Elisa on:
Sabe quando do nada você começa a conhecer melhor uma pessoa e tem aquela sensação dela ser boa demais para você? Dela ser de uma espécie superior a sua? De ser um projeto que deu certo e fez grande sucesso, enquanto você não passa de um rascunho que nunca foi concluído?
Eu nunca tinha me sentido assim perto de ninguém, até porque toda a minha vida foi ao lado de pessoas como eu. Mas hoje, sentada nessa sorveteria e ouvindo Gabriel falar dos seus planos e metas para o futuro, é exatamente assim que eu me sentia. Planos aos quais eu não conseguia me imaginar fazendo parte.
Ele fazia faculdade, enquanto eu terminei o ensino médio aos empurrões. Era filho de empresários que estão se aprofundando cada vez mais no ramo da tecnologia, enquanto eu era filha do chefão do tráfico no morro vizinho do lugar onde ele morava. Ele tinha sonhos e metas, enquanto eu m*l sabia o que iria fazer da vida amanhã.
— Gosta de Crianças? - Ele perguntou com um sorriso largo no rosto. Me fazendo engolir o milkshake de morango e tirar o canudo da boca olhando para o meu irmão que estava jogando alguma coisa no celular enquanto tomava o seu milkshake de frutas vermelhas.
— Sim, muito - Mentir. Por que? Eu não sei, mas falar para um homem que ficou horas dizendo que o seu plano era abrir várias escolas primárias pelo país que eu não tinha a menor paciência com crianças, não estava nos meus planos.
— Mentira! - Pigmeu disse enquanto fingia se engasgar e começar a tossir, me fazendo olhar para o mesmo como se pudesse o enforcar com os olhos.
— Me fale mais sobre você, onde estudou? - Ele diz ignorando o fato do meu irmão ter me desmentido na cara dura e eu respiro fundo.
— No morro mesmo. - Disse envergonhada pelo fato dele ter estudado a vida toda em escolas públicas e presto atenção no meu milkshake enquanto mexia no mesmo com o canudo.
— E tem planos de fazer faculdade? - Ele pergunta e eu respiro fundo mais uma vez, eu me sinto como se estivesse marcado um rolê com a minha mãe.
— Eu ainda não sei. - Disse e quase agradeci em voz alta quando meu celular virou, abrir o w******p e dei um sorriso quando vi a foto do rato com cara de tédio no meio das roupas na loja que ele estava começando a trabalhar hoje, com a mensagem:
Rato: Primeiro dia e já quero pedir demissão.
Ely: kkk quem vai pagar minhas coxinhas se você fizer isso?
Rato: Tu que vá trabalhar burra veia. Euem
Ely: Quando sai do seu bolso é mil vezes mais gostoso.
Rato: Fiquei até emocionado com essa esperteza
Rato: *Figurinha do bebê emocionado*
Rato: Vou levar uma pra você só porque tá com moral.
Ely: Eu te amo por isso
Fui chamada atenção pelo barulho do Gabriel coçando a garganta, olhos paea Guilherme que por algum motivo tinha um sorriso i****a no rosto e bloqueei a tela do meu celular voltando a minha atenção para o moreno perfeito em minha frente, perfeito até demais…
Porém, isso não me incomodava mais, eu estava me sentindo mais animada e até mais leve depois da conversa de três segundos com o Rato, eu odeio admitir, mas também estava louca para provar a cozinha que o Rato disse que ia comprar, eu não aguentava mais esse Milkshake.
Gabriel, finalmente, pareceu ter entendido que aquela conversa estava entediante demais para um segundo "encontro" porque parou de tocar no assunto futuro e começou a perguntar sobre o que eu gostava de fazer, sobre meus hobbys e filmes que eu gosto.
Foi quando eu percebi que apesar de tudo nós dois também tínhamos coisas em comum, ele também adorava dorama embora não contasse para quase ninguém porque achava aquilo mais coisa de mulher.
