O cara poderia ser forte, mas eu era rápido quando se tratava de correr para salvar a minha pele. Então, quando ele avançou na minha direção, o soco pronto para me jogar no chão, corri para o outro lado. Os outros gritaram “olé”, mas eu não poderia olhar para lá. O cara veio de novo para cima de mim, ele deveria ser algum mestre de briga de rua, porque conseguiu me enganar. Fingiu que viria pela esquerda, quando corri para a direita, lá estava a muralha, pronta pra me desmontar.
Senti suas mãos agarrando os meus braços, tão frágeis.
“Por favor, tio, no rosto não,” foi a única coisa que pude dizer antes dele me bater.
Mas não bateu. Apenas afrouxou um pouco as mãos.
“Eu conheço você,” ele encarou meu rosto, perto o suficiente para eu sentir sua respiração.
Olhando assim, rosto colado no rosto, eu também descobri que o conhecia, e não fazia muito tempo desde o nosso último encontro.
“O cara da pizza,” disse ao reconhecer aqueles braços fortes que seguravam as caixas como se não fossem nada.
“O cara do jogo da garrafa,” ele já havia me largado e sorria como se fossemos amigos do prezinho, no reencontro tão esperado.
“p***a, eu queria ver sangue,” um dos caras que eu não tive tempo de empurrar pareceu decepcionado. “Quem é esse teu amigo esquentadinho, Pietro?”
Então o cara da pizza tinha nome, Pietro.
“Esse é o... qual o seu nome mesmo?” Pietro olhou confuso para mim, porém sem deixar o sorriso morrer.
“Meu nome é Jaqueline, tenho doze anos,” eu gostava de fazer amigos, e não poderia perder a oportunidade de uma piada i****a.
“Posso ajudar com a outra parte, se quiser me seguir até o banheiro,” um dos garotos pulou do banco e se aproximou de mim, tinha um daqueles sorrisos fáceis, que riem de tudo e de nada. Ele não era o que eu posso chamar de feio, tinha algo nele, talvez o seu perfume, que o fez se destacar. Usava alargadores nas orelhas, um número não muito exagerado. Era também o mais baixo do grupo, logo percebi, pouca coisa maior que eu. “Sou o Fernando.”
“Não brinca! Meu nome também é Fernando,” agora o aperto de mão ficou ainda mais forte.
“Será que temos mais alguma coisa em comum,” o outro Fernando roçou a palma da minha mão com o dedo indicador, subindo e descendo contra a minha pele, enquanto ainda nos cumprimentávamos.
Eu não sei que maluquice ele queria dizer com aquilo.
“Esse com a pinta no olho é o Jamilton,” Fernando apontou para o cara que tentei jogar fora do banco, mas que me empurrou para longe. A “pinta” que ele se referia era uma daquelas manchas brancas sobre o olho esquerdo, cobria parte do nariz também. Esse detalhe apenas o deixou ainda mais bonito.
“Aquele e de óculos é o Ishaan,” Ishaan meneou a cabeça, como se apertos de mãos fossem primitivos demais para ele. Não precisei olhar duas vezes pra saber que ele era indiano. “Por último, e menos importante, temos aquele esquisito com a cabeça raspada. Por favor, xará, não ria do nome dele, é uma deficiência em forma de batismo, mas ele tem sentimentos bem fodidos, então... aquele é o Wandallaton. Sei que está se perguntando que p***a é essa, mas o cara tem sentimentos e vamos respeitar,” Fernando se aproximou de mim e cochichou: “Depois eu escrevo o nome dele pra você.”
Wandallaton de fato tinha cabeça raspada, mas não totalmente, só a parte direita. Do outro lado havia cabelo, mediano, abaixo da camiseta eu via que era tatuado com alguma mulher e escrita da qual eu não conseguia ver direto. Também não queria ficar encarando o cara, pelo nome e por achar que eu estava julgando seu corte de cabelo.
“Esse grandalhão retardado você já teve o desprazer de conhecer,” Fernando apontou para Pietro. “Sempre me perguntei se ele é grande em tudo, será?” meu xará olhou para mim como se eu soubesse a resposta.
