Sem esperar resposta, ele pegou a chave da moto e saiu, deixando a porta aberta. E eu ali, deitada no sofá, com o corpo inteiro dolorido, a calcinha rasgada, os olhos ardendo de lágrimas que eu me recusava a derramar. O pior de tudo era saber que, por mais que eu quisesse odiar ele, uma parte minha ainda queria de novo. Fiquei deitada no sofá, com a calcinha rasgada, a pele ardendo e o cheiro dele grudado em mim. A casa inteira parecia impregnada dele. O ar, as paredes, o chão, até minha respiração carregava o gosto daquela madrugada. Levantei com as pernas tremendo e fui pro banheiro como se estivesse sonâmbula. Me olhei no espelho. O pescoço cheio de marcas roxas, o lábio inferior machucado de tanto que ele mordeu, os olhos vermelhos e inchados, e aquele olhar perdido, de quem não sa

