Elisa on:
Tudo em minha volta estava girando e minhas pernas estavam bambas, mas mesmo assim Rato não parava de me puxar pelo morro que eu desconhecia, mas que ele - por algum motivo ao qual eu desconhecia - parecia conhecer muito bem.
Paramos em uma casa azul, sem pisos do lado de fora, só o reboco de cimento e tinta azul, ele tirou a chave do seu bolso e eu assistir cada gesto seu com atenção. Ou pelo menos tentava já que a bebida me deixava cada vez mais tonta. Assim que o moreno conseguiu abrir a porta, ele me pegou pela mão e me puxou para dentro da casa.
Entramos eu comecei a tirar a roupa por que estava morrendo de calor, e eu não estava nem ligando para o meu melhor amigo na porta analisando cada gesto que eu fazia, o moreno respirou fundo quando me viu quase cair sem nem ter saído do lugar e me puxou pelo braço outra vez me levando até a cozinha, eu já estava de calcinha e sutiã, mas isso pareceu ser, de longe, a última coisa que ele se preocupava.
Ele me posicionou de frente para a pia, ligou a torneira e fez uma concha com a mão colocando a mesma debaixo da corrente de água, olhei para ele sem entender e me surpreendi quando o mesmo começou a trazer a pequena quantidade de água presente em sua mão para a minha direção.
— Para! Minha maquiage! — Protestei arregalando os olhos e dando um tapa em sua mão, fazendo que toda a água que ele tinha apanhado caísse no chão e ele me olhasse ainda sério — Ela não é a prova d'água - Disse como se fosse o óbvio e o mesmo respirou fundo, colocou a sua mão firme na minha nuca e abaixou a minha cabeça para que ficasse próxima da torneira, assim lavando o meu rosto.
Esse gesto nunca poderá ser considerado um gesto carinhoso, na verdade foi bem mais brusco do que eu esperava de fosse se levar em conta todas as outras vezes que ele cuidou de mim quando eu estava bêbada, mas qual motivo eu teria para ter sentido faísca no meio das pernas quando ele agarrou a minha nuca desse jeito e me inclinou para frente?
Ele também me obrigou a tomar banho e com obrigar eu quero dizer me jogar dentro do box com roupa e tudo. À medida que a água fria deslizava pelo meu corpo, eu sentia boa parte da bebida descendo pelo ralo junto com ela e a lembrança da boca do Rato colada a minha fez as faíscas aparecerem no meu corpo e ele começar a esquentar.
Fechei meus olhos e deixei a minha imaginação vagar pela lembrança dos seus lábios macios, da sua mão firme segurando a minha nuca e da forma que ele me agarrou pela cintura ao grudar meu corpo ao seu, do seu perfume amadeirado que ficou empregnado em minhs narinas e do seu olhar quando nos afastamos.
Meu coração saltava dentro do peito e a minha respiração estava incontrolável com todas essas lembranças do acontecimento de minutos atrás me faziam querer ele mais e mais.
Eu não sabia o que estava sentindo pelo Rato, mas para mim estava claro que não era mais aquele sentimento de amizade. Eu sempre considerei ele um homem lindo, mas nunca passou pela minha cabeça que esses pensamentos crescessem para algo como atração física. Eu queria ele, queria agora e estava determinada a sair daqui e dá a ele algo que nenhum outro homem teria…
A minha primeira vez.
Apesar do medo de perder toda a amizade que temos morar no meu peito, eu decidi esquecer isso por alguns minutos, sair do banheiro enrolada em uma toalha e caminhei até a cozinha onde o mesmo falava no celular, ele olhou para mim sem desgrudar o celular do rosto e me olhou de cima a baixo.
— Relaxe, ela tá comigo. - Disse em um tom seguro sem parar de me olhar e eu vou me aproximando em passos lentos quando ele desliga o telefone - O que você… - Eu não permitir que ele continuasse, segurei a sua nuca e puxei a mesma para mim colando nossos lábios, ele pareceu surpreso, mas não demorou muito para me puxar pessoa cintura, colando meu corpo ao seu e aprofundasse o beijo.
Ele a deslizou pelo meu corpo, apertando a minha b***a com força e me fez soltar um gemido surpresa quando ele me levantou, rodeei meus braços em volta do seu pescoço e prendi minhas pernas na sua cintura. Ele começou a caminhar para algum lugar sem parar o beijo.
