Marco.
— A concessionária foi atacada, — Matteo disse. — Todos os carros do showroom foram vandalizados.
— p***a, não! — cerrei o telefone na mão. — Temos imagens de vigilância?
— Você sabe quem fez isso? — perguntei.
— Oliver e seus homens.
— Por que não estou surpreso?
— Isso foi uma mensagem — disse Matteo. — Simples e direta. Você precisa voltar para casa e lidar com isso.
— Eu consigo lidar com isso daqui. — Olhei para Mirella. — Há mais alguma coisa?
Reprimi a raiva que fervilhava dentro de mim. Não gostava de ser provocado, especialmente quando isso afetava meus lucros. Quanto menos carros eu tivesse na minha frota, mais difícil seria lavar dinheiro através da empresa. Esposito sabia disso. Ele estava me atingindo onde mais doía.
— Ele pichou uma mensagem em um dos carros — disse Matteo. — Eu diria que foi algo muito pessoal, e isso é mais um motivo para acabar com isso. Você sabe o que acontece quando deixamos as emoções se transformarem em vinganças.
— O que estava escrito?
— “Devolva o que você pegou.”
— Que se dane ele.
— Marco — Matteo gritou. — Você não pode manter sua concentração dividida.
— Não é isso que estou fazendo.
— Você e Mirella precisam voltar para casa e decidir como vão lidar com isso. Se você não quiser devolvê-la, que assim seja. Vocês dois ainda podem ficar juntos, mas eu preciso de você na linha de frente — disse ele.
— Posso comandar tudo daqui.
— Entre isso e o carregamento do cartel, não podemos levar outro golpe. Parecemos fracos. Ninguém vai confiar em nós se não resolvermos isso. Papai não teria deixado isso acontecer.
— Você acha que eu não sei disso?
Quanto mais tempo meu pai ficava incomunicável, mais eu percebia o quanto ainda tinha a aprender se quisesse, algum dia, administrar essa operação.
— Não estou te culpando — disse Matteo. — Mas precisamos retomar o controle.
— Vamos atacar com força — assegurei. — Venha para cá para que possamos formular um plano.
— Ok… — ele suspirou. — Eu espero que você saiba o que está fazendo.
Encerrei a chamada e joguei o celular na mesa de cabeceira.
Mirella se aproximou por trás e me abraçou pelo pescoço. Seus braços eram o último lugar onde eu deveria buscar conforto, mas essa possibilidade já havia sido superada uma hora antes, quando decidi fazê-la minha.
— O que está errado? Você está tão tenso — disse ela, massageando meus ombros. — Pensei que, depois do que fizemos, você relaxaria.
— Relaxei, mas não por muito tempo.
— O que aconteceu?
— Negócios.
Não queria envolvê-la nisso.
— Parece sério — ela disse.
Guiei-a até a cama e a acomodei sobre meu peito para poder abraçá-la. Envolvido por seu calor, tentei entender como ela havia conseguido entrar na minha vida. Eu a queria ali — caso contrário, ela não estaria.
— Você não quer falar sobre isso? — perguntou.
— Nas próximas horas, só vou falar disso.
A abracei forte, inalando seu doce perfume, enrolando uma mecha de seu cabelo sedoso no dedo, achando aquilo estranhamente reconfortante.
— A concessionária foi vandalizada hoje à noite. Vários carros foram depredados.
Meu sangue ferveu. Aquele verme do Garcia estava destruindo o que era meu — o que minha família trabalhou tão duro para manter por décadas.
Ter transado com a noiva prometida foi um pequeno consolo.
— Que terrível — ela disse, apoiando-se no braço. — Você sabe quem fez isso?
— Sei.
— Quem seria e******o o bastante para mexer com você e ainda deixar claro que foram eles?
Puxei-a de volta para o meu peito.
— Você não precisa se preocupar com isso. Eu cuido de tudo.
— Foi meu pai? — Mirella perguntou. — Foi porque você me levou?
— Você ouviu o que eu disse? — elevei a voz. — Não vamos discutir isso. Já tenho problemas suficientes.
— Sinto muito que isso tenha acontecido com você.
— Você não é responsável pelas ações do traficante de armas nem pelas do seu pai.
— Eles não teriam vindo atrás de você se eu não tivesse atrapalhado sua vida.
Ela não estava errada. Olhei para o corpo nu e perfeito dela, e meu p*u endureceu. Talvez não estivesse dez vezes pior.
— Não entendo por que meu pai está fazendo isso.
— Ele vê uma vantagem e está se aproveitando. Com meu pai fora do jogo, todos querem o território dele. Preciso me colocar numa posição inalcançável.
— Posso ajudar a resolver isso — disse ela.
— Não.
— Por quê?
— Primeiro, isso não é problema seu. Segundo, não há nada que você possa fazer.
— Há algo que eu posso fazer.
Fechei os olhos.
— Se eu voltar para o meu pai, ele acaba com essa guerra — disse ela. — Você pode se concentrar no seu pai e trazê-lo de volta.
— Pare! — gritei. — Você não está me ouvindo!
— Quero te ajudar.
— Não. — Sentei-me bruscamente. — Você não faz ideia do que está oferecendo. Se voltar para ele, volta para Garcia. Eu nunca vou permitir isso.
— Eu faria isso por você. Me sacrificaria.
— Você enlouqueceu? — agarrei seu braço. — Você é minha responsabilidade. Minha maldita refém.
— Eu não sou sua refém.
— Você me pertence.
Empurrei-a de costas, dominando-a.
— Você é minha.
— Marco… — ela começou, e eu já podia sentir meu semblante suavizar de uma forma que eu não podia me dar ao luxo de permitir.
— Nem mais uma palavra, ou, da próxima vez que eu for para a cama com você, vou te usar de um jeito que nenhum banho jamais fará você se sentir limpa de novo. — Vesti minha camisa. — Já tive distrações suficientes esta noite.