Capítulo 10 - Luz

4363 Palavras
Ele não podia deixa-la partir, se afastar dele daquela maneira... Não sem antes esclarecer as coisas... Céus, a quem ele estava tentando enganar? Não haveria forças nele para deixar que Bella partisse, mesmo se eles passassem mil anos apenas conversando sobre os sentimentos que haviam escondido um do outro naqueles últimos 15 dias. Seus pés m*l pareciam estar tocando o chão, tamanha a velocidade em que ele estava quando finalmente a alcançou, com os pequenos ombros balançando no que pareciam ser soluços, mas felizmente não correndo tão rápido quando ele. - Bella! – ele gritou, antes de passar os braços ao redor dos ombros dela, parando os dois a poucos metros de uma planície completamente coberta pela neve. – Pare, por favor! Me deixe explicar... – ele implorou, conforme ela permanecia soluçando quietamente, as costas se movendo suavemente contra o peito dele, enquanto permanecia sem olhá-lo. - Você não tem que explicar nada... – ela sussurrou fragilmente, sendo malsucedida em esconder o quanto estava ferida – Você e Tanya tem o direito de fazer o que quiserem... Eu não tenho nada a ver com isso... - Não é o que você está pensando... – ele se apressou em começar a explicar – Ela... - Eu não quero saber de nada disso, Edward! – ela exclamou com veemência, finalmente se virando para encará-lo, com os olhos aparentando que estariam cheios de lágrimas, se isso fosse possível – Então não perca tempo tentando me falar sobre coisas com as quais eu não tenho nada a ver. Logo isso não vai mais importar... – ela murmurou, com a voz tão baixa que até mesmo um vampiro teria dificuldade em ouvir. Ele sentiu como o chão tivesse sumido de debaixo de seus pés. Ela realmente iria embora... E ele estaria sozinho novamente, entregue à escuridão. Quão ingênuo ele havia sido, pensando que a dor da partida dela seria suportável, só porque sabia que não a merecia. Ele não fizera a menor ideia de qual seria a potência da dor, nem em suas piores fantasias. Um ser humano teria que estar morrendo para sentir aquele tipo de dor. Um ser humano não a suportaria. Todas as centenas vezes em que ele pensara como seria quando ela o deixasse... Não passavam de delírios muito mais bondosos do que a realidade. Afinal, as vezes anteriores não haviam passado de meras especulações de sua mente. No fundo, ele sempre soubera que Bella não iria embora. Ela era bondosa demais para isso. Eles tinham uma ligação – ou costumavam ter. Mas ouvir seus planos, em meio aos pensamentos sinceros e puros que povoavam sua mente, trouxe outra perspectiva, real e terrível. Uma realidade em que Bella verdadeiramente queria deixá-lo. E uma realidade que finalmente o fez se dar conta do que era capaz de fazer para mantê-la com ele. Independente se ele a merecia ou não. - Bella, espere, por favor... – ele a abraçou com ainda mais força contra o peito, mais aflito do que já se lembrava de ter estado em quase 100 anos - Não... Não faça isso. Eu imploro, não vá embora. - Como você sabe o que eu vou fazer? – ela arfou, pasma, virando o corpo dentro do abraça-lo dele para poder encará-lo de frente. - Eu... Eu ouvi o que você estava pensando... - ele revelou, emotivo – Quando você estava subindo a colina... Você conseguiu. Conseguiu afastar o escudo dos seus pensamentos, mesmo que por pouco tempo. Ela engasgou, parecendo absolutamente horrorizada com aquela revelação. Tanto que permaneceu vários minutos paralisada, antes de seu olhar se desviar para a neve fofa ao lado deles. - Eu tenho que ir. É... É o melhor. - ela murmurou, a voz tão suave quanto o vento ao redor. - Não! Você não pode ir! - ele exclamou, sentindo-se fora de si por conta do pânico - Por favor, Bella, só... Me diga o que há errado. Prometo que podemos resolver isso juntos. - Não posso simplesmente forçar as coisas a serem do jeito que eu quero, Edward. - ela resmungou, entristecida. Droga, ele poderia. Ele destruiria o mundo e o reconstruiria novamente, se fosse para fazê-la feliz... Para mantê-la com ele. Como fora t**o ao achar que seria forte o suficiente para deixá-la ir. Que seria capaz de resistir à agonia da partida, à perspectiva atroz de nunca mais vê-la novamente, sentir seu cheiro, desfrutar