Eu tomei um pequeno susto quando ele começou a se inclinar, mas sentir um alivio quando minhas costas ficaram contra algo macio, ele deitou em cima de mim voltando a me beija e logo desceu sua boca para o meu pescoço, intercalando entre beijos e chupões enquanto eu passava a unha pelas suas coata, abaixou a toalha fazendo com que meu peito ficasse para fora.
Não demorou muito para que o mesmo o abocanhasse, ele passava a língua pelo bico do meu peito e sugava o mesmo enquanto massageava o outro com a sua mão e eu começasse a sentir o volume do seu m****o ficando duro contra o meu quadril, ele passou a língua pela pontinha do meu bico e depois sugou o bico o puxando para si, fazendo com que uma mistura de dor e prazer me atingisse.
— Cas… - Gemi com t***o, fazendo com que ele parasse imediatamente o que estava fazendo e olhasse para mim. O que fez com que eu olhasse para ele com a testa franzida sem saber por que ele parou e pronta para mandar ele continuar.
— p***a! - Ele se levantou quase de imediato e colocou a mão na cabeça enquanto olhava por todo o quarto, eu me sentei puxando a toalha para me cobrir e olhei para o mesmo que respirava fundo, aguardando o que ele faria a seguir - Isso não pode rolar.
Como assim não pode?
— O que? Por que? Eu quero. - Falei quase de imediato, na verdade desesperada para sentir o seu toque de novo, mas ele apenas negou com a cabeça.- Cas…
— Você está bêbada, Elisa. - Ele disse em um tom grosso me fazendo tomar um leve susto e olhar para ele. - Amanhã você provavelmente nem vai se lembrar de p***a nenhuma.
— Tem alguma coisa de erra...- Ele me interrompeu quando se aproximou de mim e segurou meu queixo fazendo com que eu olhasse para ele, eu engolir em seco com a pressão dos seus olhos castanhos me encarando com desejo.
— Eu não vou t*****r com você quando tudo o que eu puder te oferecer é sexo, outro dia quando você estiver sã e ter certeza que você quer que seja eu. - Ele falou olhando nos meus olhos, eu senti as borboletas voltar quando ele sorriu e eu pendi a cabeça para o lado. - Eu vou te fuder de um jeito que você nunca vai esquecer, ok?
Eu não disse nada, apenas senti o seu beijo sendo depositado em minha testa ao mesmo tempo que ele segurava a minha cabeça com as duas mãos e ouvir os seus passos sendo direcionados até a saída do quarto, eu estava decepcionada, mas ainda sim grata pelo fato dele ter sido cavalheiro o bastante para pensar em mim mesmo quando estava cheio de t***o.
Joguei meu corpo para o lado e encarei o guarda-roupa de solteiro em minha frente, esse lugar fedia a mofo, mas mesmo assim eu estava, apesar de tudo, feliz por estar aqui.... Com ele.
[...]
Eu não conseguia parar de encarar o teto enquanto todas as lembranças de ontem a noite passavam como um gif na minha mente, um gif interminável. Rato me beijou, para fingir que eu era a sua fiel e me livrar das garras daquele escroto, mas aquele beijo - pelo menos para mim - poderia ser tudo, menos atuação.
Eu ainda conseguia sentir o gosto da sua boca tocando a minha e dela descendo da minha boca até o meu pescoço, arregalei os olhos quando a lembrança dele abocanhando o meu peito surgiu a cabeça e do fora que eu havia tomado logo depois dele achar que eu estava mais bêbada do que realmente estava, eu coloquei as mãos no rosto, como se esse ato que m*l escondia o meu rosto pudesse me esconder completamente.
Eu tinha puxado a minha mãe com a sua amnésia alcoólica, normalmente me lembrava de poucas coisas no dia seguinte, mas para a minha falta de sorte, ela nunca funcionava quando eu precisava dela.
Me sentei na casa e sentir o lençol que não estava ali antes escorrer pelo meu corpo o deixando completamente nu, caminhei até o guarda roupa, que só tinha uma bolsa estilo academia preta, abrir a mesma, pegando uma das camisas do Rato e um short com elástico, observei um pouco mais, tinha algumas armas, algumas notas de cem e a carteira dele que se eu não me engano tinha uma foto minha no porta fotos.
Vesti a roupa nada feminina e dei risada do resultado olhando para o espelho, meu cabelo estava uma bagunça, mas como eu tive a sorte de puxar os cabelos lisos dos Stuarts eu apenas passei os dedos e ele já estava quase bem arrumado. Coloquei a mão na maçaneta e respirei fundo, fazendo uma breve oração para que nada entre mim e o Castiel tivesse mudado, eu iria agir como todos os dias, como se nada tivesse acontecido e eu sinceramente esperava que tudo pudesse continuar sendo como sempre foi. Meu Deus, onde foi que eu me meti?
