O sol já brilhava lá fora, mas Brianna queria ficar na cama. Sentiu quando James saiu dela e foi ai que conseguiu ter um sono melhor. Ele queria abraçá-la durante a noite e isso a incomodava, ela não conseguia dormir, só quando ele estava longe.
Abriu os olhos, primeiramente olhando a janela. Meio sonolenta, ela ainda olhou o relógio. Era quase onze da manhã. Em um salto, Brianna levantou e começou a se arrumar. Tomou banho, se maquiou e arrumou o cabelo. Joanne ia ser liberada em duas horas e ela precisava fazer muitas coisas antes de ir buscá-la.
Batendo os saltos da sandália na escada, desceu e foi até a sala, vendo James sentado na poltrona dele, lendo o jornal. Nem olhou para ele, começou a procurar por sua bolsa.
- Eu estou muito atrasada. – Disse, sem mais uma vez dizer bom dia ao homem. – Joanne vai sair daqui a pouco e eu tenho alguns compromissos antes disso. – Falou, achando e pegando a bolsa, olhando dentro dela. – Não vou tomar café, tomarei em algum restaurante.
James McLean era um homem que planejava cada passo que dava. Ele se deliciava com as pequenas rebeldias de Brianna, se divertia até. Era bonitinho quando a esposa pensava que mandava em alguma coisa, incluindo a si própria.
James sorriu.
- Querida, não acha que eu mereço pelo menos, um beijo de bom dia?
Brianna continuou a mexer na bolsa. James tinha que saber que quanto mais distante dela, mais seria feliz. Continuou a mexer na bolsa, sem nem mesmo olhar para ele.
- Não, eu estou muito atrasada. Achei! – Falou, pegando as chaves de casa e pôs-se a ir para a porta. – Não me espere para o almoço também, vou aproveitar a minha filha.
- Mamãe.
James alargou ainda mais seu sorriso quando Joanne entrou na sala da mansão. Não, ele não estava feliz pelo reencontro de mãe e filha. Ele estava animado por aquele ser mais um momento de sua vitória. Mais uma vez, ele tinha Brianna comendo em suas mãos.
Joanne passou pelo padrasto, o ignorando por completo. Ela só tinha olhos e abraços para a mãe. Sentia tanto saudade dela. A menina correu até Brianna, pulando e encaixando-se em seus braços.
Foi tudo muito rápido.
O chamado e de repente, ela tinha sua menina nos braços. Brianna arregalou os olhos, olhando a menina e com um grande sorriso, abraçou-a tão forte.
Era difícil para ela conviver com aquela saudade. Joanne era a sua única conexão com Mateo depois que morreu. A menina lembrava muito ele, até na personalidade e desde que fora obrigada a estudar em um internato, a vida de Brianna não era mais a mesma. Ela sempre dava um jeito de ver a filha e aproveitar cada momento.
- Meu amor, que saudade! – Brianna abriu os olhos e viu o sorriso de James, convencido como sempre. O ignorando ainda, ela olhou o rosto da filha. – Espera, achei que só fosse sair daqui duas horas. Eu estava até atrasada para te buscar.
Joanne passou o dedo na bochecha da mãe.
- E eu ia, mas acontece que o James mandou o cara das tatuagens sinistras me buscar mais cedo. – E abaixou a voz. – Ele queria fazer uma surpresa, dizendo que você estava de mau humor, mas acho que ele não fez mais que a obrigação dele.
Brianna abriu a boca e olhou para James, que foi ficando sério devagar.
- Joanne, você deveria agradecer a mim por sempre pensar no que é melhor para você e sua mãe. – James rebateu ríspido. Ele não tinha paciência para a língua m*l criada da enteada. – Eu até mesmo conversei com o diretor do internato e combinei com ele que se suas notas forem boas, você virá para casa nas férias.
A menina olhou para o padrasto com deboche.
- Minhas notas são excelentes e você está cansado de saber disso. – Joanne se virou de novo para a mãe, toda feliz. – Vou ficar todo o final de semana, só irei embora na segunda feira.
James observou a interação das duas e se levantou, largando o jornal e caminhando até onde Brianna e Joanne estavam. Ele apoiou as mãos nos ombros da enteada.
