncio. Um silêncio tão tenso e ansioso que ele teve a nítida impressão de que eles estavam ansiando por algo um do outro, sedentos, e era quase desesperador como ele não sabia definir o que era. É claro, ele sabia muito bem pelo que ansiava: seu amor. Mas, e Bella? Pelo que seria?
Ele é tão i****a. Os pensamentos de Kate o surpreenderam, Qual o problema em simplesmente dizer que está apaixonado por ela logo? Não vê que ela é insegura demais para perceber sozinha? Não seja e******o!
Aquilo o pegou absolutamente de surpresa e, ainda mergulhado no choque extremo, ele viu como aquela cena se parecia na mente de Kate, tão diferente de como era desoladora e agonizante para ele: nela, a vampira via dois jovens amantes, claramente apaixonados um pelo outro, mas covardes demais para se declarar. O que estava dando em seus nervos. Foi quando Edward se deu conta do porquê Bella havia estado tão próxima de Kate nos últimos dias e protegendo especialmente os pensamentos dela quando ele estava por perto: Kate havia se tornado sua confidente e Bella estava lhe contando coisas sobre as quais ele não sabia.
Por um segundo, ele teve vontade de rosnar novamente para Kate, para obriga-la a se recordar com exatidão quais conversas com Bella ela tivera e que a fizeram formar aquela opinião. Ela nem sequer estava tentando burlar seu dom: prática como era, até mesmo os pensamentos de Kate eram focados e concisos. Ela estava pensando na cena diante dela e os pensamentos que decorriam dela, nem ao menos se dando ao trabalho de lembrar dos pequenos pontos ininteligíveis em sua mente que justificavam suas opiniões.
Que justificavam porque ela achava que Bella estava apaixonada por ele e por isso estivera tão estranha naquele último mês.
Aquele era um pensamento surgido naturalmente de dentro da cabeça dela ou Bella havia dito alguma coisa? Porque ela simplesmente não parava de pensar em como ele era t**o e se concentrava em trazer-lhe alguma recordação de suas conversas com Bella, que pudesse fazê-lo entender o que estava acontecendo?
Seria mesmo possível que a visão de Kate da situação fosse verdade? Que Bella, apaixonada por ele, estivera mergulhada na incerteza naquele último mês – assim como ele também estivera - e estava cada vez mais com o humor mais sombrio por acreditar sinceramente que ele não sentia nada por ela? Para a vampira desdenhosa ao lado deles, tudo parecia nítido, mas, como ele poderia ter completa certeza?
E, principalmente, porque na mente de Kate havia aquele pequeno ponto decisivo, um que sua mente estava pensando muito superficialmente, sem se concentrar, mas que claramente era também um dos motivos para Bella estar se afastando tanto dele? O que era assim tão sério que poderia levar Bella a pensar – ou melhor, ter a certeza - de que ele nunca retribuiria seus sentimentos, segundo o que a mente de Kate lhe dizia?
No momento em que ele estava prestes a puxar o ar para perguntar aquilo à Kate antes que ficasse louco ou Bella bloqueasse sua mente do alcance dele novamente, uma voz melodiosa encheu a sala, muito contente.
- Vocês já acabaram? – tão chocado quanto estava pelo que vira na mente de Kate, ele m*l se dera conta de que Tanya estava indo em direção àquela sala, até que ela já estava ali, olhando-o direta e despudoradamente, como sempre fazia – Eu preciso muito falar com você, Edward.
Ao som de suas palavras sedutoras e cheias de segundas intenções, Bella, que até então estivera com o pescoço esticado em direção à ele, imediatamente se retesou, encolhendo-se na poltrona e descendo sobre Kate seu escudo, bloqueando toda e qualquer oportunidade que ele teria para descobrir o que queria. Por um milésimo de segundo, ele sinceramente considerou dar um rosnado de frustração, mas logo se recuperou. Ele ganharia muito mais finalmente se enchendo de coragem para perguntar sobre aquilo à Bella ou simplesmente encontrando um jeito de fazer Kate lhe contar sobre o que era tudo aquilo, mesmo que fosse óbvio que sua lealdade estava com Bella.
Mas ele daria um jeito. Céus, ele tinha que saber...
