2- Thiago

800 Palavras
Acordo no horário habitual e vou correr. Quando volto, tomo um banho e faço minha higiene matinal. Hoje começa uma secretária nova. Ou melhor, outra secretária nova. Elas dizem que sou um homem frio e m*l-educado. Mas a verdade é que não suporto desorganização e incompetência. E, como era isso que me entregavam, eu acabava entregando minha arrogância. Veremos como essa nova secretária irá se sair. Chego à empresa e, assim que passo pela mesa dela, ela me cumprimenta: — Bom dia, senhor Nunes. Passo por ela, respondo “bom dia”, mas nem olho para sua mesa. Vamos ver como ela irá se virar durante o dia. Assim que me sento, ligo o computador e telefono para ela, pedindo que venha à minha sala. Ela chega trazendo meu café... Ponto para você, mocinha. As outras secretárias geralmente esqueciam. Ela me diz que seu nome é Heloísa. Um belo nome... Ela é linda. Me passa a agenda do dia e sai para arrumar a sala de reuniões. A reunião com os americanos foi um sucesso. Senhorita Andrade se saiu muito bem. Peço que ela faça um relatório da reunião e me entregue até o fim do dia. No almoço, saio para encontrar minha irmã. Ela é minha preciosa. Temos nove anos de diferença, e eu sempre cuidei dela com todo o amor do mundo. Chego ao restaurante combinado e a encontro já me esperando. — Se não é meu irmão preferido! Ela diz, levantando-se para me abraçar. — Eu sou seu único irmão, então tenho que ser o preferido. — Você poderia ser um i****a, daí eu te odiaria. — Minhas antigas secretárias acham isso de mim. — Imagino que sim. Deve ser horrível ser secretária de um CEO tão chato. O garçom chega e fazemos nossos pedidos. Enquanto almoçamos, ela me fala: — Mamãe chega no sábado, de Milão... Respiro fundo. — E, como sempre, teremos um jantar para participar. — Sim, mas devo te avisar uma coisa. Mamãe pediu para eu não comentar, mas, você sendo meu irmão preferido, vou falar... — Desembucha, Thaís... — Ela convidou Samantha. É claro que convidou. Minha mãe e meu pai, junto com os pais de Samantha, vivem querendo nos juntar. Maldita hora em que aceitei namorar Samantha. Foram dois meses, os piores da minha vida. E, desde então, todos agem como se ainda estivéssemos juntos. — Eu passarei lá em outro momento, mas não irei ao jantar para ficar ouvindo desaforos. — Concordo com você. Nossos pais deveriam parar com isso. — Eles nunca vão parar. Terminamos o almoço e volto para a empresa. Tenho muito trabalho, e esse contrato que fechamos com os americanos vai me dar ainda mais, porém também vai multiplicar minha fortuna. Depois de uma reunião com os advogados da empresa — chata, mas necessária —, quando chego à minha sala, Heloísa vem me entregar o relatório da reunião com os americanos. Heloísa é linda. Cerca de 1,70m de altura. Cabelos loiros, olhos verde-claros... Que mulher linda... Olhar para ela já me desperta vontades, mas onde se ganha o pão, não se come a carne. Após trocarmos algumas palavras, digo que ela pode ir para casa. Depois de meses — anos —, uma secretária enfim conseguiu fazer seu serviço corretamente. Leio o relatório, resolvo mais algumas coisas e saio. Meu motorista está me esperando. Assim que me vê, pergunta para onde vamos. Tive um dia cheio. Preciso relaxar. Decido ir a uma boate que sempre frequento. Informo a ele, e partimos. Assim que chego, Helena me vê e vem ao meu encontro. É uma boate onde só gente com muito dinheiro frequenta. Ninguém aqui vem para conversar. O objetivo é beber e relaxar. — Senhor Nunes. Que alegria receber o senhor aqui mais uma vez. — Olá, Helena. Quero algo intenso hoje. Preciso desestressar. — Tenho algo ideal para você. Mesmo quarto de sempre? — Por favor. Helena sai, e eu vou até o bar. Peço uma dose de uísque, viro de uma vez e peço outra. Depois disso, sigo para o quarto. Quando entro, encontro duas mulheres muito bonitas. Como de costume, não dizem seus nomes. A atmosfera é envolvente, carregada de desejo e intenções claras. A noite segue intensa, sem espaço para pensamentos — apenas sensações e excessos. É assim que costumo desligar a mente: sem vínculos, sem promessas, apenas momentos passageiros. Depois, entrego um bom dinheiro às duas e saio. Helena pergunta se estou satisfeito. Digo que sim e vou embora. Chego em casa, janto e vou para o escritório resolver algumas pendências. Depois disso, subo para o quarto, tomo um banho quente e me deito. Mas, antes de dormir, a última imagem que me vem à mente não é a da noite que tive. São um par de olhos verdes...
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