Quem via de longe, pareceria uma família feliz.
- Viu, meu amor? Faço tudo para te ver feliz. – Ele falou, sorrindo para Brianna. – Agora, cadê aquele beijo que eu mereço?
As duas ficaram olhando para James por alguns segundos. Joanne olhou para mãe e logo se afastou dos braços dela.
- Sinto que o clima vai esquentar e não é do jeito que você quer. – Falou, olhando para James. Depois, virou para Brianna. – Eu quero aproveitar para irmos ao shopping. Podemos almoçar lá, o que acha?
A atenção de Brianna foi para a filha e ela sorriu.
- Mas é claro, meu amor. Pode me dar só um minuto para falar com James? – A menina sorriu de canto, como se debochasse do padrasto e foi até a porta. Brianna se virou para o marido e se aproximou, apenas o olhando. – Você sabe que não precisa ficar me manipulando para mostrar seu poder. Eu sei muito bem o que você quer fazer, James, mas não vai conseguir. Eu agradeço demais por ter buscado Joanne para mim, mas não quero que você fique me manipulando. Não é assim que se conquista alguém.
Era sempre assim! A ingratidão de Brianna não tinha tamanho. James olhou para Joanne, vendo nela os mesmos olhos de Mateo Hale. O maldito devia rir dele do inferno.
Ele baixou a voz.
- Eu faço tudo por você. – Começou, com um tom magoado. – Você tem uma vida de rainha. Têm roupas caras, jóias, sai quando quer, tem o dinheiro que quer e, mesmo me ameaçando, mesmo tentando me apunhalar pelas costas, eu faço suas vontades. Mas, nunca é o bastante para você, não é Brianna? Talvez, se você tivesse uma vida como a de Lilith, você me desse mais valor.
- Nunca mais fale assim. – Disse Brianna, ríspida e no mesmo tom. – Você não teria coragem de fazer isso e sabe muito bem. Um dia, seu amigo Garret vai pagar muito caro pelo o que faz com a Lilith e pode ter certeza que se eu não estiver vendo minha amiga segurar a arma que vai matá-lo, quem vai segurar sou eu.
Ela sorri de canto, vendo a irritação do homem. Brianna sempre disse a si mesma que não iria ninguém magoar ela e nem a sua amiga, James foi baixo novamente e ela não poderia deixar barato. Não por Lilith.
Brianna levantou a cabeça, ainda sem sair de sua pose.
- Falando em Lilith, que tal irmos chamar a titia para almoçar conosco? Mas desta vez, eu vou pessoalmente chamá-la. – E só por provocação, ela deixou um beijo no rosto de James. – Aqui está querido, o beijo que merece. – Pegou a mão de Joanne e saiu pela porta.
- Brianna! – James a chamou. – Brianna, volte aqui!
Mas, James sabia que a mulher não ia voltar, tampouco ia dar-lhe mais alguma migalha de atenção. Com raiva, James socou o encosto de sua poltrona, rangendo os dentes.
Não importava o quanto Brianna fugisse, ela sempre pertenceria a ele.
***
Mesmo sob supervisão de Tom, o homem sinistro das tatuagens, como Joanne o chama, as duas se divertiam no carro indo ao apartamento de Garret. Brianna sabia que ninguém iria lhe impedir de entrar ou sair do lugar e também não tinha medo do homem, apenas prevenia que sua amiga não pagasse pela sua raiva. Esse era o maior medo delas.
Ao chegar no lugar, as duas deram de cara com Luis, que estava do lado de fora do apartamento. Ele acenou para Tom com a cabeça para Tom. Já Brianna, o olhou com mais desprezo.
- Vim ver a Lilith. – Falou séria para o segurança. – E avise ao seu patrão que não quero interrupções ou ele vai se ver comigo. Aliás, isso vale para vocês dois. – Apontou de Luis para Tom.
Luis Martinez arqueou a sobrancelha, sabendo que não tinha escolha alguma a não ser obedecer Brianna. Por isso, deixou-a entrar no apartamento e tratou logo de avisar a Garret e Lilith da visita.
Para a ruiva, foi como receber um presente de Natal. Ela nem esperou o aval de Garret ou parou para ouvir seus avisos. Lilith andou apressada para a sala, encontrando Brianna e Joanne sentadas no sofá esperando por ela.
