Capítulo 7: Garota Inexperiente

1045 Palavras
Henry Madeleine saiu batendo a porta, não precisava ir atrás pra saber que ela havia corrido para o próprio quarto e possivelmente trancado a porta. Me segurei para não ir atrás dela, ela não fazia ideia de como gostaria de dormir agarrado ao seu corpo miúdo, seu cheiro era inebriante. Peguei meu celular e liguei para Max. — Max, estou na minha antiga casa. Mande uma equipe de seguranças pra cá! — Eu te disse que Madeleine estava morando nessa propriedade... você é maluco! Falou com ela? O que vai fazer? Vai denunciá-la? — Acho que Catarina pode ser... minha filha. — Como assim cara? Essa garota pode ser muito bonita e convincente, mas Henry não consigo acreditar que você dormiu com ela... Quando te mostrei a foto você me disse que não havia rolado nada entre vocês. — Eu não tenho certeza. p***a, eu não me lembro! — confessei, finalmente. Ele emudeceu do outro lado da linha, depois de um tempo deu uma tossidinha, como se estivesse digerindo o que eu havia acabado de falar. — Henry... devia ter falado. Faz ideia do quanto isso pode afetar o trabalho? Precisamos verificar o que mais você não se lembra... — É, eu sei. Se descobrirem, eu estou ferrado! — Vou procurar um especialista em perda de memória, vamos dar um jeito de te consertar. — Max, providencie um dossiê completo sobre Madeleine... e mande alguém de um laboratório de nossa confiança amanhã mesmo, quero fazer um novo exame de paternidade em Catarina! — Tem acesso ao seu email? — ele perguntou com um tom cuidadoso demais para o meu gosto. — Sim. — Vou te mandar as informações sobre Madeleine! Já te adianto que é bem sem graça... Mandei investigar quando ela me procurou dizendo que estava grávida. Não acreditei de primeira, mas depois... — Acredita nela? — perguntei, direto. — Quando você disse que não a conhecia eu pensei, ela me enganou direitinho... mas confesso que sinto que ela esconde alguma coisa. — Também tenho essa impressão... mande os seguranças, Max! Desliguei o telefone irritado. Não era o único que percebeu que havia algo errado com Madeleine. Quando ela me beijou, era como se fosse uma garota inexperiente. Não importa de quantas formas diferentes eu imaginasse, não conseguia pensar em um cenário onde no passado, eu levaria Madeleine pra cama. Nunca tinha saído com uma garota tão jovem e muito menos considerei ficar com uma mulher com pouca experiência. Sabia que era um fodido, e eu escolhia mulheres experientes porque não gostava de perder tempo tentando seduzir ou até mesmo convencer. Queria sexo e elas se entregavam sem a necessidade de declarações mentirosas. Madeleine era diferente, delicada, sensível... não era o tipo de mulher que um homem podia simplesmente levar pra cama, com ela precisava de muito mais. Ela exigia muito mais. Jantares, flores e frases apaixonadas ao pé do ouvido. Ela me pediu pra parar, e eu m*l tinha começado, estava apenas no beijo. Nenhuma mulher me pediu pra parar antes, mesmo eu lhes dando essa opção. Recebia mensagens horríveis depois, mas quando estava com elas, nenhuma delas impôs um limite. Não fazia ideia de como esse limite era difícil. Desci para a sala, me servi de uma dose de uísque e virei a bebida de uma vez. Precisava parar de pensar nos olhos azuis brilhantes que me pediu pra ficar quieto enquanto me beijava. Sorri sozinho na sala escura, minha cabeça girou e eu senti como se os meus pensamentos se perdessem. Porra! Que diabos de remédio era esse que Madeleine me deu? *** Dormi de barriga pra baixo no sofá da sala, quando acordei já havia amanhecido e o choro de Catarina ecoava pela casa. Segui o som e encontrei Madeleine na cozinha, tentando passar um pouco de geléia em uma torrada, Catarina estava brava no seu colo, chorando sem parar. — Deixa que eu seguro ela enquanto você se alimenta — pedi. — Já estou terminando — ela resmungou. Madeleine deu uma mordida grande na torrada, mas eu olhei em volta e reparei que não tinha mais nada na bancada além do pacote de torrada recém aberta, e do pote de geléia. — Está comendo muito pouco para uma mulher que está amamentando! — Não sinto muita fome — os olhos de Madeleine apresentavam o cansaço de alguém que não tinha dormido muito durante a noite. Peguei Catarina nos braços e a coloquei perto do meu coração, bastou alguns minutos para que o choro cessasse. — Coma, Madeleine. Vou pedir para trazerem frutas pra você, precisa se alimentar melhor. Se Catarina é mesmo minha filha, com certeza a pequena deve ter um excelente apetite! — Estou muito cansada para debater esse assunto da paternidade com você, Henry — ela fez uma carranca, mas se sentou para comer, enquanto eu colocava o que encontrava pela frente diante dela. — Vou ficar com Catarina pra você poder descansar — dei as costas para ela antes que tentasse me impedir. Fui até o quarto que foi decorado para a bebê. A decoração era simplória em comparação com os demais cômodos da casa, mas tinha um tapete no chão e alguns brinquedos infantis. Brinquei um pouco com Catarina, dei a mamadeira com o leite que Madeleine tinha tirado e a pequena dormiu. Como havia me prontificado a ficar de olho em Catarina para Madeleine descansar, me deitei no tapete no chão ao lado do berço e fiquei observando a bebê, até eu mesmo acabar pegando no sono. — Henry! — ouvi a voz doce e feminina me chamar. — Oi — olhei assustado para o berço, mas Catarina estava dormindo tranquilamente. — Max está lá embaixo com algumas pessoas de um laboratório... — Madeleine parecia nervosa, ela apertava os dedos sem parar. — Isso é um problema pra você, amor? — perguntei com cinismo diante do estado dela. Ela ergueu o queixo em uma postura desafiante. — Nem um pouco! Max estava certo, era difícil desconfiar quando ela sequer vacilava ao declarar que eu era o pai de sua filha. — Deveria estar preocupada, Madeleine — me aproximei dela e toquei sua bochecha rosa com a ponta dos dedos — Se Catarina for mesmo a minha filha, então você se tornará a minha esposa.
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