Mirella
Folhas estalavam sob as botas pesadas do lado de fora da janela do meu quarto. Matteo caminhou a passos largos até seu carro com dois dos guardas que o acompanhavam. Ele olhou por cima do ombro para a minha janela e franziu a testa antes de entrar no banco de trás e bater a porta.
Por que Ricardo não o deixou com eles?
Isso importava? Eu tinha assuntos mais importantes para tratar.
Troquei o moletom pelo shortinho rosa e pela regata que Marco tinha encomendado para mim.
Eu olhei de relance no espelho, admirando o contorno da minha b***a vestida no short.
Vamos ver se você pode resistir a mim agora, senhor irritante.
Cutucar o urso talvez não fosse a decisão certa, mas provocá-lo, trazê-lo para mim, o aquecimento podia ser minha única esperança de sair dessa com poucos danos.
Desci as escadas apressadamente e entrei no escritório — um cômodo magnífico, com estantes de mogno e tetos altos. Havia também um recanto aconchegante junto à lareira, com vista para o quintal. Eu poderia facilmente me aconchegar ali por horas com uma xícara de chá quente e um daqueles livros enquanto Marco trabalhava na escrivaninha.
O silêncio dentro do quarto vazio me atraiu. Pela primeira vez desde o nosso encontro com Marco, eu tive um momento para processar tudo. Eu havia reagido às exigências do meu pai sem pensar. Porque, se eu tivesse parado por um segundo,
se eu respirasse fundo, provavelmente teria percebido que correr para o acampamento inimigo talvez não tivesse sido a melhor escolha.
Mas, se eu não tivesse vindo até Marco, eu estaria me preparando para um noivado.
A culpa foi do meu pai, não minha. Ele me forçou a correr para os braços do seu rival, e agora todos nós pagaríamos o preço.
Parei em frente às altas estantes e passei os dedos pelas lombadas de cada livro. Estavam dispostos em ordem alfabética e organizados em duas seções: ficção e não ficção.
Havia muitos thrillers políticos e livros de história. Dei uma risadinha quando me deparei com O Poderoso Chefão, de Mario Puzo. Será que… O sr. Irritante leu esse?
— O que você está fazendo aqui?
Virei-me rapidamente e encontrei Marco parado à porta, com uma expressão mais pensativa do que o normal. Que sexy.
— Esperando por você — eu disse.
— Em roupa íntima? — Ele entrou no escritório e fechou a porta.
— Você queria que eu usasse as roupas que comprou para mim. — Sorri. — Gostei destas.
— Tenho certeza de que meus funcionários também vão gostar de ver você usando essas roupas. — Ele pegou a garrafa de vodca que estava sobre a mesa. — É essa a sua intenção? Dar um show para os meus homens?
Há apenas um homem em quem eu estou interessada.
— Por que você não me disse que ia se casar com Garcia? — Ele se serviu de uma bebida. — Você não achou que seria uma informação útil?
— Eu nunca ia me casar com ele.
— Isso não é o que as pessoas estão dizendo.
— Só fiquei sabendo disso ontem à noite, por isso vim te ver. — Acenei com a cabeça para o copo dele. — Você bebe demais.
— Você fala horrivelmente quando bebe muito.
— Isso é justo. — Assenti com a cabeça para o copo dele. — Posso ter um?
Ele serviu outro copo e me entregou.
— Obrigada — eu disse.
— Por que você veio até mim?
— Eu queria que você me ajudasse. Achei que poderíamos chegar a um acordo, mas você tinha outros planos.
— Eu ainda tenho essas ideias. — Ele virou o copo. — Você ainda quer a minha ajuda?
— Quanto vai me custar? — Virei o copo de vodca de uma vez, tentando encontrar alguma coragem no conteúdo da bebida. — Tenho quase certeza de que posso pagar.
— Não é tão simples assim.
— Por que não?
— Minha ajuda tem um preço alto, principalmente porque o que você está me pedindo pode custar caro para a minha família. — Ele serviu mais vodca no meu copo. — Tem certeza de que está pronta para firmar um contrato assim?
— Por que você sacrificaria sua família por mim?
— Não será a minha família que sacrificarei. — Ele acenou com a cabeça para mim. — Será a sua que pagará o preço.
Levei a borda do copo aos meus lábios, mas dessa vez tomei apenas um gole.
O gosto forte revestiu minha boca e minha garganta antes de se estabelecer no meu peito.
— Matteo acha que eu deveria te soltar e focar nas minhas próprias preocupações. — Ele me observou. — O que você acha? Você não é a responsável?
— Você realmente precisa perguntar? — Ele se encostou na beirada da mesa. — Assumo total responsabilidade pelas pessoas que são importantes para mim.
Será que eu sempre importaria para ele?
— Eu também cuido daqueles que me são leais. Se você depositar sua confiança em minhas mãos, não se arrependerá, mas terá que obedecer às minhas regras.
