Madeleine
Max ainda ficou por um bom tempo vagando pela casa, só foi embora quando uma equipe de funcionários chegou para cuidar da casa e me ajudar com a Catarina. Sem muita cerimônia, Max informou que Henry estava vivo, o que causou um grande alvoroço, mas logo Henry surgiu na porta e o barulho cessou por completo.
Ele era um homem intimidante e, mesmo sem abrir a boca, tinha uma presença dominante. Ele estava de social, com um casaco comprido por cima. Parou ao meu lado antes de começar a falar:
— Para quem não me conhece, eu sou Henry Blackburn — um novo burburinho tomou o ambiente, mas com um gesto sutil dele, o silêncio retornou — Essa é Madeleine, a senhora desta casa. Vocês estão aqui para servi-la e ajudá-la no que precisar!
— Sim, senhor — as mulheres a olhavam com curiosidade.
Henry pegou Catarina dos meus braços.
— E essa — ele fez carinho nas bochechas da minha filha, que parecia animada com a agitação — Essa é a princesa da casa! Catarina, a minha filha! O que ela pedir é uma ordem!
Dessa vez as mulheres sorriram e suspiraram para Henry.
— Obrigada a todos — finalizei as apresentações, peguei Catarina e fui em direção ao meu quarto.
Sentia o meu corpo quente e nem sabia direito qual era o motivo. Talvez fosse porque aquelas mulheres estavam babando descaradamente por Henry, mas eu não devia me incomodar com algo tão banal. Mesmo assim, como a "senhora" daquela casa, ficaria de olho nas novas contratações e, se fosse necessário, pediria a demissão das mulheres que fossem muito assanhadas.
Ouvi a batida forte na porta, nem precisava verificar para saber que era Henry e a sua delicadeza de um cavalo.
— Entra! — gritei de dentro do quarto.
Ele me olhou por um tempo, como se me analisasse. Ele estava realmente atraente com aquele sobretudo preto, a peça o deixava maior do que ele já era.
— Vou sair e quero que me acompanhe. Está frio lá fora, então vista algo quente!
Ele saiu do quarto sem esperar pela minha opinião. Senti um nó se formar na minha garganta, não consegui não pensar no meu pai, um homem que não pedia permissão para fazer o que queria. Um calafrio atingiu o meu corpo e me senti uma i****a por, minutos atrás, ter chegado a sentir ciúmes de Henry.
Peguei o meu celular e abri na galeria de fotos. Havia muitas imagens da minha mãe machucada e até vídeos do meu pai a agredindo. O meu plano era entregar tudo para a polícia quando conseguisse tirar a minha mãe de perto dele, mas agora aquelas imagens serviam apenas para me lembrar do que os homens são capazes. Nenhum homem merece acesso ao meu corpo e muito menos ao meu coração. Não posso imaginar a dor de se entregar completamente para alguém que irá te destruir. Não importa o quão incrível esse homem pareça, em algum momento ele vai te quebrar!
Fui para o guarda-roupa. Tinha poucas roupas de frio, então coloquei uma saia vermelha de lã, mas era tão curta que m*l cobria os joelhos. Coloquei um suéter preto por cima e calcei um par de tênis tão velho quanto o restante da roupa.
Penteei o cabelo sob o olhar julgador de Catarina. Desde que a minha filha nasceu, era a primeira vez que eu sairia sem ela, e senti meu coração apertar. Sentir aquela bolinha gostosa no meu colo era a melhor sensação do mundo.
Mas, pelo jeito, ela não aprovava de jeito nenhum a minha escolha de roupa. Não costumava passar maquiagem, nem sabia me maquiar, para ser sincera, então passei apenas um hidratante que possuía uma cor bem discreta, nos lábios, e já estava pronta.
— Como a mamãe está?
Catarina balançou os bracinhos no ar para que eu a pegasse no colo.
— Ficou aí me julgando e agora quer colo — depositei um beijinho em sua bochecha rosa e a peguei.