Na festa, não tive tempo de pensar no tamanho do dote de Pietro, só queria mesmo era comer a pizza, mas agora... olhando para toda essa massa muscular. Lá em baixo não deveria ser tão decepcionante, não é?
Que maravilha! Fantasiar sobre o pênis de Pietro deixou meu rosto completamente ruborizado. Desejei que ninguém tivesse notado, mas aparentemente eu continuava sendo o brinquedo exótico da turma de amigos.
“Por que você sempre tem que ser tão retardado, Fernando?” Pietro olhou para o amigo dele, com uma expressão zangada.
“Eu não sabia que o cara curtia, só fiz uma piada,” Fernando olhou para mim de uma forma diferente, como se não tivesse desperdiçado aquele roçar de dedos na palma da minha mão.
“Pietro também curte,” disse Jamilton, gozando com o amigo. “Pelo menos até agora Ana Vitória não disse o contrário”.
“Sei que você também já fodeu um cu, Milto,” Fernando parecia o tipo de cara que não tinha a mínima vergonha na cara.
“Olha quem fala, o boqueteiro da sala,” Wandallaton deu um sorriso sério para Fernando, como se a palavra “boqueteiro” os fizesse lembrar de algum episódio, que eu nem quis imaginar.
“Achei que tivéssemos vindo a escola mais cedo para inscrever-nos no time de basquete, não para trocar experiências sexuais fantasiosas,” Ishaan ajeitou os óculos sobre o rosto, imóvel no banco. Eu não era o cara do esporte, mais estava por dentro das ideias do professor de educação física de montar um time de basquete pra concorrer o municipal, e quem sabe, num sonho distante, o estadual.
“Fantasiosa,” o sorriso de Wadallaton se abriu ainda mais, revelando caninos afiados. “Podemos chamar aquilo de fantasia, não é, Nando?”
“E que fantasia! Olha só, nem imaginei a boca daquela sem vergonha e já fiquei de p*u duraço,” e realmente estava com o p*u duro. Eu olhei por curiosidade, para saber se era verdade, quando vi, engoli em seco e virei o rosto.
Fernando estava usando um daqueles shorts de pano fino, que grudam no corpo da gente, ainda mais naquelas pernas miradas e fortes. E logo acima do joelho, uma elevação destacava-se, chamativa, provocativa para qualquer olhar desavisado como o meu.
Pietro seguiu meu olhar, quando eu fitei o pênis de Fernando pela segunda vez, e pareceu um tanto triste ao me ver morder o lábio.
“Ele só faz isso pra chamar a atenção,” disse perto do meu ouvido. “Não deixa ele saber que tá de olho, se não, nunca mais vai ter sossego.”
“Eu não estou de olho no seu amigo, cara da pizza. Um outro cara já me chamou a atenção, e nem precisou ficar duro,” devolvi no mesmo tom baixo, enquanto os amigos dele tiravam sarro da ereção de Fernando.
“E o que ele fez para chamar sua atenção?” agora Pietro sorria para mim. Eu gostava do sorriso quente dele, mas, de repente, eu percebi que gostava quando ele sorria para mim.
“Ele me deu comida, e estava muito boa,” eu encontrei os olhos dele nos meus. Algo nos tirou da escola, dos amigos dele. Meu campo de visão se resumia no grandalhão sorrindo diante de mim.
“Vocês parecem duas bichas namorando,” murmurou Fernando, colocando os braços no meu ombro e no de Pietro, o que precisou se esticar um pouco.
“O sinal tocou, está na hora de irmos falar com o professor,” Ishaan se levantou do banco, mais altivo que todo o resto de nós.
“Nos vemos por aí, Fernando,” Jamilton e Wandallaton apertaram a minha mão, despedindo-se.
“Eu gostei de você,” disse Fernando para mim, enquanto os amigos dele já tinham se afastado. Estendi a mão para esse louco, desejando que ele sumisse logo. “E sei que você gosta disso,” ele pegou a minha mão e colocou contra a sua ereção. Era maior do que a de Andrew, percebi imediatamente. E parecia mais larga.
