Depois de um dia completamente estressante e divertido com a organização da festa do aniversário de cinco anos do seu casamento, doeu em Brianna ter que ver Lilith voltar para as mãos de seu carrasco. Ela viu o brilho se apagar no olhar da melhor amiga e isso partiu o seu coração. Brianna queria cumprir com sua promessa do dia: tentar encontrar Jackson.
E ela sabia onde.
Tom a esperava encostado no carro. Ao entrar no veículo, esperou que Tom desse a volta e assumisse o banco do motorista.
- Antes de voltar para casa, quero ir à igreja da Santa Muerte, Tom.
O homem arrumou o retrovisor interno apenas para olhar a patroa.
- Eu tenho ordens diretas de levá-la direto para casa, senhora.
Brianna odiava quando seu segurança fazia aquilo. Ela cerrou os olhos e olhou para ele, sem medo.
- Eu quero ir à igreja da Santa Muerte agora. – Deu a ordem novamente. – Eu me acerto com meu marido depois, se acha que ele vai castigá-lo por isso. – Olhou pela janela ao lado. – Eu te odeio, mas não vou deixar que ele te faça m*l por uma ordem minha.
Tom demorou, mas ligou o carro e passou a dirigir. Brianna sabia que James odiava a ver indo a igreja no território de um de seus sócios, mas ela precisava fazer aquilo. Por Lili.
A igreja não ficava longe e logo, eles chegaram. Brianna nem esperou Tom ajudá-la, murmurou que ele a esperasse, pois não ia demorar e saiu. A igreja era bem tipicamente da religião latina. Não muito grande, com os bancos de madeira, as paredes em cor branca e marrom, repleta de flores e velas velavam pelos mortos de Royal Echo. O altar, com as caveiras envolta de mantos e terços, tendo pessoas ao redor, rezando pelos entes queridos que haviam perdido.
Brianna encontrava paz quando estava na igreja. Ela se sentou no primeiro banco, fazendo o sinal da cruz. Tudo o que ela tinha de fazer era esperar. De alguma forma, aquele lugar santo havia se tornado um ponto de encontro secreto. Logo, alguém se aproximou e sentou no banco de trás.
- Há quanto tempo não colocamos os pés aqui? Um mês? – Perguntou, ainda olhando o altar.
- Você tem estado ocupada com seu maridinho. – O homem baixou os óculos escuros e finalmente olhou para Brianna. – Quer ajuda com a festa?
Ele abriu o sorriso, sem vergonha alguma da piada.
Brianna sorriu também e se virou para o homem. Jackson parecia mais magro, seu rosto se escondia em uma barba que estava grande. Nem tinha o mesmo brilho de antes.
- Na verdade, eu até gostaria. Tenho uma ajudante boa, mas muito preocupada com o sumiço dos dois homens da vida dela. – Ela viu o sorriso dele sumir e logo abaixar a cabeça. Com um suspiro, Brianna voltou a olhar para frente. – É por isso que eu estou aqui, Jackson. Soubemos que você pagou mais uma dívida de Chuck e que estava sumido. Ficamos preocupadas.
Jackson apertou os dedos nos joelhos, tentando manter a calma, mas com os últimos acontecimentos ele estava no limite. Rezava tanto a Santa para proteger seu irmão, que já lhe faltavam palavras para as orações. Ele a tinha marcado na pele também. No centro de suas costas, o rosto da Santa Muerte o protegia.
- Eu não sei mais o que fazer. – Confessou, voltando seus olhos para o altar. – Já ameacei todos os traficantes da cidade, proibi meus próprios homens de dar qualquer dinheiro ao meu irmão e nem assim, Chuck consegue ficar fora de problemas. – Jackson não tinha paz, ele m*l conseguia dormir ou comer. Os últimos cinco anos foram um inferno constante e a pior das torturas era saber que a mulher que tanto amava era castigada por seus crimes. – Ela está bem? – Perguntou, preocupado. – Garret tem machucado ela, não tem?
Brianna suspirou.