de sua companhia, ouvir sua voz física e mentalmente mais uma vez... Agora sabia que não era capaz. Ele era um maldito egoísta, ansiando por cada segundo que poderia ter ao lado dela pelo resto da eternidade. Agora ele sabia que lutaria para ficar com ela. - Seja lá o que aconteceu, Bella, eu posso fazer melhorar, prometo. - Ele engoliu em seco, implorando - Apenas... Por favor, não vá, Bella... Não sem mim. - ele acrescentou com um sussurro, depois de um segundo. Bella o olhou, parecendo agradavelmente surpresa por um curto momento, antes que sua face se tornasse quase brava novamente - seu lindo gatinho bravo. - Escute, Edward... Eu não sei que tipo de joguinho doentio os homens gostam de fazer, mas... Eu quero mais do que ser simplesmente a segunda opção de alguém. Não é como uma compra, em que você pode experimentar dois produtos antes de escolher qual você quer. Se quer estar com Tanya, então por favor me deixe ir. - ela meio rosnou e meio soluçou - Não me peça para ficar e assistir vocês dois serem felizes juntos. Eu sei que é infantil da minha parte, especialmente depois de termos compartilhado apenas um único beijo, mas eu simplesmente não consigo... - Eu e Tanya... Felizes...? - ele repetiu, as palavras tão incompreensíveis que parecia que ela estava falando outra língua - Do que você está falando? - Mas que droga, Edward! - ela parecia querer rugir, mas a voz saiu como um lamento - Eu vi vocês dois na sala! Não finja que não me viu lá também, quando vocês estavam prestes a... Se beijar. - o tom dela deixou claro que Bella achava que aconteceria algo mais além de beijos. - O quê? Não! - ele negou veementemente - Não aconteceu nada. Quer dizer, ela tentou, mas eu não a retribuí... - ele suspirou, deixando todo o sentimento que havia em seu peito fluir por sua voz - Eu jamais poderia. Eu não a amo. A sinceridade em sua voz pareceu despertar algo em Bella, pois, mesmo aparentemente ainda estando magoada, ela perguntou suavemente. - Verdade? - Sim, Bella. - ele a assegurou veementemente - Nunca houve nada entre mim e Tanya, além da insistência cega dela. Bella pareceu ponderar por um segundo, mas depois balançou a cabeça, ainda desoladamente determinada. - Mas isso realmente não importa no final. Pode não ser ela, mas certamente é outra pessoa e... - ela falou rapidamente, parando de maneira abrupta para respirar fundo, pesarosa - É melhor que eu vá embora. - Por que? - ele praticamente chorou, sentindo o desespero toma-lo ao vê-la dar um passo para trás, tentando se afastar dele, mesmo que seus braços não permitissem - Bella, por favor... Não há outra pessoa! Se é por conta disso, não há mais ninguém! Por favor, fique! - Talvez não haja ninguém agora... Mas e no futuro? Eu... Eu não sei se posso lidar com isso, Edward. - ela revelou, erguendo os olhos para os dele, revelando toda a tristeza que senta - Na verdade, eu sei que não posso. Eu não suportaria que um dia simplesmente você encontrasse sua parceira e... Eu não aguentaria se você me abandonasse, Edward... Se me deixasse sozinha. – ela tentou dar mais um passo para trás, sem sucesso - Por isso, é melhor que me afaste, para não sofrer tanto quando a hora chegar... - Eu jamais faria isso! - ele fechou a curta distância entre os rostos dos dois, colocando as mãos em ambos os lados de seu lindo e delicado rosto, determinado a fazê-la perceber a verdade em suas palavras. - Enquanto eu existir, Isabella Swan, você jamais vai estar sozinha! - Como pode ter tanta certeza? – ela o olhou por sobre os cílios, inquieta - E quando a sua parceira aparecer e me quiser longe de você? Kate, Carmen e Irina me contaram tudo sobre isso. Você jamais poderia resistir a esse tipo de laço. Você faria tudo o que ela te pedisse. E certamente ela não vai me querer por perto. – ela murmurou por fim, parecendo ferida com o pensamento. - Sim, eu faria tudo o que a mulher que eu amo pedisse... – ele ponderou, com um sorriso triste, observando como Bella levantou a cabeça, parecendo igualmente magoada e resignada, antes de continuar – Menos deixa-la partir. – ele se inclinou, beijando o cabelo dela suavemente – Agora sei que não sou capaz de sobreviver, se ela me deixar sozinho. Ele sentiu Bella