“Posso ter gostado, mas suas atitudes me fazem ficar bem longe dela,” rebati afastando as mãos.
“Vejo que é mais romântico, né? Vou mostrar que o bruto também é gostoso,” piscando os olhos azuis para mim, Fernando se afastou do meu banco.
“Chegamos em casa,” disse quando parei na soleira da porta para tirar o tênis que estava me matando com esse calor. Sorte que eu não tinha chulé, bem diferente do Andrew e suas chuteiras...
“Bem-vindos de volta,” meu irmão Cleiton nos recebeu com um sorriso.
Andrew já tinha sumido para dentro do quarto, levando nossas mochilas.
“Não foi trabalhar hoje?” indaguei ao Cleiton, deixando o tênis ao lado da porta e indo para a cozinha, tomar um gole de água. Assim que entrei, senti o cheiro gostoso do almoço, feijão cozido na hora, arroz com cebola e uma salada de legumes. “Estou morrendo de fome,” fiz uma cara de dó pro Cleiton, para que ele adiantasse a boia.
“Estou de folga,” meu irmão foi ver se o arroz já estava seco.
Cleiton era apenas um ano mais velho do que nós, os gêmeos, mas parecia ter vinte e quatro, na verdade, eu o via como um cara de vinte e quatro. Pois era mais inteligente em muitos aspectos, não somente recitando frases decoradas do livro da faculdade. Tinha um temperamento mais calmo, maduro. Enfim, era tudo como Andrew não conseguia ser. Ele tinha um sorriso bonito, eu gostava muito do sorriso dele, que não via muito ultimamente. O cabelo era quase igual o meu, meio liso caindo na frente dos olhos verde claros, mas Cleiton fazia um topete com gel que facilitava a sua vida. Era uma cabeça maior do que Andrew e eu, mais forte também. Só de olhar dava pra saber que ele era um cara forte, mas nem tanto como aquele que conheci na festa e na escola, o tal Pietro.
Resumidamente, eu achava o meu irmão bastante bonito.
“Hoje encontrei o Andrew fumando na escola,” eu não sabia se deveria contar aquilo para alguém, mas Cleiton era meu confidente, e não queria guardar toda essa confusão comigo.
“Quê!?” por um triz a tapoer com a salada não foi parar no chão. “Ele tava fumando, de novo?”
“Espera aí, c*****o,” segurei no braço de Cleiton, que já avançava de forma rude em direção ao meu quarto. “Não faz isso.”
“Fernando, é por isso que ele fez de novo. Precisamos tomar uma atitude, se criar o vício, então podemos desistir,” mesmo assim, Cleiton permaneceu na cozinha, olhando para a minha mão em volta do seu braço. De repente, senti uma forte necessidade de soltá-lo.
“Eu conversei com ele e, se caso volte a acontecer, eu te digo. Aí pode contar pro pai, pra diretora, pra meio mundo. Só quero dar essa última chance.”
“Não sei porque não gosto dessa história, mas vamos fazer do seu jeito”, ele se aproximou de mim e me deu um beijo na testa. Eu sei que tem alguns irmãos rudes que não trocam beijos, mas depois de tudo que Cleiton passou dentro de casa, eu me aproximei dele e fiquei ao seu lado durante os momentos mais difíceis. Aconteceu, durante esse tempo, naturalmente de nos tornarmos assim, íntimos de um jeito bom. Para ele.
Ao sentir seu beijo, abracei seu corpo diante do meu.
“Vocês fugiram de mim hoje cedo. Fui chamá-los pro café da manhã e não encontrei ninguém,” ele disse encarando meus olhos, pedindo uma explicação.
“Andrew quis fugir da briga, da nova briga, que é velha e já dura anos,” minha voz saiu cansada, e mais cansado ainda, acrescentei: “Tenho quase certeza que ele estava fumando por causa da briga.”
“Entendo,” Cleiton parecia triste, sem o sorriso que eu amava. “Achei bom que tenham ido para a festa ontem, assim não tiveram o prazer de assistir a primeira cena do espetáculo. Tô achando que hoje à noite vai ter o grande final.”
