O barulho do ferro batendo contra o concreto das celas sempre anunciava o inferno ou o recomeço, mas na segunda-feira de manhã, o estalo foi diferente. Eu estava sentado na beirada da minha pedra, terminando de amarrar o tênis, com a mente ainda vagando na foto que a Maria Júlia tinha me mandado no sábado à noite. Aquela polpinha da b***a dela desenhada no meu manto quase me fez arrancar as grades com o dente no fim de semana. A caminhada do inspetor de segurança pela Galeria B foi mais lenta hoje. Ele parou exatamente em frente à cela 14, bateu com o molho de chaves na grade e olhou para a prancheta com a cara fechada de quem estava recebendo uma notícia que odiava dar. — Rodrigo Alencar, vulgo DG. Arruma o teu pano de b***a. Teu alvará cantou na mão do juiz de plantão. Você tá livre