virar uma pedra dentro de seu abraço, a expressão tão confusa e chocada que parecia que ele tinha acabado de lhe dizer a coisa mais absurda de todas. Contendo um riso suave, com o peito ainda apertado pela expectativa do que viria a seguir, quando ele proferisse as palavras seguintes, Edward se permitiu apenas respirar o aroma doce e floral dela, memorizando a suavidade de suas curvas contra o corpo dele e a maneira como seus lábios ficavam lindos daquela forma, carnudos e rubros, escancarados por conta da surpresa... - Eu te amo. – ele só percebeu que finalmente havia dito aquelas palavras quando o som delas já estava pairando tranquilamente no ar entre eles; apenas três minúsculos conjuntos de letras tentando representar fonemas... E, mesmo assim, tinham o significado mais poderoso de todo aquele mundo – Amei você desde a primeira vez em que te vi, na mente daquele monstro... Amei você quando sequer sabia seu nome e sofria por te ver agonizando, queimando de dentro para fora para poder entrar nessa nova vida... - Edward... – Bella sussurrou, mas ele não parou de falar. Não achava que conseguiria, não agora que finalmente tinha começado. Ela tinha que saber como ele se sentia... A profundida do laço inquebrável que ela mencionara anteriormente, como se estivesse falando sobre ele e outra pessoa... Ela tinha que saber que era a única que ele iria querer como parceira. Que ele a amava. - Amei você quando estava deitada na relva daquela campina, tão confusa... – ele recordou, com um sorriso triste – Mais intensamente do que nunca, me arrependi por não ter seguido os caminhos de Carlisle. Porque eu sabia que o destino que escolhi me fez absolutamente indigno de alguém como você... Uma luz brilhante na minha escuridão... Mas, mesmo assim, fui egoísta e me mantive ao seu lado, com a desculpa de ser seu mentor... Ensinar você sobre o mundo dos vampiros... - Edward... – Bella tentou novamente, mas ele apenas continuou permitindo que a torrente de palavras saísse de sua garganta. Edward, eu vou embora. Edward, eu não te amo. Edward, você está certo: você não me merece. O que ele ouviria quando parasse de falar? Uma parte dele – uma parte que estava ganhando a batalha naquele momento – simplesmente não queria ouvir. Queria apenas continuar sonhando que o que estava nas mentes de Kate e Tanya era verdade e que ele poderia continuar ali, abraçado com sua parceira, pelo resto da eternidade. - Amei você mesmo quando estava completamente apavorado que quisesse me deixar, quando descobrisse que eu bebia sangue humano... Por isso evitei revelar isso o máximo que consegui. Eu deveria ter entendido ali que não conseguiria deixar você partir... – ele ponderou secamente – Mas você, meu amor, foi, como sempre, nada mais do que piedosa comigo. E continuou ao meu lado, mesmo sabendo do monstro que eu era. Eu achei que poderia ser menos egoísta e simplesmente te amar em silêncio pelo resto da eternidade, mas, Bella... – ele sorriu, sem qualquer humor – Eu estava apenas mentindo para mim mesmo. Nunca deixei de ser egoísta. Comemorei cada segundo que passava com você e me tornei ganancioso, ansiando por infinitamente mais. Queria tanto isso que nem ao menos arrisquei tentar mudar o que tínhamos. Eu tinha tanto pavor de você me deixar, que nem mesmo contei para você sobre o que eram parceiros, com medo de que começasse a querer procurar pelo seu... - Edward! – a voz de Bella agora soava ansiosa, mas ele não parou. - Por isso nunca tive coragem de me declarar, até agora. Eu temia profundamente qualquer coisa que pudesse te perturbar e te afastar de mim. Se eu realmente estivesse tentando tanto ser altruísta, como fingi por todos esses meses, eu simplesmente teria dito a verdade a você e lhe dado a escolha de me enviar para longe. Mas nem mesmo isso eu fui capaz. Percebo isso agora: eu estava tentando me justificar, dizendo que estava tentando ser merecedor de ter você, fingindo que não estava sendo egoísta, quando na verdade estava disposto a nunca dizer essas verdades para você, apenas para poder mantê-la comigo. Talvez eu até mesmo esteja profanando a palavra amor, usando-a para descrever o que alguém tão deplorável quanto eu sente por você, mas é como me