O que me faz lembrar do Castiel se passando por gay durante uma semana e dando em cima de todos os vapores por puro deboche, depois de ser alvo de piadinhas por que disseram que dorama é coisa pra "viado", essa lembrança fez um sorriso bobo preencher meus lábios.
As idiotices dele me faz rir até quando ele não está presente.
Rir dos meus pensamentos e afastei o mesmo para que eu pudesse dar atenção ao moreno em minha frente, que estava entusiasmado por finalmente está batendo um papo com o meu irmão, sobre um jogo de tiro. Pigmeu tentou não dá muita bola para ele no início da conversa, típico do meu irmão que desde pequeno odeia se sentir vunerável, o que me fez sorriso do quanto Gabriel estava se esforçando para amigar com o meu irmão, logo o mais novo cedeu e tirou a sua armadura quando Gabriel pegou o celular do bolso e mostrou todos os jogos do mesmo estilo que tinha. Depois de um tempo os dois jogando e Gabriel dividindo a sua atenção para ele e para mim, nos levantamos e ele pagou a conta.
O caminho até o morro foi a pé, porque eu não via necessidade de ir de carro para algum lugar que era praticamente ao lado. Gabriel segurou a minha mão e todos os pelos do meu corpo se arrepiaram, começou a me puxar morro acima, fazendo todos os olhares dos moradores se voltarem para nós e alguns até cochichavam algo incompreensível.
Quando chegamos em casa o meu meu irmão praticamente arrombou a porta, os vapores visivelmente armados na porta fizeram um cumprimento com a cabeça e Gabriel, que - apesar de um pouco assustado - cumprimentou eles de volta.
— Quando vou poder te ver de novo? - Diz colocando o pé no degrau que tinha na porta da minha casa e me puxando pela cintura para ficar mais próxima a ele. Gabriel tinha pegada, mas nada muito especial, mas ainda sim era o suficiente para me fazer ficar tranquila nos seus braços.
— Me diz você... Quando quer me ver? - Dei um sorriso colocando meus braços em volta do seu pescoço e ele sorriu apertando ainda mais a minha cintura e selando nossos lábios em um beijo doce e carinhoso.
— Se eu pudesse te veria todos os dias. - Diz logo após o beijo e eu dei um sorriso quando o mesmo depositou um selinho na minha boca, eu ia lhe responder, mas alguém abriu a porta com brutalidade, ganhando toda a minha atenção
— Seu horário já deu, se manda parceiro - Diz meu pai sério com os braços cruzados, enrolando seu fino e o levando a boca logo depois de acender, eu revirei os olhos, enquanto Gabriel dá uma risada incrédula, que me fez olhar para esse confusa, por que de fato parecia que ele tinha alguma coisa para falar, mas graças a meu pai que pegou a arma e destravou a mesma, ele apenas acentiu
— Desculpa passar do horário, senhor, da próxima vez trago ela no horário - Ele diz de forma educada e meu pai permaneceu sem falar nada.
— Eu espero muito que não tenha uma próxima vez, mas se tiver, que fique claro que a Elisa é moça de família e tem horário para chegar em casa. — Gabriel segurou uma risada e assentiu com a cabeça baixa
— Desde quando? - Perguntei incrédula pela sua cara de p*u de mentir na minha frente sobre o horário, ele deu de ombros e começou a assobiar enquanto olhava para algum lugar. Eu pedi desculpas pelo comportamento do meu pai ao Gabriel, e entrei na casa com a cara emburrada indo diretamente até a cozinha, onde eu sabia que minha mãe estava fazendo a janta.
— Como foi? - Perguntou com um sorriso animado e eu dei com os ombros me sentando na mesa, ela pereceu notar que eu não queria falar sobre e por esse motivo mudou o assunto: — O Castiel deixou um negócio para você, coloquei alí
— E cadê ele? - Perguntei caminhando até o balcão e peguei o saco com três coxinhas e a latinha de guaraná. Olhei para minha mãe que parecia pensar em uma resposta ou se lembrar.