- Minha princesinha! – Lilith abraçou Joanne com todo o carinho do mundo. Mesmo que não dividissem o sangue, ela a considerava sua sobrinha. – Como você está? Estão te tratando bem naquele convento?
Joanne riu.
- Tia, é um colégio. – A menina revirou os olhos, agindo como uma típica adolescente de onze anos. – E, é claro que estão me tratando bem. Eu não deixo ninguém pisar em mim.
Lilith olhou para Brianna.
- Oh meu Deus, ela é igualzinha a você na época da escola.
Brianna levantou a cabeça, sentindo orgulho da menina.
- Ela teve a quem puxar, óbvio. – Mas, logo, seu sorriso murchou ao ver Garret entrando na sala. - Ah, você.
Garret adorava ver o desprezo que aquelas mulheres davam a ele, pois sabiam que se passassem da linha, ele não pensaria duas vezes em ligar para James e contar tudo.
- Veja se não é Brianna e sua pestinha. – Disse Garret, tomando um cutucão de Lilith. Ele riu. – Então, como tem passado, menina? – Perguntou direto para Joanne.
- Eu estava bem até olhar para a sua cara f**a.
Lilith arregalou os olhos diante da resposta de Joanne, prevendo que Garret ia se irritar. Ela se virou para o homem que tinha a expressão facial congelada. Lilith sabia que ele devia estar em pensando em tudo o que podia fazer com Joanne, sem que aquilo irritante Brianna ou James.
- Garret, por favor, ela é só uma criança. – O homem pegou forte no braço de Lilith, fazendo-a gemer. – Por favor.
Os olhos da menina semicerraram.
- Solta a minha tia. – Joanne tentou tirar o braço de Lilith das garras de Garret, mas o homem era muito forte.
Brianna levou a mão a própria testa.
- Filha, eu acho que você passou da conta um pouco. Não precisamos fazer isso aqui, até porque conhecemos bem o Senhor Ottman, ele gosta de fazer com que as pessoas ao redor paguem por seus erros, não é?
Garret foi ficando cada vez mais bravo, mesmo que ele quisesse acabar com aquelas duas. Ele odiava ser desrespeitado em sua casa. Quando Lilith lhe deu um t**a no braço, ele percebeu que estava a segurando muito forte. Afrouxou o aperto, mas a fez ficar do lado dele.
- Posso saber o motivo da visita? – Perguntou, tentando se controlar.
- Eu e Joanne viemos chamar Lili para almoçar conosco. Amanhã é a grande festa e hoje, quero aproveitar Joanne e gostaria de levar ela conosco.
Garret sorriu. Viu Lilith e Joanne olharem para ele com os olhos brilhantes de esperança. Ali, ele viu a sua vingança.
- Ah sim, mas infelizmente, a Lilith não vai poder ir. – Ele viu a mulher murchar em seu lugar. – Hoje teremos uma reunião muito importante, que você deve ter esquecido, e ela vai ter que me acompanhar.
Joanne era uma menina esperta. Entendeu bem que a culpa era dela e de sua língua afiada. Ela olhou para Lilith, com dor no coração.
- Tia...
Lilith sorriu, mesmo triste. Ela era mestre em esconder seus sentimentos, vários anos de treinamento.
- Garret, tem razão. A reunião entre ele e os sócios é muito importante. Sua mãe sabe disso, não é? – Procurando por ajuda da amiga, Lilith implorou com o olhar por ajuda. A morena confirmou, sorrindo para a filha. E, então, Lillith voltou a olhar para o homem que tinha sua vida nas mãos, com o resto de dignidade que ela tinha, empinando o queixo. – Quero ficar um pouco com Brianna e JoJo. Acho que mereço isso, pelo menos.
Garret olhou de uma para a outra, pensativo.
-Tudo bem, mas sem demoras. Sabe que você precisa ficar linda nesta reunião. – E deu um selinho na boca de Lilith. Voltou a olhar para Brianna e Joanne. – Bom, até amanhã na festa para vocês duas. – E saiu.
Brianna fechou as mãos em punhos.