sinto. - Por isso tenho pressionado tanto você durante esses últimos dias em que estivemos com os Denali. – Edward continuou sua confissão, não deixando de perceber que ela parecia ter desistido de tentar falar com ele – Estava desesperado enquanto observava você se afastar aos poucos de mim, parecendo cada vez mais triste, e só queria garantir que continuaria comigo, que sorriria da maneira que eu amo novamente. Por isso queria tanto ficar perto de você e estava tão ansioso por conseguir escutar sua mente... Talvez assim eu pudesse descobrir o que havia de errado e pudesse concertar, para que você não parecesse mais tão triste e preocupada. E, não vou ser hipócrita: eu também queria sentir que conhecia essa parte sua... Que talvez você pudesse abrir sua mente para mim e revelar seus pensamentos e segredos por vontade própria, porque confiava em mim e... Porque retribuía meus sentimentos. – ele suspirou, irritado – Não dê atenção a isso. Eu tenho várias dessas fantasias ridículas na minha mente, envolvendo nós dois. - O que realmente importa é que eu passei os últimos sete meses, e não apenas esse último, completa e profundamente apaixonado por você, Bella. – Edward suspirou pesadamente, ainda apertando-a entre os braços - Você se tornou meu mundo inteiro e o centro dos meus pensamentos desde que te vi pela primeira vez. Eu me sentia vazio antes de você. E eu sequer tinha consciência disso, porque só entendi como é me sentir completo quando conheci você. Então por favor, acredite em mim quando eu digo: Tanya nunca significou nada. Como poderia, se você é tudo o que eu vejo? Eu temia estar sendo grosseiro ao afastá-la, já que a família dela nos acolheu tão bem e ainda aceitou não revelar sobre mim para Carlisle e Esme, mas jamais aceitei, retribui ou incentivei qualquer um dos avanços dela. Eles não eram nada mais do que um estorvo para mim, mas ainda assim eu tentava desmotiva-la de maneira gentil. Juro que hoje foi a gota d'água, quando ela tentou se forçar em mim. – ele grunhiu, irritado – Por isso, Bella, se eu ter permitido que isso fosse tão longe te magoou, por favor me perdoe, mas, eu imploro, não vá... Sei que não sou merecedor de ter você por perto, mas não sou capaz de deixar que parta sem lutar para que me permita ir junto. – ele chorou em voz baixa – Apenas me diga o que fazer: implorar, mudar meu jeito de ser, simplesmente me resignar a viver quieto enquanto estiver perto de você... Qualquer coisa. Apenas... Por favor... Não me deixe... Seus sussurros frenéticos foram interrompidos quando ela ergueu ambas as mãos para segurar seu pescoço e trazer seu rosto abruptamente para baixo, perto do dela, unindo as testas dos dois repentinamente, e mantendo-as assim enquanto permanecia de olhos fechados e sobrancelhas contraídas, como se estivesse bastante concentrada. Sem entender o que ela estava fazendo, ele permaneceu docilmente sobre seu domínio, esperando sem saber pelo quê... Até que ele ouviu novamente, os pensamentos mais inebriantes de todos... E ela lhe mostrou o que havia em sua mente, como ele tanto desejara. Ele viu alguns resquícios borrados de sua vida humana, mas ainda assim perfeitamente inteligíveis: ele a viu deixar a mãe e o padrasto, para morar com o pai na pequena cidade de Forks, querendo dar-lhes privacidade, mesmo não gostando de onde o pai morava. Viu os poucos amigos que tinha: uma garota gentil chamada Angela e outra um pouco tagarela, chamada Jessica... Ele viu as três irem juntas à Port Angels, onde Bella se separou do grupo para poder comprar alguns livros... Ele viu o borrão apavorante se movendo entre as sombras... Um monstro, com rosto de homem e olhos escarlate demoníacos, prendendo-a contra uma parede e dilacerando a pele de seu pescoço enquanto ela sentia cada gosta de sua vida indo embora rapidamente... E, naquele momento, ela tentou gritar, tentou clamar por ajuda, mas o monstro a estava matando rápido demais, não lhe deixando forças nem mesmo para tentar se defender... Então ela rezou. Rezou sem saber para o que ou para quem, mas rezou por algo, ou alguém, que pudesse leva-lo para longe dela, para longe da dor e da morte... E então ele viu a si mesmo. Para seus olhos, era apenas sua própria