“O que aconteceu ontem?” segurei na camiseta do meu irmão, para que ele não fugisse da pergunta, como sempre fazia quando eu queria saber o motivo das brigas dos nossos pais.
“O pai não apareceu pro jantar. A mãe ficou uma fera, virei alvo fácil de novo,” ele deu um sorriso, entretanto agora era um sorriso amargo como fel. “Enfim, quando ele apareceu com uma latinha de cerveja, acho que o bairro inteiro ouviu ela chamando-o de corno filho da p**a que gosta de levar dedada no cu.”
Eu queria morrer...
Cleiton segurou meu rosto, senti que minha pele estava muito quente. “Fefe, olha o que isso faz com você, porque ainda fica querendo saber? Deveria ignorar, como eu faço.”
“Ignorar não vai fazer nossa família voltar ao que era,” dizendo isso, abracei Cleiton como se ele fosse a solução para todos os problemas.
Andrew entrou ruidosamente na cozinha, anunciando o fim dos abraços e assuntos tristes.
“Não foi trabalhar,” disse ao Cleiton. “Ainda vai pra faculdade?”
“Hoje tive folga, mas preciso ir à noite. Tenho que montar uma apresentação com a Isabela e o José.”
“Vamos comer, tô com um buraco na barriga,” disse eu, indo pegar os pratos.
“Quando você não está com esse buraco n***o na barriga,” disseram os meus irmãos em uníssono, me fazendo se sentir uma baleia ambulante.
“Você já passou da fase de crescimento, Fefe,” Cleiton deu uma piscadela para mim. Há tempos ele tenta fazer a minha desculpa cair por terra. “Olha só o teu bucho aparecendo, é melhor maneirar.”
“Olha quem fala, o obeso da família,” And me defendeu, colocando a jarra de suco natural de laranja no centro da mesa, onde todos pudessem se servir.
“Clay, depois preciso olhar uma coisa no seu computador,” avisei a ele, enchendo meu copo com o suco.
Então, começamos a devorar o almoço. Às vezes, muito raramente como agora, fingíamos ser uma família normal, feliz.
Antes de sair da mesa, Andrew avisou que iria andar de skate pelo bairro, então depois que terminei de lavar e secar a louça, sai na varanda para ir procurá-lo. Cleiton havia saído um pouco antes, foi até o centro comprar o material que iria usar na apresentação do trabalho da faculdade.
Não precisei ir muito longe. And estava quase em frente a nossa casa, conversando com um cara pouca coisa maior que ele, com o skate debaixo do braço. Os dois estavam rindo de alguma piada, mas eu nunca tinha visto aquele guri na minha vida e tinha certeza que Andrew também não o conhecia. De qualquer jeito, lá estavam eles conversando e sorrindo um para o outro.
“Cuidado com isso, sim? Pertenceu a minha bisavó,” advertiu uma mulher baixa de cabelos ruivos, presos por fitas amarelas, trajava um vestido lilás, muito bonito. No pescoço uma corrente de ouro cintilando ao sol da tarde. Ela estava falando com dois homens que traziam, de um caminhão de mudanças parado na rua, uma mesa de vidro.
“Não sei porque não nos desfazemos dessas tralhas todas, olha para aquilo,” questionou um homem de bigode e cabelos negros, com duas entradas gritantes na testa. Ele apontava para dois vasos de flores, muito decorados com pinturas, que outro carregador tirava do caminhão e levava para a casa ao lado da minha.
“Antes de jogar meus vasos ingleses fora, passo por cima de você com o caminhão, Henry,” disse a mulher ruiva calmamente, com um sorriso vermelho nos lábios. Sem se deixar magoar pela ameaça, o homem de bigode preto a segurou pela cintura e girou, dando um beijo que roubou metade do batom.
Divide meus olhares entre os objetos peculiares que eram retirados do caminhão, e entre meu irmão conversando com seu novo amigo.
“Fefe,” disse Andrew sorrindo. “Esse aqui é o Igor Manson, e aquela ali é a família dele. Vão ser nossos novos vizinhos!” obrigado por dizer o óbvio, querido irmão.