- Eu ainda vou dar um soco na cara desse i****a. – Disse ela, se sentando no sofá. – Como eu o odeio. Essa reunião é só entre os homens, você não tem que estar lá.
Lilith esfregou o braço, torcendo para as marcas dos dedos de Garret não aparecessem. Estava cansada de usar maquiagem para esconder os hematomas.
Deu de ombros.
- Você sabe muito bem porque ele me quer lá. – Respondeu Lilith, levando a sobrinha para o sofá. Queria aproveitar cada minuto que tinha ao lado de pessoas que realmente a queriam bem. – Me exibir como um troféu é a tortura favorita de Garret. Agora, me diga, foi a Igreja ontem?
Joanne olhou de Lilith para a mãe. Entendeu bem que elas falavam em código. Cruzou os braços e ficou acompanhando a conversa.
Brianna sorriu.
- É claro que fui. Precisava rezar um pouco. Conversei com o padre e ele disse que estava tudo bem e que estava organizando algumas coisas para que tudo mudasse. – Ela cerrou o cenho. – Eu não entendi o que ele quis dizer, mas disse que a salvação está próxima.
Lilith piscou, confusa.
A salvação está próxima? Ou Brianna não estava repassando a conversa que teve com Jackson O’Brien da maneira correta ou alguém ali estava delirando. Royal Echo não tinha salvação.
- Acho que o padre tem rezado demais por um milagre. – Brincou, tentando deixar o clima leve. – Nem a Santa Muerte se lembra mais de nós.
Nem a Santa. Nem Deus.
Lilith começava a se conformar com sua vida cheia de restrições. Se, pelo menos, isso continuasse mantendo os homens que amava vivos, já era o suficiente.
***
As lembranças eram boas companheiras a Mateo Hale. Ele gostava de perambular pela mansão abandonada, pensando em como antes ela era cheia de detalhes e cores. Brianna sempre desejou tudo perfeito. Supervisionava a limpeza e ditava como as flores tinham que ser colhidas do jardim e dispostas nos jarros. O quarto de Joanne era cheio de urso e bonecas e a cozinha vivia cheirando a sabores de comida fresca e apetitosa.
Mateo sentia falta daquilo. Sentia falta do seu lar, da sua esposa em seus braços e da sua filha correndo pela casa. Na época, cinco anos atrás, Brianna estava planejando lhe dar outro filho. A morena que, ora era uma deusa de sensualidade, em outra, impunha sua presença e inteligência, ajudando-o nos negócios.
Juntos, eles eram um casal perfeito.
Mateo suspirou, ajeitando o agasalho, se preparando para sair. Se queria sua vida de volta, ele tinha que executar seu plano em perfeição.
- Você devia nos escutar, primo. – Samuel, primo de Mateo e um dos homens de confiança, falou, gesticulando com as mãos. – Não dá para ficar zanzando na cidade e achar que vai passar despercebido sempre. Alguém pode te reconhecer.
Nathan, irmão gêmeo de Samuel e outro homem de confiança de Mateo, andava de um lado para o outro, passando a mão no rosto.
- É isso mesmo, Brow. Sabemos que você quer sua vida de volta, mas não dá para arriscar. E se aquele irlandês s****o descobrir você? Queremos estar perto para te defender, primo.
Mateo já estava farto de tanta p******o em cima dele. Não queria descontar suas frustrações nos primos, mas ele não era uma criança.
- Já chega, vocês dois! – Ele falou, usando seu tom de voz de comando. – Eu não lutei pela minha vida na cama de um hospital por quase três anos e encarei mais dois de fisioterapia para permitir que McLean continue tomando conta dos meus negócios e maltratando minha mulher e minha filha. – Mateo era o típico alfa. Quando ele falava, ninguém ousava rebater. – Vocês entenderam ou vou ter que chutar suas bundas pela porta fora?
- Mas o que está acontecendo aqui? – Perguntou uma voz da porta. Todos olharam e viram Jackson de cara fechada e mãos na cintura. – Dá para ouvir a discussão de vocês lá do portão. Ai vão realmente dizer que essa casa é m*l assombrada.
Nathan levou uma mão aos bolsos e a outra apontou para Mateo.
- Esse maluco está querendo sair e fazer algo bem arriscado. Ele quer ir ao shopping ver Brie e Joanne. Não sei como esse doido fica sabendo aonde elas vão.