Automaticamente, assim que Bella se levantou em um átimo, ele se ergueu também, na mesma velocidade, espelhando seus movimentos. Ele a viu olhar em pânico entre ele, Tanya e Kate, claramente com medo de algo, que ele, infelizmente, ainda não sabia definir o que era e, novamente, no exato momento em que ele estava pronto para pedir que Bella o acompanhasse para algum lugar mais reservado, Tanya literalmente atirou-se sobre ele, aninhando-se em seu braço como gostava de fazer desde que eles se conheceram, algo extremamente incômodo e que, diferente do que ele imaginara, ela não havia parado de fazer mesmo depois das milhares de vezes em que ele pediu para que ela parasse.
- Eu... Vou indo. – Bella sussurrou inaudivelmente, antes de disparar porta afora, com Kate acompanhando-a de perto, inclusive com a mão reconfortantemente pousada em seu ombro, nem sequer dando a chance de Edward dizer algo, mesmo que ele tivesse erguido a mão, patética e silenciosamente pedindo que ela ficasse.
Mais uma vez terrivelmente frustrado, ele se surpreendeu ao se pegar com inveja da óbvia proximidade que Kate tinha com Bella. Havia quase um sentimento de ressentimento dentro dele, vindo do desejo de ser aquele que podia tocá-la com tanta tranquilidade, como costumava fazer antes que aquele beijo acontecesse...
Mas ele estava prestes a resolver aquilo, custasse o que custasse.
- Agora não, Tanya. – ele pediu ansiosamente, tentando libertar seu braço do aperto dela, para correr atrás de Bella o mais rápido possível.
- Mas eu realmente preciso falar com você. – ela fez um beicinho manhoso, sua mente repleta de lembranças de como aquela expressão costumava ser irresistível para a maioria dos machos... E então a decepção, quando ele não parou de tentar se libertar dela, nem mesmo lhe dando um segundo olhar, ainda concentrado na porta pela qual Bella havia saído.
- Depois, Tanya... – ele resmungou, distraído, quando finalmente conseguiu se livrar das mãos dela, e estava pronto para disparar atrás da mulher que amava, quando o pensamento de Tanya repentinamente o parou.
Carlisle ligou.
Pasmo, ele se virou novamente para ela, paralisado em seu caminho para a porta, momentaneamente perdido com a perspectiva de que seu pai havia descoberto seu paradeiro. Felizmente, ele logo se deu conta, ao analisar as lembranças dela, muito mais abertas e fluídas do que as da irmã, de que havia sido apenas uma ligação esporádica: ele estivera a muito tempo sem notícias dos "primos", como os Cullen e os Denali gostavam de se chamar entre si, e por isso havia telefonado. Não havia risco de Carlisle descobrir que ele estava ali, e muito menos de eles se reencontrarem...
E, mesmo com todos os temores que envolviam reencontrar Carlisle e Esme, uma parte dele estava desapontada.
- Eu apenas estava pensando... – Tanya ponderou, sedutoramente persuasiva – Carlisle é sempre tão gentil e encantador... Eu adoraria dar a ele um motivo para sorrir, contando que seu filho perdido está a apenas poucas horas de distância... – ela deu-lhe um sorriso que, novamente, estava pensando o quanto era irresistível para a maioria de seus amantes.
Quanto tempo ainda seria necessário para ela perceber que nada daquilo tinha qualquer efeito sobre ele?
- Não, Tanya! – ele grunhiu, a irritação o tornando muito menos cavalheiresco do que de costume – Já conversamos sobre isso! Não quero que Carlisle saiba que estou aqui e os motivos são inteiramente meus. Agora, eu preciso ir!
- Vamos lá, Edward... – ela ronronou, tornando-se um borrão veloz antes de ficar bem em frente a ele, impedindo-o de chegar até a porta – Eu não sei o que há de errado, mas eu tenho certeza de que seria fácil resolver... – ela se aproximou cada vez mais dele, os pensamentos divididos entre imaginar o que queria fazer com ele e como Carlisle e Esme, por quem ela tinha uma afeição genuína, ficariam felizes ao revê-lo.
Vê-los na mente dela, com roupas atuais, denunciando quanto tempo havia se passado desde as última vez em que haviam se visto, mas ainda assim parecendo exatamente as pessoas fantásticas que ele conhecia e amava, provocaram uma série de sensações agridoces nele que, somadas à sua ansiedade de chegar até Bella, só serviram para desestabilizá-lo ainda mais.