face: lívida e fria, mas agora revestida com o ódio que ele sentia pelo vampiro que a machucara. Mas, diante dos olhos de Bella, ele era um anjo. Seu anjo salvador, que atendeu suas preces, levando o monstro para longe e voando com ela para um lugar com luz, onde ele a acalantou enquanto seu corpo ficava em chamas, fazendo-a implorar pela morte. E, ali, desde a primeira vez em que o vira, Bella se apaixonou, o que fez Edward arfar, enquanto ela continuava a mostrar-lhe seus pensamentos initerruptamente. Agora ele a viu abrir os olhos pela primeira vez: tudo era claro, nítido, detalhado e radiante... Mas fora o rosto dele que a deixara verdadeiramente pasma e encantada. Obviamente, ainda era apenas seu próprio rosto – uma feição que ele passara décadas repudiando. Contudo, ver a si mesmo ali, pelo filtro dos olhos dela, o deixou nada mais do que emocionado. Ela realmente nunca o vira como um monstro. Como ele, Bella se apaixonara à primeira vista e o achava o ser mais lindo que já vira. Na verdade, ela ainda pensava isso. Ele viu a si mesmo conversando gentilmente ela, explicando-lhe sobre sua nova existência, revelando que ela nunca mais poderia ver seus pais... Dando-lhe consolos que significaram o mundo para ela, mesmo que ele não tivesse percebido. E, naqueles primeiros dias de incerteza e tristeza, em que ela estava de coração partido por ter perdido seus pais, ele fora seu porto seguro. Surpreso, ele percebeu que ela também tivera medo de que ele a deixasse sozinha, que a abandonasse no meio de tudo aquilo... E Bella apenas se apaixonou mais quando ele permaneceu ao seu lado, dando-lhe seus sorrisos e sua gentileza, além de ter desenvolvido um estranho interesse por ela que Bella simplesmente não compreendia: ela era a simples e tediosa Bella Swan e ele era um deus grego encarnado. O que ele poderia ver nela, afinal? Ele não pode evitar rir daquele pensamento equivocado. Como ela podia se achar tão irrelevante? Como ela podia não ver o quanto era perfeita? As lembranças avançaram e, em cada uma delas, a curiosidade e o amor de Bella por ele aumentavam cada vez mais, até que chegou o momento em que ela começou a desconfiar de que talvez ele bebesse sangue humano, já que nunca caçava com ela... Mas já não importava. Foi quando ela se deu conta do quanto o amava... E o pensamento a desesperou. Porque Bella simplesmente não conseguia imaginar um cenário em que ele poderia ser seu namorado – a palavra que ela escolheu em sua mente era tão trivial e humana que ele sentiu vontade de rir novamente. Ela não ficara surpresa, e muito menos enojada, quando ele lhe revelou sobre sua dieta, por isso a memória passou velozmente, avançando para quando ele chegara de uma de suas viagens para a cidade com o número de uma junta de psiquiatras para ajudar seus pais. Ela havia ficado tão emocionada que literalmente se jogara sobre ele, profundamente agradecida pelo bem que aquilo faria aos seus pais, mas logo o medo a tomara: mais do que tudo, ela temia que ele a afastasse, se percebesse como ela se sentia. A ironia era definitivamente algo agridoce. Conforme as sessões de terapia de seus pais se passavam, não só eles melhoravam aos poucos, como Bella também: saber que Charlie e Renée estavam sendo cuidados, apesar de toda a dor, proporcionava-lhe paz o suficiente para tentar seguir em frente e, ao mesmo tempo, estar com ele naquela nova vida lhe trazia alegria e esperanças para o futuro, tornando a perda da vida humana menos dolorosa. E, aos poucos, ela também fora se permitindo fantasiar, como ele fizera secretamente incontáveis vezes, sobre o futuro dos dois, ansiando por poder dizer que o amava e ouvir aquilo de volta... Até que, depois de meses perfeitos, eles encontraram os Denali e a "realidade" destruiu o coração de Bella: como alguém tão perfeito quanto ele poderia querer estar com ela, quando havia outras imortais tão belas quanto Tanya, obviamente mais experientes e dispostas a lhe dar todos os tipos de prazer que Bella nem sequer conhecia? Com o estômago torcido, ele odiou ver como ela sofrera naqueles últimos quinze dias: vendo cada uma das insinuações de Tanya, sentindo o cheiro dela sobre ele, vendo-a tomar diversas liberdades que