Quando desci, uma senhora me aguardava no pé da escada. Ela tinha um olhar maternal e um sorriso que dava gosto de olhar.
— Sra. Madeleine, fui escolhida pelo seu esposo para cuidar de Catarina. Pode ficar tranquila, tenho experiência em cuidar de crianças de todas as idades — pensei em corrigi-la e dizer que Henry não era o meu marido, mas, àquela altura, o casamento seria inevitável. Max tinha sido categórico quanto a isso.
Henry fez uma carranca assim que me viu, e a senhora falou baixo para que só eu escutasse:
— Quanto mais crescem, mais trabalho eles dão...
Não pude deixar de rir.
— Matilda, qualquer problema com Catarina me ligue imediatamente! — ele rosnou. A mulher se apressou em murmurar um "sim, senhor" e saiu rapidamente com a bebê.
— Não deveria falar assim com as pessoas! Elas não têm culpa do seu mau humor crônico!
Não achei que Henry fosse se importar com o que eu disse, mas o olhar duro que me lançou me fez desejar retirar o que disse.
— Vamos! — ele segurou o meu braço e me escoltou para o lado de fora.
Uma caminhonete grande estava estacionada no pátio. O dia estava gelado e úmido por causa da chuva na noite anterior.
Henry abriu a porta do carro para mim. Como a caminhonete era alta, ele também me ajudou a subir. Dei graças aos céus quando ele fechou a porta, dentro do carro, a temperatura estava mais suportável. Ele conversou um pouco com o homem que parecia ser o chefe da segurança e, depois de alguns minutos, entrou no lado do motorista.
— Deveria ter colocado uma calça, Madeleine. E essa blusa não é suficiente para o frio que está fazendo.
Ele ligou o ar-condicionado no quente, e eu senti os músculos do meu corpo finalmente relaxarem.
— A saia é de lã...
— Esse pedaço de pano vai deixar a sua b***a para fora, se precisar se abaixar. Não me importaria se estivéssemos em casa, mas preciso visitar alguns galpões e não quero meus homens cobiçando o que é meu!
— Não fale assim comigo — senti meu rosto queimar de vergonha — Não coloquei essa saia para provocar os homens. Acontece que eu... eu não tenho calças! Só tenho vestidos e saias. O único short que tenho ganhei de uma amiga, na única vez que fui para a praia.
— Não gosta de calças? — ele franziu a testa, confuso. Era normal ver esse olhar nas pessoas quando se tratava da criação que recebi.
— As calças estavam na lista de itens proibidos. São liberadas apenas as calças dos pijamas, mas não podem ser usadas fora do quarto. Minha família era muito... religiosa.
Henry deu uma risada alta.
— Calças não podem, mas minissaias, sim?
— Bom... não ficavam tão curtas quando eu comprei — falei sem graça.
Henry me olhou de esguelha e não questionou mais nada, focado apenas no caminho diante de nós.
A viagem foi longa, e eu acabei pegando no sono. Quando acordei, a caminhonete havia parado. Eu estava encolhida no banco, e a saia havia subido e se enroscado na minha cintura, expondo a calcinha rosa que eu estava usando.
Me ajeitei no banco antes que Henry abrisse a porta do passageiro.
— Onde estamos? — perguntei, me sentindo atordoada.
— Estamos no porto! — ele me ajudou a descer, e eu senti a rajada de vento gelado nas pernas.
Henry retirou o casaco que estava usando e o vestiu em mim. Pegou duas toucas no banco de trás, colocou uma e me entregou outra, que eu coloquei bastante satisfeita. Pelo jeito ele não queria ser reconhecido, além da touca, colocou um óculos escuro enorme.
— Madeleine, não saia do meu lado!
Balancei a cabeça, irritada. Detestava o tom autoritário que ele usava com a mesma facilidade com que se respira.
Ele andava com passos largos, e eu me mantinha um pouco atrás, quase correndo para alcançá-lo.
