Marco.
Sequestrar uma virgem prometida a um traficante de armas talvez não tenha sido a minha melhor escolha.
Na verdade, provavelmente entraria para as cinco piores escolhas da minha vida — o que diz muito, considerando que eu era conhecido por fazer coisas bem ousadas.
— Você ouviu o que eu disse? — perguntou Mirella, com os olhos arregalados e uma inocência quase provocadora. — Quero que você seja o meu primeiro.
— Foi difícil não ouvir. — Soltei-a do aperto inabalável e voltei-me para a garrafa de vodca de cristal que meu pai havia adquirido durante uma de suas visitas à terra natal. — Uma virgem?
— Isso é um problema? — Ela mordeu o lábio inferior enquanto brincava com as pontas do cabelo.
— Por que você não me disse antes? — Servi para mim mesmo uma dose dupla. — Acabei de saber.
— Por que você não me disse antes de quase me f***r contra a estante de livros?
— Eu disse.
Virei o drinque de vodca, entendendo perfeitamente por que eu estava em guerra. Não apenas havia feito a filha de Antônio de refém, como também atrapalhei seriamente seus planos de casá-la. A inocência dela provavelmente era um fator crucial na negociação do acordo com Garcia.
Transar com ela passou a ter um significado completamente novo.
Despejei o resto da vodca suave no copo. Teria que pedir para Matteo trazer outra caixa se quisesse sobreviver a esse desastre. Eu bebia bastante, mas a presença dela só aumentava essa vontade.
— Você está bravo porque eu nunca fiz sexo antes? — Ela tirou o copo da minha mão e terminou a bebida. — Achei que isso fosse algo bom.
— Você não faz ideia do quanto isso é bom. Para mim.
— Então, qual é o problema? — Ela colocou o copo sobre a mesa e passou os braços em volta do meu pescoço. — Você mesmo disse que nós dois precisamos disso.
— Mudei de ideia.
Na verdade, não. Mas eu precisava desacelerar e reavaliar a situação. Se eu a reivindicasse, arruinaria o relacionamento dela com Garcia. Ela se tornaria inútil no casamento arranjado por Antônio.
Embora eu adorasse a ideia de me vingar dos dois, eu poderia devolvê-la como mercadoria danificada? O que aconteceria com ela depois?
— Eu não entendo — disse ela.
— Você não precisa entender. Se eu disse que tomei uma decisão, essa é a palavra final.
— Eu não trabalho para você.
— Jamais trabalharia para mim. — Se algum dos meus homens falasse assim comigo, eu atiraria nele na frente dos outros para deixar minha posição bem clara.
— Se eu digo que estou pronta para f********o, isso é tudo o que você precisa saber. Sou uma adulta que consente.
Dizer que você é adulta era discutível.
— Você estará pronta quando eu disser que está pronta. — Segurei seu queixo. — Nem um segundo antes.
— Eu realmente não gosto de você.
— É exatamente por isso que o sexo entre nós seria explosivo. — Abaixei os lábios até a boca carnuda e tentadora dela. — Quanto mais você me odiar, melhor será.
— Você é doente.
— Quem mora em casa de vidro… — Passei a mão pela lateral do corpo dela. — Você me deseja de forma desesperada, mesmo sabendo que não deveria.
— Você não sabe o que eu quero.
— Não? Você fodeu sua família por isso. Cruzou a linha inimiga e, em vez de se sentir repelida pelo meu toque, não consegue se fartar dele.
Coloquei a mão no quadril dela. — Você veio atrás de mim e agora vai enfrentar as consequências.
Quando encostei meus lábios nos dela, ela agarrou meus ombros. Segurei seus braços e a puxei contra meu peito, enfiando a língua em sua boca.
— Hum… — ela gemeu.
— Vê o quanto você me deseja? — Passei os dedos pela garganta dela. — O quanto está desesperada para se entregar a mim?
Ela me encarou por entre os longos cílios, tentando controlar a respiração irregular. Tudo o que eu queria era curvá-la sobre a mesa e dar a nós dois o que desejávamos: uma f**a forte o suficiente para nos trazer juízo.
Pense com a cabeça, não com o p*u.
Eu precisava clarear a mente, e isso era impossível com ela parada à minha frente, seminua, cheirando a morangos e sexo.
— Suba e se vista. — Afastei-me, exercendo um autocontrole quase sobre-humano. — Agora.
— O quê? Por quê?
— Porque eu mandei.
— Então eu digo não.
Cerrei os punhos, lutando contra o impulso de estrangulá-la. Como alguém tão linda conseguia despertar em mim impulsos tão violentos?
— Não tolero desrespeito. — Avancei, fazendo-a recuar. — Você fala demais, mas sabe que, em algum momento, vai me forçar a descarregar toda a minha raiva em você.
— Você não faria isso — disse ela, sem convicção.
— Não? — Dei outro passo. — Então por que você recua?
Ela brincou com o cabelo, olhando em volta do quarto. Procurava uma saída?
— Quando isso acontece, tudo vai longe demais — disse ela, sustentando meu olhar. — E nenhum de nós quer isso.
Por que isso me excitava tanto?
— Suba e vista-se. — Apontei para o corredor. — Tenho guardas na casa. Não posso deixar você andando quase nua, exibindo o que é meu.
— Não. — Ela manteve o olhar firme. — Não vou obedecer.
— Vou fazer você me ouvir.
Avancei, e ela saiu correndo do quarto pelo corredor. No instante em que alcancei a porta, meu telefone tocou.
Por sorte — ou azar — era uma ligação importante demais para ignorar.
Mirella subiu as escadas correndo enquanto eu atendia.
— Pai — disse. — Você está bem?
— Estou bem? — A voz dele soou dura. — Que merda você está fazendo?
— Você ouviu sobre a situação atual.
— A guerra que você iniciou?
— Estou tentando controlar. Quero trazer você para casa.
— Como sequestrar a filha do Antônio vai fazer isso? — Ele fez uma pausa. — Ele sabe de algo que nós não sabemos?
— Ainda não sei.
— Decepcionante.
Sentei-me no chão perto do gabinete, sentindo cada palavra dele me atingir em cheio.
— Volte a focar no jogo. Não vou perder meu império porque você se deixou distrair por um rosto bonito.
— Não é isso que está acontecendo.
— É exatamente isso.
A ligação terminou deixando um peso esmagador no peito.
Quebrei a garrafa vazia de vodca contra a mesa. Os cacos se espalharam pelo chão. Não foi a única coisa que se partiu naquela noite.
Minha autoconfiança estava em frangalhos.
Subi as escadas com passos lentos. Eu deveria deixá-la sozinha, mandar Ricardo lidar com isso. Mas o monstro dentro de mim queria sua chama. Ela era o fósforo para a minha gasolina.
Abri a porta do quarto.
Ela m*l levantou os olhos. Roupas e caixas vazias estavam espalhadas pelo chão.
— Você não fez o que eu mandei — falei.
— Gostei da lingerie. — Ela vasculhava as sacolas. — Quem escolheu isso tem um gosto impecável.
— Está impressionada?
— Considerando que dinheiro não é problema para você, não esperaria menos. — Ela se virou. — O que você quer?
— Algo que só você pode me dar.
— O quê?
— Você só me causou problemas desde que veio para cá.
— Você causa a própria irritação.
Quando ela ajeitou o short apertado na b***a, meu corpo respondeu antes da razão.
— Talvez. Mas agora você vai aliviar um pouco desse estresse. — Bati a porta com força. — Ajoelhe-se.