Jackson riu e se aproximou.
- Você é doido irmão, agora tenho que dar razão a eles.
Mateo cruzou os braços.
- Diz o cara que hoje vai entrar no covil dos lobos. – Mateo viu a expressão de Jackson mudar e bufou. – Nathan, Samuel, saiam. Preciso resolver com Jackson algumas coisas.
Contrariados, mas não ousando desobedecer o primo, os gêmeos saíram da sala. Samuel ainda se aproximou de Jackson.
- Vê se coloca juízo na cabeça dele.
Mateo ignorou o pedido do primo. Amava aqueles dois, mas como seus homens de confiança, eles precisavam ser direcionados a fazer a coisa certa. E, no momento, a coisa certa era deixá-lo agir em seu plano de vingança.
Já sozinho com Jackson, Mateo fitou o amigo. Ele estava trajado com um de seus melhores ternos e feito a barba.
- Tem certeza que vai ser capaz de fazer isso? – Questionou, preocupado.
Jackson respirou fundo, fitando o chão. Seu cabelo ainda estava bem molhado do longo banho que havia tomado.
- Pronto, eu não estou, confesso. – Jackson olhou para o chão. – Eu não a vejo a anos, Mateo. Eu nem sei como vai ser a reação dela quando... Enfim... – Ele cortou. Voltou a olhar Mateo. – Eu não sei como vou me segurar ao ver o Garret colocando as mãos nela. Voce sabe que para me provocar, ele fará qualquer coisa.
- E você tem que mover muito bem as peças. – Mateo colocou a mão sobre o ombro do amigo. Se ele já enlouquecia com McLean tocando Brianna, imagina se ele fosse como Garret e a tratasse tão m*l, sufocando cada passo que ela dava? – Você precisa fazer isso. Lilith, vai ficar brava. Você a conhece. – Ele sorriu. – É bem capaz dela querer sua cabeça depois.
Jackson riu, olhando o amigo.
- Se queremos ter a cidade de volta e as mulheres que amamos, vale o preço. – Jackson voltou a pensar novamente. – Você tem certeza de que isso tudo é certo? Quer dizer, por que não tenta procurar a Brianna de uma vez... Ela vai nos ajudar, bem mais que o Chuck...
- De novo esse assunto, O’Brien? – Mateo cortou o amigo, fechando o cenho. Ele não ia mais tolerar que Jackson duvidasse do próprio sangue. – Chuck se internou. Ele vai conseguir dessa vez. Tenha um pouco de fé em seu irmão gêmeo.
Jackson suspirou e revirou os olhos. Ele tentava ter fé e no fundo, ele queria e torcia muito que Chuck realmente mudasse, era seu irmão, seu sangue.
- Tanto faz, Mateo. Eu só quero que tudo seja bom para nós. – Ele rumou para a porta, mas antes se virou. – Só me prometa que vai tomar cuidado, Mateo. Eu sei que parece uma p******o fora do normal, mas entenda que todos querem o seu bem. Eu sei que quer todo mundo pagando seus pecados, mas... Temos que ter muito cuidado.
Mateo respirou fundo, endireitando os ombros. Involuntariamente, levou a mão direita ao peito. As cicatrizes das cirurgias estavam lá para provar que quase morreu.
Três tiros.
Três minutos que seu coração parou na maca do hospital.
- Eu prometo que não farei nada perigoso. – Ele olhou bem nos olhos do melhor amigo e sorriu. – Pelo menos, por hoje.
Mateo não garantia nada depois que ele começasse seu plano. A partir daquela noite, Royal Echo seria o palco de sua vingança.
***
A muito tempo, Brianna não tinha um dia tão bom, principalmente ao lado da filha. Ver ela tão pouco tempo durante o ano, devido a pedido do marido, não a fazia bem. Se sentia a pior mãe do mundo tendo de não estar presente na educação e crescimento da filha. Por isso, fazia de tudo que o encontro das duas fosse inesquecível a cada dia.
Depois de algumas horas rodando o shopping, segurando apenas duas sacolas, enquanto Tom segurava as outras, ambas resolveram almoçar na lanchonete favorita de Joanne.