— Foi fazer um corre pro Thiago. - Eu afirmei com a cabeça sem falar mais nada e subir até o meu quarto, sem nem falar nada com meu pai que agora estava sentado no sofá rindo de algum filme i****a. Me sentei na cama e peguei o notebook, começando a assistir La casa de papel Coréia e comendo as coxinhas maravilhosas que o Rato comprou.
[...]
Eu não sei quando eu tinha pego no sono, mas xinguei a pessoa que estava me ligando diversas vezes em um curto período de tempo, coloco o celular no ouvido sem prestar atenção no nome de contato.
— Que é? - Digo ainda sonolenta mas sem deixar de parecer irritada.
— Preparada para mexer a raba? - Maria perguntou animada e eu franzi a testa olhando para a tela do celular e voltando o mesmo para a minha orelha.
— Mas hoje nem é sexta - Apoiei a minha cabeça na minha mão que estava sendo sustentada pelo meu cotovelo e ouvi Maria resmungar.
— Você marcou comigo pra gente ir no morro vizinho, ta esquecida? - Ela falou me fazendo arregalar os olhos e olhar a data de hoje pelo notebook, uma vez por ano o morro vizinho fazia o maior baile de todos, com direito a bebida grátis, a cantores de verdade e tudo o que tem de melhor.
— Marca 20. - Desliguei o celular e corri para o banheiro pra tomar um banho, quando terminei coloquei o meu conjunto de lingerie de renda preta, um vestido colado e todo brilhante preto, um salto não muito alto e soltei o meu cabelo, fazendo alguns cachos na ponta dele e depois fiz uma maquiagem rápida, me surpreendendo com o resultado que ficou incrível.
Depois peguei a minha bolsinha lateral preta, que literalmente só cabia o meu xiaomi e alguns reais. Coloquei a perna para fora da janela, já que meu pai claramente não estava com o melhor dos humores hoje para que eu pudesse pedir alguma coisa e pulei. Agradecendo a Deus por não ter me arrebentado, Rato faz isso parecer tão fácil.
Eu praticamente corri até a casa da Madrinha, que ficava um pouco mais distante desde que eu e meus pais nos mudamos e me encontrando com uma Maria irritada e com os braços cruzados.
— Eu já estava me picando e deixando você aí - Ela diz emburrada e eu a abraço.
— Eu sei que você me ama, tá bom? - Soltei a minha amiga que eu não via desde o domingo passado e ela revirou os olhos.
— A autoestima do meu irmão contagia - Diz me fazendo rir e logo começamos a caminhar para fora do morro e corremos em direção ao uber que estava parado quando um dos vapores pegou o radinho para avisar aos nossos pais.
Fomos o caminho todo conversando animada e dizendo que iríamos aproveitar ao máximo, já que provavelmente estaríamos com as cabeças perdidas assim que voltarmos pra casa. Quando chegamos no morro vizinho, algum dos vapores fez a chamada no rádio para um tal de B-Boy que não demorou muito para liberar a nossa entrada e o vapor nos acompanhou até o baile.
Que estava um pouco mais cheio do que ficava o baile lá do morro, mas não era toda essa coisa que o povo dizia não, a bebida grátis era um cerveja barata, o cantor de verdade era um MC que eu nem conhecia e o povo lá de drogava a rodo, pelo menos lá meu pai fazia as coisas ficarem um pouco mais apresentáveis. Olhei em volta e vi que tinha muito mais vapores armados do que eu estava acostumada a ver, mas se fosse pra ter medo de homem armado eu não seria a filha do meu pai.
Logo Maria me puxou para o meio de onde as pessoas dançavam e não demorou muito para a mesma pegar um copo de uma bebida que eu não sabia qual era, mas sabia que não era cerveja. Bebi em um único gole sentindo toda a minha garganta arder e tudo em minha volta começar a girar, mas voltando ao normal segundos depois.