Chegamos diante de um muro alto. Havia dois homens na frente fazendo a segurança.
— Abra! — ele falou de uma vez, sem fazer rodeios.
— Não tenho autorização para deixar ninguém entrar! — o homem passou a mão na cintura, deixando evidente que estava armado.
Me refugiei atrás de Henry, assustada com a situação.
— Abra esse maldito portão antes que eu enfie essa sua arma no seu r**o! Esse galpão é meu, assim como tudo o que está aí dentro me pertence! — Henry retirou o óculos escuro e um dos seguranças ficou branco, mas o outro manteve-se firme.
— Camarão que dorme, a onda leva... — o homem deu um sorriso largo, exibindo a coleção de dentes maltratados.
Henry também deu uma risada, a sua risada rouca e perigosa.
— Você não imagina o quanto eu dormi — a voz era um sussurro carregado de ameaça. A tensão era quase palpável de tão densa.
Instintivamente dei um passo para trás. Percebi o homem correr a mão para a arma, mas Henry foi mais rápido, acertou o homem com tanta força que ele cambaleou e desabou no chão. O outro homem apenas levantou as mãos, rendido.
Alguns homens surgiram não sei de onde, mas pelo jeito eram os seguranças de Henry, eles assumiram a situação.
Eu tremia sem parar, e Henry me abraçou, tentando me acalmar.
— Desculpe por isso, não imaginei que a situação estivesse nesse ponto... eu não queria te assustar — ele passou a ponta dos dedos pela lateral do meu rosto e deu um sorriso contido para mim.
— Chefe, pode entrar! Não tem mais ninguém lá dentro!
— Obrigado, Roger! Fique aqui na frente e cuide para que ninguém entre!
— Sim, senhor!
Roger era grande e, se eu tivesse que apostar a minha vida em um homem que pudesse conter Henry, já que ele também era um homem enorme, talvez Roger fosse o único ali que tivesse algum sucesso.
Henry segurou a minha mão, me levou para o interior do galpão e pegou uma cadeira de escritório para que eu pudesse me sentar. Quando me sentei, ele inclinou o corpo. Seu rosto estava tão próximo do meu que podia sentir sua respiração na minha pele.
Como se tivesse vida própria, meu corpo estremeceu, mas o medo havia cedido espaço para uma sensação quente. Ele enfiou a mão por dentro do casaco que eu estava vestindo, seus dedos roçando os meus s***s sensíveis.
Ouvi minha própria boca fazer um som que mais parecia um gemido.
— Madeleine... — cada vez que Henry dizia o meu nome, era como se ele quebrasse aos poucos a proteção em torno do meu coração — por que está fazendo isso comigo?
Henry pegou algo no bolso interno do casaco e se afastou de uma vez. Era um frasco pequeno. Ele tomou um pouco da bebida e me entregou.
— Beba! Vai te ajudar a se acalmar...
Tomei um pequeno gole e senti a bebida queimar a minha garganta. Aquilo certamente não era chá de camomila. Mesmo assim, vez ou outra levava o frasco aos lábios e tomava um pouco, enquanto Henry revirava as caixas como se buscasse algo específico.
— O que eu estou fazendo com você, Henry? — perguntei, movida pela coragem líquida que estava tomando.
Ele se virou para mim, surpreso.
— Em alguns momentos você se comporta como se me quisesse... mas, Madeleine, nenhuma mulher que passou pela minha cama desejou uma segunda vez. Não me dê esperanças para depois voltar a demonstrar apenas medo de mim.
Chacoalhei a cabeça, confusa. O álcool, pelo jeito, já estava cumprindo o seu papel. Henry ficou mais um tempo revirando as caixas, mas, quando se aproximou novamente, ele tinha um sorriso torto nos lábios.
Henry se ajoelhou diante de mim, buscando a minha mão com as dele. Percebi os nós dos dedos machucados, mas logo isso perdeu a importância.
— Madeleine, aceita se casar comigo?
— Henry, tenho mesmo outra opção?
— Não!