Breno Narrando Já fazia tempo que eu tinha perdido a noção das horas ali dentro. A cela era pequena, abafada, com cheiro de mofo e desespero. Eu estava sentado no chão, cabeça encostada na parede fria, tentando pensar em qualquer coisa que me fizesse esquecer daquele lugar. Foi quando um dos policiais apareceu na grade com aquele olhar de quem já chega dando ordem. — Levanta. E coloca as mãos pra trás.- ele fala curto e grosso. Eu obedeci sem dizer uma palavra. Ele me algemou e me levou pelo corredor estreito, onde cada passo ecoava como uma martelada. Disse que tinha alguém querendo me ver, mas não falou quem. No fundo, eu só pedi a Deus para ser um advogado. Qualquer um que me tirasse daquela situação. Quando me colocaram na sala de interrogatório, senti o estômago revirar. Me algema