- Tanya, por favor. – ele implorou, desviando os olhos para o chão e dando vários passos para longe dela, exausto de tudo aquilo. – Simplesmente... Não estou pronto para isso. Entende? – ele perguntou retoricamente, apenas esperando que ela finalmente o deixasse em paz e ele pudesse se focar completamente em sua prioridade: Bella.
Ele apenas não esperava que o rosto de Tanya caísse daquela maneira, os pensamentos antes sugestivos tornando-se completamente arrependidos. Se Kate tinha uma mente objetiva, a de Tanya era repleta de tantas emoções que elas podiam se sobrepor umas sobre a outras em uma velocidade impressionante, mudando seu humor radicalmente. como naquele momento.
- Sinto muito, Edward. – ela suspirou, sinceramente arrependida por tê-lo incomodado daquela maneira. – Eu só queria que vocês pudessem ser uma família de novo. Eu juro que não queria...
- Eu sei. – ele disse simplesmente, dando-lhe um pequeno sorriso simpático e colocando a mão amigavelmente no ombro dela, torcendo que ela finalmente compreendesse que ele não queria conversar sobre aquilo, e não era sua insistência que mudaria isso – Eu realmente acredito que as suas intenções são as melhores possíveis e eu agradeço... – ele suspirou pesadamente – Mas esse é um assunto muito delicado. Então, por favor, não se incomode mais com isso está bem? – ele pediu, expandindo um pouco o sorriso, enquanto o olhar dela passou de pesaroso para fascinado, e ele percebeu, tarde demais, que havia cometido um grave erro.
Travando suas mãos nos pulsos dela, ele tentou empurrá-la para trás, conforme Tanya displicentemente deixava seu corpo cair sobre o dele, tentando embalá-lo em um abraço que era tudo, menos inocente. Ao senti-la esticar o pescoço para selar os lábios nos dele, – seus pensamentos esperançosos que de que, ao provar de seu beijo, ele finalmente se deixaria levar – ele virou o rosto totalmente na direção oposta, o que a levou a beijar o final de sua mandíbula, ao invés.
- Tanya! – ele a repreendeu duramente, não se preocupando se estava sendo um pouco rude ao afastar os braços dela para longe, ao senti-la lamber o local do beijo. Ainda assim, ela não desistiu, voltando a envolver os braços nele, desta vez pela cintura, milimetricamente planejando em sua mente como aquilo lhe daria um visão privilegiada de seu b***o, parecendo alheia ao fato de que ele estava simplesmente furioso.
- Oh, vamos lá, Edward... – ela ronronou, sedutora, esfregando ainda mais o corpo conta o dele – Nunca vai saber se somos certos um para o outro sem experimentar...
- Tanya, isso está passando dos limites! – ele rosnou, colérico, especialmente por ela ter escolhido uma hora tão inconveniente como aquela para fazer algo tão ridículo – Achei que poderia fazer você entender isso de maneira gentil, mas, já que obviamente não está disposta a ser racional, eu vou deixar as coisas claras para você: Eu não quero nada com você hoje e nem nunca vou querer. – ele rosnou alto dessa vez, sem conseguir se importar se a família dela ouviria, enquanto a segurava pelos ombros com força, mandando-a para longe dele – Consegue entender isso agora? – ele sabia que grande parte daquela raiva vinha do estresse que estava sentindo depois de semanas cada vez mais distante de Bella e de agora, ao surgir a mínima possibilidade dela sentir o mesmo por ele, Tanya o estar atrasando daquela maneira.
- Por que? – ela bufou, decepcionada e confusa, mas não verdadeiramente brava. Ele podia ver em sua mente que ela tinha algumas esperanças de que ele, um homem que ela considerava agradável e atraente, pudesse se converter de uma simples conquista em um potencial parceiro. Contudo, aquilo eram apenas pensamentos soltos. Não havia sentimentos verdadeiros em suas intenções, além de pura atração física e da vontade de satisfazê-la. – Que eu saiba, você não tem uma parceira, certo? – Tanya o encarou com um sobrancelha levantada, desafiando-o.