“Gostei do seu irmão,” Igor apertou minha mão rapidamente, ele estava suado. “E olha só para isso,” ele se afastou um pouco e ficou olhando do meu rosto para o de And, com a mão em volta da boca. “São idênticos! Não vejo diferença alguma.”
“Só que eu sou mais bonito,” disse Andrew rindo. Igor se juntou a ele no riso. Quando viu que não sorri, Andrew ficou sério. “Aconteceu alguma coisa?”
“Ah... não...” disse tentando criar uma expressão alegre, só que não dava. Algo dentro de mim não tinha gostado de ver como And pegou i********e tão fácil com aquele cara. E havia algo de estranho nele, sentia isso mais forte ao lado dele.
“Bom, vou dar uma volta no quarteirão. Falou,” Andrew se despediu de Igor acenando a mão. Jogou o skate no chão, montou nele e partiu.
“Combinei de encontrar o seu irmão depois que terminar de tirar minhas coisas do caminhão. Espero te encontrar de novo,” enquanto passava por mim, Igor deu um tapa na minha b***a. Fiquei olhando para ele sem entender aquilo. Nem tive tempo de perguntar se ele era louco, pois já estava subindo o caminhão e não queria fazer barraco.
Voltei para dentro de casa e fiquei mexendo no celular, sentindo o calor fazer a minha camiseta grudar no pescoço. Alguns minutos depois, quando já estava cochilando no sofá, com o celular caído longe de mim, Cleiton passou pela porta. Me levantei sonolento, procurando o celular.
“Supostamente, eu deveria saber que teríamos vizinhos novos, mas não fazia ideia,” Cleiton sentou no chão, defronte para mim, entre minhas pernas. Pegou o celular ao lado e começou a mexer aleatoriamente nos aplicativos.
“Não entra aí não...” me curvei para a frente, entretanto uma mão atingiu meu pescoço, sem conseguir me mover, meu irmão invadiu meu w******p.
“Estou desapontado com você, Fernando. Que p***a de grupo é esse? E olha essas conversas indecentes!” Cleiton passou pelo grupo da minha sala e as conversas aleatórias que eu tinha com parcos amigos. “Nenhum nude ou sexo por mensagem?”
“Nem todo mundo é sujo como você e o Andrew!” peguei o celular com um movimento rápido.
Andrew entrou em casa um minuto depois, enquanto eu caçava os piolhos inexistentes na cabeça do Cleiton.
“Oi,” ele disse para nós. “Fefe, quero te perguntar uma coisa. Aqui não. Vamos lá pro quarto.”
Segui And até o nosso quarto.
“Acho que aquele Igor é gay,” Andrew jogou o skate para debaixo da sua cama. “Viu como ele nos encarou?” nunca tinha conversando com meu gêmeo sobre esse assunto, e agora eu só conseguia pensar no nosso beijo e em sua ereção matinal se esfregando vulgarmente em mim. Fiquei nervoso e apreensivo com o que poderia sair daquela boca insensível.
“Ele estava te encarando normal, ou secando o seu p*u? Não é porque um cara é gay que ele vai querer trepar com todo hétero que achar pelo caminho.”
“Eu sei o que aconteceu lá fora,” insistiu And.
“O que importa é: ficaria com um gay se ele quisesse ficar com você?” perguntei com o cu na mão. Agora eu sentia meu queixo tremer, pulsando a cada batida do coração nervoso. A imagem de Andrew de cueca me voltou, sua b***a despida de pelos, a forma como o elástico contraia sua pele...
“Não sei,” foi sua resposta, depois de pensar por muito tempo.
“Ouvi a mãe conversar com o pai, ou melhor, estavam discutindo no quarto. Ela acha que sou gay, porque nunca fiquei com nenhuma garota. O pai está quase certo disso também, só falta vir me perguntar.”
“Você é?” havia algo além das simples palavras, o jeito como ele mordeu os lábios, a postura que seu corpo tomou.
“Não sei. Quer dizer, não tenho muitos desejos por meninas.”