— Eu não gosto de regras.
— Não me importo com o que você gosta. Vou impor regras para proteger minha família e, se você não as seguir, vai se arrepender. — Ele percorreu meu corpo seminu com o olhar. — O que vai ser, princesa? Devo pedir para Ricardo te levar para casa, para o seu pai?
Que escolha eu tinha? Se Marco me mandasse de volta, eu teria que seguir as regras do meu pai. Eu poderia tentar fugir, mas até onde chegaria?
No entanto, se eu ficasse ali, quem sabia de quem seria o sangue derramado? Desobedecer ao meu pai valeria a pena, mesmo que isso significasse perder vidas? Obedecê-lo e casar com um homem que eu não amava — e jamais amaria — era algo que eu conseguiria fazer?
Eu poderia abrir mão da possibilidade com Marco?
— Eu não quero me casar com Oliver.
Deus me ajude, eu sacrificaria tudo para ficar com o homem que me desprezava e queria me possuir. Isso era melhor do que casar com Oliver?
Sim. Mil vezes melhor.
— Por quê? — Seu maxilar se contraiu, e o rosto se contorceu em uma expressão que só podia ser descrita como fúria.
— Você se casaria com uma mulher que não ama?
— Eu não me casaria com ninguém — ele murmurou. — Isso não é para mim.
— Por quê?
— Não estamos falando de mim — ele retrucou. — Seu casamento com Garcia é uma boa oportunidade para o seu pai. Uma que garantirá a segurança e a posição da sua família na organização. Eu entendo por que ele te usou como moeda de troca.
O que ele tinha contra o casamento?
— Não me importo com a posição da minha família. — Um arrepio subiu pela minha nuca ao pensar em ser forçada a uma aliança tão bárbara com um homem que queria me levar a um médico para ter certeza de que eu era virgem.
Quem faz isso?
Nem pensar em gerar um herdeiro. Eu jamais transaria com Oliver.
— Por que isso é minha responsabilidade? Meu pai conseguiu levar essa vida por anos sem mim. Ele nunca me pediu ajuda antes. Ele não poderia ter começado com algo mais simples?
— Há algo chamado obrigação.
— Seu pai faria você fazer algo que você não quisesse?
— Ele não precisaria me obrigar. Eu faria o que fosse preciso para nos manter seguros. Sem perguntas.
— Acho que você é um filho melhor do que eu. — Terminei a vodca, na esperança de que isso acalmasse minha raiva em relação aos planos do meu pai.
— Talvez o problema não seja o filho — ele deu de ombros —, embora você seja definitivamente uma filha problemática.
Revirei os olhos, e ele cerrou o punho.
— O que eu quis dizer é que talvez, se seus pais tivessem sido mais rígidos com você, em vez de ceder a todos os seus caprichos, você estaria mais inclinada a ajudá-los.
— Se ele precisasse pegar dinheiro emprestado do meu fundo fiduciário ou quisesse que eu entregasse um pacote, eu ajudaria, mas casar com um homem que eu não conheço é um erro. Querer fazer uma aliança é um pouco demais, não acha?
— Sabendo que tipo de homem Garcia é, isso me faz questionar os motivos do seu pai.
— Não quero me envolver nisso. Não é o meu legado. Obviamente, meu pai me entregaria a um homem inescrupuloso antes de me confiar qualquer coisa relacionada ao mundo dele.
Não que eu quisesse ter qualquer envolvimento nesse negócio brutal. Posso ter me beneficiado a vida inteira da maneira como meu pai ganhava dinheiro, mas isso não significa que eu aprovasse.
— Se eu mantiver você aqui comigo, terei que lutar muito pelo meu território. — Ele pousou o copo sobre a mesa. — Uma batalha será inevitável, e pessoas morrerão.
— Meu pai? — perguntei. Por mais que eu o desprezasse por pensar que poderia me forçar a um casamento arranjado, eu não queria que ele morresse. Eu não queria que ninguém morresse.
— É uma possibilidade. — Marco nem sequer hesitou ao me encarar.
— Por que alguém tem que morrer? — Voltei a me concentrar nos livros, porque aquela conversa estava real demais. — Por que você não pode negociar?
— Negociar o quê?
— Eu não sei como isso funciona. Por que vocês estão brigando por território? Por que seu pai está foragido?
— Nada disso lhe diz respeito.
— Você fala igualzinho ao meu pai. — Coloquei o copo na prateleira. — Ele também nunca me diz nada. Só espera que eu obedeça às ordens dele.
— Eu também espero isso.
— Então você ficará desapontado.
— Vou conseguir o que quero. — Ele se aproximou por trás e me abraçou pela cintura. — Mas prometo que não sou nada como seu pai. Talvez você não goste das minhas táticas.