Naquele momento, ele percebeu que ela tinha a mesma opinião de Kate: em sua mente, enquanto os últimos quinze dias corriam como um borrão, ele pôde ver, pela visão de Tanya, o olhar ansioso e sonhador de Bella sobre ele, nas raras vezes em que não estava com os olhos grudados nela. Apaixonada, a mente de Tanya nomeou. Nomeou também o fogo magoado nos olhos tristes de Bella, que a vampira nunca deixara de perceber, quando se insinuava para ele, propositalmente se usando de toques mais íntimos ao longo do tempo, esperando para ver se algum dos dois reagiria, reivindicando um ao outro – o que nunca aconteceu: Ciúmes.
Depois de tudo o que eu fiz, achei que acabariam correndo um para o outro de tanto que se incomodavam, mas isso não aconteceu... Então, se não são parceiros, por que não ter uma noite comigo? Apenas para experimentar?, Tanya o convidou em sua mente, mas ele estava longe de lhe dar atenção.
Aquilo tudo poderia ser verdade? Bella estava com ciúmes dele com Tanya? Seria aquela a peça oculta na mente de Kate? A razão que deixara Bella tão triste e arredia enquanto estavam com os Denali? O combustível que a fizera acreditar que ele não estava apaixonado por ela: ela pensara que ele estava, de alguma maneira, correspondendo os avanços de Tanya, por não tê-los desencorajado com mais veemência?
Seria realmente possível que ela estivesse... Apaixonada por ele?
Foi quando ele ouviu, alta, clara e límpida, como a mais bela melodia de todas: uma mente que ele jamais havia escutado antes, mas que sabia muito bem de quem era. Ao olhar pela parede de vidro da sala em que estavam, ele facilmente a avistou, andando com os ombros baixos e o semblante preocupado colina acima, como se estivesse voltando de uma rápida corrida pela floresta...
Bella.
Será que finalmente funcionou? Mas é claro que não... Nunca funciona. Parece que quanto mais eu tento encolher o elástico, pior fica. Apesar de que essa vez foi mais promissora. Talvez, se eu continuar concentrada como estou agora... Mas, pensando bem, o que isso traria de bom? É claro, eu adoraria deixa-lo feliz vendo minha mente, mas... E se eu pensar alguma idiotice perto dele? Talvez seja melhor... Não! Isabella Marie Swan, você não pode se acovardar de novo! Tem feito isso durante duas semanas e agora chegou a hora de ter uma conversa franca com ele! Edward é o seu anjo, seu porto seguro, seu melhor amigo... Ele merece isso... Merece que você seja sincera com ele antes de decidir se deve ficar ou partir...
Ambos arfaram ao mesmo tempo, mas por motivos diferentes. O ofego desesperado que saiu dele vinha da mistura insana de emoções dentro de seu peito: a sensação sublime e inigualável de escutar a mente dela pela primeira vez e, ao mesmo tempo, o desespero em saber que ela planejava ir embora. E Bella porque, como se sentindo o peso de seu olhar, ergueu os próprios olhos, fixando-os nele apenas por um milésimo de segundo antes que ela absorvesse a cima toda, perfeitamente clara por trás do vidro, bem acima dela: Tanya com as mãos em seu peito, enquanto ele a segurava pelos ombros, em uma posição sugestiva que, a olho nu, não revelava a luta que eles estiveram travando a pouquíssimos momentos atrás.
A expressão distraída que antes estava no rosto de Bella foi rapidamente substituída por uma de pura dor e, no mesmo instante, a mente dela ficou em total silêncio novamente, enquanto ela rapidamente dava as cortas à cena e partia novamente colina abaixo, para dentro da floresta, desaparecendo entre as árvores.
E, antes mesmo de se dar conta do que o desespero por vê-la ir embora fizera com ele, – especialmente agora sabendo que ela estava planejando verdadeiramente partir, deixando-o – Edward de repente se viu atravessando a parede de vidro com facilidade, m*l registrando o som estrondoso que produziu antes de aterrissar sobre a neve, m*l tocando os pés no chão antes de partir para onde Bella havia corrido menos um de segundo atrás, nem sequer registrando os estragos físicos que havia deixado para trás.
Ele tinha que alcança-la...
Ele iria alcança-la.