Marco.
PROBLEMA APÓS PROBLEMA.
O império do meu pai estava saindo do controle, e eu precisava descobrir como impedir as consequências.
— Alguém está tentando te atrair para fora — disse Matteo ao telefone.
— O que aconteceu? — perguntei.
— Você está sentado?
— p***a, diz logo — gritei.
— A remessa que deveria atracar esta manhã foi interceptada.
— Interceptada por quem? — Apertei o telefone com força, tentando conter a fúria que ameaçava se infiltrar.
— Pelo que pude apurar, parece que foi a família Bello — disse ele. — Nosso informante disse que Frankie Bello está causando alvoroço e dizendo que, como seu pai não está por perto, nosso território está disponível para quem quiser.
— Aquele filho da p**a. — Saltei da cadeira como um predador pronto para atacar a presa desavisada e comecei a andar de um lado para o outro no quarto m*l iluminado. — Isso não é bom.
— Espere até o cartel descobrir que perdemos a remessa deles.
Espere até meu pai descobrir.
— Tchelo, o que você quer fazer? Temos que nos mover rápido.
— Vamos revidar, mas primeiro preciso resolver isso com o cartel.
— Como você vai fazer isso?
— Vamos pagar tudo o que eles perderam. — Soltei um longo suspiro de frustração. — Vamos incluir qualquer carro que eles quiserem para compensar. Uma demonstração de boa-fé.
— Vou deixar o Lucas cuidar das negociações — disse Matteo.
— Sim, é melhor que ele faça isso.
Lucas, nosso advogado principal, tinha um jeito de fazer desastres desaparecerem. Não da mesma forma que eu fazia problemas sumirem, mas, naquela situação, ele era nossa melhor opção.
Matteo limpou a garganta.
— Há outra coisa.
— O que é? — Não poderia ser muito pior do que perder um carregamento para o cartel enquanto estávamos no meio de uma guerra.
— As pessoas sabem que você não está aparecendo em público. Isso prova que você realmente tem a filha do Antônio. Isso reforça a posição dele. Você foi atrás de um m****o da família, e a maioria deles não gosta disso.
— É o Bello trabalhando com os Esposito?
— Acho que sim.
— As duas famílias vão pagar. — Rangi os dentes. — Deixe-os esperando um ou dois dias e antecipem nosso próximo movimento.
— Vou ligar para o Lucas agora e pedir para ele entrar em contato com o cartel.
— Diga a ele que quero vê-lo. Vocês dois resolvem essa confusão com o cartel e depois venham aqui para decidirmos a melhor forma de prosseguir.
— Você sempre sabe o que é melhor.
— Se eu voltar para casa agora, serei um alvo. — Suspirei. — Cuidado com as costas e reforce sua segurança. Não vá a lugar nenhum sozinho. Quero que você se mantenha discreto.
— Claro.
— Eu sei que você não está feliz comigo, mas posso recuperar o controle. Não preciso que você faça alguma besteira, como se matar, enquanto tento resolver isso.
— Eu confio em você.
— Não consigo fazer isso sem você. — Se algo acontecesse com ele por minha causa, eu nunca me perdoaria. — Preciso saber que você está seguro, Matteo.
— Você me conhece. Atiro primeiro e faço perguntas depois. — Riu. — Me ligue quando souber de alguma coisa.
— Ei.
— O quê?
— Agora seria uma boa hora para usar aqueles dez minutos e aliviar esse estresse. — Ele riu. — Já que você está preso aí com ela e tudo mais.
— Vai se f***r. — Encerrei a chamada e joguei o celular na mesa.
Eu queria mais do que tudo resolver esse problema sozinho, mas se saísse agora, uma família inimiga poderia me matar ou me capturar. Se isso acontecesse, deixaria Matteo vulnerável.
Uma rajada de vento de outono varreu as folhas coloridas pelo gramado do lado de fora da janela. Ao fazer um refém, tornei-me prisioneiro.
Se eles me atraíssem para fora e eu cometesse um erro ao ser capturado, meu pai seria forçado a voltar antes que conseguíssemos garantir sua segurança. Pior ainda, Mirella não estaria segura.
Como cheguei aqui?
Peguei meu copo da mesa e o arremessei contra a parede, estilhaçando-o em fragmentos minúsculos que se espalharam pelo chão.
— Nossa. — Mirella olhou fixamente para os cacos de vidro ao entrar na sala. — O que esse copo fez com você?
Ricardo devia tê-la avisado sobre o jantar comigo, porque ela usava o vestido de seda preto e os sapatos de salto agulha prateados que eu mandei entregar.
— Ricardo me deixou sair do quarto — disse ela. — É realmente necessário me trancar lá dentro?
Não era, mas eu queria provar um ponto. Agora que ela estava diante de mim naquele vestido esvoaçante, eu precisava repensar minha abordagem. Quanto mais a mantinha trancada, mais me privava de sua beleza.
— Você quer me dizer por que destruiu o copo?
— Não.
— Isso tem alguma coisa a ver com meu pai?
— Não quero falar sobre isso. — Estendi a mão para ela. — Você recebeu os livros que pedi para o Ricardo colocar na sua bandeja de almoço?
— Sim.
— Foram boas escolhas?
— Vão me manter ocupada enquanto eu estiver trancada no quarto. — Ela jogou o cabelo por cima do ombro. — Eu preferiria muito mais ter um telefone e um computador.
— Não.
— Por que não?
— Não quero brigar com você — eu disse — Depois das notícias sobre a entrega, não tinha energia para lidar com pedidos incessantes.
— Isso não é briga.
Ainda.
— Podemos ter uma noite tranquila? — Coloquei a mão em sua lombar, guiando-a para fora do quarto e pelo corredor. — Mandei trazer o jantar. P
odemos comer em paz?
— É isso que está com um cheiro tão bom?