Capítulo 11: Henry Blackburn Está De Volta

2000 Palavras
Madeleine — Madeleine, prometo ser um bom homem pra você e um bom pai para a nossa filha! — Quero que faça mais uma promessa... Os olhos escuros de Henry brilhavam com uma emoção que eu não sabia distinguir, mas talvez fosse resultado do mesmo fogo que ardia em mim. Me sentia febril, desejando o toque das mãos dele em lugares sensíveis do meu corpo. Onde será que Henry deseja ser tocado? — O que você quer de mim? — a voz rouca dele fez o meu coração errar uma batida, aquele homem era sinônimo de pecado. Não pensava direito quando ele estava perto. Toquei os nós dos seus dedos com cuidado, havia algumas escoriações, segurei a sua mão e a guiei até a minha boca, beijando suavemente, ele fez um barulho com a garganta, e quando o encarei, seu rosto estava tenso e ele mordia a boca de um jeito que eu mesma gostaria de fazer. — Quero que me prometa que não importa o que aconteça, por mais furioso que fique, nunca... nunca usará os seus punhos em mim ou em Catarina! Ele pareceu surpreso com o meu pedido, mas então deu um pequeno sorriso sem graça. — Madeleine, nunca serei violento com vocês. O que você viu aqui foi uma situação diferente, o meu trabalho hãm... é complicado. Mas quero que saiba que eu nunca bati em uma mulher, e nunca farei algo assim. Bom, se você pedir por uns tapas na b***a no nosso quarto, eu não vou recusar. — Você é um depravado! — resmunguei, sentindo-me corar até o último fio de cabelo. Precisava considerar que ao aceitar aquele casamento deveria aceitar tudo que vinha junto com ele, definitivamente não me sentia pronta para me entregar para Henry, não importa o quanto de desejo sentisse, não havia considerado nem em sonho que um dia deveria permitir que um homem me tocasse intimamente. — Case-se comigo, Madeleine... — Por que as suas ex-namoradas não voltavam para a sua cama? Essa era uma pergunta que eu queria fazer desde a primeira vez que ele me disse isso, mas não tive coragem. O álcool havia me deixado corajosa demais para o meu próprio bem. — Nunca perguntei! — ele respondeu seco, e um leve tremor percorreu o meu corpo. Tinha cruzado uma linha perigosa, e não gostaria de esticar essa corda pra ver até onde ia, teria que descobrir por mim mesma. — Dê a minha resposta! Henry estava impaciente, o olhar duro sobre mim era como um alerta bem alto de perigo, ainda assim eu lhe dei a única resposta possível. — Sim, eu aceito me casar com você. Henry enfiou a mão no bolso e retirou um belíssimo anel de dentro. Ele deslizou o anel no meu dedo anelar direito, e o seu semblante suavizou. — Me deixe te beijar... — ele se levantou e me puxou com ele, seus braços enlaçaram a minha cintura me mantendo firme, colada ao seu corpo. — O seu jeito de beijar é um pouco... desconfortável — falei sem jeito, mas se a gente iria ficar juntos, precisava dizer a ele o que me incomodava. — Me diz como gosta e eu posso tentar do seu jeito. Eu não consegui dizer nada, não queria dizer que ele foi o único homem que eu beijei e que não fazia ideia de como seria um beijo bom, mesmo assim não queria que ele me machucasse com a boca. Como eu fiquei calada, ele deu um sorriso torto, com as mãos ainda firme em minha cintura, ele fechou os olhos. — Não vou me mexer dessa vez, mas você precisa me ensinar o seu ritmo... Segurei o seu rosto com as duas mãos, e fiquei na ponta dos pés para poder alcançá-lo, usei o seu corpo como apoio, fiquei feliz por ele ter fechado os olhos, porque eu estava morrendo de vergonha. Toquei os seus lábios com os meus, apenas roçando, ele manteve-se no lugar, e eu me permiti explorar mais, com a língua testei