Madeleine
Assim que consegui, praticamente fugi do escritório com Catarina nos braços. Quando Max saiu para atender uma ligação, vi no seu olhar que havia sido descoberta e tive certeza, quando ele sequer piscou na hora que o médico leu o resultado do exame, de que ele sabia que daria positivo. Quanto tempo levaria para que ele revelasse a verdade ao Henry?
Rezei mentalmente para que essa conversa entre eles fosse longa o suficiente para que eu conseguisse fugir.
Coloquei Catarina no meio da cama, enquanto jogava as minhas coisas e as coisas de Catarina dentro de uma mala. Não poderia levar tudo.
Quando cheguei àquela casa, não tinha muita coisa, eram só as minhas roupas. Agora o enxoval de Catarina enchia uma única mala e ainda faltava espaço.
Chamei um carro pelo aplicativo, coloquei uma mochila nas costas e, apesar de ter enchido duas malas, ia levar apenas uma. Com uma mão segurava a minha filha bem firme no colo e, com a outra, arrastei a mala com cuidado para não fazer mais barulho que o necessário.
Destravei o portão sem muita dificuldade, mas, quando saí, dois homens me interceptaram.
— Não pode sair sem a autorização do Sr. Henry Blackburn!
— Quem são vocês? — perguntei, atônita.
— Estamos aqui pela sua segurança e da sua filha!
— Pela minha segurança? — minha voz saiu alterada e carregada de incredulidade.
Vi o carro que solicitei parado do outro lado da rua e acenei para o motorista, na intenção de que ele pudesse me ajudar.
— Por favor, eu preciso sair daqui! — gritei, descontrolada. Já estava muito perto de desabar em lágrimas.
O motorista desceu do carro para verificar o que estava acontecendo, mas um dos seguranças lhe disse algo, e ele voltou quase correndo para o carro e foi embora.
— Senhora, volte para dentro. O Sr. Blackburn não vai gostar de saber que tentou fugir...
— Não estou fugindo, apenas vou visitar minha família — menti, já estava me acostumando com isso. — Henry não pode me trancar nesta casa, isso é crime!
— Ele não está prendendo a senhora, está protegendo a senhora.
Dei uma gargalhada eufórica e, antes que eu pudesse retrucar, Max apareceu.
— O que está acontecendo aqui, Madeleine?
— Vocês não podem me prender!
— Tem certeza? — Max curvou os lábios num sorriso, mas o seu semblante estava completamente fechado. — Levem a mala da senhora para o quarto, eu resolvo isso!
Max agarrou o meu braço, me puxando para dentro da casa.
— Me solte! — tentei me livrar dele.
— Não sabe a encrenca em que vai estar metida se Henry souber que você tentou fugir.
Max largou o meu braço quando já estava longe do portão, devia estar com medo de que eu corresse, o que seria uma ideia estúpida. Não conseguiria fugir daqueles homens mesmo se estivesse sozinha, muito menos com um bebê no colo.
— Acho que, nesse momento, esse é o menor dos meus problemas, não é mesmo?
— Garota esperta, vamos ter uma conversinha em um lugar mais reservado! Me dê essa mochila! Você não vai a lugar algum...
Ele me ajudou a retirar a mochila das costas e a entregou para um dos seguranças levar para o quarto.
Segui Max pela casa até um salão que ficava no terceiro andar, era uma sala de jogos.
— Madeleine, eu já sei de tudo! — fiquei em silêncio, precisava ouvir ele falar exatamente o que sabia. — Sei que fez uma inseminação artificial sem a autorização de Henry!
— Henry já sabe? — sondei.
— Não!
— Então, por que estamos tendo essa conversa?
— Quero entender os seus motivos, porque, Madeleine, eu revirei a tua vida de todas as formas e sei que você não é uma pessoa r**m, ou alguém movida pela ambição! E, inclusive, tenho um excelente palpite sobre o motivo de você querer tanto a herança de Henry...
— Devia ter me contado que ele estava vivo logo no início, e nada disso teria acontecido.
— Você já estava grávida...
— Mas eu iria embora, não pediria a herança de um homem vivo. Você foi... foi c***l.
— Você engravidou de um bilionário morto, e eu sou c***l? Madeleine, ele estava desaparecido, eu achava que estava morto. Ele sofreu demais, até o dia em que conseguiu me ligar e me pediu para buscá-lo. Não contei para ele o que você fez, por ele e não por você!
Catarina se agitou no meu braço, e eu comecei a andar de um lado para o outro, balançando-a.
— O que você quer de mim, Max?
— Primeiro quero que me conte toda a verdade! Não se preocupe, deixei Henry com muito trabalho, ele não deve sair do escritório tão cedo.
Coloquei Catarina em cima da mesa de bilhar, ela dava pequenos gritinhos, alheia ao caos ao nosso redor. Sabia que, na situação em que me encontrava, só me restava contar tudo, e foi o que eu fiz.
Max havia investigado a minha família o suficiente para saber que não menti sobre a violência que a minha mãe sofria. Meu pai era policial aposentado, por isso minha mãe nunca o denunciou, mas havia muitos registros hospitalares das agressões.
Quando terminei de contar a minha história, já estava chorando.
— Acalme-se, vai assustar a Catarina... — ele deu a volta na mesa e pegou a bebê no colo, para que eu pudesse me recompor.
— Agora que você sabe, o que vai acontecer comigo e com a minha filha?
— Você disse que nunca viu o Henry antes, certo? — ele perguntou, pensativo.
— Isso mesmo. A primeira vez que o vi foi quando chegou a esta casa.
— Henry está decidido a se casar com você...
— Não vou me casar com ele, não vou me casar com ninguém, isso é um absurdo!
— Madeleine, ele não é o seu pai. Henry pode ser um homem hãm... difícil, mas ele não vai te bater. Ele não é assim.
— Não pode me garantir isso... — olhei para ele, ressabiada.
— Eu posso, sim. Conheço Henry há muitos anos e ele jamais machucaria uma mulher de propósito. Case-se com ele, com o tempo pode ser que ele te ame e, se algum dia a verdade vier à tona, talvez ele seja capaz de te perdoar.
— Não é possível que ele queira mesmo se casar com uma desconhecida... Não faz sentido algum.
— Ele tem os motivos dele, mas isso você terá que perguntar a ele.
— Pelo jeito, você já está certo de que eu vou aceitar esse arranjo...
— Você não tem para onde ir, e Catarina também é filha dele. Se for embora, eu vou te entregar para a polícia, a decisão é sua!
Max me devolveu Catarina e estava seguindo em direção à porta, mas, antes que ele pudesse mudar de opinião, eu o chamei de volta:
— Max, pode preparar a documentação. Eu vou me casar com Henry!