- Acha mesmo que o Garret vai ficar muito bravo com a conta do vestido? – perguntou Brianna, depois que o garçom foi embora. - Ainda acho que quarenta mil dólares é muito pouco para ele pagar.
Joanne colocou o dedo indicador sobre o queixo, fingindo pensar.
- Acho que já está bom, mãe. – Ela falou, dando de ombros. - Não quero que ele brigue mais com a tia Lili e ela vai gostar muito do presente.
Joanne podia ser esperta e muito falante para a sua idade, mas perder o pai e ter que viver em um internato, ensinou-a ser forte e amadurecer mais cedo que a maioria das meninas de onze anos.
Com um suspiro, Joanne fitou a Brianna.
- Mãe, como era o papai? – Perguntou, mordiscando o lábio. – Ele não era igual o James, não é? Um cara r**m?
Falar de Mateo, fazia Brianna sorrir, ainda mais quando Joanne perguntava.
- Não, meu amor... Seu pai era o homem mais bondoso do mundo. – Ela mordeu os lábios. – Te falei que ele trabalhava com coisas mais perigosas, mas não comandava tudo como James, seu pai era justo e não era c***l.
- E você era feliz com ele? – A menina insistiu. – Porque você não gosta do James, mãe. Eu sei que você não gosta. Você sempre diz que a gente precisa dele, mas eu não entendo. – Joanne levou a mão ao rosto da mãe para fazer um carinho nela. – Não entendo por que a gente tem que morar com ele e a tia Lili viver com aquele horroroso do Garret.
Brianna abaixou o olhar, se sentindo culpada por tudo o que havia acontecido as suas vidas naquele tempo. Com um suspiro, ela pegou a mão da filha e beijou.
- Infelizmente, eu e sua tia fizemos algumas promessas que temos que cumprir, meu amor. Coisa que não deveríamos ter aceitado, mas eu prometo para você. – Ela se aproximou do rosto da filha e fez um carinho. – Muito em breve, você estará de novo conosco e seremos uma família normal. Eu me sinto muito m*l de você não ter o convívio conosco como deveria ser, mas eu quero prometer e vou cumprir de te trazer de volta para nossas vidas. Consegue esperar mais um pouco?
Joanne assentiu com a cabeça. Não precisava pensar se confiaria na mãe ou não. Dentro do seu coração, ela tinha a certeza de que Brianna sempre faria o que fosse melhor para as duas.
- Posso pedir um sorvete de sobremesa? – Perguntou, risonha.
Brianna sorriu, assentindo com a cabeça. Logo, seus lanches chegaram e as duas se divertiram bem mais conversando. Depois, uma grande taça de sorvete chegou para Joanne, que se lambuzava com a sobremesa.
Brianna observava a filha, sorrindo e feliz por ela ser uma menina tão inteligente e esperta. Ela era sua única herança que Mateo havia deixado. Seu coração apertou ao lembrar do marido, como todas as vezes em que pensava nele.
Seus olhos encheram-se de lágrimas ao pensar em Mateo e desviou o olhar. A lanchonete estava bem cheia, assim como o shopping. De repente, Brianna olhou para uma mesa e seu coração acelerou. Ela estava vendo um fantasma, não era possível! Seu coração acelerou e seus olhos arregalaram. Ela estava olhando um homem de blusa preta e capuz, com um sorriso nos lábios, feliz em vê-la. Era Mateo. Ele estava tão perto delas.
Brianna pensou em levantar-se e ir até a mesa, mas um grupo de jovens acabou passando na frente e assim que saíram, o homem havia desaparecido. O desanimo bateu nela, sentindo aquele vazio que sempre sentiu depois de algum sonho ou qualquer visão que tinha do marido morto.
Ela ainda continuou olhando para o lugar, como se esperasse que aquele homem reaparecesse, foi quando Tom apareceu e tocou em seu ombro.
- Está tudo bem, senhora?
Brianna olhou para ele em um susto, piscando e voltando a olhar para a mesa.
- Eu juro que... – Ela suspirou. – Não se preocupe, eu... Eu só achei ter visto alguma coisa. – Disse, em um tom de voz suave com o segurança. Ela deveria estar ficando louca, se contasse para alguém, ninguém ia acreditar.
***