o seu sabor, alternava o movimento da língua em sua boca com as sucções nos lábios. Beijei a sua boca com devoção, gostei da sensação, espalhei mais beijos pela sua barba e até me atrevi a morder o seu queixo de leve, ele grunhiu em resposta. — Isso foi r**m? — perguntei preocupada. Henry abriu os olhos pra me encarar. — Isso foi bom pra p***a! Mas agora é a minha vez, amor... Meu corpo instantaneamente ficou tenso e acredito que ele percebeu, porque afrouxou o aperto em volta da minha cintura. Mesmo assim, fechei os olhos esperando pelo seu beijo selvagem, apesar da dureza, o beijo de Henry foi surpreendentemente agradável, suas mãos passeavam pelo meu corpo, até subir para o meu pescoço, onde ele traçou uma linha no meu queixo e beijou em seguida. — Henry... — sussurrei seu nome, enquanto meu corpo e mente fraquejaram diante daquele homem. — Vamos embora, não quero t*****r com você em um galpão. Pelo menos, não até ter certeza que não vai me deixar por ser um... depravado, como você diz. Entreguei o frasco com a bebida para Henry, mas uma dose e eu realmente acabaria no chão daquele galpão com ele. Bastou um pouco pra eu me sentir encantada pelo homem, pelo beijo e pelo lindo anel em meu dedo. Quando passamos pelo portão, Roger estava parado do outro lado da rua, como um cão de guarda. Henry segurava a minha mão com firmeza enquanto observava a movimentação antes de atravessarmos. — Roger, quero que faça uma lista com todos os itens do galpão, quero saber exatamente o que está faltando e quem me roubou! — Deixa comigo, senhor. — E Roger, espalhe a notícia de que Henry Blackburn está de volta, e vai cobrar com juros cada um que o roubou! Senti o ar me escapar, Henry estava mandando uma mensagem para os seus inimigos e não fazia ideia de que eu era uma dessas pessoas. Eu roubei algo tão valioso quanto qualquer item de luxo daquele galpão. Roubei sua amostra biológica e engravidei sem a sua permissão. O calor pelo momento que tivemos foi substituído por uma rajada de vento que me congelou os ossos, não era como se estivesse ventando de verdade, mas eu não conseguia parar de tremer. — Você está bem? — Henry perguntou assim que nos afastamos do galpão. — Sim — respondi, fracamente. Ele me olhou de esguelha, mas não falou mais nada. Caminhamos em silêncio em direção a uma grande embarcação. — Preciso visitar os outros galpões, mas depois do que houve, não vou te levar comigo. Pode ficar perigoso. Nós vamos almoçar aqui e depois te deixarei em casa. Ele deu um pequeno sorriso e estendeu a mão para me ajudar a entrar no barco. Olhei para ele um pouco preocupada, não era um salto grande até o barco, mas fiquei com medo. — Não vou deixar você cair, confie em mim! — ele apertou minha mão com mais firmeza, e eu saltei. Ele me pressionou contra o seu próprio corpo, e soltou uma risada rouca. — O que foi? — perguntei, me afastando bruscamente. — Estou louco pra entrar em você, amor. — Henry, não pode falar essas coisas pra mim — o repreendi. — Não estou falando com uma virgem e em breve você será a minha esposa, tem que se acostumar comigo, amor! Fiz uma careta, mas ele apenas sorriu, relaxado. — Também não gosta quando te chamo de "amor"? Não sei o motivo, mas tive a impressão de que aquela era uma pergunta teste, como se Henry de alguma forma desconfiasse de mim, mas concluí que estava apenas impressionada demais. — Eu gosto — sussurrei, aliás tinha que fingir algum sentimento. Podia sentir uma grande atração por Henry, mas amor seria impossível. Éramos absolutamente diferentes. O interior do barco estava lotado de rosas vermelhas e confesso que fiquei emocionada com a surpresa. — Isso está