A madrugada se desdobrava lenta, azulada, envolta num silêncio que parecia respirar entre os lençóis. O quarto exalava o perfume das rosas que vinham da varanda, misturado ao cheiro de pele, suor e desejo. O luar entrava em faixas finas, dourando a pele deles como se a própria noite os abençoasse depois da tormenta. Felipe estava deitado de lado, o corpo ainda quente, observando Rosa. Ela mantinha os olhos abertos, o cabelo espalhado sobre o travesseiro como um rio escuro que fluía até o peito dele. O corpo dela ainda tremia, não de prazer, mas de lembranças. O silêncio era um véu fino entre os dois, prestes a rasgar. Ele foi o primeiro a falar, num tom baixo, rouco, quase um sussurro: — Rosa… não quero mais que exista nada entre nós que precise ser adivinhado. Ela respirou fundo, as

