O amanhecer chegou com um cheiro diferente. Não era o perfume suave que costumava subir das roseiras, nem o aroma de orvalho que sempre acompanhava o nascer do sol. Era fumaça. Era o rumor áspero da destruição. Rosa acordou primeiro, o coração apertado, como se um chamado antigo a tivesse arrancado do sono. Vestiu o robe às pressas, descalça, e correu até a janela. A neblina parecia tingida de vermelho. Lá fora, o jardim, aquele mesmo que florescera por uma única noite de amor, ardia. As labaredas dançavam como serpentes, consumindo os canteiros, os muros, as memórias. As pétalas se desfaziam em cinza. As chamas refletiam nos olhos dela, que tremiam de espanto e de dor. — Felipe! — o grito rasgou o ar. Ele surgiu na porta, ainda com a camisa aberta, os cabelos desalinhados, o rosto