lindo, Henry. Havia uma mesa para dois, Henry puxou a cadeira pra que eu pudesse me sentar. Em cima da mesa tinha um lindo buquê de rosas e outro pequeno ao lado, como se fosse uma miniatura do buquê maior. — Esse é seu — ele me entregou e se inclinou para me dar um beijo casto na boca — e esse é para Catarina. Meus olhos marejaram instantaneamente, e eu tentei afastar uma lágrima que escorreu do canto dos meus olhos. O garçom apareceu com uma garrafa de vinho branco e Henry pediu que ele se retirasse que ele mesmo abriria a garrafa. — Não fiz isso pra te fazer chorar... quero que goste de mim, Madeleine. — Não entendo — balancei a cabeça, tentando organizar os meus pensamentos — por que você quer se casar comigo? Você nem... Por pouco eu não solto, que ele nem me conhece. Respirei fundo, precisava me acalmar, ou aquele almoço romântico iria acabar comigo no fundo do mar. Quando voltei os olhos para Henry, ele me encarava sério, o que fez cada pelo do meu corpo arrepiar. — Continue o que estava dizendo! — o pedido dele soou como uma ordem. — Estava dizendo que você nem se lembra de mim... ou já se lembrou? Ele deu um sorriso torto e continuou concentrado em abrir o vinho. Serviu duas taças de vinho para nós, e eu fiz uma nota mental para não beber mais do que o necessário. — Sabe que não vai poder amamentar a Catarina hoje por causa do álcool, certo? — Sim, eu sei. — Você é muito jovem, por isso queria checar se você sabia disso... não se ofenda. — Sem problema — resmunguei de volta. — Madeleine, quero me casar com você, porque faço questão de que a nossa filha cresça com o pai e a mãe juntos. Não abriria mão dela e acredito que você não iria ficar feliz em deixá-la ser criada apenas por mim! — Seria mais fácil entrar num acordo, não consigo entender porque temos que nos casar... — quando me dei conta, minha taça já estava vazia. Henry se mexeu desconfortável na cadeira, e desabotoou o terno, imaginei que a roupa estivesse começando a incomodar os seus machucados. — Esse é o único acordo que me interessa. Você será a minha esposa! — ele rosnou em resposta. Não tive coragem de retrucar, ele parecia nervoso, e eu não o conhecia o suficiente pra saber o quanto isso poderia ficar r**m. O almoço seguiu com conversas mais amena, mesmo assim vez ou outra Henry fazia uma careta de dor. Antes da sobremesa ser servida, eu resolvi intervir. — Henry... — baixei a voz para que os funcionários do barco não escutassem — vamos levar isso pra comer no carro. Ele me olhou confuso sem entender onde eu queria chegar. — O que está pensando, Madeleine? — Que você precisa tirar essa camisa — falei sem pensar direito nas palavras, e Henry deu uma risada safada. Ele retirou o terno de uma vez, mas antes que fosse para os botões da camisa, eu o impedi. — Posso tirar a camisa aqui, amor. — Nem pensar! — respondi, e me levantei de uma vez, irritada. — Vamos para o carro! — Está com ciúmes, Madeleine? Peguei a minha taça com sorvete e a colher pequena e segui na frente, sem olhar para trás, mesmo sabendo que precisaria de ajuda para descer do barco. Henry me ajudou a sair do barco e caminhamos até o local onde a caminhonete estava estacionada. Assim que entramos no carro, ele retirou a camisa, em algumas partes o tecido havia grudado na pele. — Henry precisa ir para um hospital — detestava vê-lo sofrer. — Não podem saber que estou assim, isso para os meus inimigos seria uma vantagem. — Você não devia ter enfrentado aquele homem no galpão, ele estava armado e você está... todo machucado. — Não estou "todo" machucado, amor. Pelo menos, não na parte de baixo!
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