Bella jamais tomara antes... E ela sabia que não poderia sequer se sentir traída: ele não era dela e ela não era dele. Era dolorosamente óbvio, para ela, que logo ele se renderia aos encantos de Tanya e eles se tornariam parceiros, especialmente depois que Bella descobriu o significado daquela palavra. Ela soube imediatamente que era aquilo que sentia por ele: o amor incessante e imutável dos imortais. E sofreu por achar jamais o teria. Por isso, ela passara a última semana maturando a ideia de partir. Não seria melhor passar pelo sofrimento de se separar dele naquele momento, ou invés de ter que vê-lo nos braços de outra? A resposta para aquela pergunta viera da pior maneira possível, quando ela tivera seu coração destroçado ao vê-lo com Tanya nos braços, em uma posição que, à primeira vista, dificilmente poderia significar outra coisa... E então ela correra para longe daquela cena, longe de seus sonhos destruídos... Até que ele a abraçara e dissera que a amava, confessando tantas inseguranças, – sendo a maioria perfeitos reflexos das dela – que ela quase pudera sentir fisicamente a sinceridade, o amor e o desespero exalando dele. Por isso, ela escolhera fazer o mesmo: mostrar-lhe como ela correspondia seu amor através de seus pensamentos, os mesmos que ele sempre quisera ler. E, por fim, as lembranças sessaram, deixando-o com os pensamentos presentes de Bella, que estavam emotivos e ao mesmo tempo cheios de expectativa sobre qual seria a reação dele, especialmente quando ela pensou, querendo que, mesmo depois de tudo o que lhe mostrara, ele também pudesse ouvir aquelas palavras. Eu amo você, Edward. - Você me ama... – ele murmurou, se sentindo aéreo, com pura incredulidade na voz. - Sim, eu amo... – Bella confirmou com determinação, apesar de estar um pouco envergonhada, antes de, bastante acanhada, desviar o olhar para a garganta dele, antes de perguntar – Você... Você quer ser meu parceiro? Pela segunda vez em sua vida imortal, ele se perguntou se vampiros podiam delirar. Aquilo era um sonho? Uma fantasia que se tornara tão real que o enlouquecera? Bella realmente o amava? - Edward... – ela o chamou preocupada, erguendo a mão para acariciar sua bochecha suavemente – Você está bem? A última palavra dela saiu de maneira sôfrega quando ele repentinamente a ergueu do chão, esmagando-a contra seu peito enquanto seus lábios encontravam os dela em um beijo consumidor, faminto por matar aqueles meses de desejo refreado. Deixando-se levar pelos instintos, ele colocou as mãos nas coxas dela, apertando a carne macia enquanto ela envolvia sua cintura com as pernas de maneira desajeitada, mas ainda assim sedenta. Sem necessidade de oxigênio, eles permaneceram perdidos um no gosto do outro por um bom tempo, até que Edward conseguiu uma migalha de controle o suficiente para se separar um pouco dela e murmurar sedutoramente contra seus lábios. - Sim, meu amor. Eu sou seu parceiro desde o momento em que vi seu rosto pela primeira vez. Bella sorriu, deliciada, mas logo seu rosto se tornou uma careta bem-humorada, apesar de claramente também séria – Isso também significa que nunca mais vai deixar a Tanya ir tão longe, certo? - A partir de hoje, sou um homem comprometido. – ele ronronou, roçando o rosto contra a pele macia e sensível do pescoço dela, querendo que seu cheiro se impregnasse nele para sempre – Se isso não for incentivo o suficiente para afastá-la, o fato de eu estar sempre abraçado a você certamente será. - Soa bem para mim... – ela sorriu, acariciando o rosto dele com um olhar perdido – Isso... Isso está realmente acontecendo? - Eu não sei... – ele riu, novamente recostando a testa na dela – Você está aqui, comigo, dizendo que me ama e deixando que eu leia seus pensamentos... Parece muito um sonho para mim. Só espero que ele nunca acabe. – ele sussurrou enquanto beijava a base de seu pescoço, maravilhado com a sensação inebriante do amor recíproco. Ainda era óbvio para ele que jamais mereceria aquele puro raio de luz que era Bella. Mas, naquele momento, quando ela virou a cabeça e o beijou novamente, ele não conseguiu sentir nada além de gratidão por ela tê-lo tirado da escuridão.
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