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1531 Palavras
Marco. ESCOLHAS. Quanto mais opções você tem, mais poder você possui. O problema era que, naquele momento, eu não parecia ter muitas. Recostei-me na cadeira, encarando os livros antigos repletos de magia, caos e história nas prateleiras. As lembranças de lê-los com minha mãe me encheram de uma felicidade que eu não sentia há muito tempo. Marco. Eu conseguia ouvir sua voz suave e reconfortante tão clara quanto os sinos da igreja que tocaram em seu funeral. Um homem culto é um homem poderoso. Eu não sabia na época, mas ela estava tentando encontrar outro caminho para mim e para Matteo. Ela queria abrir portas para nós que não envolvessem armas, derramamento de sangue e território. Escolhas. Será que ela teria aprovado a minha decisão? Até então, eu nunca havia me questionado. Minha lealdade sempre pertenceu à minha família. Meu trabalho era ajudar a administrar os negócios do meu pai — manter-nos seguros e no controle. Se minha mãe não tivesse entrado naquele carro naquele dia, minha vida poderia ter tomado outro rumo. Eu estava a um mês de ir para Princeton. Toda aquela leitura desde cedo tinha valido a pena, mas a faculdade não estava nos meus planos. Meu pai tinha outros planos. No entanto, ela morreu acreditando que eu seria mais do que um gângster. Mais do que um assassino treinado que fazia o que fosse preciso para proteger o nome Falcone. Encarei o teto da catedral. Eu esperava não te decepcionar, mamãe. — Ei. — Você está ocupada? — Mirella estava parada na porta, segurando um prato com um pedaço grande de cheesecake de cannoli, mas a sobremesa não me atraiu. Ela usava um suéter branco curto que terminava logo abaixo do umbigo, exibindo a barriga lisa, e shorts azul-marinho baixos nos quadris. — Estou sempre ocupado. — Empurrei a cadeira para longe da mesa. — Onde você conseguiu isso? — O Ricardo congelou depois que não comemos na outra noite. — Ela entrou na sala, parando do outro lado da mesa. — Eu achei que estava bom quando estava fresco, mas agora tem gosto de sorvete. — Por acaso você encontrou o Ricardo com essa roupa? — Examinei-a, reparando nos pés descalços e nas pernas longas e torneadas. — Ele está acostumado comigo andando por aí assim. — Talvez você pudesse guardar essas coisas para mim? — Eu já disse que não me visto assim para te impressionar. — Ela contornou a mesa, sentou-se à minha frente e colocou o prato no colo. — Eu me visto assim porque me sinto sexy. — Isso me excita. E, se me excita, excita o Ricardo também. — Passei as mãos pelas coxas dela e balancei a cabeça. — Vou matá-lo. — Seu ciúme é sexy. — Ela cortou o bolo com o garfo e levou um pedaço cremoso até minha boca. — Você deveria provar isso. — Gostaria de provar outra coisa. — Olhei entre as pernas dela. — Mas vou começar pelo bolo. Quando abri a boca, ela levou o garfo aos meus lábios. Saboreei o cheesecake doce, deixando o sabor permanecer na boca por um instante antes de apreciar aquela delícia sedosa. — Você gosta disso? — Isso é delicioso. — Deslizei o dedo pelo recheio. Ela lambeu o lábio superior e, em seguida, sugou meu dedo para dentro da boca, girando a língua em torno dele. Peguei o prato dela e o coloquei sobre a mesa, depois a puxei para o meu colo. — Já terminamos de comer? — perguntou ela. — Depende do que estamos comendo. — Lambi os lábios dela, provando os restos do bolo. — Mas você disse que estava ocupado. — Eu estava pensando em algo antes de você entrar aqui — eu disse. — Eu estava buscando clareza, e quando olhei para cima, você estava aqui. Ela se sentou no meu colo, e eu deslizei as mãos por baixo do suéter até as laterais dos seus s***s. Ela não estava usando sutiã. — Eu estou aqui. — Ela passou a mão pelo meu rosto. — Eu sei o quanto você se sacrificou para estar comigo. — Fiz o que tinha que ser feito. — Beijei seus dedos. — Farei o que tiver que ser feito. Assim que o pai dela percebesse que eu estava por trás do ataque à sua carga, ele viria com tudo para cima de mim. Eu teria que proteger meu território. Como ela poderia me olhar com algo além de ódio no coração depois que