A madrugada chegou com o tipo de silêncio que faz a pele arrepiar. Eu já tinha acordado duas vezes só com o barulho de motos passando na rua abaixo. Cada farol que cortava a janela fazia meu coração bater descompassado, como se meu corpo soubesse antes da mente que ele viria. E ele veio. As batidas na porta foram secas e impacientes. Uma, duas, três. Meu corpo congelou no sofá. Estava deitada ali, vestindo apenas uma camiseta velha, as pernas descobertas por causa do calor abafado. Levantei-me devagar, os pés descalços tocando o chão gelado, o estômago revirado numa mistura de medo e adrenalina. Fui até a porta e, antes de encostar na maçaneta, parei com a testa colada na madeira. "Finge que não está... Fica quieta... Ele vai embora..." Mas a quarta batida veio mais forte. Mais autor