Abri a porta e suspirei quando vi que a sala estava vazia, mas segui o barulho que estava vindo da cozinha, caminhei até a mesma e sorri quando vi que ele estava fazendo alguma coisa na pia.
— Bom dia Ratinho. - Disse com um sorriso e dei um tapa na sua b***a, arregalando os olhos não o homem que virou para mim surpreso não era ele, mas sim FK, um carinha lá do morro.
— Tô ligado que sou desbundado, mas aí tu já pegou pesado. - Olhei para Rato que estava rindo com os braços cruzados e fiz uma careta para o mesmo.
— Minha b***a é sexy, ok? - Diz FK ajeitando o piercing do nariz e eu percebo a sua unha pintada de lilas, que faz o mesmo olhar para mim e rir - É novo pra você um vapor ser gay?
— Eu não quis… - Tentei me explicar, mas fui interrompida pelo moreno iluminado.
— Relaxa gatinha, só cuida do seu homem, porque se não eu tomo.. - Ele dá uma piscadinha para Rato, que me fez um careta me fazendo prender a risada das suas caras e bocas. Não demorou muito para que o FK saísse da cozinha com um pão com ovo na mão e Rato se sentasse na mesa começando a comer, eu fiquei um tempo encostada na pia olhando para ele e rir quando o mesmo virou o rosto para mim com um pão pendurado entre os dentes.
— Vai ficar olhando? Senta a b***a ai pra comer guria. - Ele ordena enquanto mastiga fazendo uma careta surgir no meu rosto, me sentei ao seu lado sem deixar de olhar para ele algumas vezes, que estava comendo tranquilamente. - Eu quero te pedir um favor.
— Hm. - Disse enquanto mordia o pão e olhava para ele, que parecia procurar as palavras certas, o que me fez ficar um pouco preocupada sobre o que estava por vir. Afinal Rato nunca foi o tipo de homem que pensa antes de falar, o que sempre achei irritado e fofo.
— Fica uns dias nesse barraco e finge ser minha fiel. - Ele soltou tranquilamente fazendo eu me engasgar com o pão e colocar a mão na boca para não cuspir tudo. - Seu pai quer fazer uma aliança com B-boy e me mandou para negociar, mas ele é todo tirado a o****o, se souber que a filha do JP foi a mina que mordeu ele e que você não fez isso por que é minha mulher, é capaz dele esquecer o trato.
— E o que meu pai acha disso? - Perguntei como quem não queria nada, mas na verdade eu queria surtar, fingir ser namorada do Rato era de boa, já fiz isso uma ou duas vezes para afastar as ficantes grudentas dele, mas depois de ontem? Eu nem sabia se conseguia ou não ficar sozinha com ele dentro de um quarto… Ou qualquer outro lugar.
— Ele pegou ar quando descobriu que você tava aqui, mas eu expliquei tudo o que aconteceu e ele concordou - Ele disse dando com os ombros e eu arregalei os olhos. - To ligado que você tem o engomadinho, mas…
— De boa. - Eu nem acreditei quando aquelas palavras saíram da minha boca e julgando pelos olhos do Rato que se arregalaram um pouco, nem ele. Poderia ser a pior maneira de tentar salvar a amizade que tínhamos, mas eu não queria de jeito nenhum voltar pra casa sem pelo menos ter a coragem de conversar com ele que sobre o que aconteceu ontem e que por mais que tenha sido o melhor beijo da minha vida, aquilo não poderia se repetir, ele era o meu melhor amigo e se tinha algo que eu cuidava com todas as minhas formas, era para que a nossa amizade nunca chegasse ao fim, Rato ainda tinha seus olhos sobre mim e antes que ele pudesse falar mais alguma coisa, eu me adiante - Sou sua melhor amiga, esqueceu?
Algo no olhar dele mudou, ele parecia ter se decepcionado com o que eu acabei de falar, mas mesmo assim ele não deixou de me encarar e por alguns longos segundos nossas bocas permaneceram caladas, mas nossos olhares pareciam estar tendo uma longa conversa entre si. Foi quando Castiel desgrudou os lábios um do outro e me mostrou um sorriso divertido.
— Nunca. - Disse ainda me encarando e levando seu pão até a boca, olhando para mim com uma de suas sobrancelhas erguida, como se estivesse me desafiando a esquecer de tudo o que tinha acontecido na noite de ontem.