- Garret a faz trabalhar tanto. – Sorriu. – Foi ela quem me fez vir aqui. Se James descobrir, eu estou ferrada, mas mesmo assim, consigo lidar com ele. Eu queria que ela viesse, mas... Você sabe. Garret não deixa. – Tomando coragem, Brianna se virou e encarou Jackson. – Precisamos fazer alguma coisa. Eu estou cansada de bancar a boa esposa para esse assassino, eu quero a minha vida de volta. Eu nem tive tempo para ficar de luto... – Ela respirou fundo, contendo as lágrimas que queriam cair. – Precisamos agir. Eu posso tentar ajudar Chuck às escondidas, mas precisamos reagir, Jackson.
Jackson também se levantou, ajeitando o paletó, um sorriso de novo nos lábios.
- Às vezes, eu me esqueço de quem você foi esposa. – Ele olhou, discretamente, ao redor. Queria ter certeza que o ligar além de sagrado, era seguro. - Fique tranqüila. Estou resolvendo isso e, dessa vez, é pra valer. – Jackson tocou o braço de Brianna, em um carinho amigo. - Agüenta mais um pouco e manda um beijo para a JoJo. Eu sei que sou o tio favorito dela.
Jackson piscou, encerrando a conversa. Ele tinha muito que fazer e não queria causar problemas para Brianna. Deu as costas a ela, se preparando para sair primeiro da igreja.
Brianna se levantou, de cenho franzido.
- O que você está aprontando, O’Brien? – Perguntou, erguendo o queixo. – Eu quero ajudar.
- Logo você saberá, Brie.
Jackson colocou os óculos escuros sobre o rosto e saiu da igreja.
Que a Santa Muerte o abençoasse.
***
Enquanto era levado ao seu destino em um táxi, Chuck tinha muita coisa em sua mente. Já era noite e ele refletia sobre os acontecimentos dos últimos anos.
Perdera tudo: o amor e confiança do irmão. Testemunhou seu melhor amigo levar um tiro que quase lhe tirou a vida e perdeu a mulher da sua vida em um sacrifício que ela fizera por amor a ele e a Jackson. Pensar em Lilith fazia o coração de Chuck bater falho. Por que ele não a impediu? Por que a deixou ir para as mãos de um homem sem escrúpulos? Ele apertou as mãos em punhos, olhando fixamente para frente. A imagem da noite anterior em sua mente não saia.
Ele não queria, mas era preciso e a cena foi o que fez Chuck tomar a maior decisão de sua vida. Ele só era mais um cliente, os seguranças em frente à boate American Dream eram novos, então foi fácil passar. Chegou ao bar e pediu uma água com gás e limão. Grande avanço. Seu capuz não deixava ninguém olhar seu rosto, nem mesmo as prostitutas do lugar chegaram se oferecendo para ele. Era apenas algum estranho.
Assim que recebeu sua bebida, ele olhou por volta. Estivera ali muitas vezes, por isso percebeu que Garret estava lucrando muito bem. Foi quando seus olhos pousaram na área VIP.
Lá estavam eles.
Lá estava ela.
Os olhos azuis de Chuck brilharam ao reconhecer o cabelo ruivo da mulher que mais amava na vida. Ela estava magra, o rosto estava diferente. Havia tristeza, misturado ao cansaço. Garret parecia satisfeito, sorrindo e bebendo seu whisky, com a camisa aberto e olhando Lilith com desejo. O coração de Chuck doeu. Ele precisava agir, precisava resgatar aquela mulher.
Levemente curvou seu corpo sobre o balcão do bar, sua mão esfregando o antebraço, exatamente no lugar de sua tatuagem. Chuck puxou a manga do casaco e encarou o rosto da Santa Muerte.
E foi assim que ele se decidiu. O táxi parou e ele pagou ao motorista a corrida. Apenas com uma mochila, arrumou coisas necessárias. Os conselhos de Mateo foram também cruciais para sua ida até fora da cidade. Estava parado em frente a uma clinica de reabilitação, lugar onde seria o seu recomeço.
Chuck estava determinado e ninguém iria pará-lo. Ele teria a confiança de Jackson e Mateo de novo e teria Lilith de volta aos seus braços.