— Você pode se surpreender.
O hálito quente dele roçou minha pele, causando-me um arrepio.
— De onde vieram todos esses livros? — perguntei, tentando mudar de assunto.
— Minha mãe era uma leitora voraz. Ela incutiu esse hábito em mim e em Matteo. Todas as casas que meu pai possui têm material de leitura suficiente para manter alguém ocupado por anos.
— Você lê um livro e nunca está sozinho — era o que ela costumava dizer.
— Ela parece ter sido muito inteligente. — Examinei as prateleiras. — Quando eu era criança, fazíamos muitas viagens inesperadas. Agora percebo que era porque meu pai queria nos manter longe do perigo. Eu também lia muito.
Quando estendi a mão para pegar um livro em uma prateleira mais alta, Marco deslizou a mão pela minha barriga até meus s***s. Apertei a estante enquanto ele beijava a lateral do meu pescoço.
— Eu queria voltar para onde nós estávamos antes de Matteo interromper.
— Onde foi isso? — expirei.
— Bem aqui. — Ele deslizou a mão pela frente do meu short. — Você ainda está molhada para mim?
Estou louca de desejo por você desde que você me fez refém.
— Você tem se exibido com isso. — Ele enfiou os dedos dentro de mim, movendo-os mais rápido e com mais força do que antes. — Desde o minuto em que nossos olhares se cruzaram naquela primeira noite.
— Marco. — Apertei as pernas, prendendo seus dedos com força. — Não deveríamos… quer dizer… eu não sei se…
Minha boca dizia uma coisa, mas meu corpo reagia de forma completamente diferente ao movimento prazeroso entre minhas pernas.
— Chega de joguinhos. — Ele apertou meu seio, rolando meu mamilo entre o polegar e o indicador. — Quer a minha proteção? Está pronta para se entregar a mim e confiar que eu posso te proteger?
— É difícil me concentrar quando estamos assim. — Empurrei os quadris para trás, cavalgando seus dedos.
— Você não precisa se concentrar. — Ele beijou a lateral do meu pescoço. — Deixe-me conduzir.
— Você quer que eu renuncie ao controle?
— Isso faz parte do plano. — Ele aumentou o ritmo dentro de mim. — Você já está cedendo. Não vai ser preciso muito para que você me dê tudo o que eu quero.
Agarrei-me à prateleira quando ele me inclinou para a frente, arqueando minhas costas.
— Marco! — gritei quando a sensação crescente em meu estômago desceu, pulsando entre minhas pernas. Quando ele acariciou meu c******s, meu corpo tremeu como o de uma mulher possuída.
Talvez fosse mais como um vício. Seja o que fosse, eu nunca tinha tido esse tipo de reação por nenhum homem. Eu me senti atraída por ele desde o momento em que o vi no leilão.
Arranhei a madeira sob meus dedos enquanto apoiava a lateral do rosto na prateleira. O balanço dos meus quadris no ritmo dos dedos dele fez minhas pernas tremerem; então me esforcei para não ceder e cair no chão.
Ele aproximou os lábios da minha orelha, lambendo o lóbulo enquanto segurava meu quadril com a mão livre.
— O que vai ser? — O hálito quente, impregnado de vodca, roçou minha pele aquecida. — Você está disposta a abrir mão do controle e depositar toda a sua confiança em mim?
— Eu… — fechei os olhos e me rendi à autoridade que ele já exercia sobre mim.
— Você quer a minha proteção? Está disposta a pagar o preço para ter isso?
— Sim! — explodi em torno dos dedos dele.
Era eu cedendo à sensação, às p************s, ou concordando com os termos dele? Isso importava a essa altura?
Luzes brancas tremeluziam atrás das minhas pálpebras enquanto ele continuava a girar os dedos dentro de mim. Minha respiração entrava e saía em rápidas sucessões, mas eu estava excitada demais para me mexer.
— Precisamos oficializar isso. — Ele se moveu atrás de mim, ainda me segurando com uma das mãos. — Você fez a escolha certa.
Olhei por cima do ombro enquanto ele desabotoava o cinto.
— Espere! — Afastei-me da estante e me virei para encará-lo. — Eu não quero que seja assim.
Ele entrelaçou a mão no meu cabelo e me beijou com a força que eu já esperava dele. O poder que eu tanto desejava.
— Se eu te reivindicar assim, não haverá volta para nenhum de nós.
— Aqui não. — Olhei ao redor do quarto. — Não assim.
— Por quê? — Ele beijou o canto da minha boca. — É o que nós dois precisamos.
— Eu… eu quero ficar com você. Definitivamente quero que você seja o meu primeiro. — Dei-lhe um beijo suave. — Só não assim.
Ele agarrou meus braços e me prensou contra as prateleiras. A expressão dele mudou de sexy e lasciva para… fúria.
— Seu primeiro o quê?