eu fizesse o que precisava ser feito? Isso era ou meu ou de Esposito. E isso não ia ser fácil. — Não quero saber dos seus assuntos — disse ela. — Então eu não vou te contar. — Peguei seu rosto delicado entre as mãos e a beijei. — Você vai ter que confiar em mim. A remessa que interceptei pertencia a um cartel perigoso. Um que não tinha ligações com os homens com quem trabalhávamos. Garcia não tinha o mesmo relacionamento que eu com o cartel para o qual eu lavava dinheiro. Eles estavam dispostos a trabalhar comigo quando Garcia interceptou a remessa que eu estava transportando para eles. Os colegas não foram tão compreensivos. Eu lhe causei muitos problemas e, por consequência, ajudei a criar inimigos para Esposito. Agora, eles queriam sangue. O meu sangue, em particular. — Confiei em você desde o momento em que nos conhecemos. — Mirella se aconchegou contra minha ereção. — Confiei em você quando me disse para entrar no seu carro. — Minha parceira para tudo. — Beijei seu pescoço enquanto acariciava seus s***s. — Mesmo que eu tivesse que te levar sob a mira de uma arma. — Isso foi meio sexy. — Ela levou a mão à fivela do meu cinto. — Sabe o que mais seria sexy? — O quê? — Beijei o canto da boca dela. — Se fizéssemos sexo aqui e agora. — Não, isso não daria certo. — Parei a mão dela. — Por quê? — Porque não gosto de ter plateia. — Acenei com a cabeça em direção à porta, lançando um olhar fulminante para meu irmão. — Uma plateia? — Ela se virou. — Matteo? — Por que você parou? — Os lábios dela se curvaram em um sorriso malicioso. — Estava começando a ficar muito quente por aqui. Afastei-a do meu colo. — Princesa, eu preciso falar com meu irmão. A gente termina isso mais tarde. Ela pegou o prato da mesa e beijou a bochecha do meu irmão ao passar por ele. — Você sempre aparece em uma péssima hora. — Péssima hora — murmurei. — Espere por mim lá em cima. Não achei a menor graça na postura flertadora deles. Ambos faziam isso para me provocar. — Tchau. — Ela me mandou um beijo. Matteo observou-a sair com um sorriso. — Ela é realmente especial. E pensar que eu poderia tê-la conquistado primeiro. Nos vimos algumas vezes na boate. Eu até dancei com ela uma vez. — Não pense nisso — eu disse. — E, se fosse verdade, por que você não foi atrás dela? — Para começar, ela é filha do Antônio. Fiquei tentado a dormir com ela para dar o troco nele, mas depois conversei com ela. Não me pareceu o tipo de garota de uma noite só. — Ela não é. — Suspirei. — Por que você me empurrou na direção dela? — Para ser sincero, eu só estava te zoando naquela noite do leilão. Não achei que você fosse fazer isso. — Tentei não fazer. — Eu meio que queria que você não tivesse feito. Vai se f***r. — Não é que eu não goste dela por sua causa, mas você sabe… regras do papai. Não nos envolvemos porque as pessoas podem encontrar essa fraqueza e usá-la contra nós. — Eu não planejei me envolver. A última coisa que eu precisava era que um inimigo usasse uma mulher contra mim. Meu pai era o homem mais forte que eu conhecia, mas perder minha mãe o derrubou. Levou meses para ele se recuperar. Ele nunca mais baixou a guarda e garantiu que Matteo e eu também não baixássemos. — Falando em papai. — Matteo sentou-se à mesa. — Acabei de desligar com ele. — Como ele está? — Furioso. — Matteo entrelaçou os dedos. — Ele quer você fora da casa segura e de volta ao controle. Meu pai tinha razão. Eu não podia mais lutar escondido. — Você tem que priorizar — ele disse. — Mirella é minha prioridade. Não posso devolvê-la a eles. Você sabe o que fariam com ela? — Eu sei. — Matteo suspirou. — Papai concorda com você. Mas ele não quer acreditar que Esposito sacrificaria a própria filha. — Ele a sacrificou quando a prometeu a Garcia. — Ah, a fera se apaixonou pela princesa — Matteo riu. — Talvez tenhamos que adiar o casamento se ainda estivermos vivos semana que vem. — Até se isso significar matar o pai da Mirella? — Se for o que eu tiver que fazer. Matteo assentiu, cético. Escolhas. Tudo se resumia a elas. — Talvez — eu disse. — Mas essa é a escolha que estou fazendo.
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