“Tem desejos por rapazes?” ele levantou uma sobrancelha. Fiz um aceno com a cabeça, dizendo que sim. “Tem desejos por mim?”
“Claro que não, i****a! Você é meu irmão,” e me beijou ontem à noite. O pior é que não consigo esquecer aquele beijo. Teriam seus lábios o mesmo gosto, calor e desejo, hoje?
“Irmãos também sentem desejo um pelo outro, eu mesmo já senti,” disse And simplesmente, como se comentasse uma foto no f*******:.
Meu coração bateu na garganta e desceu rasgando tudo que encontrou pelo caminho. Andrew, filho do meu pai, já havia sentido desejos por mim? O beijo significava a mesma coisa para ele também?
“Sente desejo por qual irmão?” eu precisava dessa confirmação.
Andrew não teve tempo de responder. Cleiton bateu na porta do nosso quarto e entrou logo depois. “And, tem um cara chamado Igor te chamando.”
Soltei a respiração pelo nariz e fui para a cozinha, amolar minha peixeira.
Meu irmão, Cleiton, apareceu minutos mais tarde. Eu não perguntei nada, de quem havia entrado em casa nem o que faziam, então ele disse:
“Andrew está no quarto... O cara trouxe um Xbox... Eu ajudei a instalar...” Cleiton olhou para mim, me entendendo como ninguém mais. “Você não gosta dele, não é?”
“Tem algo estranho naquele ruivo de cara sardenta,” foi tudo o que pude dizer, sem pegar a peixeira na gaveta.
“Ciúmes, Fefe. Tem muito ciúme, isso eu posso sentir do outro lado da rua. Até hoje de manhã era só você e o seu gêmeo, agora aparece um amigo para ameaçar sua amizade com ele.”
“Por mim, ele pode enfiar aquele amigo no cu. Me faz um lanche, tô com fome,” estava com raiva, então foi difícil fazer um beicinho de inocente.
“Faço sim, só se levar dois lá pro quarto,” Cleiton abriu um sorriso felino, de quem me tem nas mãos.
Eu não queria me aproximar daquele templo de profanação, mas, ao mesmo tempo, não queria tirar os olhos da porta, ver tudinho o que estavam fazendo.
“Claro,” eu disse, por fim.
Realmente estavam jogando, a televisão com o som bastante alto, com tiros de metralhadora ao fundo. Ouvi o grito de algum soldado pedindo ajuda, enquanto Andrew xingava “filho da p**a” como se fosse um elogio ao personagem.
“Você perdeu, agora tem que pagar,” era a voz do sem vergonha do Igor.
“Pagar,” pensei comigo, "pagar o quê?" Morto de curiosidade, mas não querendo ser pego, abri a porta lentamente, lentamente fui girando a maçaneta. Pus apenas o rosto no vão que se abriu.
Fui atingido por uma forte dor no peito, esmagando minha garganta.
Andrew estava tirando sua camiseta. Acho que apostaram o seguinte: quem perde, tira uma peça de roupa. E Andrew havia perdido. Não notei imediatamente, mas Igor já estava sem camiseta também exibindo o peitoral magricela. Depois que tirou a camiseta, exibindo os poucos pelos no sovaco, Andrew a deixou cair sobre o rosto de Igor, que alargou o sorriso.
“Você é realmente bonito,” disse o ruivo, com suas mãos imundas sobre o corpo do meu irmão, percorrendo os pentelhos acima da cueca. Ele quase enfiou a mão dentro da cueca, mas tudo bem. Fez carinho nos gominhos do abdômen. Quando chegou no peitoral de And, levou a mão até sua boca, foi quando meu gêmeo deu um pequeno beijo em sua mão.
“Quero te perguntar uma coisa. Você é gay?” a resposta de Andrew veio em forma de beijo. Ambos ficaram parados, rostos se aproximando. Os lábios de Igor muito próximos... próximos de mais...
“Ele é um sem-vergonha, isso que ele é!” juro pela Lady Gaga que tentei me segurar, mas o momento de dar o show nunca é fácil. Rodei a bandeja de suco com lanche frio e voltei para a cozinha, desejando que Andrew pegasse sapinho.