Eu nem sei quanto daquela bebida eu já tinha bebido, mas eu estava muito mais animada do que eu costumava ficar, coloquei a mão no meu joelho e empinei a b***a para dançar um funk dos brabos. Tomei um susto quando senti alguém se roçando na minha b***a, olhei para trás com cara de nojo e vir que era um homem que aparentava ser um 6 ou 7 anos mais velho que eu com um sorriso de lado malicioso, eu tentei me afastar mais ele me puxou com força pelo braço e agarrou a minha nuca me forçando a beijá-lo. Eu mordi seus lábios e saí praticamente correndo quando o mesmo me soltou, respirei bem fundo quando cheguei do lado de fora do baile. Mas um medo me atingiu quando sentir o meu braço sendo puxado por alguém que me levou para o outro lado da rua.
— Que p***a você tá fazendo aqui? - Rato virou para mim irritado e eu arregalei os olhos. - FALA c*****o. - Gritou me fazendo tomar um leve susto, ele colocou a mão no rosto por alguns segundos e passou pelo seu cabelo.
— Eu só vim pro baile vey, pra que gritar? - Disse praticamente chorando e ele franziu a testa.
— p***a, você ta beba? - Dei de ombros cruzando os braços ainda com cara de choro e ele bufou irritado- Que merda de ideia foi essa de morder o B-boy?
— Ele me beijou a força. - Eu quase gritei olhando para o mesmo, deixando uma lágrima e sentir sua raiva aumentar ainda mais quando o cara que me beijou aparece ao nosso lado.
— Você conhece ela? - Ele perguntou levantando a sua camisa para mostrar a arma e eu arregalei os olhos. Rato assentiu, mas permaneceu calado. - Leva ela pra minha casa.
Eu me encolhi atrás de Rato que encarava o homem com uma expressão de raiva, o tal do B-boy que já estava se virando para ir, voltou a olhar para nós dois.
— Agora! - Ele mandou fazendo Rato pegar na minha mão e rir com ironia.
— E por que.. - Ele dá um passo para frente, ficando cara a cara com o homem. - Eu levaria a MINHA mulher para sua casa? Tá me tirando de o****o B-boy?
Ele disse sério me fazendo olhar para em sua direção, que apertou a minha mão com mais força e me puxou um pouco mais para perto de si, eu sei que essa não era a hora de sentir coisas estranhas, mas ouvir o Rato me chamar de minha mulher fez o meu coração começar a bater mais forte e borboletas dançarem no meu estômago.
— Sua mulher? - O homem rir como se não tivesse acreditado e me olhou de cima a baixo. - Tu disse que não tinha fiel, deu pra mentir?
Castiel não responde, apenas se vira para mim e me puxa pela cintura colando nossos lábios, fazendo com que meus olhos se arregalaram quando sentir a sensação da sua boca quente encostando na minha, em um beijo quente e cheio de desejo,
a sua língua pediu permissão e eu fui cedendo à medida que ele aprofundava ainda mais o nosso beijo e eu fechava os olhos, ele colou ainda mais nossos corpos e eu sentir a sua outra mão agarrar a minha nuca com força logo depois subindo para o meu cabelo, fazendo com que todo o meu corpo se arrepiasse. E contra a minha vontade, ele parou o beijo olhando para o lado à procura do homem, mas estava vazio, ele me olhou nos olhos com uma mistura de sentimento no olhar e entrelaçou nossas mãos dando um beijo na minha testa.
— Vem, vamo arranjar um lugar pra você descansar. - Diz me puxando mas eu fico imóvel ao lembrar da Maria, fazendo com que ele olhasse de novo para mim e parasse de olhar.
— A Maria… - Eu disse procurando as palavras certas e o mesmo arregalou os olhos e bufou irritado.
— Vocês também em, só me fode.- Diz irritado e me puxou para dentro do baile, onde algumas meninas me olhavam feio e caminhamos até a Maria que estava no bar com outro vapor de lá do morro. Ele sussurrou no ouvido dele que assentiu e depois me puxou para fora do baile. - Não dá pra te levar de volta. Vou avisar ao JP que você vai dormir comigo.